Poema “Guardar” por Fernanda Montenegro

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Para fechar o mês de maio com chave de ouro, escolhi um poema de Antônio Cícero na interpretação de Fernanda Montenegro, uma das mais importantes atrizes do cinema, do teatro e da televisão brasileiros.


GUARDAR



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Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guardar coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que de um pássaro sem voos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
Por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo.
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema.
Por isso o lance do poema.
Por guardar-se o que se quer guardar.


Antônio Cícero
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