Qual é a realidade de AVENIDA BRASIL?

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foto: reprodução
 
novela AVENIDA BRASIL – TV CRÍTICA
Quais são os ingredientes para se fazer uma sobremesa irresistível? Leite condensado, manteiga, ovos, leite de coco, ovomaltine, leite comum, chocolate granulado… não tem erro, sai uma delícia.
 
E quais são os ingredientes para se fazer uma novela de sucesso? Texto delicioso, fotografia refinada, elenco afinado, uma criança encantadora, humor na hora certa, futebol e Flamengo… Não pode dá errado.
 
AVENIDA BRASIL mistura todos os ingredientes de uma receita de sucesso. Uma sobremesa daquelas de deixar qualquer um apaixonado.


A história
O mote de AVENIDA é a vingança de uma criança Rita (Débora Falabella), docemente triste, pois descobre os planos arquitetados pela malévola madrasta, Carminha (Adriana Esteves), para cima de seu pai Genésio (Tony Ramos), numa participação para lá de especial.
 
Genésio é atropelado na Avenida Brasil acidentalmente pelo jogador de futebol, campeão carioca, artilheiro do Campeonato Brasileiro e flamenguista, Tufão – o gordo Murilo Benício – qualquer semelhança é mera coincidência com… deixa pra lá, rs. 
 
Rita é entregue por Caminha no lixão. Lá existem outras tantas crianças nas mesmas condições, com os mesmos dramas e, guardem esse nome, Jorginho, também vive por ali.
 
O Divino é o fictício bairro do subúrbio carioca, o local perfeito para ambientar tramas, brigas, discussões e muito barraco. O tema de abertura ‘Dançar Kuduro’ embala as noites nobres da Globo e sacode o esqueleto de milhões de brasileiros. 


O elenco
O Divino é o palco do humor – marca registrada de AVENIDA – e onde acontecem as aventuras de Tufão, Carminha e cia. 
 
As cenas com Leleco (Marcos Caruso), sua inconfundível risada e Muricy (Eliane Giardini) – cada vez mais bonita – são impagáveis e rendem ótimos momentos.
 
Heloísa Perissé empresta mais uma vez seu grande carisma e nos brinda com uma Monalisa de pés no chão, depois de tomar um pé no traseiro do Tufão. 
 
Para não ficar de fora, não desiste de um outro homem, o hilário Silas (Ailton Graça), perfeito. Não podemos deixar também de destacar Fabíula Nascimento, com a sua Olenka e a engraçadíssima Letícia Isnard, como a cunhada tonta Ivana.


E não para por aí. A bela Ísis Valverde rouba a cena com sua “cachorra” Suelen, além  do Diógenes (Otávio Augusto), o Roniquito (Daniel Rocha), o Darkson (José Loreto), o “Magdo” Adauto (Juliano Cazarré), o Leandro (Thiago Martins) e o Iran (Bruno Gissoni).


As empregadas da Carminha: Janaína (Cláudia Missura) e a Zezé (Cacau Protásio), papéis pequenos mas com bons desempenhos.
 
Mas a comédia não está presente somente no subúrbio, as mulheres da Zona Sul, as traídas Verônica (Débora Bloch) e Noêmia (Camila Morgado), dão show com o já manjado personagem Cadinho de Alexandre Borges.
 
E a Lucinda da Vera Holtz? Não poderiam ter arrumado uma atriz com sotaque carioca para o lixão, em vez de uma caipira do interior de São Paulo? Escorregaram, vão ter que explicar isso lá na frente.  


O incansável – terceira novela seguida – Cauã Reymond e seu sensível Jorginho mostra quão versátil é o ator.
 
Mas quem dá show mesmo é a veterana Adriana Esteves e a estreante Mel Maia. Não tenho dúvida – se não der nada de errado no caminho –  a Carminha estará na galeria das melhores vilãs das telenovelas brasileiras.
 
E a pequena Rita? A Globo deve ter um caçador de talento perambulando pelas escolas em busca de garotinhas excepcionais e, ela é mais uma.


A realidade
Tudo isso esconde uma triste realidade por trás de AVENIDA. Por que em pleno horário nobre em que mais de 30 milhões de espectadores assistem a uma história onde existe traição, maldade, vingança e falsidade? É comum ouvir falar: a novela é o espelho da sociedade, mas a novela é formadora de opinião também.


A primeira semana de AVENIDA deixou-me preocupado em relação ao diálogo de duas crianças – estou falando de seis anos de idade – prometendo amor eterno um ao outro com um beijo na boca.
 
Crianças precoces
Todos nós passamos por fases na vida, infância, adolescência, etc, e tudo tem seu tempo determinado. Vemos hoje muitas crianças precoces. Já se fala abertamente em sexo nas escolas, pois os pais não tratam desse assunto em casa, mas deixam suas crias à vontade em frente ao aparelho de TV.


Outro ponto triste: por que alimentar uma vingança? Mesmo depois dos apelos incansáveis de seu pai argentino, de sua mãe adotiva Lucinda, Rita não desistirá de sua ideia. A vida é assim? Todo mundo sabe que o revidar não leva a nenhum lugar, pelo contrário, traz a tristeza e a maldade para nós mesmos.
 
O Cadinho tem três mulheres. Quantos casamentos existem em que seus machos possuem uma, duas e até três amantes, e tudo parece divertido e engraçado? Enquanto milhares de mulheres lotam consultórios de psicólogos em busca de tratamento para uma resposta à sua culpa.
 
