VIGÉSIMO QUARTO CAPÍTULO

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De Warlen Pontes
SÁBADO,
16 DE JULHO, 2011.

COPACABANA. ONZE HORAS DA NOITE.

APARTAMENTO DE FREDA E REGINALDO.
NA SALA EM PÉ: REGINALDO, VALÉRIA, RODRIGO, ESTER, AMANDA, OTÁVIO E RAFAEL.


VALÉRIA ACHANDO TUDO MUITO ESTRANHO.
(Valéria) – Eu não entendi o porquê da gente estar aqui… você entendeu Reginaldo?
(Reginaldo) – Coisas de mulheres. Freda esqueceu alguma coisa…
(Rodrigo) – Vocês sempre tão esquecidas…
(Valéria) – Peraí, eu sou esquecida, Freda não. E por que tivemos que subir todos?
(Amanda) – Mãe, por que a senhora está tão tensa?
Subimos rapidinho só pra tia pegar uma coisa que esqueceu…
(Rafael) – E eu estava com muita sede.
RAFAEL SAI E DIRIGE-SE À COZINHA. OTÁVIO O ACOMPANHA.

AMANDA LIGA O TELÃO.
TODOS SENTAM.
(Ester) – Filme a essa hora Amanda?
(Valéria) – Minha filha, ninguém vai quer ver filme agora.
FREDA ENTRA NA SALA COM RAFAEL E OTÁVIO.
(Freda) – Esse você vai gostar Valéria, minha irmã amada.
(Reginaldo) – Finalmente Freda, vamos?
(Freda) – Vamos assistir um filmizinho, meu amor.

AS CENAS EXIBIDAS É UMA MIX DE IMAGENS DE REGINALDO E VALÉRIA AOS BEIJOS. ENTRADAS NO MOTEL. BEIJOS CALOROSOS EM PLENA LUZ DO DIA.


(Reginaldo) – O que isso significa?
(Rafael) – Você traindo minha mãe com a tia Valéria.
VALÉRIA COM O ROSTO RUBORIZADO E COM LÁGRIMAS NOS OLHOS.
LEVANTA-SE.
(Valéria) – Eu não vou ficar aqui vendo isso…
FREDA PEGA PELOS SEUS CABELOS E SEGURA FIRME.
(Freda) – Ah, vai sim. Vai ver até o último minuto.
(Amanda) – É um curta mamãe. Passa rápido.
(Rodrigo) – A atriz é ótima, mas o ator, um canastrão.
(Reginaldo) – Não é nada disso que vocês estão vendo…
(Ester) – O clichê foi ótimo, tio Reginaldo.
(Otávio) – Que elasticidade hein, tia?
(Valéria) – Me respeite, moleque!
(Otávio) – Respeito? Moleque?
(Ester) – Não fale assim com ele, sua vagabunda! Traíra!
(Reginaldo) – Olha como você fala, menina!
(Amanda) – Olha como fala, por quê? Quem é você pra dar lição de moral na gente? Quem são vocês? Dois traidores! Dois falsos!
(Rodrigo) – Bem. Acabou. 
RODRIGO DESLIGA O TELÃO.

FREDA JOGA VALÉRIA NO SOFÁ. MANDA REGINALDO SENTAR AO LADO DELA.
VALÉRIA CABISBAIXA E REGINALDO DE CABEÇA PRA CIMA. CÍNICO.
LADEADOS: FREDA, RODRIGO, AMANDA, ESTER, RAFAEL E OTÁVIO.

