O lindo final de AMOR À VIDA

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foto: reprodução

novela AMOR À VIDA – A derradeira CRÍTICA

Enfim… o beijo.
Para muitos, um dia histórico, para outros, nada demais, mas o tal esperado beijo gay em uma novela da TV Globo aconteceu e, claro, tinha que ser num capítulo final, para deixar a audiência nas nuvens, o que não aconteceu.


As últimas cenas exibidas ontem, dia 31, não bateu nenhum recorde de público. O derradeiro episódio de AMOR À VIDA marcou modestos 44 pontos (cada ponto equivale a 65 mil domicílios na cidade de São Paulo), comparado com as suas antecessoras: SALVE JORGE: 46; AVENIDA BRASIL: 51; FINA ESTAMPA: 47; INSENSATO CORAÇÃO: 47; PASSIONE: 52, entre outras.


Mas por que será que VIDA não “parou” o país em seu último instante? O tão esperado beijo gay ainda é um tabu a ser quebrado? As famílias brasileiras não quiseram ver para crer o que era promessa há muito tempo? 


Muitas histórias
Walcyr Carrasco, autor do folhetim das nove da Globo, atirou para todos os lados sem se aprofundar nos temas: obesidade, bullying, AIDS, lupus, câncer, virgindade, alcoolismo, relacionamento entre árabes e judeus, ufa! Uma salada de legumes e verduras farta.


Com 221 capítulos exibidos, AMOR À VIDA teve seus méritos e não foram poucos. Alguns paradigmas foram quebrados, e um deles, foi mostrar um culto evangélico sem levar para o caricatural, pelo contrário, com seriedade e respeito em pleno horário nobre da TV brasileira. Merece todos os elogios.


Carrasco escolheu os conflitos familiares para ser a base de sua obra. O filho rejeitado pelo pai na infância por culpá-lo pela morte do irmão e mais o fato de ser homossexual, levou Félix (Matheus Solano) a cometer atrocidades imperdoáveis.



Autismo e terceira idade

O tema austimo foi levado com delicadeza, respeito e beleza. As cenas da Linda (Bruna Linzmeyer) emocionaram o país e também o elenco. O desfecho com a exposição de suas obras de arte foi marcado por figuras em 3D e a consagração de seu amor com o advogado Rafael (Ranier Cadete), provando que não há barreiras para o amor, assim como, não houve, no relacionamento entre o Dr Luthero (Ary Fontoura) e a Bernarda (Nathália Timberg), idade para amar.


Os vilões
Em se tratando de vilania, AMOR À VIDA foi campeã. Uma novela com tantas viradas, merecia um vilão por vez e teve vários. Aline (Vanessa Giácomo), César (Antônio Fagundes), Félix (Matheus Solano) e Dra. Glauce (Leona Cavalli) destacaram-se com suas maldades, entre elas: criança na caçamba de lixo, enfermeira empurrada em penhasco, facadas na penumbra, todas dignas de filmes de terror. Ah, não podemos esquecer do acidente de carro ao som de música clássica da Dra. Glauce e a eletrocutada trash da Aline na grade do presídio. 



Humor sem medida

Cabe um parágrafo para o humor, e a Márcia (Elizabeth Savalla) é, sem sombra de dúvida, o grande nome da novela. A cena final ao som do ‘Cassino do Chacrinha’ foi épica! Mesmo diante de momentos dramáticos, Savalla roubou a cena várias vezes e no rastro dela vieram Valdirene (Tatá Werneck), Palhaço (Anderson Rizzi) e Rinaldo (Marcelo Flores). O núcleo paulistano representado ali por um excelente time de atores, Fúlvio Stefanini, Eliane Giardini, Carolina Kasting e o estreante Lucas Romano, também esteve de parabéns.


Lindo final
Não quero ser injusto, mas AMOR À VIDA, com todas as suas vicissitudes mostrou um dos finais de novela mais lindos de todos os tempos. A conversão do vilão para mocinho de Félix, para muitos inverossímil, diante do orgulho ferido de um pai, macho, traído, aleijado, homofóbico operado por um homossexual, trouxe o perdão como solução para os entraves nas famílias. 


Depois do beijo gay, aliás, três beijos, respeitosos e carinhosos, sem as crianças presentes, o diretor Mauro Mendonça Filho nos brinda com uma sequência cheia de sensibilidade: o filho conduz o pai a uma brisa de mar com palmeiras, ondas mansas e o astro rei como testemunha, além de uma fotografia peculiar. Nesta hora, Carrasco derrama seu texto encantador: 
Félix – sabe pai, eu te amo! 
César – eu também te amo, meu filho. 
A mão de César vai ao encontro da mão de Félix. 
E a emoção toma conta dos dois.
Fim? Não, a vida continua para eles.    



Leia também as frases
inesquecíveis de 
Walcyr Félix
Carrasco Khoury




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