sábado, 9 de março de 2013

Lado a Lado, sabor de dever cumprido?


Final de Lado a Lado - TV CRÍTICA
Crítico convidado: 
Albinno Oliveira Grecco

Olá, galera! Ontem (sexta-feira) chegou ao fim a novela LADO A LADO - coincidência ou não, a trama escrita pelos novatos João Ximenes Braga e Cláudia Lage, encerrou no dia oito de março - Dia Internacional da Mulher - sendo este o grande mote da novela: a busca pela emancipação feminina no início do século.

Ao longo dos seis meses no ar, o folhetim enfrentou alguns percalços em nome de uma boa audiência, o que convenhamos nós, noveleiros assíduos, não tirou o brilho de uma caprichada produção de época.

Após a estreia, a trama custou a cair no gosto popular. Os dias, as semanas, os meses passavam e os índices apresentavam insatisfatórios. Com a exibição dos capítulos, eram realizadas pesquisas de opinião dentro e fora da emissora. Tais problemas fizeram com que a produção das 18h fosse totalmente reformulada. Foi inserida uma passagem de tempo, novas personagens entraram com novos entrechos e situações, mudança de perfis das personagens, os ambientes, os figurinos, a fotografia escura e sombria deram lugar a tons mais alegres.Vale ressaltar a direção primorosa somada a escolha de um bom elenco e a maravilhosa supervisão de Gilberto Braga apresentando um delicioso texto.

Mesmo com as crises de baixa audiência, LADO A LADO conseguiu um ótimo feito a partir da segunda fase, marcando a volta de Isabel (Camila Pitanga) de Paris. Aliás, a volta da protagonista sugeriu aos noveleiros uma possível comparação (ou não!) com a novela DANCIN' DAYS (1978), marcando o retorno da mocinha injustiçada Júlia Mattos (Sônia Braga) na luta para ter um lugar ao sol.

Nas redes sociais, jovens manifestavam um enorme interesse pela novela. O fato é que, apesar do desinteresse de alguns espectadores, a trama abordou importantes momentos da História do Brasil, como o advento do samba, o processo de favelização com o fim dos cortiços, a revolta da vacina, a guerra da chibata, a luz elétrica, entre outros aspectos que Ximenes e Lage puderam oferecer ao público por meio de uma cuidadosa pesquisa de época.

O quarteto principal Isabel (Camila Pitanga), Zé Maria (Lázaro Ramos) Laura (Marjorie Estiano) e Edgar (Thiago Fragoso), defenderam brilhantemente seus respectivos papéis, apesar das críticas que assolavam a novela durante os meses que foi exibida.

Há que se registrar o trabalho dos atores Milton Gonçalves, Zezeh Barbosa, Sheron Menezzes, Cássio Gabus Mendes, Caio Blat, Werner Schunemann, Ana Carbatti, Alessandra Negrini, Maria Padilha, Isabela Garcia, Débora Duarte, Guilherme Piva, Christiana Guinle, Bia Siedl, Paulo Betti, Maria Clara Gueiros (em mais um tipo cômico), César Mello, Marcelo Mello Jr., George Sauma, Emílio de Melo, Priscila Sol, Rafael Cardoso entre outros nomes e as rápidas e simplórias participações de Maria Fernanda Cândido e Beatriz Segall. Na ala mirim, destaque para os pequenos Cauê Campos E Eliz David.

Depois de colher os louros por sua Flora em A FAVORITA (2008), Patrícia Pillar retorna à TV num excelente papel com a malvada baronesa Constância rendendo boas cenas na novela mostrando os embates com a filha Laura. Memoráveis cenas.

A trilha sonora foi um achado. O CD trouxe clássicos como "O mundo é um moinho" na voz de Beth Carvalho; "A voz do morro" interpretada por Diogo Nogueira e ainda as balada pop-românticas "De onde vem a calma", cantada por Los Hermanos e a linda "Sei" (tema de Laura e Edgar) na voz de Nando Reis. Mas a inovação deu-se com a música-tema de abertura. O samba-enredo "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós", defendida pela G.R.E.S.S. Imperatriz Leopoldinense pontuava os capítulos da novela todos os dias.

O último capítulo mostrou os vilões devidamente punidos. Catarina (Alessandra Negrini) terminou atrás das grades; Berenice (Sheron Menezzes) morreu ao cair do alto de um morro e ardilosa Constância (Patrícia Pillar) ficou na miséria. Dignos finais.

Na cena final houve um lindo casamento entre Isabel e Zé Maria e uma emocionante declaração de amizade entre Laura e Isabel. Uma linda e injustiçada novela. Parabéns a todos de LADO A LADO
Que venha FLOR DO CARIBE.
Abraços.

Albinno Oliveira Grecco escreve para o 
OLHO VIVO.

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