(Freda) – Esta noite, Reginaldo, você vai dormir na casa da sua mãe.
Suas coisas já estão arrumadas. Inclusive, eu já conversei com ela.
(Reginaldo) – O quê? Minha mãe sabe de tudo? Não acredito!
(Rodrigo) – Quer ligar pra ela? Ela nos apoiou desde o início.
(Freda) – Eu perdi minha mãe, mas ganhei outra.
(Reginaldo) – Mamãe me paga!
(Rodrigo) – E você, Valéria, não adianta continuar derramando essas lágrimas de crocodilo… você vai voltar pra casa da sua mãe também. Falei com a Maria, ela concordou.
(Valéria) – Maria?
(Rodrigo) – Bem, a Freda que não foi.
TODOS RIEM.
(Rodrigo) – Suas coisas já estão lá.
(Amanda) – E o que faremos agora, tia Freda?
(Freda) –  Vamos jantar. Vamos comemorar a minha e a liberdade do seu pai!
VALÉRIA SE LEVANTA.
REGINALDO TAMBÉM.
VALÉRIA SAI CABISBAIXA, ABRE A PORTA E VAI EMBORA.
REGINALDO ABRAÇO FREDA.


(Reginaldo) – Você não acha que a gente pode conversar mais?
(Freda) – Acho, meu amor, podemos sim… na justiça!
Agora saia da minha frente! A Valéria já foi. Vá atrás dela!
(Reginaldo) – Rafael, você vai ficar parado, meu filho?
RAFAEL ABRAÇA FREDA.
(Rafael) – Vou ficar parado ao lado da minha mãe.
REGINALDO OLHA PARA RODRIGO.
(Reginaldo) – Perdoa amigo.
RODRIGO VIRA A CARA PARA REGINALDO.
REGINALDO ABRE A PORTA E SAI.


RAFAEL ABRAÇA FREDA. AMANDA ABRAÇA RODRIGO.
(Ester) – Tia, como a senhora está?
FREDA SENTA NO SOFÁ. CHORA.
(Freda) – Agora melhor, Ester. 
ENXUGA AS LÁGRIMAS.
(Ester) – E você, tio Rodrigo?
(Rodrigo) – Com fome.
TODOS RIEM.

UM MÊS DEPOIS.

COPACABANA. DUAS HORAS DA TARDE.

GABINETE PASTORAL.
O COPASTOR RIVALDO COM MARILENE E OTÁVIO.

(Marilene) – Por que você defende tanto o seu irmão?
Como pastor você deveria ter outra postura.
(Rivaldo) – Ele é meu irmão, antes de qualquer coisa…
(Marilene) – E o seu compromisso com Deus? Sua família está acima de Deus?
(Rivaldo) – Não é bem assim, Marilene. Meu irmão tem os seus defeitos, mas te ama.
(Otávio) – Imagine se ele não amasse a minha mãe…
(Rivaldo) – É um jeito diferente de amar, digamos assim.
(Marilene) – Na Bíblia se ama assim?
(Rivaldo) – O amor de Deus supera o perdão. Acho que você deveria perdoar, Ronaldo. Ele está se esforçando para mudar. Ele é um homem de Deus.
(Marilene) – Homem de Deus? Ser homem de Deus significa trair a esposa?
Enganhar o filho?
(Otávio) – Nossa, mãe, vamos embora.
(Marilene) – Vamos filho, não sei onde estava com a cabeça de ter vindo até aqui e falar com você, Rivaldo. Continuo muito desapontada.
ELA SE LEVANTA JUNTO COM OTÁVIO.

(Rivaldo) – Não vá embora. Por favor, fique mais um pouco. Eu tenho uma surpresa pra você.
(Otávio) – Mãe, não tô gostando nada de surpresa.

RONALDO ENTRA NO GABINETE.
(Marilene) – Ronaldo?
(Otávio) – Eu sabia que era isso…
(Ronaldo) – Marilene, Otávio, por favor, preciso falar com vocês!

MARILENE OLHA PARA OTÁVIO.

SERÁ QUE MARILENE VAI PERDOAR RONALDO?
EMOÇÕES FINAIS DE TEMPESTADE DE LÁGRIMAS DE CROCODILO.

FIM DO VIGÉSIMO QUARTO CAPÍTULO
ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, 
QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS, HISTÓRIAS OU FATOS,
TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA.

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