UMA GLÓRIA DE ATRIZ

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FOTO: arquivo pessoal de Darlene
Ela é uma das únicas atrizes dos anos 1960 e 1970 do cinema brasileiro em atividade. Helena Maria Glória Vianna, Darlene Glória, interpretou de forma inesquecível o papel da prostituta Geni do premiado, TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA, da obra de Nelson Rodrigues e dirigido por Arnaldo Jabor.
TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA foi o primeiro longa nacional a receber o Urso de Prata do Festival de Berlim de 1973, e a consagração de uma das mais talentosas atrizes daquela época.
Darlene Glória que já participou de muitos filmes, novelas e minisséries da televisão, ainda está na ativa estudando boas propostas para fazer cinema, sua paixão.
Nessa entrevista ao jornalista Warlen Pontes por e-mail, Glória fala sobre como foi trabalhar com dois diretores estreantes, Arnaldo Jabor em TODA NUDEZ e Selton Mello em FELIZ NATAL, além de revelar o que acha do cinema e da televisão brasileiros, entre outras coisas. E, por fim, participa de um bate-bola.
Senhoras e senhores: Darlene Glória.
MIB: Li UMA NOVA GLÓRIA (biografia da atriz) e acho que deveria transformar-se num filme. Existe algum projeto nesse sentido?
DG: Ih, existiram vários projetos em anos distintos, mas nunca dei força suficiente para ir adiante, porque tenho tantas histórias que não sei por onde começar. É um roteiro complicado. Acho que precisava de um roteirista muito especial. Como também acho que se tiver que acontecer, acontecerá e no tempo certo.
MIB :Fernanda Montenegro encomendou ao Nelson Rodrigues uma comédia e ele entregou TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA, considera seu maior filme uma comédia?
DG: Incrível, mas não sabia dessa história. Que incrível! Tem certeza? Isso foi muito bom! Uma tragicomédia sim, comédia, nunca! Mas, sabe, a realidade às vezes é tão absurda que pode provocar risos. Por exemplo: dia desses estava assistindo ao programa policial do Luiz Datena (TV Bandeirantes) e foram tantas as desgraças que eu e minha irmã depois de saber de algumas delas, começamos a rir, e a rir. Foi hilário! Como se diz: é cômico se não fosse trágico.
MIB: Em UMA NOVA GLÓRIA você relata que colocou sua alma à mostra para viver a prostituta Geni de TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA. Como foi o processo para construir a personagem?
DG: O processo era a minha própria história. Minhas experiências como atriz na observação da vida. Sempre fizera papéis sensuais e aquela foi a minha oportunidade de demonstrar talento, afinal, abrira concessões a vida inteira, porque sabe – sem falsa modéstia – ninguém acredita de início no talento de uma atriz bonita, que só faz papel de loira burra… Deitei, rolei e me realizei como Geni.
cena de TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA. Foto: divulgação.
MIB: O que Nelson Rodrigues achou de “sua” Geni?
DG: Parece que amou! Ouvia os comentários de Jabor e de outros amigos que privavam da intimidade dele e sempre foram os melhores. Ele tornou-se meu fã, eu já era dele, claro.
Nota: À época Nelson Rodrigues declarou: “Ela é melhor que a Jane Fonda”.
MIB: Você trabalhou com importantes diretores do cinema, teatro e televisão. Com quem você gostaria de trabalhar de novo e por quê?
DG: Com Jabor certamente e também com o Selton Mello. Os dois são excepcionais e nem sei dizer o quanto. Outro com quem nunca trabalhei e sou vidrada é o Mauro Salles (ops).
MIB: Arnaldo Jabor disse uma vez que não refilmaria TODA NUDEZ devido à sua interpretação que ele a considera perfeita e, Selton Mello declarou que você é o farol de FELIZ NATAL, mesmo não estando em cena, sua presença está em cada fotograma do filme. Qual a diferença em trabalhar com um diretor experiente e um outro estreante?
DG: São dois queridos esses meninos… Na verdade não há diferença alguma porque quando trabalhei como o Jabor ele também era iniciante e o Selton também, como diretor, claro. Mas talento ou se tem ou não, e os dois têm de sobra. Sem falar da sensibilidade.
cena de FELIZ NATAL. Foto: divulgação.
MIB: O que você acha que seria necessário para o Brasil tornar-se uma potência mundial no cinema?
DG: O monopólio americano ruir! Mas isso é quase que impossível. Eles estão muitos anos luz à frente, mas não se engane, em qualidade de produção, direção, argumento, atores e fotografia etc, o Brasil deu um salto imenso. Não estamos tão abaixo deles como outrora. Viva! Queria que Glauber (Rocha) tivesse aqui pra ver.
MIB: Qual é a sequência favorita de Darlene Glória no cinema nacional?
DG: Em FELIZ NATAL minha personagem Mércia faz o discurso dela ao ex-marido na festa. Outra seqüência favorita é quando em TODA NUDEZ, a Geni descobre que seu enteado-namorado é gay.
MIB: Algum convite para o cinema?
DG: Alguns, mas não como gostaria que fosse ou o filme esperado. Tenho alguns roteiros excelentes que podem ainda ser produzidos.
MIB: O que você acha da televisão brasileira?
DG: Temos vários tipos de TV no Brasil, mas no geral é provocativa, mal aproveitada, em termos de cultura história nossa e obscena. Há algumas exceções como o CQC (TV Bandeirantes) e algumas minisséries épicas brasileiras feita pela Globo.
MIB: Qual é a cena favorita de Darlene Glória na televisão brasileira?
DG: Meu arquivo global se foi no incêndio. Eram seus inícios, mas havia muita coisa linda que lá fizera, de colegas… Há tanta gente boa, falando coisas interessantes que não dá para exemplificar. Tô sem saída. Não quero magoar ninguém. Tenho muitos amigos e você sabe, atores e atrizes são seres muito sensíveis.
MIB: Algum convite para a televisão?
DG: Infelizmente não. Também estou meio retirada em Teresópolis e meio preguiçosa pra correr atrás. Deixa rolar. Enquanto isso, pinto meus quadros e vai por aí.

