sexta-feira, 26 de abril de 2013

André Di Mauro: "Considero a teledramaturgia brasileira a melhor do mundo."

entrevista
ANDRÉ DI MAURO

foto: arquivo pessoal


O entrevistado da semana do TV a BORDO é um dos atores mais atuantes do cinema, teatro e TV, André Di Mauro.  Esteve presente nas novelas 'Selva de Pedra', 'Rainha da Sucata', 'Xica da Silva', 'Chamas da Vida' e 'Vidas em Jogo'. 

Estudou no Actor's Studio em Nova Iorque onde foi aluno de Edward Albee, Herbert Berghof e Utta Hagen. Coleciona prêmios no teatro como SATED, SHARP e Cultura Inglesa pelo musical 'Rocky Horror Show'. No cinema atuou em mais de 10 produções como 'Banana Split', 'Leila Diniz' e o festejado 'Tropa de Elite', entre outras.


Atualmente, Di Mauro está na novela BALACOBACO dando vida ao Arnaud, um matador de elite (sniper). Nesta conversa com o blog,  fala da satisfação de ter participado do folhetim premiado em 2012, no Canadá, VIDAS EM JOGO; faz uma análise da televisão brasileira e de sua carreira, além de contar curiosidades sobre sua vida pessoal.

Com vocês, André Di Mauro.


TV - Vamos começar por VIDAS EM JOGO. O folhetim foi premiado recentemente no Canadá com o prêmio BANFF WORLD MEDIA FESTIVAL, na categoria Melhor Telenovela de 2012. O que esse prêmio significa para você e para a teledramaturgia brasileira?   

AM - É o reconhecimento da qualidade da teledramaturgia que vem sendo produzida na Rede Record alcançando projeção internacional. É necessário destacar também o talento ímpar da autora Cristianne Fridman, que a cada nova novela consegue se superar com um vigor impressionante, mantém o interesse do telespectador por meio de viradas e ganchos surpreendentes a cada capítulo, demonstrando uma criatividade infinita, afinal, foram mais de 200 capítulos. Somando-se à qualidade expecional do texto de Fridman, temos a direção competente de Alexandre Avancini, um elenco afinado e uma equipe comprometida com o produto, tudo isso junto só poderia resultar em grande êxito como foi VIDAS EM JOGO.

TV - Como foi lidar com o problema das drogas retratado na novela? Já teve alguma experiência parecida em sua vida pessoal?

AM - Nunca tive uma experiência parecida em minha vida pessoal. Tive alguns amigos que passaram por problemas com álcool, mas nada parecido com o estrago que o crack faz na vida de um ser humano, por isso foi fundamental uma pesquisa aprofundada sobre o tema para poder entender o que um pai com um filho nestas condições é capaz de fazer. Ouvi um depoimento real de um pai que usou cocaína justamente para entender e tentar tirar o filho do vício e quase morreu de overdose. São casos reais e muito tristes. A novela abordou o tema de maneira responsável e lançou luzes que hoje está sendo tratado pelas autoridades públicas como uma epidemia nacional.  

TV - Como se preparou para compor o policial Carlos?

AM - Sempre gostei de participar de cenas de ação e quando é possível prefiro fazê-las sem usar o dublê. Claro, sempre com orientação de especialistas e toda a segurança necessária. Tive um treinamento para manuseio de armas e entrevistei policiais e ex-policiais que me contaram histórias incríveis de quem está na frente da batalha. Quando fiz o filme TROPA DE ELITE, apesar da minha personagem não ser um policial no filme, já havia passado por um treinamento semelhante, o que me foi útil na composição do Carlos. Cuidados como verificar sempre se a arma está descarregada, proteção auricular, forma de segurar na arma (nunca com o dedo no gatilho) e etc. São fundamentos para um bom desempenho em personagens assim. Além desse treinamento, visitamos comunidades carentes, prédios ocupados e tivemos um mergulho psicológico nas personagens com laboratórios realizados sob o comando de Sérgio Penna. Também tive um período de convivência e treinamento com o cachorrinho Mylow que fez o Zé na novela; ele era muito inteligente e parceiro, quando me via, já ficava perto e fazia tudo o que eu pedia dando um show em cena. Ah, também nunca esquecia o texto (risos).


foto arquivo pessoal

André como o cachorrinho myllow, o Zé, 
em VIDAS EM JOGO

TV - Você tem um currículo extenso na TV: Selva de Pedra, Rainha da Sucata, Xica da Silva... qual a análise que você faz da TV brasileira nos últimos 30 anos?

AM - Considero a teledramaturgia brasileira a melhor do mundo. Tive o privilégio de participar de alguns dos maiores sucessos de audiência da história da TV no Brasil, como foi o caso de Rainha da Sucata, a quinta maior audiência da história da teledramaturgia brasileira com média de 60 pontos e picos de 90 pontos no IBOPE. Fenômenos de audiência que nunca mais se repetirão devido ao constante aumento de opções como o advendo da TV a cabo e a internet. Nestes 30 anos houve muita evolução tecnológica e cada vez mais a qualidade se aproxima do cinema com câmeras de alta definição e efeitos que antes só eram possíveis no cinema. Também acho que houve uma evolução na dramaturgia, antigamente a trama demorava mais a acontecer e tinha até aquela expressão: "é para encher linguiça" quando as coisas não aconteciam. Hoje temos novos autores como a Cristianne Fridman, que conseguem dar um dinamismo enorme à novela criando praticamente um filme por dia. A velocidade da informação no mundo de hoje exige este dinamismo nas tramas para manter o interesse do público aceso.

