segunda-feira, 7 de maio de 2012

PRIMEIRO CAPÍTULO

De Warlen Pontes

COPACABANA, SEXTA, 
2 DE MARÇO, 2011.



Edviges Magalhães está internada no HOSPITAL PASSAGEM PARA A ETERNIDADE.
Ela está com um câncer no “fiofó”.
Sua filha Fedra está com ela no quarto.
Edviges acorda e olha para a filha.
Edviges está com um lenço rosa choque cheguei enrolado na cabeça. 
Ela tem fortes olhos azuis. 
Freda também está com um lenço igualzinho.
Freda tem olhos castanhos claros.


(Edviges)-Eu tenho... (pausa)
(Freda)-O que foi mãe?
(Edviges)-Eu... (pausa)
(Freda)-Você acordou e quer me dizer alguma coisa?
EDVIGES OLHA PARA A FREDA E FECHA OS OLHOS.
(Freda)-Mãe... o que foi mãe?
EDVIGES ABRE OS OLHOS DE NOVO.
(Edviges)-Eu...
(Freda)-A senhora já disse isso...
(Edviges)-Eu?
(Freda)-Sim, a senhora... o que foi mãe?
(Edviges)-Eu...
(Freda)-Completa a frase mãe, por favor!
(Edviges)-Eu precisava lhe contar algo...
(Freda)-Um segredo?
(Edviges)-Sim. Eu...
FREDA FICA P... COLOCA AS MÃOS SOBRE OS OMBROS DE EDVIGES. 
APERTA SEUS OMBROS.
(Edviges)-Você tá me apertando fia...
(Freda)-A senhora não para de falar... eu...
(Edviges)-Eu?
FREDA AGORA SACODE OS SEUS OMBROS.
(Freda)-Mãe, por favor, diga logo o segredo.
(Edviges)-Eu?  (pausa) Vou contar fia.
Tá preparada? Como diz Valdecíria, é um segredo da gota.
FREDA E EDVIGES OLHAM PARA A JANELA.

foto: Globo on-line

SÃO CINCO HORAS DA TARDE.
Avenida Barata Ribeiro. 
Trânsito maravilhoso. 
Frente da loja CHOCOLATES DO CORAÇÃO.
Loja com movimento intenso de clientes. 
Riberilda Magalhães e Boanerges Cavendish comemoram e conversam. 
Riberilda chama Boanerges carinhosamente de Boa e Edviges de Viges.
(Riberilda) – Boa, estou preocupada com Viges.
(Boanerges) – Eu também. Tanto tempo no hospital e nada de partir...
(Riberilda) – Muito sofrimento. Muita dor e logo naquele lugar...
(Boangerges) – No “fiofó” deve ser uma caca mesmo.
(Riberilda) – Ela coçava desde pequena e nossa mãe sempre reclamou com ela. Deu no que deu.
(Boanerges) – Coitada.
(Riberilda) – Hoje à noite vou visitá-la. Tenho pensado muito... 
Pena que não posso levar uns chocolates pra ela. Chegaram os trufados com castanhas e os trufados com nozes holandesas.
(Boanerges) - Também chegaram os com amêndoas baianas, de Ilhéus.
(Riberilda) - Têm os de pistache italiano, os melhores.
OS DOIS FALAM AO MESMO TEMPO.
- Uma pena mesmo.
RIBERILDA E BOANERGES OLHAM PARA A JANELA.




SÃO SEIS HORAS DA TARDE.
A reunião de oração já terminou na TENDA DA NUVEM DA BÊNÇÃO. 
Na porta da igreja pastor Rivaldo Cavendish (filho de Riberilda e Boanerges), moreno claro, 1,86, esguio. 
Olhar de paz. 
Ele despede-se de alguns membros: 
Irmã Darlene, viúva de 65 anos; 1,50 de altura; voz grave; cabelos compridos; sorriso largo.
(Darlene) - Tenho certeza absoluta! Deus vai fazer a Sua vontade.
Creia pastor. Creia!
Irmão Davi, viúvo de 75 anos; robusto; forte; 1,75 de altura; olhos azuis da cor do céu.
Sempre de olho na irmã Darlene.
Cumprimenta o pastor logo em seguida a irmã Darlene, mas sem perdê-la de vista.
(Rivaldo) - I r m ã o  D a v i... (pronunciando cada palavra demoradamente)
(Davi) - Essa bênção um dia vai ser minha pastor.
Irmã Darlene ouve e rebate o comentário:
(Darlene) - Se o anjo não lhe chamar antes... hein Davi?
RIVALDO E DAVI RIEM.
(Davi) - A gente se encontra no céu, pombinha de Jesus.
Em seguida, juntas, irmã Geracina; uma senhora de 1,62 de altura; 100kg; cabelos curtos; olhos castanhos claros e sorridente. 
Irmã Paulínia; 1,65 de altura; 95kg; cabelos curtos; olhos castanhos escuros e rosto bronzeado. 
(Geracina) - Pastor, fiz um empadão de franco com catupiry e manjericão, ficou uma delícia! Vamos comer uma meridinha?
(Paulínia) - Fiz um brigadeirão de ovomaltine... (lambendo os lábios)
(Davi) - Com certeza irei.
AS DUAS SAEM E EXCLAMAM:
- Esperamos pelo senhor.
O celular toca. Rivaldo recebe uma ligação estranha.
(Rivaldo) – Alô? Pastor Rivado falando, que o amor de Deus encha seu... (pausa).
Uma voz misteriosa do outro lado da linha não o deixa completar a frase.
(Rivaldo) - Mas ela contou?
ELE OLHA PARA A JANELA.

foto site: melhores bares do Rio de Janeiro

SÃO DEZ HORAS DA NOITE. 
Dentro de um bar na Lapa, Maria Maria Magalhães (filha de Edviges e Serafim) sentada numa cadeira acompanhada de uma pequena banda: violão, teclado e bateria. 
Ela canta a canção TODA ESPERA de Jorge Vercillo.
Link da música.
Ela termina de cantar e agradece ao público. 
Sai do palco. 
Dá um selinho em cada componente da banda. 
Vai ao banheiro. 
Fecha a porta. 
Pega o telefone e disca um número.
Cai na caixa postal.
(Maria Maria com a voz embargada) - Mãe, espero que você esteja bem. Estou, estou torcendo pela sua recuperação. Fica boa logo, mãe. 
Te amo.
OLHA PARA A JANELA. 
A LUA CHEIA OLHA PARA ELA.

FIM DO PRIMEIRO CAPÍTULO.



ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, 
QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS, HISTÓRIAS OU FATOS, 
TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA.

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