ÚLTIMO CAPÍTULO – VIGÉSIMO SEXTO

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De Warlen Pontes
Segunda, 
15 de agosto, 2011

COPACABANA. TRÊS HORAS DA TARDE.


ESCRITÓRIO HORTIFRUTI SABORES DE COPA.
NA MESA DE REUNIÕES, SENTADOS EM VOLTA DELA ESTÃO: MARIA, CABRERAS, FREDA E VALÉRIA. BOANERGES SENTA-SE.

(Freda) – Tio Boanerges, o sr. pode explicar o que está acontecendo aqui?
(Boanerges) – Oi pra você também, Freda.
(Cabreras)Ella no tenes mas remedio.
(Freda) – Olha como você fala comigo, Cabreras!
CABRERAS RI.
(Valéria) – Ele riu.
(Maria) – Freda, tio Boanerges está aqui para esclarecer tudo.
(Boanerges) – Isso mesmo, mas o que eu tenho pra falar é muito sério, por isso, pedi à Maria que fosse aqui. 
PEGA DOIS ENVELOPES. ENTREGA À FREDA E À VALÉRIA. 
(Freda) – O que é isso?
ABRE O ENVELOPE.
(Valéria) – Exame de DNA?
(Freda) – Peraí, exame de DNA? Não estou entendendo nada!
(Maria) – Você já vai entender tudo…
(Boanerges) – Freda, Valéria, sinto muito por contar isso a vocês só agora, mas eu sou o pai de vocês!
(Valéria) – Como? Você é o nosso
(Freda) – Pai? 

LÁGRIMAS NOS OLHOS DE FREDA E VALÉRIA.
ESTUPEFATAS! ABISMADAS!
VALÉRIA COLOCA AS MÃOS SOBRE O ROSTO. INCRÉDULA.
FREDA COM ÓDIO NO OLHAR.
PARTE PRA CIMA DE BOANERGES. GRITA COM ELE.
CABRERAS SEGURA FREDA.

(Freda) – Maldito! Maldito! Mentiroso! Mentiroso! Absurdo isso!
Louco! E você, Maria? Você é uma falsa! Deve estar adorando essa chacrinha toda aqui! Esta palhaçada! Isto é uma palhaçada! Desonrar a minha mãe! A memória da minha mãe que não está aqui para se defender! Vocês são podres! Eu não vou cair nessa mentirada toda! Não vou cair! Eu odeio você, Maria! Odeio você, Boanerges! Me solta! Me solta!
(Valéria) – Então era isso que a mamãe escondia da gente esses anos todos? O senhor tio… o senhor sempre teve um carinho grande pela mamãe… e você, Maria, sabia de tudo esse tempo todo!
(Maria) – Eu entendo vocês. Não vou levar em consideração o que você falou Freda, eu entendo o seu ódio, a sua raiva, mas tudo isso não é porque você amava a mamãe…
(Freda) – Agora sou eu que não amo a mamãe? Onde você quer chegar? Me solta!

CABRERAS SOLTA FREDA E FICA NA PORTA.
(Maria) – Mamãe sempre confidenciou tudo a mim, não a você e você nunca aceitou isso.
FREDA SENTA E FICA CABISBAIXA.
(Valéria) – Você sempre foi a preferida da mamãe.
(Maria) – A única vez que a mamãe confidenciou uma coisa pra você… você saiu correndo e contou pro papai…
(Valéria) – Bem, o que acontece agora?
(Boanerges) – Este exame é o que eu fiz com a Maria.
Para que não ajuda dúvida nenhuma, é preciso que vocês também façam o exame.  
(Maria) – Na noite da morte da mamãe, eu fiz questão de gravar o seu depoimento. Eu tenho aqui dois cds para vocês ouvirem em casa. Com a voz da mamãe revelando tudo.
MARIA ENTREGA OS CDS.

DIAS ATUAIS.

             
DOMINGO. OITO HORAS DA NOITE.

O PASTOR FELIPE PEDREIRA, LONGE DA IGREJA HÁ ALGUM TEMPO EM VIAGENS MISSIONÁRIAS. É O MENSAGEIRO DA NOITE. ANTES DA MENSAGEM DE FELIPE, O COPASTOR RIVALDO FAZ UMA INTRODUÇÃO. 

(Rivaldo) – É com muito prazer que agradeço a Deus pelo pastor Felipe. É uma alegria muito grande tê-lo de volta depois de um ano em viagens missionárias.
(Felipe) – Eu que agradeço irmão, seu carinho, seu apreço, sua dedicação com o rebanho. Deus cuidou da nossa igreja e colocou um companheiro fiel, leal e dedicado ao meu lado. Que Deus o abênçõe com toda sorte de bênção seu ministério. O nosso ministério aqui na Tenda da Nuvem da Bênção.
Vivemos dias difíceis, mas Deus tem nos dado sabedoria, fé e confiança para enfretarmos os dias maus.

ENQUANTO FELIPE PREGA, OS COMENTÁRIOS.
(Davi) – Já estávamos com saudades do pastor Felipe.
(Darlene) – Suas belas palavras. 
(Davi) – E eu já estou com saudades de outras coisas, meu docinho de coco.
(Darlene) – Meu guerreiro, concentre-se na mensagem.