TV - Você é noveleiro? Acompanha novela? Eu assisti a quase todos os capítulos de VIDAS EM JOGO e chorei quando o Carlos morreu (risos).
AM (risos) - É a morte do Carlos foi realmente muito triste e polêmica no momento que foi ao ar, chegou nos tt's mundiais - trending topics - com um dos assuntos mais comentados do mundo no twiiter. E respondendo a sua pergunta, sou noveleiro de carteirinha! Costumo assistir todas as novelas que consigo. Mesmo quando não estou participando, acho importante assistir para acompanhar, analisar e aprender com o trabalho dos colegas. E quando estou participando de uma novela, gosto de assistir todos os capítulos na hora em que vão para o ar. É uma emoção especial. Só quanto estou gravando uma noturna é que vejo depois pela web, mas não perco nenhum capítulo. 

TV - De que maneira, o Lipe de CHAMAS DA VIDA, marcou a sua carreira? Como foi a repercussão?

AM - A personagem Lipe de CHAMAS DA VIDA foi sem dúvida um divisor de águas na minha carreira, não só pelo grau de dificuldade, mas pelo êxito de público e crítica. Para começar a falar no Lipe é necessário primeiro falar de Cristianne Fridman, que foi a verdadeira criadora e responsável por esse sucesso. Foi a primeira vez que o tema pedofilia foi abordado numa novela, um verdadeiro tabu, que em CHAMAS DA VIDA foi discutido de forma aberta e direta, gerando vários benefícios para a sociedade. Não só pelo caráter informativo, mas pela discussão gerada. A abordagem da pedofilia por meio do pedófilo Lipe teve grande repercussão e alcançou altos índices de audiência. O Lipe foi um grande desafio devido a complexidade da personagem que tinha uma carga dramática muito forte e uma composição bastante elaborada. Era necessário muita concentração e dedicação, voz, sotaque, movimentos, emoção, cenas de ação, tudo no mesmo pacote. Considero um privilégio ter tido a oportunidade de fazer esta personagem e agradeço ao talento e ao vigor criativo de Fridman, que sustentou os 250 capítulos com maestria, dando todo o material necessário para realizarmos uma novela inesquecível.


foto: arquivo pessoal

O pedófilo Lipe em 
CHAMAS DA VIDA

TV - Você é muito crítico com os seus trabalhos?

AM - A análise crítica é importante e constante tanto nos pontos positivos quanto negativos, para estarmos sempre aperfeiçoando o trabalho.


TV - Como surgiu o convite para trabalhar na Record?

AM - Meu primeiro convite para trabalhar na Record foi em PROVA DE AMOR por meio do Thiago Santiago, o autor. Foi a primeira novela produzida no RECNOV e um tremendo sucesso. Eu interpretava o repórter Bonforte, na época a novela conseguiu um fato inédito batendo o Jornal Nacional. O pessoal costumava brincar dizendo que o Bonforte bateu o Bonner (risos).


TV - Você acha que houve uma evolução nas novelas da Record?

AM - Sim, o departamento de teledramaturgia da Record vem evoluindo a cada ano e conquistando o mercado internacional e basta ver o sucesso de VIDAS EM JOGO com seus prêmios e audiência. A qualidade das minisséries bíblicas que mais parecem cinema. Fico muito orgulhoso e feliz de estar participando deste processo de evolução da dramaturgia da Record desde o início do RECNOV. Temos uma equipe de autores, diretores, atores e técnicos de primeira linha aliados a uma emissora disposta a investir na qualidade e o resultado inexorável desta união é a conquista de um mercado e de uma audiência cada vez mais expressivos.


foto arquivo pessoal

Cena de Arnaud em 
BALACOBACO

TV - Vamos falar de BALACOBACO. Quem é o Arnaud? Como se preparou para compor e já sabe o que vai acontecer com ele?

AM - Arnaud é um atirador de elite (sniper) que tem uma doença grave: adora matar. Como ele mesmo de denomina, é um artista da morte. Ele também tem uma certa dose de T.O.C. (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e tem mania de limpeza e organização. Apesar de ser um matador frio e calculista, emociona-se pedindo perdão à mãe sempre antes de matar. A polícia ou o perigo em suas ações não o assustam, mas se vê uma barata fica desesperado. É uma personalidade muito bem construída e desenvolvida através do texto inspirado de Gisele Joras. É importante mostrarmos as fraquezas dos fortes e o que emociona os vilões, assim conseguimos humanizar a personagem dando credibilidade e veracidade. Agradeço imensamente a oportunidade oferecida pelo querido diretor Edson Spinello e estou muito feliz por estar participando de BALACOBACO. Trabalhar com o Spinello é sempre um aprendizado e é, sem dúvida, um dos diretores que mais entendem de interpretação e teledramaturgia. Estudei muito os snipers; estudei tudo sobre armas; vi filmes e vídeos com aulas de atiradores famosos; também fiz uma profunda pesquisa nos elementos para composição não só física como psicológica. Não sei o que vai acontecer com o Arnaud no final, mas boa coisa não é e já matou muita gente.


TV - Mensagem aos fãs de BALACOBACO.

AM - Costumo sempre assistir à novela BALACOBACO conversando com os fãs pelo twitter. Apareçam por lá: @andredimauro. Preparem seus corações porque nesta reta final a novela promete fortes emoções!


Acesse o site de André Di Mauro
Curta TV a BORDO no FACEBOOK

Siga TV a BORDO no twitter
https://twitter.com/tvabordo



Tags
#TVaBordo #AndreDiMauro
#Balacobaco #ChamasdaVida
#XicadaSilva #RainhadaSucata
#VidasemJogo

0 comentários:

Postar um comentário

Ofensas não serão publicadas.