quinta-feira, 10 de maio de 2012

SEGUNDO CAPÍTULO

De Warlen Pontes

SÁBADO,

3 DE MARÇO, 2011.


SÃO DUAS HORAS DA TARDE.
SERAFIM Santos (pai de Maria Maria, Freda e Valéria, esposo de Edviges) é um homem de 1,86 de altura, moreno, olhos verdes.
Ele é dono de um hortifruti, Sabores de Copa e está no escritório ao telefone.
(Serafim) – Preciso daquelas caixas de pitomba... (pausa).
Estou com vários clientes CC cabras-da-peste aguardando por elas... 
não posso faltar com eles! (pausa) amanhã? (pausa) que horas? (pausa) combinado então. Só vou esperar até amanhã! (desliga)
O celular toca.
Ele olha se tem alguém por perto.
Levanta-se e depois volta a sentar-se.
(Serafim) – Já disse pra você não me ligar neste número!
QUEM LIGOU PARA SERAFIM?
ELE OLHA PARA AS MÃOS.


SÃO DUAS E CINCO DA TARDE.
VALÉRIA Magalhães é filha de Edviges com Serafim. É uma mulher bonita. A mais bonita das filhas de Edviges.
Ela é veterinária e tem um petshop. 
Valéria está ao telefone com alguém. 
Quem será?
(Valéria) – Desculpe. Prometo que não faço mais! 
É a última vez. Você tem a minha palavra. (desliga).
Ela chama um funcionário.
- Cláudio Roberto! (grita) 
Cláudio Roberto! (grita) 
Gente, onde tá esse mininu que não vem até aqui?
Cláudio Roberto aparece todo esbaforido.
(Valéria) – Vixiiiiiiii! Que cheiro é esse mininu?
(Cláudio Roberto) – Discurpi, dona Valéria, eu tava quase me cagando nas carças quando a sinhora me chamou me. Apois eu tava...
(Valéria) – Poupe-me dos details sórdidos!
(Cláudio Roberto) – Di o quê?
(Valéria) – Deixa pra lá! O persa da Tereza Rachel está pronto?
(Cláudio Roberto) – Farta colocar os frufru na cabecinha.
(Valéria) – Então vá colocar logo! 
A empregada dela já tá vindo aí!
(Cláudio Roberto) – Nesti minuto, agora já! (ri)
Cláudio Roberto sai.
(Valéria) – Ninguém merece você, Cláudio Roberto, só eu! Só eu!
ELA OLHA PARA AS MÃOS.


SÃO TRÊS HORAS DA TARDE.
Dentro de um apartamento espaçoso, moderno e muito confortado, Rosângela, esposa do pastor Rivaldo, toda uniformizada faz a diária na casa da madame Sofia.
(Rosângela cantarolando) – Como Zaquel eu quero subir... o mais alto que eu puder... pra... pra... ih, caramba, esqueci a letra! 
Vou terminar logo essa faxina aqui e correr pro meu cantinho. 
Affi, parecia que não ia acabar nunca! 
Essa cobertura é muito grande. 
Ainda bem que o cascalho é bom, é bom nada, é ótimo! Graças a Deus!

Ela encontra um bilhete da madame Sofia.
(Rosângela) – Vamos ler. 
Querida Rosângela... (é querida agora é? Sei) Na oitava gaveta do lado esquerdo da estante cor de prata tem um envelope marrom. Pegue-o. (caramba, o que será esse envelope? Que meleca!). Entregue o envelope para o seu Sr. Anísio. (Affi, que susto! Se é pra entregar pro seu Anísio, tá tudo certhu!). Obrigado e bom descanso! Volte na quarta, por favor. Abraço. Madame Sofia. Após ler este, rasgue-o.

Rosângela rasga o bilhete e vai procurar o envelope. 
O celular toca.
(Rosângela) – Fala criatura, tudo bem? (pausa). 
Ela tá mal ainda? (pausa) 
Ela é duro na queda hein? 
Criatura de Deus, se eu tivesse um trem desse no meu fiofó, o que seria da minha vida? Deus é mais! (pausa) 
Mas, ela contou alguma coisa? (pausa) 
Eu nem desconfio! (pausa) 
Quando ela ia contar... (pausa) 
Quem vai dormir com ela no hospital hoje? (pausa) 
Sério? A cantora? Vai perder o cachê da noite? (pausa) 
Quem te viu, quem te vê! (pausa) 
Tá bem Freda. Beijo honey. Kisses. (Desliga) 
Que coisa! É, mas o que estávamos a procurare? Ah, o envelope. 
(continua cantarolando) eram cem ovelhas... duzentas orelhas... eram cem ovelhas... quatrocentos pés... lá-lá-lá-lá-lá!
ELA PARA E OLHA PARA AS MÃOS.


