SEXTO CAPÍTULO

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De Warlen Pontes

SÁBADO,
7 DE MAIO, 2011



QUATRO HORAS DA TARDE.
CALÇADÃO DE COPACABANA.


ROSÂNGELA E FREDA TOMANDO UMA ÁGUA DE COCO.
(Rosângela) – Rivaldo me contou que Boanerges fez vasectomia.

(Freda) – Como? Quando? Sério?
(Rosângela) – Seríssimo!
(Freda) – Peraí… então… o segredo de…
(Rosângela) – Maria não é o que esperávamos.
(Freda) – Mas, eu pensei que…
(Rosângela) – Pensou errado. Quer dizer, você pensou o quê?
(Freda) – Que Maria fosse filha do tio Boanerges.
(Rosângela) – A velha Edviges falou com o Rivaldo. Depois que ele nasceu, por ele ser muito danado, quer dizer, safadinho…
AS DUAS RIEM.
(Rosângela continua)
– Ela a obrigou a fazer a cirurgia de reversão.
(Freda) – E agora, ficamos no zero a zero.


SÃO CINCO HORAS DA TARDE.
HORTIFRUTI SABORES DE COPA.

MARIA MARIA E VALÉRIA NO ESCRITÓRIO.
(Maria) – E agora, papai morreu e vamos continuar tocando o negócio dele?
(Valéria) – Eu já tenho o petshop. Fica difícil pra mim… 
Freda tem a clínica, também fica difícil pra ela. 
Você tem sua vida de shows, o que faremos?
(Maria) – O que você acha de vendermos a franquia?
(Valéria) – Você não quer tentar tocar? Papai amava as frutas.
(Maria) – Não tenho ideia de como tocar isso.
(Valéria) – Então, o jeito vai ser vender mesmo.
Vamos conversar com a Freda.
(Maria) – Temos que decidir isso juntas.
Só não quero que a Freda toque no assunto do segredo da mamãe.
(Valéria) – Isso é impossível! Mas vou tentar falar com ela.
Posso perguntar uma coisa?
(Maria) – Pode, claro.
(Valéria) – A mamãe contou o segredo dela pra vc, contou?
MARIA PENSA UM POUCO. FICA DE COSTAS PRA VALÉRIA.
DEPOIS VIRA-SE PRA ELA.
(Maria) – Contou sim. Algo que vou ter que resolver sozinha.
E só me diz respeito. Não envolve vocês duas.
VALÉRIA APROXIMA-SE DA IRMÃ.
FAZ UM CARINHO NO ROSTO DELA.
(Valéria) – Eu lhe admiro muito, sabia?
Queria ter um pouquinho da sua coragem, sua determinação.
(Maria) – Mas, você tem. Você que não assume.
Uma mulher bonita, inteligente, independente…
Não deveria estar com o…
VALÉRIA CORTA MARIA.
(Valéria) – Não queria falar desse assunto.
(Maria) – Está bem. Quando quiser, a porta da minha casa estará aberta.
(Valéria) – Obrigado.
AS DUAS SE ABRAÇAM.


DOMINGO.
UMA HORA DA TARDE.
NO SALÃO DE FESTAS DA TENDA DA NUVEM DA BÊNÇÃO.

A FAMÍLIA REUNIDA. 
UMA MESA RETANGULAR GRANDE.
NO MENU: ARROZ À GREGA, SALMÃO AO MOLHO DE MARACUJÁ E VÁRIOS TIPOS DE SALADAS.
VINHO BRANCO À VONTADE.

PASTOR RIVALDO COM ROSÂNGELA, FREDA COM REGINALDO, VALÉRIA COM RODRIGO, RIBERILDA COM BOANERGES, RONALDO COM MARILENE, MARIA COM PEDRO E SEUS RESPECTIVOS FILHOS SENTADOS AO FINAL DA MESA.
NAS CABECEIRAS: RIBERILDA E BOANERGES.
(Rivaldo) – Bem família, queria propor um brinde…
BOANERGES INTERROMPE.
(Boanerges) – Meu filho, acho que não há motivos para brindes…
(Freda) – Há muitos motivos…
(Maria) – Concordo com o tio Boanerges… não há motivos para brindes…
(Eduardo) – Você sempre concorda com o Boanerges, Maria…
(Valéria) – Por favor, estamos todos reunidos, em família…
Duas pessoas muito queridas nos deixaram…
(Marilene) – Concordo com a Valéria.
(Rosângela) – Mas, brindar ao quê?
(Reginaldo) – Aos vivos!
(Riberilda) – Aos vivos! Está certo Reginaldo. Aos que ficaram…
(Rivaldo) – Aos vivos. Eu queria dizer… a vida continua e a nossa família deve ficar forte, unida.
(Maria) – Se depender da Freda, isso nunca acontecerá, reverendo…
(Freda) – Se depender de mim, Maria? Por quê? O que eu te fiz?
(Maria) – Fez? Nada. Você nunca fez nada, é isso…
(Valéria) – Por favor, Maria… Freda… Rivaldo tem razão.
Precisamos de paz. Nossos pais se foram…
(Riberilda) – Duas pessoas muito queridas. 
Tenho certeza que não gostariam de ver essa cena aqui…
(Pedro) – Então, um brinde aos vivos!
(Eduardo) – Eu quero viver muitos anos…
(Reginaldo) – Eu também. Quero viver muitas aventuras… quero amar muito mais…
(Freda) – Como assim?
(Reginaldo) – Amar você muito mais, meu amor!
REGINALDO OLHA PARA VALÉRIA DE MANEIRA SUSPEITA E DEPOIS PARA MARIA.
PEDRO OLHA PARA MARIA.
(Ronaldo) – Reginaldinho, faço minhas suas palavras…
Brindemos ao amor, então!
(Marilene) – Ao amor!
(Rivaldo) – Aos vivos e ao amor!
TODOS SE BEIJAM.

FIM DO SEXTO CAPÍTULO

ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, 
QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS, HISTÓRIAS OU FATOS, 
TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA.

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