sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ingra Liberato: "Abriria uma exceção para estar no set de Fernando Meirelles"

entrevista especial
INGRA LIBERATO
foto: Carol Beiriz



Para abrir as comemorações de um ano de sucesso do blog TV a BORDO, conversarmos com uma das mais talentosas atrizes do cinema e TV brasileiros: Ingra Liberato.



Nascida em Salvador e com quase 40 anos de carreira artística, Ingra já atuou em mais de 20 produções na TV, tendo participado de dois grandes sucessos: Pantanal e A História de Ana Raio e Zé Trovão

No cinema, foi premiada como melhor atriz em 'Dois Córregos e Valsa para Bruno Stein'Em contato com ela em três encontros para desenharmos esta conversa, eu a definiria como uma mulher intensa, brilhante, encantadora e simples. Espero que curtam!

 Senhoras e senhores, a estrela INGRA LIBERATO.


TV - Como chegou à TV? Qual foi a maior dificuldade e como conseguiu superá-la?
IL - Cheguei à TV bem mais cedo do que eu esperava. Estava morando no Rio há dois anos e fazendo teatro direto. Achava que ficaria uns dez anos fazendo teatro, antes de fazer qualquer coisa na televisão. Foi então que a Globo selecionou atores para uma oficina de teatro. Atenção, não era de TV, era de teatro. Foi incrível! Alto nível de aprendizado prático e teórico ministrado por Carlos Gregório, Denise Bandeira e Beto Silveira. Antes mesmo de acabar essa oficina que durou três meses, o Luiz Fernando Carvalho me selecionou para fazer a Tonha jovem em TIETA. Personagem que depois passava para Yoná Magalhães. Foi um trabalho lindo e a Márcia Italo me chamou para fazer teste em PANTANAL. Fiz o teste com o Paulo Gorgulho e foi o casal selecionado. Nunca tive dificuldade relacionada à TV especificamente. A dificuldade é inerente a esse ofício. É uma superação diária.

TV - O que mudou na sua vida depois de PANTANAL?

IL - Eu andava de ônibus, gostava de andar e tive que parar (risos). Ficar respondendo perguntas no transporte público não era confortável. Isso mudou na vida prática: ser reconhecida nas ruas. Mas gosto de ser afetuosa com as pessoas; elas alimentam meu trabalho. Na vida pessoal mudou tudo, porque a experiência de estar no Pantanal é um divisor de água para quem já foi lá. Comecei a olhar pro mundo de uma forma diferente de tão impactante que é a natureza no Pantanal. É como se voltássemos ao início de tudo. Quando nos aproximamos dos outros animais, nos tornamos mais humanos. Na vida profissional muitas portas foram abertas, claro. 


Nota deste blog: todas as vezes que encontrei com a Ingra, ela sempre foi muito gentil, atenciosa e muito afetuosa. Um encanto de pessoa.



TV - A História de Ana Raio e Zé Trovão foi a sua primeira protagonista do início ao fim de uma obra na TV; qual foi a melhor experiência com a novela e a pior também? Como foi a preparação para viver a Ana Raio?

IL - O argumento da novela foi concebido por mim e pelo Jayme Monjardim. Eu tinha muito dela dentro de mim, mas nunca imaginei que seria convidada para ser a Ana Raio. Imaginava que estaria na novela, mas em outro papel. O Jayme convidou o Marcos Caruso e a Rita Buzzar pra escrever a novela e um dia me ligou da emissora dizendo que tinha decidido que eu seria a Ana Raio. Fiquei chapada! Sinceramente, não achava que tinha experiência para isso, mas enfrentei o desafio com a coragem típica da Ana Raio. Assistindo a reprise há pouco tempo, me achei ótima! O Jayme sabia o que estava fazendo; eu e ela tínhamos a mesma essência. Os atores, diretores e toda a equipe era de primeira linha. Competência absurda para produzir uma novela itinerante. Ninguém nunca mais vai cometer uma loucura dessas! (risos). Um bando de "Dons Quixotes"! Foi essa paixão que levou o interior do Brasil para as telas e tocou as pessoas. Buscávamos artistas locais, músicas e festas populares. O Brasil que o Brasil não conhece.


foto Carol Beiriz

TV - Qual a personagem na TV que mais gostou de fazer e por quê?

IL - Gostei de cada uma. Cada trabalho me transforma e vira parte de mim, mas cada uma me marcou de um jeito.


TV - Se fosse voltar atrás no tempo, o que faria de diferente em relação às personagens interpretadas na TV?

IL - Não faria nada diferente. Sou virginiana. Não consigo fazer nada mais ou menos. Faço sempre o máximo dentro da minha capacidade no momento, senão sofro muito. Depois de tantos anos, eu ainda gosto de encarar cada trabalho como se fosse aquela jovem de vinte anos de idade, recém chegada ao Rio. Pra mim, só tem graça com total entrega e se entregar totalmente é um mergulho no escuro.


TV - Houve alguma novela mais difícil de fazer?

IL - Acho todas muito difíceis e amo essa dificuldade. Se vou ficar oito ou dez meses vivendo uma outra pessoa com intensidade e verdade, isso nunca vai ser fácil, mas é muito prazeroso pra mim. 

TV - Que personagem não faria nem por um milhão de reais? O que faria de graça?

IL - Faço qualquer personagem. Não é bom fazer nada de graça, porque isso é uma profissão, mas abriria uma exceção pra estar no set de Fernando Meirelles (risos).


