PRIMEIRO CAPÍTULO

3
De Warlen Pontes
 
COPACABANA, SEXTA, 
2 DE MARÇO, 2011.
 

Edviges Magalhães está internada no HOSPITAL PASSAGEM PARA A
ETERNIDADE.

Ela está com um câncer no “fiofó”.
Sua filha Fedra está com ela no quarto.
Edviges acorda e olha para a filha.
Edviges está com um lenço rosa choque cheguei enrolado
na cabeça. 

Ela tem fortes olhos azuis. 
Freda também está com um lenço
igualzinho.

Freda tem olhos castanhos claros.

 
(Edviges)-Eu tenho… (pausa)
(Freda)-O que foi mãe?
(Edviges)-Eu… (pausa)
(Freda)-Você acordou e quer me dizer alguma coisa?
EDVIGES OLHA PARA A FREDA E FECHA OS OLHOS.
(Freda)-Mãe… o que foi mãe?
EDVIGES ABRE OS OLHOS DE NOVO.
(Edviges)-Eu…
(Freda)-A senhora já disse isso…
(Edviges)-Eu?
(Freda)-Sim, a senhora… o que foi mãe?
(Edviges)-Eu…
(Freda)-Completa a frase mãe, por favor!
(Edviges)-Eu precisava lhe contar algo…
(Freda)-Um segredo?
(Edviges)-Sim. Eu…
FREDA FICA P… COLOCA AS MÃOS SOBRE OS OMBROS DE
EDVIGES. 
APERTA SEUS OMBROS.
(Edviges)-Você tá me apertando fia…
(Freda)-A senhora não para de falar… eu…
(Edviges)-Eu?
FREDA AGORA SACODE OS SEUS OMBROS.
(Freda)-Mãe, por favor, diga logo o segredo.
(Edviges)-Eu?
(pausa) Vou contar fia.
Tá preparada? Como diz Valdecíria, é um segredo
da gota.
FREDA E EDVIGES OLHAM PARA A JANELA.
 
foto: Globo on-line
 
SÃO CINCO HORAS DA TARDE.
Avenida Barata Ribeiro. 
Trânsito maravilhoso. 
Frente da loja CHOCOLATES
DO CORAÇÃO.
Loja com movimento intenso de clientes. 
Riberilda Magalhães e Boanerges Cavendish comemoram e conversam. 
Riberilda chama Boanerges carinhosamente de Boa e Edviges de Viges.
(Riberilda) – Boa, estou preocupada com Viges.
(Boanerges) – Eu também. Tanto tempo no hospital e nada
de partir…
(Riberilda) – Muito sofrimento. Muita dor e logo
naquele lugar…
(Boangerges) – No “fiofó” deve ser uma caca mesmo.
(Riberilda) – Ela coçava desde pequena e nossa mãe
sempre reclamou com ela. Deu no que deu.
(Boanerges) – Coitada.
(Riberilda) – Hoje à noite vou visitá-la. Tenho pensado
muito… 
Pena que não posso levar uns chocolates pra ela. Chegaram os trufados com castanhas e os trufados com nozes holandesas.
(Boanerges) – Também chegaram os com amêndoas baianas, de Ilhéus.
(Riberilda) – Têm os de pistache italiano, os melhores.
OS DOIS FALAM AO MESMO TEMPO.
– Uma pena mesmo.
RIBERILDA E BOANERGES OLHAM PARA A JANELA.

 

 
SÃO SEIS HORAS DA TARDE.
A reunião de oração já terminou
na TENDA DA NUVEM DA BÊNÇÃO. 

Na porta da igreja pastor Rivaldo Cavendish (filho de Riberilda e Boanerges), moreno claro, 1,86, esguio. 
Olhar de paz. 
Ele despede-se de alguns membros: 
Irmã Darlene, viúva de 65 anos; 1,50 de altura; voz grave; cabelos compridos; sorriso largo.
(Darlene) – Tenho certeza absoluta! Deus vai fazer a Sua vontade.
Creia pastor. Creia!
Irmão Davi, viúvo de 75 anos; robusto; forte; 1,75 de altura; olhos azuis da cor do céu.
Sempre de olho na irmã Darlene.
Cumprimenta o pastor logo em seguida a irmã Darlene, mas sem perdê-la de vista.
(Rivaldo) – I r m ã o  D a v i… (pronunciando cada palavra demoradamente)
(Davi) – Essa bênção um dia vai ser minha pastor.
Irmã Darlene ouve e rebate o comentário:
(Darlene) – Se o anjo não lhe chamar antes… hein Davi?
RIVALDO E DAVI RIEM.
(Davi) – A gente se encontra no céu, pombinha de Jesus.
Em seguida, juntas, irmã Geracina; uma senhora de 1,62 de altura; 100kg; cabelos curtos; olhos castanhos claros e sorridente. 
Irmã Paulínia; 1,65 de altura; 95kg; cabelos curtos; olhos castanhos escuros e rosto bronzeado. 
(Geracina) – Pastor, fiz um empadão de franco com catupiry e manjericão, ficou uma delícia! Vamos comer uma meridinha?
(Paulínia) – Fiz um brigadeirão de ovomaltine… (lambendo os lábios)
(Davi) – Com certeza irei.
AS DUAS SAEM E EXCLAMAM:
– Esperamos pelo senhor.
O celular toca. Rivaldo recebe uma ligação estranha.
(Rivaldo) – Alô? Pastor Rivado falando, que o amor de
Deus encha seu… (pausa).
Uma voz misteriosa do outro lado da linha não o deixa completar a frase.
(Rivaldo) – Mas ela contou?
ELE OLHA PARA A JANELA.
 
foto site: melhores bares do Rio de Janeiro
 
SÃO DEZ HORAS DA NOITE. 
Dentro de um bar na Lapa, Maria
Maria Magalhães (filha de Edviges e Serafim) sentada numa cadeira acompanhada de uma pequena banda: violão, teclado e bateria. 
Ela canta a canção TODA ESPERA de Jorge Vercillo.
Link da música.
Ela termina de cantar e agradece ao público. 
Sai do palco. 
Dá um selinho em cada componente da banda. 
Vai ao banheiro. 
Fecha a porta. 
Pega o telefone e disca um número.
Cai na caixa postal.
(Maria Maria com a voz embargada) – Mãe, espero que você esteja bem. Estou, estou torcendo pela sua recuperação. Fica boa logo, mãe. 
Te amo.
OLHA PARA A JANELA. 
A LUA CHEIA OLHA PARA ELA.
 
FIM DO PRIMEIRO CAPÍTULO.

ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, 
QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS, HISTÓRIAS OU FATOS, 
TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA.
Comentários do Facebook

3 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom esse primeiro capitulo, vou acompanhar todos…. Que segredo sera esse?
    Parabens pela novela!
    M.Jenkins

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.