CLAUDIO GABRIEL: “Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade.”

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entrevista
CLAUDIO GABRIEL
foto: arquivo pessoal
O carioca do bairro da Tijuca e torcedor do Fluminense, Claudio Gabriel, é pai de Aisha (22) , Pedro (9) e avô de Miguel (3). Está casado com a atriz e diretora Isabel Cavalcanti e, faz parte do elenco da Rede Record desde 2007. Atualmente, brilha na telinha como o policial corrupto Gaspar Brandão da série FORA DE CONTROLE, de Marcílio Moraes. 

Com 20 anos de carreira
profissional incluindo teatro, cinema e televisão, Claudio Gabriel tem na bagagem uns 20 espetáculos teatrais, mais de uma dezena de participações na televisão, entre novelas, séries e
minisséries, além de uma carreira promissora no cinema. 

Entre e-mails, encontros
e conversas, Gabriel recebeu TV a BORDO no camarim do Teatro Leblon, Sala
Marília Pêra, onde interpreta o dermatologista Sérgio com o espetáculo teatral
ARTE (veja box).


Nesta entrevista
exclusiva ao blog, venha conhecer um pouco mais de CLAUDIO GABRIEL.

TVaBordo – A primeira vez de qualquer coisa, a gente nunca esquece. Qual foi a sua no
palco?


Claudio Gabriel – Foi no espetáculo O HOMEM DE NAZARÉ, SESC Tijuca, em
88. 
Fui experimentar e nunca mais deixei a vida de ator. 
Era um grupo amador, dirigido por José Maria
Rodrigues, que me ensinou muita coisa.

TVaBordo – Por que escolheu ser ator? 


Claudio Gabriel – Sou artista. Sempre tive aptidão para o desenho. 
Passei pela música por meio das bandas: Os Walneys e Megafone, formadas com
amigos. Desde 2010 estudo pintura no Parque Lage. Ano passado, participei do
meu primeiro Salão de Artes. 
Foi em Praia Grande – SP.

TVaBordo – Alguma vez desistiu de ser ator?
Claudio Gabriel – Nunca desisti de ser
ator.
 



TVaBordo – Em 1991, na Globo, estreou o Caso Especial: “As Pessoas na Sala de Jantar”, com
direção de Denise Saraceni. A primeira novela, também na Globo, foi
“Felicidade”, de Manoel Carlos. Qual foi a maior dificuldade na estreia da TV?
Claudio Gabriel – A dificuldade foi contracenar com Paulo José e Eva
Wilma, meus pais no episódio, os quais eu ainda via como ídolos. 
A outra foi
a adaptação a uma interpretação mais próxima de mim, da vida real, diferente do
teatro, onde me formei.

TVaBordo – Como chegou à TV?
Claudio Gabriel – Cheguei à TV por meio de um teste para a novela
“Vamp”, de Antônio Calmon. Eu estudava na Escola de Teatro Martins Pena, e por
coincidência, minha professora, Mona Lazar, tornou-se assistente da Denise
Saraceni, na Rede Globo. 
Assim, ela levou uns 10 alunos para o teste. 
Eu e uma
colega nos destacamos e quase fizemos a novela. 
Só não aconteceu porque a
Denise saiu e tudo mudou. 
Mas logo depois, ela me convidou diretamente, sem
testes, para fazer esses meus dois primeiros trabalhos.

TVaBordo – Ficou muito triste por não ter feito VAMP?
Claudio Gabriel – Não. Eu ainda não sabia o que
significava a TV na minha vida, naquela época. E nunca considerei a televisão
como uma meta. As coisas foram acontecendo, naturalmente. 
Além disso, a
carreira de qualquer ator passa por momentos de mudança, expectativa,
oportunidades etc. 
Em 91, eu apenas estudava teatro, e, quando me dei conta,
minha carreira profissional já tinha começado. 