BATE-BOLA COM DARLENE GLÓRIA
Espero que a presidenta Dilma…
Se dê bem e consiga virar a impunidade governista.
Não gosto de assistir a…
Filme de terror, vampiro, demonismo.
Ainda quero fazer…
Outro filme com Selton Mello
Na minha geladeira não falta…
Carne e queijo de todo tipo.
Minha oração vai para…
O Brasil, para o mundo ser transformado pelo poder e amor de Deus, Jesus!
Trecho da Bíblica que mais me fascina é…
Eclesiastes 3.
Gosto de cantar debaixo do chuveiro…
O que pintar na hora na cabeça.
Viver é…
Cristo e com Ele tudo se transforma em vitória.
Quando chegar no céu eu quero…
Ver todos meus amigos e inimigos lá e participarmos juntos do grande banquete, a grande festa com Deus pai e nosso salvador, Jesus.
A Darlene é…
Uma mulher do bem que se doa incessantemente, sem interesses pessoais e quer acertar sempre, reconhecendo seus limites.
Leia a seguir depoimentos de dois monstros sagrados do cinema nacional sobre Darlene Glória.
“A Darlene Glória é uma atriz que meramente faz uma mímica da personagem, ela transforma a personagem numa cena viva, numa pessoa real”
Arnaldo Jabor
 “Darlene Glória é a lembrança viva de um momento em que o cinema brasileiro foi maior”
José Wilker

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2 COMENTÁRIOS

  1. Aprendi a respeitar e gostar desta maravilhosa atriz ( prá mim o simbolo maior do cinema nacional )no inicio dos anos 70 com o premiadíssimo TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA. DARLENE GLÓRIA em cena é impressionantemente TALENTOSA. Um dia ainda terei o przer de dar-lhe um abraço de agradecimento pelos ótimos momentos que vive vendo-a atuar. Volta logo DARLENE, precisamos da tua arte. Um grande e afetuoso beijo. SYLVINHA BRASIL

  2. AMEI O FILME DE TODA NUDEZ SERA CASTIGADA E SUA PERSONAGEM GENI EMBORA NAO VIVESSE AQUELA EPOCA AQUELE ANO MARAVILHOSO DE 1973 ME SENTI COMO SE ESTIVESSE NAQUELA FASCINANTE
    DECADA. UM GRANDE ABRAÇO A ESSA ATRIZ MAGNIFICA E QUE ELA VOLTE A BRILHAR EM NOSSA TELINHA NOVAMENTE.BEIJOS DARLENE SOU TEU ETERNO FÃ FRANCIS

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