PENÚLTIMO CAPÍTULO – 25º

1
De Warlen Pontes
SEGUNDA,
 15 DE AGOSTO, 2011

COPACABANA – DUAS HORAS DA TARDE.

ESCRITÓRIO HORTIFRUTI SABORES DE COPA.
MARIA E ANTONIO CABRERAS ESPERAM POR FREDA E VALÉRIA.
VALÉRIA ENTRA E NÃO ENTENDE A PRESENÇA DE CABRERAS.
LOGO EM SEGUIDA ENTRA FREDA E FICA REVOLTADA COM A PRESENÇA DE CABRERAS.
NUMA MESA OVAL DE REUNIÕES, MARIA FALA.

(Maria) – Bem, em primeiro lugar, obrigado por vocês terem vido.
(Valéria) – Eu não viria, depois da pilantragem que você fez, Maria.
(Freda) – Pilantragem? Essa é boa.
(Maria) – Eu não quero mais perder tempo e não vou responder ao seu comentário, Valéria. Este senhor aqui vocês já conhecem…
(Freda) – Infelizmente, o que ele faz aqui Maria?
(Valéria) – Lembra? Ela falou que ia nos contar tudo a respeito desse senhor…
(Cabreras) – Cabreras, Antonio Cabreras.
(Maria) – Vou ser clara, curta, grossa e objetiva.
Sr. Antonio Cabreras era amante do nosso pai.
FREDA E VALÉRIA FICAM MUDAS, EM CHOQUE COM A INFORMAÇÃO.
VALÉRIA DERRAMA UMA LÁGRIMA AO OLHAR PARA CABRERAS FIRMEMENTE.
FREDA NÃO ACREDITA.

(Freda) – Isso é uma brincadeira? Nosso pai era gay?
Daqui a pouco você vai dizer que a nossa mãe era transformista!
(Cabreras) – Más respeto por su madre, Freda.
(Maria) – Chega! Mamãe me contou tudo na noite da sua morte.
Seu
Antonio Cabreras vivia aqui no hortifruti. Eu desconfiava da sua
aproximação com papai. Um dia, perguntei à mamãe sobre ele. Ela se
esquivava e mudava de assunto. Comecei a investigar e descobri muitas
outras coisas…

(Freda) – Descobriu o que, Maria?
(Valéria) – Tem mais coisas?
(Cabreras) – Mucho más.
(Maria) – Hoje, confesso a vocês, vai ser um dia muito difícil. 
Vocês devem ser fortes! 


NESTE MOMENTO ENTRA BOANERGES.
(Boanerges) – Boa tarde.
(Freda) – O que o tio Boanerges está fazendo aqui?


MARIA OLHA PARA CABRERAS. FREDA OLHA PARA VALÉRIA.
BOANERGES FICA PARADO NA PORTA.

 COPACABANA – DUAS HORAS DA TARDE.


CASA DE RIVALDO.
ESTER E OTÁVIO CONVERSAM.

(Ester) – Quer dizer então, seu pai apareceu do nada na igreja? E como foi?
(Otávio) – Não foi. Eu e a mamãe olhamos pra cara dele e fomos embora…
(Ester) – Só isso? Ele não implorou, não segurou na mão de vocês, nada?
(Otávio) – Ester, estou sendo bem resumido… meu pai ajoelhou, chorou lágrimas e mais lágrimas…
(Ester) – De crocodilo…
OS DOIS RIEM.
(Otávio) – Isso, muitas lágrimas de crocodilo… disse que não viveria sem mim e a dona Marilene… como seria chegar em casa sem a gente, todos os clichês que você imaginar… ah, teve um clichê novo, como vou sentir o perfume de vocês?
(Ester) – Nossa, cafona.
(Otávio) – Essas coisas… deixamos ele falar bastante, minha mãe até bocejou…
(Ester) – Gostei e aí?
(Otávio) – Minha mãe, dona Marilene (ri) disse: perguntou? Terminou? Nem pra novela mexicana seria contratado.
OS DOIS RIEM.
(Ester) – Imagino que ele se esperniou mais, e o tio Rivaldo?
(Otávio) – Queria fazer uma participação especial no texto do irmão, mas a dona Marilene, como uma diretora severa, mandou ele calar a boca.
OS DOIS RIEM.
(Ester) – Sinto muito por tudo isso, Otávio.
(Otávio) – Sabe de uma coisa? Foi melhor assim. Algumas pessoas não mudam, apenas mentem melhor. Estamos livres, eu e a mamãe. Decidimos que vamos embora pra São Paulo.
(Ester) – Nossa! Gostei da frase.
Sério? Gosto muito de São Paulo. Mais um lugar pra visitar sempre. 
De vion, como diz uma amiga minha, 45 minutinhos…
(Otávio) – Será sempre bem-vinda… mas mudando da água para o vinho… será que a tia Maria já contou tudo à tia Freda e à tia Valéria?
(Ester) – Como será que elas vão reagir?
(Otávio) – Mal, muito mal…
Ester, você acha que a vovó sabe de alguma coisa?
(Ester) – Eu acho que sim. Pensa bem, todos estes anos…

ENQUANTO ISSO, RIBERILDA ENTRA SEM ELES PERCEBEREM E OUVE TODA A CONVERSA.
OTÁVIO INTERROMPE ESTER.
(Otávio) – Fingimento?
(Ester) – Para não perder o marido, aceita certas coisas…
(Otávio) – Ficar com uma pessoa, aceitar traição e ficar calada?
(Ester) – A época deles é outra. Eu dei uma estudada nisso…
(Otávio) – Eles aceitam tudo em nome do amor. Amor, entre aspas, preferem não separar e ficar numa relação sem fidelidade, admitindo as puladas de cerca, essas coisas…
(Ester) – Isso mesmo. Hoje é diferente, na primeira pulada de cerca, bye, bye relacionamento.
(Otávio) – A menos se houve um pacto…
(Ester) – Um pacto? Um pacto de amizade?
(Otávio) – Sim, um pacto de amizade. Acho que a vovó, o vovô, a tia Edviges e o tio Serafim fizeram um pacto de amizade.
Lembra como os quatro eram tão amigos?
(Ester) – Muito amigos…
(Otávio) – Vamos falar com a vovó sobre isso?
(Ester) – Eu sempre tive vontade de falar sobre o segredo da tia Edviges com ela…
NESTA HORA ENTRA RIBERILDA.
ELES SE ESPANTAM.


(Riberilda) – Pode perguntar o que quiser, Ester.


E AGORA, QUAL A RELAÇÃO DE BOANERGES COM OS FINADOS SERAFIM E EDVIGES?
QUAL A RELAÇÃO DE BOANERGES COM ANTONIO CABRERAS?
SERÁ QUE RIBERILDA CONHECE O SEGREDO DA IRMÃ?

VAI PERDER O ÚLTIMO CAPÍTULO?
EMOÇÕES FINAIS DE TEMPESTADE DE LÁGRIMAS DE CROCODILO.


colaboração de Analía Rodrigues.

FIM DO VIGÉSIMO QUINTO CAPÍTULO
ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, 
QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS, HISTÓRIAS OU FATOS,
TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA.
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