MUDA PARA GERACINA E PAULINA.
(Geracina) – O pastor Felipe voltou tão magrinho, você não acha Paulina?
(Paulina) – Mas eu já preparei um lanchinho básico pra ele, depois do culto.
(Geracina) – Imagino o básico…
(Paulina) – Eu convidei e ele disse que vai. Falei com ele antes do culto.

MUDA PARA CIDA E IVÂNIA.
(Cida) – Menina, quem te viu, quem te vê…
((Ivânia) – O que foi? Outro babado? Não percebeu? A família real está incompleta, onde estão os príncipes? Só estou vendo as rainhas…
(Cida) – Tevem ter ido pro bar da cantora
(Ivânia) – Deve ser isso mesmo…

MUDA PARA A MENSAGEM.
(Felipe) – Não se esqueçam disso: os milagres de Deus virão na hora certa. Pensem nisso!

              
LAPA. ONZE HORAS.
NO BAR, MARIA CANTA FINAL FELIZ, de Jorge Versillo.

NO BAR ESTÃO PRESENTES:
OTÁVIO E AMANDA DE MÃOS DADAS.
RAFAEL E ESTER COM SEUS RESPECTIVOS PARES.
CRISTINA, FUNCIONÁRIA DA BOUTIQUE DO BRIGADEIRO.

(Maria Maria) – Dedico esta música aos meus sobrinhos presentes aqui nesta noite maravilhosa! Quem não quer um final feliz? Eu quero é ser feliz e viver pra ti! Amo vocês!
MARIA ABRAÇA PEDRO E TASCA UM BEIJÃO.
TODOS APLAUDEM E RIEM.

ENQUANTO MARIA CANTA.
(Cristina) – E sua mãe, Otávio?
(Otávio) – Mamãe, conheceu um russo e está em Moscou!
(Cristina) – Nossa, isso que é final feliz! Mas poderia ser mais pertinho… e o seu pai, pra variar, pegando uma funcionária da loja.
TODOS RIEM.
(Amanda) – E Cláudio Roberto e Regina, que fim deram os dois?
(Cristina) – A última notícia que tive é que Cláudio deu um golpe numa coroa em Copacabana e estão vivendo no Caribe!
TODOS.
– Caribe!
(Rafael) Que maravilha!
(Cristina) – E o seu Reginaldo? Casou de novo?
(Rafael) – Meu pai fechou a clínica e foi embora para o Nordeste, acreditam? Está em Natal agora e até onde eu sei, casadíssimo e a esposa esperando um filho, ou seja, vou ter um irmãozinho.
(Cristina) – E a Valéria e o Rodrigo?
(Amanda) – Meu pai perdoou mamãe. Estão numa boa. 
(Cristina) – E a tal história da avó de vocês, ou melhor, das avós?
(Ester) – Bem, parecia que todos sabiam de tudo, tia Edviges, vó Riberilda, vó Boanerges, era um pacto entre amigos.
(Cristina) – E o argentino? Como era mesmo o nome? 
TODOS.
– Antônio Cabreras!
TODOS RIEM.
(Otávio) – Seu Antônio Cabreras era o marido do vovô. Ele aceitou se casar com a vovó para parecer um homem de verdade na sociedade. Como ele sempre foi um homem muito discreto, passou batido.
(Cristina) – Que história! Quer dizer então, que o seu Boanerges prestava expediente nos dois empregos e teve cinco filhos! Uau!
(Amanda) – Vovó Edviges era um anjo, uma mulher digna e foi o amor da vida do tio Boanerges.
(Cristina) – Mas, por que então eles não se casaram?
(Ester) – Casamento arranjado. Os pais da vovó estavam falidos e então, de comum acordo aceitaram juntar os filhos, para salvar a família.
(Rafael) – Os Cavendish cheios da grana, livraram a outra família da falência.
(Cristina) – E eu que pensava que isso só existia no século passado…
(Otávio) – Isso nunca vai deixar de existir, não tão explícito, não tão escancarado como antes, mas hoje existe de uma maneira bem escondida. 
(Amanda) – Casamentos de fachadas, é isso mesmo.
(Ester) – Mas essa história acabou e estamos aqui curtindo a tia Maria.
(Rafael) – E a sua bela voz.
TODOS.
– Isso mesmo!

FIM DA MÚSICA.
MARIA DESCE DO PALCO E ABRAÇADA A PEDRO VAI ATÉ A MESA DOS SEUS SOBRINHOS E SOBRINHAS.

(Rafael) – Como sempre, tia, maravihosa!
(Amanda) – Brilhante!
(Ester) – Emocionante!
(Otávio) – Digna de um final feliz!
MARIA FICA RUBORIZADA.
(Maria) – Só vocês mesmo. Amo a todos!
(Pedro) – Eles não mentem.
OUTRO BEIJÃO DE MARIA E PEDRO.
TODOS APLAUDEM.
(Maria) – E o brinde é?
OTÁVIO E AMANDA JUNTOS.
Ao amor!
E SE BEIJAM. TODOS APLAUDEM.
MARIA E PEDRO TAMBÉM SE BEIJAM.
COM O BAR CHEIO E TODOS ABRAÇADOS, LEVANTAM OS COPOS E BRINDAM.
– Ao amor!

FIM

     
                                 

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