SEGUNDO CAPÍTULO

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De Warlen Pontes

SÁBADO,

3 DE MARÇO, 2011.

SÃO DUAS HORAS DA TARDE.
SERAFIM Santos (pai de Maria Maria, Freda e Valéria, esposo de Edviges) é um homem de 1,86 de altura, moreno, olhos
verdes.
Ele é dono de um hortifruti, Sabores de Copa e está no escritório ao telefone.
(Serafim) – Preciso daquelas caixas de pitomba…
(pausa).
Estou com vários clientes CC cabras-da-peste aguardando
por elas… 

não posso faltar com eles! (pausa) amanhã? (pausa) que horas?
(pausa) combinado então. Só vou esperar até amanhã! (desliga)
O celular toca.
Ele olha se tem alguém por perto.
Levanta-se e depois volta a sentar-se.
(Serafim) – Já disse pra você não me ligar neste
número!
QUEM LIGOU PARA SERAFIM?
ELE OLHA PARA AS MÃOS.


SÃO DUAS E CINCO DA TARDE.
VALÉRIA Magalhães é filha de Edviges com Serafim. É uma mulher bonita. A mais bonita das filhas
de Edviges.
Ela é veterinária e tem um petshop. 
Valéria está ao telefone
com alguém. 

Quem será?
(Valéria) – Desculpe. Prometo que não faço mais! 
É
a última vez. 
Você tem a minha palavra. (desliga).
Ela chama um funcionário.
– Cláudio Roberto! (grita) 
Cláudio Roberto! (grita) 
Gente, onde tá esse mininu que não
vem até aqui?
Cláudio Roberto aparece todo esbaforido.
(Valéria) – Vixiiiiiiii! Que cheiro é esse mininu?
(Cláudio Roberto) – Discurpi,
dona Valéria, eu tava quase me cagando nas carças
quando a sinhora me chamou me. Apois
eu tava…
(Valéria) – Poupe-me dos details sórdidos!
(Cláudio Roberto) – Di
o quê
?
(Valéria) – Deixa pra lá! O persa da Tereza Rachel está
pronto?
(Cláudio Roberto) – Farta
colocar os frufru na cabecinha.
(Valéria) – Então vá colocar logo! 
A empregada dela já
tá vindo aí!
(Cláudio Roberto) – Nesti
minuto, agora já! (ri)
Cláudio Roberto sai.
(Valéria) – Ninguém merece você, Cláudio Roberto, só
eu! Só eu!
ELA OLHA PARA AS MÃOS.

SÃO TRÊS HORAS DA TARDE.
Dentro de um apartamento espaçoso, moderno e muito
confortado, Rosângela, esposa do pastor Rivaldo, toda uniformizada faz a diária na casa da madame Sofia.
(Rosângela cantarolando) – Como Zaquel eu quero
subir… o mais alto que eu puder… pra… pra… ih, caramba, esqueci a letra! 

Vou terminar logo essa faxina aqui e correr pro meu cantinho. 
Affi, parecia que
não ia acabar nunca! 

Essa cobertura é muito grande. 
Ainda bem que o cascalho é
bom, é bom nada, é ótimo! Graças a Deus!

Ela encontra um bilhete da madame Sofia.
(Rosângela) – Vamos ler. 
Querida Rosângela…
querida agora é? Sei) Na oitava gaveta do lado esquerdo da estante cor de prata tem um envelope marrom. Pegue-o. (caramba, o que
será esse envelope? Que meleca!). Entregue o envelope para o seu Sr. Anísio.
(Affi, que susto! Se é pra entregar pro seu Anísio, tá tudo certhu!). Obrigado
e bom descanso! Volte na quarta, por favor. Abraço. Madame Sofia. Após ler este, rasgue-o.

Rosângela rasga o bilhete e vai procurar o envelope. 
O celular toca.
(Rosângela) – Fala criatura, tudo bem? (pausa). 
Ela tá
mal ainda? (pausa) 

Ela é duro na queda hein? 
Criatura de Deus, se eu tivesse um
trem desse no meu fiofó, o que seria
da minha vida? Deus é mais! (pausa) 

Mas, ela contou alguma coisa? (pausa) 
Eu
nem desconfio! (pausa) 

Quando ela ia contar… (pausa) 
Quem vai dormir com ela
no hospital hoje? (pausa) 

Sério? A cantora? Vai perder o cachê da noite?
(pausa) 

Quem te viu, quem te vê! (pausa) 
Tá bem Freda. Beijo honey. Kisses.
(Desliga) 

Que coisa! É, mas o que estávamos a procurare? Ah, o envelope. 
(continua cantarolando) eram cem ovelhas… duzentas orelhas… eram cem
ovelhas… quatrocentos pés… lá-lá-lá-lá-lá!
ELA PARA E OLHA PARA AS MÃOS.


