DÉCIMO SEGUNDO CAPÍTULO

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De Warlen Pontes

SEXTA,


20 DE MAIO, 2011

COPACABANA
SETE HORAS DA NOITE
NO PETSHOP DE VALÉRIA.
CLÁUDIO ROBERTO E VALÉRIA CONVERSAM NO ESCRITÓRIO.


(Valéria) – Cláudio Roberto, eu te chamei aqui porque eu preciso falar um assunto muito sério com você!
(Claudio Roberto) – Um assunto sério? Que papo de assunto sério é esse, dona Valéria?
(Valéria) – Seu comportamento, suas atitudes… bem, estou te dispensando…
(Claudio) – Como? Dona Valéria… a senhorinha não pode fazer isso comigo! E o meu aluguel? E as minhas conta
(Valéria) – Pensasse antes de fazer o que você está fazendo comigo…
CLAUDIO ROBERTO QUERENDO CHORAR.
(Claudio) – Eu amu cuidar dos bichim
Fiz cursu e tudo mais…
(Valéria) – Não se preocupe. Vou te dar uma carta de referência. Não vai ficar desempregado…
(Claudio) – Mas eu gostu daqui. Eu gostu da senhora…
CORTANDO.
(Valéria) – Chega dessas lágrimas de crocodilo!
A partir de amanhã você não trabalha mais aqui.
Aguarde um telefonema do contador. Só assine aqui, por favor.
(Claudio) – Lágrimas de quê?
A senhora me chamou de croco o quê?
(Valéria) – Assine aqui por favor.


ENTREGA UMA CANETA PRA ELE.
ELE ASSINA E ENXUGA AS LÁGRIMAS.
(Valéria) – Isso é pra você aprender a não mexer com as pessoas.
(Claudio) – Todo mundo vai saber do seu casu com o seu Reginaldo. A senhora é uma safada! 
VALÉRIA FICA ENFURECIDA COM AQUILO.
CLAUDIO NÃO SE INTIMIDA E ENDURECE NAS PALAVRAS.
(Valéria) – Olha como você fala comigo!
(Claudio) – Comu será que seu filhozin vai reagir quando saber que a mãe dele tem um caso com o tio dele?
E o seu marido? Aquele corno manso… RI
VALÉRIA APROXIMA-SE DE CLAUDIO ROBERTO, ENCARA-O E DIZ.
– Não tenho medo de suas ameaças!
Agora, suma da minha frente!
CLAUDIO ROBERTO AGARRA VALÉRIA E ROUBA UM BEIJO.
ELA SE LIVRA DELE.
(Claudio) – Gostosa! 
CLAUDIO ROBERTO SAI DO ESCRITÓRIO.
(Valéria) – Nojento! 
PEGA UM GRAMPEADOR E JOGA NA PORTA.



COPACABANA
OITO HORAS DA NOITE
NO HORTIFRUTI SABORES DE COPA, MARIA MARIA E ANTONIO CABRERA CONVERSAM NO ESCRITÓRIO.


(Maria) – Eu compreendo muito bem. Eu vou fazer tudo na maior discrição, o senhor pode ficar tranquilo.
(Antonio) – Tu padre siempre decia que vos eras la mejor de sus hijas… quiero disculpame…
(Maria) – Não precisa se desculpar, senhor Antonio Cabrera.
Pai é o que cria, não o que gera. 
Eu só gostaria que o senhor não aparecesse mais na igreja, no bar onde eu canto… me sinto incomodada depois de conhecer toda a verdade sobre o meu pa… sobre o Serafim…
(Antonio) – tu padre María. El es tu padre. Acabaste de decir que padre es el que cria.
MARIA FICA EM PÉ. ANDA DE UM LADO AO OUTRO.
OLHA PARA UM ESPELHO.
(Maria) – Essa história toda… estou confusa… nem sei mais quem eu sou… 
VIRA-SE PARA ANTONIO CABRERA.
– O senhor entende?
(Antonio) – Puedo entender si es, compreender también…
Soy un hombre bien vivido. Ya vi muchas histórias en esa vida y la de tu padre no es diferente.
(Maria) – Obrigado, muito obrigado mesmo pela compreensão.
Agora, se o senhor me dá licença, tenho que me preparar…
daqui a pouco vou cantar, o Pedro, meu namorado, vai chegar e não vai entender o senhor por aqui.
(Antonio) – Vos todavia no le contaste nada a el?
PEDRO ENTRA NO ESCRITÓRIO
OS DOIS OLHAM PARA ELE.
(Pedro) – Não contou o que, Maria?



COPACABANA
OITO E MEIA DA NOITE
CASA DE RONALDO E MARILENE.
NA SALA DE JANTAR ESTÃO: OTÁVIO, RONALDO E MARILENE
OTÁVIO CALADO. RONALDO E MARILENE PERCEBEM.


(Marilene) – Filho, você quase não tocou na comida. Fiz aquele purê de batatas baroas delicioso que você gosta e nada, não comeu nada!
(Otávio) – Tô sem fome, mãe.
(Ronaldo) – O que foi dessa vez? Você vive sem fome.
(Marilene) – Não quero meu filhote sem fome. 
(Ronaldo) – Tá apaixonado?
(Marilene feliz) – Apaixonado filhote? Quem é a sortuda?
(Otávio) – Não é bem uma paixão. OLHA PARA RONALDO.
– É uma obsessão!
(Ronaldo) – Ui, essa foi boa!
MARILENE E RONALDO RIEM.
(Marilene) – Meu filho, gostei viu? Mas, obcecado por quem?
Podemos saber?
(Otávio) – Claro que podem. A Regina!
RONALDO ENGASGA-SE. MARILENE O SOCORRE.
(Marilene) – A Regina? Peraí, a funcionária da loja do seu pai?
Mas ela é bem mais velha que você, meu filho!
(Ronaldo) – Ficou maluco?
(Otávio) – Por que, papai? (debochando)
(Ronaldo) – Isso tá me cheirando a golpe…
(Marilene) – Golpe, por que golpe?
(Otávio) – Não se preocupe, papai, eu só quero um lanchinho…
(Marilene) – Meu filho, o que é isso? Não seja assim…
Esse comportamento é para homens canalhas!
(Ronaldo) – E ela, tá a fim de você?
(Otávio) – Por que o senhor quer saber?
(Marilene) – É Ronaldo, o que interessa saber?
(Ronaldo) – Só por curiosidade…
(Otávio) – Acho que sim. Já dei uns pegas nela.
RONALDO ENGASGA-SE NOVO. MARILENE O SOCORRE OUTRA VEZ.
(Ronaldo) – Você não pode se envolver com essa mulher, ouviu?
Ela quer dá um golpe em você! É uma pobretona!
OTÁVIO LEVANTA-SE DA MESA.
– Com licença. Eu vou indo.
(Marilene) – Mas você não comeu quase nada…
(Ronaldo) – Isso não vai ficar assim…
O INTERFONE TOCA.
(Otávio) – Pode deixar, é pra mim.
OTÁVIO VAI ATENDER. 
– Estou descendo.
(Marilene) – Quem era meu filho?
(Otávio) – A Regina. Nós vamos sair.
Beijo mãe, beijo pai.
OS DOIS TROCAM OLHARES INCRÉDULOS


colaboração neste capítulo: Analía Rodriguez

FIM DO DÉCIMO SEGUNDO CAPÍTULO
ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, 
QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS, HISTÓRIAS OU FATOS, 
TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA.
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