terça-feira, 13 de novembro de 2012

Como seria uma outra "GUERRA DOS SEXOS"?

foto: reprodução

novela GUERRA DOS SEXOS - TV CRÍTICA

Em substituição ao fenômeno CHEIAS DE CHARME, a "nova" versão de GUERRA DOS SEXOS entra no seu trigésimo capítulo e reverencia o folhetim cult do humor pastelão da TV na década de 1980.

A HISTÓRIA
A trama de GUERRA gira em torno de uma disputa acirrada entre homens e mulheres. As personagens Otávio II e Charlô II, vividas por Tony Ramos e Irene Ravache, herdam uma fortuna dos tios, Otávio e Charlô, que é composta por um ostentoso castelo, edificação inspirada nos modelos europeus, e a rede de lojas Charlô's.

Ambientada em São Paulo, como todas as novelas de Sílvio de Abreu, GUERRA dos SEXOS é repleta de entrechos paralelos, como o núcleo situado no bairro da Mooca, onde vivem Nieta (Drica Moraes), seu esposo Dino (Fernando Eiras), a filha Carolina (Bianca Bin), e os galãs Ulisses (Eriberto Leão) e Nando (Reynaldo Gianecchini), além da fábrica de roupas esportivas, Positano, comandada por Roberta Leone (Glória Pires).

foto: TV Globo

O ELENCO
A Globo não poupou esforços para investir neste remake, a começar pelo elenco, a maioria do seu cast é composto por astros e estrelas do seu primeiro escalão. É complicado fazer uma releitura de um clássico, readaptar à linguagem atual e transportar o duelo entre homens e mulheres para o século 21. Entretanto, GUERRA está mais para uma homenagem, tendo em vista, a performance de alguns intérpretes. 

Vamos começar por Tony Ramos e Irene Ravache, figuras antológicas da dramaturgia nacional. Os jeitos e trejeitos do Autran e da Montenegro estão presentes na interpretação de Ramos e Ravache. 

Em se tratando da composição da Nieta, de Drica Moraes, com aquele sotaque típico paulistano do bairro da Mooca, construído brilhantemente pela saudosa Yara Amaral (1936-1988), fica explícita a referência à personagem desenhada por Amaral. 

Glória Pires e Edson Celulari não fogem à regra. Louvam com júbilo Glória Menezes e Tarcísio Meira, seus pares na versão anterior. Reynaldo Gianecchini faz a diferença nesta fase, o Nando vivido por ele é infinitamente melhor ao canastrão Mário Gomes, o galã-mor das novelas das sete da época. 

foto: TV Globo

Mas não podemos deixar de destacar o Daniel Boaventura (Nenê), sempre bem e verdadeiro; o Paulo Rocha (Fábio), no esforço elogiável em perder o sotaque lusitano; Eriberto Leão (Ulisses), a cada trabalho, um desempenho surpreendente e, a lindeza de criança, Jesuela Moro (Cissa), uma pequena grande estrela.

Nova Iorque é São Paulo
Uma coisa deve ser dita e registrada: o cuidado da produção com o visual de GUERRA dos SEXOS impressiona pela riqueza de detalhes, por exemplo, a fachada e o interior da loja Charlô's, com cara de Nova Iorque. Com certeza, Jorge Fernando, assistiu a uma meia dúzia de filmes americanos para reproduzir a Charlô's de 2012. E o seu interior? Das prateleiras aos produtos, tudo foi minuciosamente pensado e construído; tem até uma escada rolante de verdade.

Infelizmente, GUERRA dos SEXOS está bem longe das boas audiências do horário. Na avaliação média/mês, em comparação às suas antecessoras, o folhetim de Sílvio de Abreu marcou 23 pontos (*), enquanto CHEIAS DE CHARME, 30 pontos, AQUELE BEIJO, 27 pontos, MORDE & ASSOPRA, 26 pontos e, TITITI, 29 pontos (números arredondados).

(*)Cada ponto equivale a 60 mil domicílios na cidade de SP.

Em entrevista ao portal r7.com, Sílvio declarou que não vai mexer na história por causa do IBOPE de São Paulo, justifica dizendo que no PNT (Painel Nacional de Televisão) o share é de 30% (participação no total de televisores ligados) e, vai além, a procura pelas agências publicitárias por merchandising é enorme, provando que o interesse está acima dos números.

Como seria uma outra Guerra?
Qual seria a outra GUERRA DOS SEXOS  se fosse reescrita por outro autor, em vez de Sílvio de Abreu? Se ao invés de recriar cenas clássicas, como o café da manhã "pastelônico" entre Fernanda Montenegro e Paulo Autran, fossem inventadas cenas ainda melhores, não teríamos uma obra mais criativa e atual? Em TITITI, de 2010, isso foi possível graças ao talento primoroso de Maria Adelaide Amaral. Ela não precisou recriar cenas ou situações, se fez, passou imperceptível pelo público. Na recente versão de GABRIELA, escrita pelo eficiente Walcyr Carrasco, sua releitura à obra de Jorge Amado brindou-nos com novas personagens e situações, tornando-a mais interessante.

por Warlen Pontes

GUERRA DOS SEXOS

Novela de
Sílvio de Abreu

Colaboração
Daneil Ortiz

Direção
Ary Coslov
Marcelo Zambelli
Ana Paula Guimarães

Direção geral e NÚCLEO
Jorge Fernando

Reveja a abertura
da versão de 1983
AQUI
no Memória Globo





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