No camarim do Teatro Leblon, Sala Marília Pera
foto Warlen Pontes


TVaBordo – Em 1996, no cinema, estreava no longa: “Anahy de Las Missiones”. Qual foi a sua maior dificuldade na tela grande?
Claudio Gabriel – Apesar de não ter mais “medo” das câmeras, por conta da experiência televisiva, tive, não diria a dificuldade, mas a necessidade de adaptação a uma nova linguagem, diferente do teatro e da TV, com regras próprias. 
Uma certa mistura dos dois, foi o que senti na época. 
Como era película ainda, tínhamos que ensaiar muito pra filmar de primeira, o que me ligava ao teatro. 
Por outro lado, havia câmeras, quadros, interpretação, que estavam associados, de certa forma, ao que eu fazia na TV.

TVaBordo – O que prefere: cinema, teatro ou TV?



Claudio Gabriel – Nenhum. Sou apaixonado pela minha profissão, independente do meio. O importante é realizar bem os papéis e, se possível, em trabalhos de qualidade.

TVaBordo – Das personagens que fez, existe alguma em especial? 
Claudio Gabriel – Especial é sempre a personagem atual. Agora eu sou o Sérgio, amigo de Marcos
(Marcelo Flores) e Ivan (Vladimir Brichta), na peça ARTE. E, ao mesmo tempo, o
Brandão, na TV. 
Posso dizer que este ano está sendo especial. Outro personagem
especialíssimo foi o Francisco, da série educativa Tecendo o Saber.




TVaBordo – Diz o ditado: ‘se conselho fosse bom não seria dado, mas vendido’, para quem venderia um conselho?


Claudio Gabriel – Venderia bem caro e pros corruptos. Não sei se é um
conselho, mas é uma frase que adoro, acho que é assim: 
“É bom ser do bem”. 
Outra: “Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao
menos por desonestidade.” ( Sócrates).



Claudio Gabriel com Isabel e Pedro (arquivo pessoal)

TVaBordo – Você é conhecido por ser engraçado. Qual a maior graça na vida?
Claudio Gabriel – O mais engraçado na vida é viver. Você nunca sabe o
que vai acontecer. Por mais que faça planos, a vida pode “puxar o
tapete” e você é obrigado a mudar. 
Aí se consiste, por exemplo, o trabalho
do palhaço.

TVaBordo – Você é um cara bem-humorado? Como é o Claudio Gabriel fora de cena?
Claudio Gabriel – Sou bem e mal humorado, como todos. Não me considero
um cara engraçado 24 horas por dia, como algumas pessoas que conheço. O meu
humor é pontual, eu diria, associado a um olhar irônico sobre a vida.




TVaBordo – Já fez algum papel na carreira que não tinha graça nenhuma? 


Claudio Gabriel – Adoro fazer drama também, não defendo o humor como
minha única bandeira. Talvez o papel mais barra pesada tenha sido o
“Casé”, um viciado em drogas no longa: “Alucinados”, do
Roberto Santucci. Mas, apesar disso, também tinha humor. 
A vida é assim, o
drama e a comédia caminham juntos. 
E, sendo assim, penso que a obra de arte
mais interessante é sempre aquela que consegue juntar os dois. 
Assim como ARTE,
em cartaz no Teatro do Leblon, que você teve a oportunidade de ver.

Claudio Gabriel e Pedro (arquivo pessoal)

#FORADECONTROLE

TVaBordo – Quem é Gaspar Brandão? Conte-me sobre a personagem.


Claudio Gabriel – É o braço direito do delegado Medeiros, seu fiel
escudeiro, em todos os sentidos. Violento, truculento, quando tem que ser e,
irônico, com respostas na ponta da língua e tiradas sensacionais. É um ótimo
policial civil, porém corrupto. 
Segue a cartilha do chefe. Nada é empecilho
para uma investigação. 
Nem as leis.

TVaBordo – Como surgiu o convite para fazer o Gaspar Brandão? 



Claudio Gabriel – Surgiu dos diretores da série, Johnny Araújo e Daniel Rezende, em comum acordo com os irmãos Caio e Fabiano Gullane, coprodutores do seriado, e com o diretor de teledramaturgia da Record, Iran Silveira. Fui chamado primeiro para um teste, e depois escolhido, em função das minhas características (físicas e de atuação), que serviam ao personagem.


TVaBordo – E a preparação para compor o Gaspar Brandão?
Claudio Gabriel – Foi maravilhosa! Um divisor de águas. Foi com um
cara chamado Luiz Mário Vicente, preparador de atores, excelente. 