QUATRO HORAS DA TARDE.
CALCADÃO DE IPANEMA.

REGINALDO Garcia (esposo de Freda) e RONALDO Cavendish (filho de Riberilda e Boanerges) caminham de bermudão pelo calçadão. 
Reginaldo é moreno claro, 1,90 de altura, olhos castanhos claros.
Ronaldo é branquelo azedo, 1,85 de altura, olhos pretos.
Reginaldo é casado com Freda e Rodrigo com Valéria.
(Reginaldo) – Rodrigo, essa  história da Edviges....
Acho que é alguma coisa sobre a Maria. 
Ela não é filha do velho Serafim.
(Rodrigo) – Ela é a cara do Boanerges. 
Não tem como negar, Reginaldo.
(Reginaldo) – Aquele Boanerges...
Passa uma senhora de uns 45 anos carregando um shnauzer.
(Rodrigo) – Como vai dona Mônica?
Ele acena pra ela.
Ela retribui.
(Reginaldo) – Quem é essa gostosa?
(Rodrigo) – Qué isso? Mais respeito. É uma colega. 
Professora de geografia. Mônica Campos.
(Reginaldo) – Você já viu a Bacia de Campos dela?
Tem muito petróleo ali.
OS DOIS GARGALHAM.
(Rodrigo) – Você não presta! 
Mas... voltando ao assunto... a Freda contou alguma coisa do tal segredo da Edviges?
(Reginaldo) – Quando ela ia contar. Dormiu de novo.
(Rodrigo) – Mas que segredo é esse?
(Reginaldo) – Eu desconfio que é sobre a Maria Maria.
(Rodrigo) – Mas por que ela contaria a Freda?
(Reginaldo) – Por ser a filha mais velha, eu acho.
(Rodrigo) – Não sei não. Tá muito estranha essa história. 
Ia contar, depois dormiu... acho que ela desistiu... a Freda é boca suja... 
você conhece muito bem a sua mulher.
(Reginaldo) – Ih, como! Mas eu acho que o segredo é sobre Maria Maria...
O celular dos dois toca ao mesmo tempo.
Eles trocam olhares, riem e dizem:
- São as delegadas!
ELES OLHAM PARA AS MÃOS.


SÃO DEZ HORAS DA NOITE.
CTI DO HOSPITAL PASSAGEM PARA A ETERNIDADE.
SETOR QUASE CHEGANDO NO CÉU. 
APELIDO DADO PELOS FUNCIONÁRIOS AO CTI.
Edviges dorme.
Maria Maria (filha de Edviges) aproxima-se da cama e passa a mão na cabeça de Edviges.
Ela acorda.
Abre os olhos.
(Edviges) – Fia?
(Maria Maria) – Mãe...
(Edviges) – Eu te amo muito!
(Maria Maria) – Eu também mãe...
(Edviges) – Eu escondi a vida inteira uma coisa sua... e tenho que lhe contar.
(Maria Maria) – Mãe, descanse. 
Você não pode ficar estressada.
(Edviges) – Eu não sei quanto tempo tenho mais neste mundo. 
Eu sinto fia, a qualquer momento, o anjo vai assobiar. 
Eu ouço as enfermarias sussurrando: ela tá fazendo hora-extra...
(Maria Maria) – Não diga isso mãe... 
Se eu ouvir uma coisa dessa, eu dou demissão pra elas desse mundo na hora!
(Edviges) – Por que tanto ódio nesse coração? 
(Maria Maria) - Fico uma fera com essas zinhas...
(Edviges) - Eu queria tanto...
(Maria Maria) – O quê?
(Edviges) – Comer uma pizza com palmitos, ovos, tomate, manjericão, azeitonas verdes e pretas...
(Maria Maria) – Você não pode mãe...
(Edviges) – Mas eu posso lhe contar...
AS DUAS OLHAM PARA AS MÃOS.

FIM DO SEGUNDO CAPÍTULO.
ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, 
QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS, HISTÓRIAS OU FATOS, 
TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA.

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