TV - A novela BALACOBACO sofreu duras críticas e não agradou ao público em geral com uma média de audiência inferior à sua antecessora MÁSCARAS. O que achou das críticas em relação ao folhetim? Qual o balanço que você faz da sua atuação em BALACOBACO? Ingra fez a personagem Celina.

IL - Teve IBOPE baixo assim? (risos) Não sabia. Essa é uma preocupação da emissora, não minha. Minha preocupação é total com o meu trabalho. Como sempre, me entreguei com toda vontade e me apaixonei pela Celina cheia de conflitos, desejos e um coração de mãe enorme. Uma intensidade absurda. Amava a família, o trabalho, o marido e o amante (risos). Que mulher intensa é essa! Nunca teve cenas mornas. Era tudo levado por ela até as últimas consequências. 


Nota do blog: ao final dessa entrevista leia a crítica sobre BALACOBACO.



TV - Depois de BALACOBACO já tem novo trabalho pela frente?

IL - Ainda não sei, porque acabei de gravar há cinco dias. Tenho conversado com muita gente. Vamos ver. Tenho projetos de teatro e convites para cinema, mas quero mais.


foto Carol Beiriz


TV - Existe um ditado: "Aprenda todas as regras e transgrida algumas", já transgrediu alguma regra?

IL - Já, claro. Só não me permito transgredir quando invade o espaço do outro. As regras foram criadas por alguém, em algum lugar, com interesses próprios e específicos. Não são verdades absolutas. Servem pra convivência social, mas ter pensamento crítico sobre as regras e tentar mudá-las quando não nos representa é fundamental.


TV - Como é a sua relação com os fãs pelas redes sociais, Instagram, Twitter e Facebook?

IL - Tenho perfil em todas as redes, mas sou viciada no Instagram. Amo fotografar e compartilhar meu olhar sobre o mundo que me rodeia. Uma imagem fala mais sobre a pessoa do que mil palavras. Costumo mandar as fotos que faço pro Twitter e Facebook. Elas falam por mim. Como ferramenta, acho que é um mundo de possibilidades, divulgar trabalho ou se comunicar com alguém em qualquer lugar do planeta. Não passo muito tempo lá, mas acho incrível.


TV - Que conselhos daria para aqueles que desejam seguir carreira artística?

IL - A Fernanda Montenegro é a autora desse conselho e eu concordo com ela: DESISTA! Se você ficar doente e precisar atuar como se fosse seu oxigênio, então saberá o que fazer.

Defina em uma palavra cada personagem


ANA RAIO

Coragem

ROSA - novela QUATRO POR QUATRO

Generosidade

PARAGUAIA - novela A INDOMADA

Nordeste

MARLI - novela ESSAS MULHERES 

Submissão

CELINA - novela BALACOBACO

Paixão

foto Carol Beiriz

INGRA DE SOUZA LIBERATO
Nascida em Salvador, BA, 
em 21 de setembro de 1966


Jogo Rápido

Um ator

Bruno Ferrari

Uma atriz

Giovanna Antonelli

NOVELA

Avenida Brasil

Livro de cabeceira

"Mulheres que Correm com os Lobos", de Clarisse Pinkola

Ditado, frase ou verso

"É necessário levar em si mesmo um caos, para por no mundo uma estrela dançante", Nietzsche

A música da minha vida é

Aquela que me inspira na construção da personagem do momento

Qual foi a música da Ana Raio?
Muitas sertanejas, inclusive, "Nuvem de Lágrimas", de Chitãozinho e Xororó.

E para a Celina de BALACOBACO?
"Rose Hibride de Tché", Émile Simon.

Não sai de casa sem

Lembrar que tudo pode acontecer

Debaixo do chuveiro canto

E danço

Sonho de consumo

Voltar a criar cavalos

Prato preferido

Não consegui escolher um. Pedi ajuda ao meu filho e ele também não soube dizer. Acho que não tenho um preferido. Depende do dia. Sou uma metamorfose (risos)

Sobremesa

Sempre uma fruta. Não curto doces. 

Fruta

Maçã. Diz um ditado inglês: "An apple a day keeps the doctor away"

Qualidade

Perfeccionismo

Defeito

Perfeccionismo

Dia ou noite?

Até os quarenta anos de idade era só do dia. Passei a curtir a noite. Talvez queira aproveitar mais o que me resta de tempo aqui neste planeta.

Campo ou praia?

Campo, mas um bom mergulho no mar é fundamental

No dia do meu aniversário quero ganhar

Uma nova e desafiante personagem

Sonho

Trabalhar sem parar

Personagem que gostaria de fazer

Marlo Morgan na experiência relatada em "Mensagem do outro lado do mundo". Estou chegando na idade dela. Tem também, "A mulher que escreveu a Bíblia", de Moacyr Scliar e a Maria Quitéria, baiana que lutou pela independência do Estado.

Se não fosse atriz, o que seria?

Como atriz eu posso ser tudo, então poderia fazer qualquer coisa, mas não me vejo em outra profissão.

Se pudesse viajar no tempo

Eu viajo

E por onde você viaja?
Por onde eu quero e geralmente gosto de visitar o passado e o futuro. Aliás, visitar o futuro é uma ótima forma de construí-lo.

Ingra Liberato é

Uma sonhadora

Mensagem aos fãs

Vocês podem tudo! Não percam tempo e sejam felizes!




Crítica TV a BORDO
 sobre a novela
 BALACOBACO


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