quinta-feira, 24 de maio de 2012

SEXTO CAPÍTULO

De Warlen Pontes


SÁBADO,
7 DE MAIO, 2011




QUATRO HORAS DA TARDE.
CALÇADÃO DE COPACABANA.

ROSÂNGELA E FREDA TOMANDO UMA ÁGUA DE COCO.
(Rosângela) - Rivaldo me contou que Boanerges fez vasectomia.
(Freda) - Como? Quando? Sério?
(Rosângela) - Seríssimo!
(Freda) - Peraí... então... o segredo de...
(Rosângela) - Maria não é o que esperávamos.
(Freda) - Mas, eu pensei que...
(Rosângela) - Pensou errado. Quer dizer, você pensou o quê?
(Freda) - Que Maria fosse filha do tio Boanerges.
(Rosângela) - A velha Edviges falou com o Rivaldo. Depois que ele nasceu, por ele ser muito danado, quer dizer, safadinho...
AS DUAS RIEM.
(Rosângela continua)
- Ela a obrigou a fazer a cirurgia de reversão.
(Freda) - E agora, ficamos no zero a zero.



SÃO CINCO HORAS DA TARDE.
HORTIFRUTI SABORES DE COPA.

MARIA MARIA E VALÉRIA NO ESCRITÓRIO.
(Maria) - E agora, papai morreu e vamos continuar tocando o negócio dele?
(Valéria) - Eu já tenho o petshop. Fica difícil pra mim... 
Freda tem a clínica, também fica difícil pra ela. 
Você tem sua vida de shows, o que faremos?
(Maria) - O que você acha de vendermos a franquia?
(Valéria) - Você não quer tentar tocar? Papai amava as frutas.
(Maria) - Não tenho ideia de como tocar isso.
(Valéria) - Então, o jeito vai ser vender mesmo.
Vamos conversar com a Freda.
(Maria) - Temos que decidir isso juntas.
Só não quero que a Freda toque no assunto do segredo da mamãe.
(Valéria) - Isso é impossível! Mas vou tentar falar com ela.
Posso perguntar uma coisa?
(Maria) - Pode, claro.
(Valéria) - A mamãe contou o segredo dela pra vc, contou?
MARIA PENSA UM POUCO. FICA DE COSTAS PRA VALÉRIA.
DEPOIS VIRA-SE PRA ELA.
(Maria) - Contou sim. Algo que vou ter que resolver sozinha.
E só me diz respeito. Não envolve vocês duas.
VALÉRIA APROXIMA-SE DA IRMÃ.
FAZ UM CARINHO NO ROSTO DELA.
(Valéria) - Eu lhe admiro muito, sabia?
Queria ter um pouquinho da sua coragem, sua determinação.
(Maria) - Mas, você tem. Você que não assume.
Uma mulher bonita, inteligente, independente...
Não deveria estar com o...
VALÉRIA CORTA MARIA.
(Valéria) - Não queria falar desse assunto.
(Maria) - Está bem. Quando quiser, a porta da minha casa estará aberta.
(Valéria) - Obrigado.
AS DUAS SE ABRAÇAM.


DOMINGO.
UMA HORA DA TARDE.
NO SALÃO DE FESTAS DA TENDA DA NUVEM DA BÊNÇÃO.

A FAMÍLIA REUNIDA. 
UMA MESA RETANGULAR GRANDE.
NO MENU: ARROZ À GREGA, SALMÃO AO MOLHO DE MARACUJÁ E VÁRIOS TIPOS DE SALADAS.
VINHO BRANCO À VONTADE.

PASTOR RIVALDO COM ROSÂNGELA, FREDA COM REGINALDO, VALÉRIA COM RODRIGO, RIBERILDA COM BOANERGES, RONALDO COM MARILENE, MARIA COM PEDRO E SEUS RESPECTIVOS FILHOS SENTADOS AO FINAL DA MESA.
NAS CABECEIRAS: RIBERILDA E BOANERGES.
(Rivaldo) - Bem família, queria propor um brinde...
BOANERGES INTERROMPE.
(Boanerges) - Meu filho, acho que não há motivos para brindes...
(Freda) - Há muitos motivos...
(Maria) - Concordo com o tio Boanerges... não há motivos para brindes...
(Eduardo) - Você sempre concorda com o Boanerges, Maria...
(Valéria) - Por favor, estamos todos reunidos, em família...
Duas pessoas muito queridas nos deixaram...
(Marilene) - Concordo com a Valéria.
(Rosângela) - Mas, brindar ao quê?
(Reginaldo) - Aos vivos!
(Riberilda) - Aos vivos! Está certo Reginaldo. Aos que ficaram...
(Rivaldo) - Aos vivos. Eu queria dizer... a vida continua e a nossa família deve ficar forte, unida.
(Maria) - Se depender da Freda, isso nunca acontecerá, reverendo...
(Freda) - Se depender de mim, Maria? Por quê? O que eu te fiz?
(Maria) - Fez? Nada. Você nunca fez nada, é isso...
(Valéria) - Por favor, Maria... Freda... Rivaldo tem razão.
Precisamos de paz. Nossos pais se foram...
(Riberilda) - Duas pessoas muito queridas. 
Tenho certeza que não gostariam de ver essa cena aqui...
(Pedro) - Então, um brinde aos vivos!
(Eduardo) - Eu quero viver muitos anos...
(Reginaldo) - Eu também. Quero viver muitas aventuras... quero amar muito mais...
(Freda) - Como assim?
(Reginaldo) - Amar você muito mais, meu amor!
REGINALDO OLHA PARA VALÉRIA DE MANEIRA SUSPEITA E DEPOIS PARA MARIA.
PEDRO OLHA PARA MARIA.
(Ronaldo) - Reginaldinho, faço minhas suas palavras...
Brindemos ao amor, então!
(Marilene) - Ao amor!
(Rivaldo) - Aos vivos e ao amor!
TODOS SE BEIJAM.

FIM DO SEXTO CAPÍTULO

ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, 
QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS, HISTÓRIAS OU FATOS, 
TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA.

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