quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Para onde vai o BALACOBACO?

foto: reprodução

 novela BALACOBACO - TV CRÍTICA

Há mais de três meses no ar, a nova produção da faixa das 22h, da Record, ainda não deslanchou. BALACOBACO, até agora, registra audiência inferior à sua antecessora, MÁSCARAS, média de 6 pontos (*).
Mas por que a trama de Gisele Joras não agrada?
(*)Cada ponto equivale a 60 mil domicílios na cidade de SP.

A HISTÓRIA
Diva (Bárbara Borges) e Dóris (Rafaela Gualda) são duas irmãs gêmeas bivitelinas. Elas roubaram o carro de Isabel (Juliana Silveira) em plena luz do dia e em plena Avenida Presidente Vargas, centro nervoso do Rio de Janeiro. Em cena de ação de tirar o fôlego, o carro derrapou, bateu, capotou, Isabel conseguiu escapar e a polícia prende Diva e Dóris. As duas ficaram presas por anos e prometeram vingar Isabel. Esse é o mote de BALACOBACO.
Paralelo à vingança das irmãs, estão Norberto (Bruno Ferrari), seus irmãos postiços, Eduardo (Victor Pecoraro), Lucas (Wagner Santisteban) e Vicente (Rafael Calomeni); sua madrasta e mãe de seus irmãos, Lígia (Lu Grimaldi) e Arthur (Luiz Guilherme), seu pai e também pai de Lucas.
  
Um caledoscópio de tipos exagerados, caricatos desfilam por cenários inusitados como, por exemplo, a pastelaria STROMBOLI, localizada no Catete, bairro da Zona Sul carioca, ponto de encontro de várias personagens. Em outro ponto de encontro está a agência de publicidade, AVENTURA RADICAL e, por lá, acontecem outras cenas importantes e alguns desfechos.

OS ERROS E ACERTOS DE BALACOBACO
A novela exagera na comédia. As gêmeas, vividas por Borges e Gualda, são histriônicas e abusam do excesso de falar errado e de suas atrapalhadas. Uma pena, talentos desperdiçados.
Outras personagens perdidas e seus intérpretes repetitivos: a trambiqueira Cremilda, da Solange Couto, lembra a dona Jura de O CLONE; as caras e bocas do Osório e Deodoro de André Mattos, e a devoradora de homens mais novos, Abigail, da Sílvia Bandeira.
Não posso deixar de registrar dois extremos em cena: Léo Rosa e seu Breno forçado não convencem; por outro lado, o Patrick, do Thierry Figueira, no tom certo, rouba a cena do colega.  

Não há um suspense e nem um segredo no folhetim. O telespectador já sabe de tudo e aquele friozinho na barriga com o inusitado não acontece. Talvez esse seja o seu maior erro. BALACOBACO trouxe de volta o "A seguir, cenas do próximo capítulo", pois, ao final de cada episódio, imagens dos acontecimentos são mostrados ao público, ou seja, já se sabe o que vai acontecer. Qual é a graça disso?

SOCORRO PAQUETÁ é um filme rodado por um estudante de cinema equivocado vivido pelo excelente, Sílvio Guindane (Zé Maria). Uma alusão à história da novela, uma espécie de indireta aos acontecimentos, e isso atrapalha ao invés de ajudar. Desnecessário.

SPOLADORE, FERRARI, PHAVANELLO E PEREIRA
A brilhante e talentosa Simone Spoladore e sua Violeta (apesar de não gostar do seu sotaque curitibano carregado), dá um show em cena. Ela consegue passar raiva e doçura num mesmo take e ainda nos fazer rir com as suas aulas de "autoajuda", sem falar nas impagáveis discussões em alta voz e sozinha, como se o seu "eu" do bem e do mal, disputasse à sua atenção. Para mim, uma das melhores atrizes desta geração!

Bruno Ferrari já provou seu talento de mocinho em BELA, A FEIA, outra produção da Record e também escrita por Joras. Em BALACOBACO, ele está perfeito, vivendo o vilão Norberto, um psicopata canastrão que não mede esforços para satisfazer os seus desejos mais escusos. Parabéns!

Rodrigo Phavanello, desde sua vinda à Record, tem nos brindado com boas atuações e mostrado a sua versatilidade como ator. Estreou bem em RIBEIRÃO DO TEMPO, destacou-se como o irmão invejoso, Eliabe, em REI DAVI e agora arrebenta como o radialista Plínio Policarpo. Seu leve jeitão de galã dá um charme todo especial ao locutor. Sua presença e seu humor, mostra um lado ainda desconhecido e merecedor de olhares mais atentos. Vai longe!

Por último, a "pirata", Cristina Pereira. No dia a dia ela é uma simples empregada de casa de madame mas, aos domingos, ela se transforma na conselheira safadinha e misteriosa: Marcelona Garanhona, programa da rádio Ampola. A veterana Pereira empresta todo o seu talento humorístico com eficiência e, na medida certa, sem utilizar do histrionismo de alguns colegas. 


Não posso deixar de destacar também as pequenas, mas as boas atuações de Letícia Medina, Gabriela Moreyra, Lu Grimaldi, Rômulo Estrela, João Camargo, Roberta Almeida, Leandro Léo, Stella Freitas e Humberto Magnani. Sem esquecer, é claro, de Ingra Liberato, uma grande atriz. 

PARA ONDE VAI O BALACOBACO?
A autora abandonou a vingança das irmãs Diva e Dóris e mudou o foco para a disputa entre os irmãos Eduardo e Norberto. Victor Pecoraro em seu terceiro trabalho na telinha, ainda não convence como ator; vai ser preciso estudar mais e se soltar também, pois talento e carisma ele tem.

Se a proposta era fazer uma novela leve, engraçada, colorida e diferente, envolvida numa trilha sonora bastante popular, não deu certo. Talvez ela se encaixaria no horário das sete. A esta altura, só a entrada de uma boa personagem ou a inserção de um grande mistério, capaz de deixar todos muito curiosos, poderá salvar a novela, mas se não for assim, para onde vai o BALACOBACO?

BALACOBACO
De segunda a sexta, às 22h15

Novela de
GISELE JORAS

Escrita por
ALESSANDRA COLASANTI
ANA CLARA SANTIAGO
CAMILO PELLEGRINI
CARLA PISKE
RODRIGO NOGUEIRA

Supervisão
LUIZ CARLOS MACIEL

Direção
LEONARDO MIRANDA
GUTO ARRUDA BOTELHO
ROGÉRIO PASSOS

Direção Geral
EDSON SPINELLO

Entrevista 
Ingra Liberato



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