Fizemos
muitos exercícios físicos e psicológicos, durante umas quatro semanas. Também
fizemos improvisações sensacionais na rua, mais precisamente no Saara, Centro do Rio, e na praia de Copacabana. Inesquecível! 

Tudo
isso pra dar credibilidade aos personagens, para que não houvesse dúvidas de
que se tratava de uma equipe de policiais experientes. 
Outra soma
imprescindível foi a consultoria do policial Bruno D’Elia, que nos ensinou
desde o manuseio com armas até os vários procedimentos de abordagens e
investigações policiais. 
Também visitamos e conhecemos detalhadamente uma
delegacia da zona sul.




TVaBordo – O que esperar do seriado?
Claudio Gabriel – Ontem foi exibido o último episódio. Espero outras
temporadas de sucesso. Ficamos com “gostinho de quero mais”, assim
como esperamos que fique o público. A partir deste trabalho, eu, Milhem Cortaz e Rafaela Mandelli
viramos grandes amigos.



Leia a crítica do blog sobre
 FORA DE CONTROLE




TVaBordo – Uma mensagem aos fãs de FORA DE CONTROLE.
Claudio Gabriel – Assistam! Comentem! Divulguem! Peçam mais! Obrigado!

TVaBordo – Uma mensagem para os fãs de Claudio Gabriel.



Claudio Gabriel – Obrigado queridos, não seria nada sem vocês. O artista se completa com o público. Ninguém é uma ilha.

Claudio Gabriel e Warlen Pontes no camarim 
do Teatro Leblon
(foto: Vladimir Brichta)



JOGO RÁPIDO 
com
Claudio Gabriel





O meu melhor ator é… 

Marlon Brando / Tony Ramos.

E a melhor atriz é… 

Meryl Streep / Glória Pires.

Meu livro de cabeceira é… 

‘A Invenção de Morel ‘(Adolfo Bioy Casares).

Meu filme favorito é… 

‘2001, Uma Odisseia no Espaço’

Religião… 
Não tenho, mas acredito numa 
energia maior, que está
ligada 

em rede a todos nós.

Gosto de gente… 

Honesta.

Na minha geladeira não falta… 

Maçã.

O meu sonho de consumo é… 

Uma longa viagem para Europa ou NY.

Ainda quero representar… 

Muitos papéis.


Momento mais engraçado da vida foi… 

Ô perguntinha difícil (rs).

No meu aniversário quero ganhar… 

Roupas.

Gosto de cantar debaixo do chuveiro… 

Legião Urbana.

Eu prenderia…

Os políticos corruptos.

Detesto… 

Falta de cidadania, falsidade…

Amo… 

Minha família.

O Rio de Janeiro… 

Continua lindo.

O Brasil… 

É um país contraditório.

Meu ditado preferido é… 

“O apressado come cru”.

Minha família é… 

Minha base emocional.


Viver é..

Bom, nas curvas da estrada,
solidão, que nada
(Cazuza).


Cláudio Gabriel é um cara…
 

Comum.


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6 COMENTÁRIOS

  1. Adorei a entrevista com o ator Claudio Gabriel, me pareceu uma pessoa consciente do poder que as artes possuem nas pessoas porem nao usa esse poder que os artistas tem para se tornar um sujeito inacessivel ou um "diva" deslumbrado. Eh muito bom poder conhecer artistas que exercem essa profissao por tanto tempo e que pouco se sabe sobre eles (principalmente quando se esta fora do Brasil, como eu). Excelente entrevista, Parabens!!! Abracos…Marcia Ramiro

  2. PATRÍCIA CUNHA;OI CLÁUDIO EU ME CHAMO PATRÍCIA OU PATI E SOU SUA FÃ VEJO TODAS AS NOVELAS E MINISSÉRIES EM QUE VOCE ESTEJA NÃO PERCO UM CAPÍTULO PODE ACREDITAR ISTO SIM É SER FÃ HEIN?E UMA FÃ VICIADA EM VOCE SOU EU EU MORO EM PORTO ALEGRE MAIS NÃO DEIXO DE SER SUA FÃ PATI.

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