QUARTO CAPÍTULO

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De Warlen Pontes

SEGUNDA, 
5 DE MARÇO, 2011.


SÃO QUATRO HORAS DA TARDE.
Cemitério São João Batista, Botafogo.
Todos retornam do sepultamento de Edviges.

Maria Maria é a mais emocionada entre todos.
Ela está abraçada com um amigo, o tecladista da sua banda e namorado há cinco anos, Pedro Lins.
Lado a lado estão:
Freda, Reginaldo e Rafael.
Valéria, Rodrigo e Amanda.
Ronaldo, Marilene e Otávio.
Rosângela e Ester.
Serafim abraçado a Riberilda (irmã de Edviges).
Boanerges abraçado a Rivaldo.
E mais uma multidão de amigos, clientes e frequentadores da Tenda da Nuvem da Bênção, a igreja do copastor Rivaldo, sobrinho de Edviges.

Freda comenta com Reginaldo. 
Sua aparência é de ter chorado muito.
(Freda) – Será que a mamãe contou o segredo para Maria?
(Reginaldo) – Bem provável.

MARILENE Pereira, esposa de Ronaldo e mãe de Otávio comenta com Ronaldo, filho de Riberilda e Boanerges.
(Marilene) – Coitada da dona Edviges. Uma moça tão boa, tão querida. 
Já pintei muito aquelas unhas… 
Já pintei muito aqueles cabelos… 
Como era vaidosa. 
Não podia chegar com mercadoria nova e ela já comprava. 
E agora? Uma das minhas melhores clientes. Perda triste. (chora)
(Otávio) – Não fique assim, mamãe. 
A senhora vai conseguir ótimas clientes como a tia Edviges.

Rosângela comenta com Ester, filha de copastor Rivaldo e Rosângela.
(Rosângela) – Sua tia Maria está tão triste… 
Dá dó de vê-la assim.
(Ester) – Deve ser triste perder uma mãe. Deus me livre!
(Rosângela) – Se Deus quiser, vou viver muito, minha filha. 
Ainda vou ajudar a criar seus filhos.
(Ester) – Se Deus quiser. Gosto muito da tia Maria. 
ESTER ABRAÇA MARIA.
(Ester) – O que você precisar, estou aqui tá?
(Maria) – Obrigada princesinha.

Valéria comenta com Rodrigo. 
Sua aparência também demonstra ter chorado bastante.
(Valéria) – Você desconfia do que possa ser esse tal segredo?
(Rodrigo) – Tenho minhas desconfianças e já te falei, mas você não acredita em uma só palavra que eu diga.
(Valéria) – Dizer que a Maria é filha da mamãe com o tio Boa, é demais pra mim!

Serafim comenta com Riberilda.
(Serafim) – Você sabe que pode contar comigo, né?
(Riberilda) – Eu sei querido, eu sei.

Boanerges comenta com Rivaldo.
(Boanerges) – Já esperávamos por isso. 
Mais cedo ou mais tarde a pessoa vai embora… 
Claro, a gente queria ela estivesse aqui… 
A dor da saudade é muito grande.
RIVALDO FICA ADMIRADO COM AS PALAVRAS DO PAI.
(Rivaldo) – Pai, não sabia que o senhor gostava tanto da tia.
(Boanerges) – Muito filho, muito.

UM MÊS DEPOIS…


SÃO NOVE HORAS DA MANHÃ.
LOJA CHOCOLATES DO CORAÇÃO.
No balcão Ronaldo e mais duas atendentes: Regina e Cristina.
RONALDO PISCA UM DOS OLHOS PARA REGINA.

(Regina) – Cristina, não sei mais o que fazer… 
Ronaldo não disfarça. Vive me assediando.
(Cristina) – Aproveita nega. Filho dos donos. 
E tem a boba da mulher dele que não vê nada.
(Regina) – Não é perigosa?
(Cristina) – A mulher dele? Nada. 
Ele vive enganando. 
Depois leva ela num papinho besta e ela esquece e, tem mais… 
Tem medo de machucar o Otávio, o filho deles.
(Regina) – Vou pegar então.
AS DUAS RIEM.

ENTRA MARIA NA LOJA.
(Ronaldo) – Maria, quanta honra! O que devo o prazer da sua visita? CUMPRIMENTAM-SE COM DOIS BEIJINHOS.

(Maria) – Queria levar uns chocolates pra uma amiga minha. 
É aniversário dela. 
(Ronaldo) – Claro, vou chamar minha melhor funcionária pra atendê-la. Regina, por favor, atenda a Maria.
(Maria) – Obrigada Ronaldo.
(Ronaldo) – Por nada, Maria.


COPACABANA.
SÃO DEZ HORAS DA MANHÃ.

NO APARTAMENTO DE RONALDO E MARILENE.
ELA FAZ O ALMOÇO. ENTRA OTÁVIO NA COZINHA.

(Otávio) – Mamãe, hoje eu tenho educação física.
(Marilene) – Então vá lá pegar seu uniforme. 
Tá no varal. Pega pra mamãe passar a roupa.
ALGUÉM TOCA A CAMPAINHA.
MARILENE VAI ATENDER.
É RIBERILDA, SUA SOGRA, IRMÃ DE EDVIGES, A FALECIDA, VIZINHA DE PORTA.

(Riberilda) – Onde está Otávio?
(Marilene) – Está na área de serviço pegando a roupa da educação física. 
Dona Riberilda, a senhora poderia levá-lo pra escola hoje?
OTÁVIO CORRE AO ENCONTRO DA AVÓ.

(Otávio) – Vovóooooooo…
(Riberilda) – Meu príncipe! Posso sim.
(Marilene) – Sua vó vai levar você pra escola hoje. 
Mamãe tem uma cliente para atender daqui a pouco. 
Uma cliente boa, como a dona Edviges…
SILÊNCIO TOTAL.

(Riberilda) – Um mês se passou que a Riba foi embora… 
Parece que foi ontem.
(Marilene) – E o tal segredo?
(Riberilda) – Não sei Marilene, não sei.
(Marilene) – Mas eu acredito que a Maria sabe. 
Edviges deve ter contado antes do assobio do anjo.
(Riberilda) – Será?


LAPA. SEXTA PARA SÁBADO.
UMA HORA DA MANHÃ.

MARIA MARIA COM SUA BANDA CANTA A MÚSICA: 
“Maria, Maria”, segue link da música:
Após cantar a música, Maria sai do palco. 
Sussurra alguma coisa no ouvido do tecladista, Pedro.
Os dois afastam-se da banda e sentam-se numa mesinha.

(Pedro) – Você vai fazer o exame de DNA, Maria?
(Maria) – Eu vou fazer sim… terei cada centavo que me pertence.

FIM DO QUARTO CAPÍTULO

ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, 
QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS, HISTÓRIAS OU FATOS, 
TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA.
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