QUATRO HORAS DA TARDE.
CALCADÃO DE IPANEMA.

REGINALDO Garcia (esposo de Freda) e RONALDO Cavendish (filho de Riberilda e Boanerges) caminham de bermudão pelo calçadão. 
Reginaldo é moreno claro, 1,90 de altura, olhos castanhos claros.
Ronaldo é branquelo azedo, 1,85 de altura, olhos pretos.
Reginaldo é casado com Freda e
Rodrigo com Valéria.
(Reginaldo) – Rodrigo, essa  história da Edviges….
Acho que é alguma coisa sobre a Maria. 
Ela não é filha do velho Serafim.
(Rodrigo) – Ela é a cara do Boanerges. 
Não tem como negar, Reginaldo.
(Reginaldo) – Aquele Boanerges…
Passa uma senhora de uns 45 anos carregando um
shnauzer.
(Rodrigo) – Como vai dona Mônica?
Ele acena pra ela.
Ela retribui.
(Reginaldo) – Quem é essa gostosa?
(Rodrigo) – Qué isso? Mais respeito. É uma colega. 
Professora de geografia. Mônica Campos.
(Reginaldo) – Você já viu a Bacia de Campos dela?
Tem
muito petróleo ali.
OS DOIS GARGALHAM.
(Rodrigo) – Você não presta! 
Mas… voltando ao assunto…
a Freda contou alguma coisa do tal segredo da Edviges?
(Reginaldo) – Quando ela ia contar. Dormiu de novo.
(Rodrigo) – Mas que segredo é esse?
(Reginaldo) – Eu desconfio que é sobre a Maria Maria.
(Rodrigo) – Mas por que ela contaria a Freda?
(Reginaldo) – Por ser a filha mais velha, eu acho.
(Rodrigo) – Não sei não. Tá muito estranha essa
história. 

Ia contar, depois dormiu… acho que ela desistiu… a Freda é boca
suja… 

você conhece muito bem a sua mulher.
(Reginaldo) – Ih, como! Mas eu acho que o segredo é
sobre Maria Maria…
O celular dos dois toca ao mesmo tempo.
Eles trocam olhares, riem e dizem:
– São as delegadas!
ELES OLHAM PARA AS MÃOS.


SÃO DEZ HORAS DA NOITE.
CTI DO HOSPITAL PASSAGEM PARA A ETERNIDADE.
SETOR QUASE CHEGANDO NO CÉU. 
APELIDO DADO PELOS FUNCIONÁRIOS AO CTI.
Edviges dorme.
Maria Maria (filha de Edviges) aproxima-se da cama e passa a mão na cabeça
de Edviges.
Ela acorda.
Abre os olhos.
(Edviges) – Fia?
(Maria Maria) – Mãe…
(Edviges) – Eu te amo muito!
(Maria Maria) – Eu também mãe…
(Edviges) – Eu escondi a vida inteira uma coisa sua…
e tenho que lhe contar.
(Maria Maria) – Mãe, descanse. 
Você não pode ficar
estressada.
(Edviges) – Eu não sei quanto tempo tenho mais neste mundo. 
Eu sinto fia, a qualquer momento, o anjo vai assobiar. 
Eu ouço as enfermarias sussurrando: ela tá fazendo hora-extra…
(Maria Maria) – Não diga isso mãe… 
Se eu ouvir uma coisa dessa, eu dou demissão pra elas desse mundo na hora!
(Edviges) – Por que tanto ódio nesse coração? 
(Maria Maria) – Fico uma fera com essas zinhas…
(Edviges) – Eu queria tanto…
(Maria Maria) – O quê?
(Edviges) – Comer uma pizza com palmitos, ovos, tomate,
manjericão, azeitonas verdes e pretas…
(Maria Maria) – Você não pode mãe…
(Edviges) – Mas eu posso lhe contar…
AS DUAS OLHAM PARA AS MÃOS.
FIM DO SEGUNDO CAPÍTULO.
ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, 

QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS, HISTÓRIAS OU FATOS, 
TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA.
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