sábado, 10 de março de 2012

MINISSÉRIE REI DAVI: TV CRÍTICA.

Os anos eram 1997 e 1998. A Record produzia minisséries despretenciosas de 20 capítulos. Sob direção de Atílio Riccó e Luiz Antônio Piá foram, ao todo, 12 produções.
De lá pra cá muita coisa mudou e evoluiu também. Nem parece o mesmo canal. Existe um hiato de qualidade de 12 anos.
Começou com A HISTÓRIA DE ESTHER. Depois veio SANSÃO E DALILA e agora, REI DAVI.

Com REI DAVI a emissora acertou em cheio. Texto, direção, elenco, cenografia, enfim, uma produção de deixar qualquer fã por televisão boquiaberto. Nem parece made in Brazil.
A TV da Barra Funda abriu o cofre e não economizou: falam em 30 milhões de reais.

REI DAVI é uma superprodução livre adaptada dos dois livros bíblicos de Samuel, por Vívian de Oliveira. Uma dica: leia os livros, antes de assistir.
Lá atrás, Vívian escreveu Por Amor e Ódio e Alma de Pedra.


A PRODUÇÃO
Com 30 capítulos e 42 personagens, REI DAVI é um produto ousado com locações no Canadá e na Chapada Diamantina. Quando assisti ao primeiro capítulo, não acreditava no que via. Fotografia belíssima, figurinos ricos e coerentes, cenários grandiosos, efeitos visuais de tirar o fôlego, junte-se a isso, uma trilha sonora suave e forte. Um cuidado hollywoodiano. Aliás, diga-se de passagem, não deve nada às produções americanas.


O TEXTO
Vívian de Oliveira desta vez acertou. Aproximou-se do público com texto simples, sem ser pobre, pois adaptar uma obra bíblica, de linguagem rebuscada, não é tarefa fácil.  Senti falta de palavras ou termos "populares" dos Hebreus, um jargão marcante. Os Salmos compostos por Davi e cantados em aramaico com legendas em português, são emocionantes.
 

O ELENCO
REI DAVI também acerta em cheio no elenco. Não vou poder falar de todos individualmente, mas como tenho feito, os meus aplausos vão para os melhores e, destaco em seguida, os melhores dos melhores, o.k.?

Ainoã (Marly Bueno), Joabe (Joao Vitti), Paltiel (André Segatti) Jessé (Clemente Viscaíno), Bate-Seba (Renata Domínguez, Aitofel (Paulo Figueiredo), Rispa (Raquel Nunes), Celima (Bianca Castanho), Ziba (Thierry Figueira) e Tirsa (Roberta Gualba).

Os melhores dos melhores:
Rei Saul (Paulo Gracindo), impressionante o talento do Gracindo, vai da loucura à lucidez com verdade; Edna (Ângela Leal), uma mãe amorosa, carinhosa e com fé. Encantadora. Arrebatadora; Eliabe (Rodrigo Phavanello), a cada personagem esse ator cresce. O olhar de inveja para com Davi, impressionou-me; Jônatas (Cláudio Fontana), verdadeiro e fiel como amigo e filho; Allat (Cibele Larrama), não caiu na silada dos estereótipos das bruxas. A sua é sensível e apaixonante; Samuel (Isaac Bardavid), não vi até hoje uma interpretação de um religioso tão forte; Doegue (Roney Villela), sua empatia e verdade com a doença de sua personagem, comoveu-me. E os Davis?(Leandro Leo e Leonardo Brício). Leandro Leo representou a nossa pequinez diante dos problemas da vida com fé e verdade. Leonardo Brício, um rei atormentado pelo pecado e pela fé em Deus, sem canastrice.


CENAS EM DESTAQUE
O confronto de Davi com o gigante Golias foi uma das cenas mais bem feitas e mais emocionantes da TV brasileira, não só pelo simbolismo, mas também pela sua perfeição visual. 
Quantas pessoas não se imaginaram derrotando os "seus" Golias? A própria Record usou da cena para propagar aos quatro cantos a liderança absoluta da minissérie no horário (bate a Globo até com as reprises). 

O apedrejamento de Allat, a feiticeira, interpretada de maneira sublime pela Cibele Larrama, também é simbólica, afinal, quem somos nós para julgarmos as crendices ou a idolatria dos outros, se temos as nossas? Quem não tem, atire a primeira pedra. 

A amizade de Davi e Jônatas era fiel, leal e verdadeira. Achei o seu desenvolvimento morno. Na Bíblia, a cena da despedida foi quente. Teve até beijo, mas, na história da televisão, bem sem graça: um simples aperto de mãos, um abraço e "tchaú migo". Será o medo de pensarem num possível relacionamento homossexual defendido pelas seitas "evangélicas" gays? 

Recheadas de emoções e na dose certa, foram as cenas das mortes de Celima e do profeta Samuel.
Muita coisa ainda está por acontecer. A morte de Saul e o reinado de Davi. Muitas emoções, menos guerras, mais paixões e muita paz. 
REI DAVI, terças e quintas, depois de VIDAS EM JOGO, às 23h15.

Curta a nossa página no FACEBOOK
Siga-nos no twitter
@tvabordo

3 comentários:

Postar um comentário

Ofensas não serão publicadas.