Palavrões

Os palavrões estão em evidência. Antes não se podia pronunciar a palavra sacanagem até ser liberada. Depois veio merda. Agora estamos ouvindo “porra nenhuma”. Diálogo no último capítulo de FINA ESTAMPA e dia desses com Carminha e Max. Daqui a pouco ouviremos o quê? Nem vou mencionar.


Todo o talento de nosso elenco e toda genialidade das tramas dos nossos folhetins poderiam mudar de rumo e de objetivo.
 
Ouvi de uma leitora do blog:
“Mas não dá audiência, Warlen Pontes, o povo gosta da maldade, da falsidade, da sacanagem”, infelizmente é uma pobre realidade. Quem sabe um dia comeremos uma sobremesa com ingredientes deliciosos de verdade, senão amargaremos ao morder o primeiro pedaço.


AVENIDA BRASIL
 
Novela
João Emanuela Carneiro
 
Colaboração
Alessandro Marson
Luciana Pessanha
Marcia Prates
Thereza Falcão
 
Dirigida por
André Camara
Gustavo Hernandez
Joana Jabace
Paulo Silvestrini
Thiago Teitelrolt
 
Direção Geral
Amora Mautner
José Luiz Villamarim
 
Direção de Núcleo
Ricardo Waddington

 
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Comentários do Facebook

12 COMENTÁRIOS

  1. Concordo com você Warlen, quando fala da influencia no amadurecimento precoce das crianças e certamente em pouco tempo teremos crianças nessa faixa etária beijando a boca de outras crianças e seus pais ao ver a cena, dizendo "Deixa, é tão bonitinho!".
    Mas existem outros pontos a serem observados na trama. Se a Rita gosta do Jorginho mesmo, por que então ela não conta a verdade ao rapaz? Já que ele também não gosta da madrasta? Isso certamente acabaria com a novela e a vingança da moça(que é nada mais, nada menos do que desmascarar a vilã). Particularmente, acho uma história vazia, sem mistério e bastante contraditória nesse sentido, além das questões abordadas na novela, como: o encesto, a traição, a poligamia, a mentira deslavada de personagens como o Silas que só serve para influenciar na vida real. Infelizmente, não vejo nada de construtivo nessa novela. Apenas uma sensação de
    frustração refletida nos casais da novela, que certamente o autor irá uní-los no final, mas aí, já não vai mais ter graça.

    Parabéns pelo blog Warlen!

  2. Não aguento essa Nina…. muito chata com essa história de vingança!!!! Pega o Batata e esquece da vida!!!!

  3. eu tou assistindo a novela em Chile pelo cabo. Se bem é verdade que eu admiro as telenovelas brasileiras e seus talentos, e que Avenida está cheia de personagens inesqueciveis… tem alguma coisa por aí que eu sinto que nao está dando certo. A vingança da Nina perde atrativo, por qué nao grava as conversaciones da Carminha com o Max? Chances ja teve! O Silas e a sua mentira é uma historia muito mal contada… por qué tanto grito, tanta gente falando ao mesmo tempo…. e a historia do Cadinho? Chata mesmo!! nao aporta nada!! Mas eu continuo assistindo porque Adriana Esteves e Caua Reymond, principalmente, me conquistaram!!!

  4. Eu tambem continuo assistindo e amando a novela…Como nao ser fan da Falabella,Adriana e Caua? eles estao arrasando…e ainda tem gente por ai criticando o trabalho dele,dizendo que todos os seus personagens sao iguais,discordo…cada um deles teve o seu brilho, adoro o Caua.Jorginho e Nina sao perfeitos juntos e nao vejo a hora de ve-los de novo!!

  5. Avenida Brasil não é tão original quanto parece. Se você observar a série Revenge, do canal norte-americano ABC e lançada em setembro de 2011, os traços entre personagens e trama são muito semelhantes. Creio eu que a novela chega até a ser um plágio do seriado!

  6. Concordo com quase tudo,mas a que rouba a cena e sempre Adriana Esteves,por longe a melhor!!!!Falabella deixa muito a desejar.A menina também linda,nao sei de onde tiraram mas encantou e comoveu a todos.
    Pena que no comeco a novela prometía,ja hoje está ficando chata!!
    Con respeito aos valores,nnguem merece mesmo,onde se viu fazer uma apología a bigamía,traicao e falta de caráter,muito feio m esmo o que se trasmite.

  7. Primeiro quereeedo, novela não tem e nem precisa ter compromisso nenhum com a realidade. Segundo, nenhuma novela terá audiência sem barracos, vilanias e sacanagem, o povo gosta, e apesar do povo dizer ser contra isso, todo mundo cola na Tv quando os personagens sobem e tom de voz e partem para e baixaria. Terceiro, a Tv não educa, ela influencia, assim como tudo na vida exerce influência em nós, se as crianças são precoces a culpa é dos educadores que permitiram elas serem influenciadas. Enfim, novela está longe de ser documentário, escola, igreja… Novela é entretenimento e para entreter vale tudo!!!

  8. Claudio Carneiro – Acompanho direto a novela, gosto bastante, só acho que o núcleo do Cadinho e suas mulheres já deu no saco. Adriana Esteves dando um show! Cauã muito bem, mas o personagem Jorginho (Batata), é um pé no saco! Rsrsrs!!! Gosto da Débora Falabella, mas acho que se esse personagem (Nina, Rita) fosse da Natália Dil ia ser mais verdadeiro. Será que o Tufão (Murilo Benício), até o final da novela vai conseguir tirar o ovo da boca? É pq é novela…, mas…, se fosse na vida real, com todo o dinheiro que a Nina pegou no sequestro, já não era para ela ter contratado um excelente detetive e desmascarado a Carminha? Bem, mas aí a novela iria acabar.

    SALVE JORGE!!! Bjs no c… Corpo!

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