Bia Montez: “Data de nascimento é bom para homenagens póstumas, para uma atriz, é intimidador como ficha policial”

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entrevista
BIA MONTEZ
foto: arquivo pessoal

Atriz e escritora de muitas qualidades, humor e alegria contagiantes, muitas personagens vividas no teatro e na televisão brasileiros, Bia Montez concedeu uma entrevista ao TV a BORDO mesmo com o corre e corre das gravações de DONA XEPA.
Com vocês, Bia Montez.


TV – Antes de seguir com a carreira artística, o que você já fez na vida?
BM –  Fui guiada pela arte desde sempre. Quando adolescente, queria fazer Belas Artes e tentei entrar para ESDI (Escola de Desenho Industrial) e por consenso familiar, entrei aos 16 anos na Faculdade de Arquitetura. Minha curiosidade e interesses múltiplos, levaram-me a ser assistente de cenografia, fotógrafa, desenhista, projetista, ceramista, vendedora e escritora.


TV – O que prefere: atuar ou escrever? Qual foi a sua primeira obra e como surgiu a ideia de criá-la?
BM – Comecei a escrever pela vontade de estar em cena com pequenos esquetes de humor que apresentava em bares. Mais tarde, montei e organizei um café-teatro no Othon Palace Hotel em Copacabana e apresentei a comédia: “Bonitinhas, mas extraordinárias”, com Alice Borges e em parceria com a Fátima Valença. Minha última comédia foi apresentada pela Fabiana Karla e o Leandro da Matta, “Balaio de Gatos”, em turnê pelo Brasil e EUA. 


TV –  Como foi sua passagem como redatora no humorístico ZORRA TOTAL?
BM – Fui coautora do quadro “Greicequeli e Olavinho” com Claudia Gimenez e Victor Fasano.


TV – Quando pisou pela primeira vez num palco e como foi essa experiência?
BM – Como atriz, comecei pelas mãos do Sérgio Britto num espetáculo chamado: “Como Aprender a Estar de Acordo”, baseado em textos de Brecht e notícias de jornais apresentado em universidades. Profissionalmente, estreei em “Rasga Coração” de Oduvaldo Vianna Filho, Teatro Villas Lobos, em 1980.


TV – Como surgiu a TV em sua carreira?
BM – O meio publicitário me levou à TV, pois fazia muitos comerciais e os produtores de elenco acabaram me chamando para pequenas participações na televisão. Acredito que a primeira novela foi SASSARICANDO, de Sílvio de Abreu, na Globo.


foto: divulgação

Bia Montez, Angela Leal e Alessandra Loyola 
em cena de DONA XEPA



TV – Você tem mais de 30 anos de carreira e deve ter histórias engraçadas para nos contar…
BM – Histórias engraçadas de memória assim me escapam. Lembro de uma vez, fazendo uma turnê com a peça “Odeio Hamlet”, aguardava na coxia a hora de entrar em cena e ouvi um silêncio. Assustada, pensei: “Xiiiii! É a minha vez!”, entrei abrindo a porta do cenário na hora errada. Fique ali esperando o Luiz Gustavo e o Jonas Bloch acabarem de falar o texto, improvisei e seguimos com a peça. Não foi nada engraçado. Quis morrer! Engraçado é o Sérgio Britto dizendo que eu devia seguir pela comédia. Engraçado é eu olhar para atrás e me ver adolescente assistindo Fernanda Montenegro fazendo “O Amante de Madame Vidal” e pensando que gostaria de estar no palco também. Engraçado foi estar morando em Paris e pensando em trabalhar na Antenne 2, uma televisão estatal francesa, enquanto trabalhava como vestiaire (guardadora de casacos) num café-teatro. Enfim, o tempo subverte as emoções.


TV – Existe um ditado árabe que diz: “Não declares que as estrelas estão mortas porque o céu está nublado”; em algum momento o céu esteve nublado que você não conseguia ver as estrelas?  
BM – Sempre olhei para a estrela Dalva, a primeira estrela que apareceu no céu ao entardecer, na verdade, o planeta Vênus; e fazia meus pedidos. Mesmo eu estando nublada, corria a janela e fazia meus pedidos. A esperança moveu meus sonhos e ainda move. Quando se tem um objetivo, você tem um caminho.


TV – O que é mais difícil: fazer rir ou fazer chorar?
BM – Fazer rir é coisa séria e difícil. O tempo da comédia é nato, embora seja matemático como a música. Quem ri não percebe a preparação e o estudo feito por quem faz rir.


TV – Que conselhos daria para aqueles que desejam seguir carreira artística?
BM – Aos que querem seguir a trilha artística, o melhor é ficar atento aos detalhes da vida, ler muito e sonhar.


TV – O que mudou em sua vida depois de MALHAÇÃO?
BMMALHAÇÃO foi um marco na minha carreira por ter me dado visibilidade. Foi extremamente prazeroso em todos os sentidos, principalmente pelas amizades adquiridas.


TV – Você está de volta em DONA XEPA como a Matilda; quem é a Matilda e o que podemos esperar dela?
BM – Estou agora neste trabalho que novamente me traz alegria e prazer em viver que é DONA XEPA. A direção, o elenco e a equipe toda, além do texto de Gustavo e seus colaboradores; um encontro maravilhoso.
A personagem que faço, Matilda, é uma mulher trabalhadora, feirante, forte e intrometida, que sustenta sua família e luta para proteger o lugar onde vive, a vila do Antigo Bonde. 


TV – Um convite para assistir DONA XEPA.
BM – Não deixem de assistir na Rede Record, DONA XEPA. De segunda a sexta, às 22h15. Vocês vão se divertir junto com a gente!


TV – Antes de começar o Jogo Rápido, perguntei: qual é a sua data de nascimento?
BM – Warlen, data de nascimento é bom para homenagens póstumas, para uma atriz, é intimidador como ficha policial.


foto: Michel Angelo

BIA MONTEZ
Nasceu no Rio de Janeiro em 3 de janeiro

JOGO RÁPIDO



Uma palavra para definir…

Nazaré de MEU BEM QUERER
Chata

Dona Vilma de MALHAÇÃO
Surpreendente

Hortência de BELA, A FEIA
Metódica

Matilda de DONA XEPA
Metida



Ator
Peter Sellers


Atriz
Maggie Smith / Helen Hunt


Novela
Vale Tudo


Filme
Bagdá Café


Assisto na TV
Seriados


Livro de cabeceira
“Linguagem do Corpo”, autora: Cristina Cairo


Frase
Sonhar é imprescíndivel e envelhecer é para fortes.


Verso
“Palavras, que estranha potência a vossa…”, Cecília Meirelles


A música da minha vida é
I’ll survive


Mensagem aos fãs
Beijos a todos!


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