Rafael Sardão: “Eu sou ator e amador; ator que ama estar em cena.”

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entrevista
RAFAEL SARDÃO

foto: arquivo pessoal

por Warlen Pontes
warlenpontes@hotmail.com


“Foi a primeira vez que ganhei dinheiro com teatro, 500 reais. Na época, era para mim a certeza que eu deslancharia na profissão” A frase ao lado resume bem como é difícil encarar uma carreira de poucos recursos e muitos sacrifícios, mas para o carioca Rafael Sardão, com muito amor.

E esse amor pelas artes dramáticas fez Rafael viajar para Londres, no World Shakespeare Festival 2012, onde participou de uma montagem de Ricardo III, o espetáculo TWO ROSES FOR RICHARD, um misto de teatro contemporâneo, dança, circo e música.

Na televisão, Sardão esteve na novela teen Rebelde, na badalada PECADO MORTAL de Carlos Lombardi e interpreta o seu terceiro personagem bíblico, Uri, da bem sucedida, Os Dez Mandamentos.



Confira agora, a entrevista com Rafael Sardão ao blog TV a BORDO. 


TVaBordo – Por que resolveu dedicar-se ao teatro? Conte-nos um pouco sobre a sua experiência teatral.

Rafael Sardão – Eu comecei no teatro aos 16 para os 17 anos de idade fazendo um curso indicado por uma amiga, a Clarissa. Desse curso veio o primeiro trabalho e desse trabalho vieram outros convites para projetos amadores de teatro. Sempre sem grana, com bastante sacrifício, mas com muito amor. Gostávamos de dizer que éramos amadores porque amávamos nosso teatro. Nesses encontros de trabalho em trabalho, fui indicado para a comparsaria da ópera CARMEM, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Fiz o teste e entrei para o trabalho. Foi a primeira vez que ganhei dinheiro com teatro, 500 reais. Na época, era para mim a certeza que eu deslancharia na profissão (risos). Aliás, essa sensação é bastante recorrente na vida dos atores; enfim, fiz CARMEM, era muito dedicado e sempre tive facilidade com o trabalho corporal, a dança. Peguei a vaga num grupo de cinco bailarinos que fariam um número final coreografado como toureiros. O que eu não sabia é que era realmente a última coreografia da ópera, junto de um elenco enorme, mas bem no proscênio (*) do palco do Teatro Municipal. Na estreia, quando eu acabei a coreografia, ao final da ópera e o público lotado do Municipal aplaudindo… Aquilo me deu uma emoção tão grandiosa, uma sensação tão gostosa de plenitude, de prazer em poder fazer parte daquilo, de estar no palco que, daquele momento em diante, não havia outro caminho possível para mim. Ali eu virei ator. 
(*) Proscênio é a parte anterior de um palco.



foto: reprodução

Rafael Sardão em 
TWO ROSES FOR RICHARD, 
de Shakespeare



TVaBordo – O que é mais fácil e o que é mais difícil na carreira teatral?


Rafael SardãoO difícil do teatro é tudo que envolve o teatro. É a estrutura artesanal que demanda dedicação extremada a ele, para que ele se concretize. Infinitas são as possibilidades, mas mínimos são os recursos, sempre. O difícil do teatro consiste no diálogo da arte com o comércio, com o mundo capitalista. Como fazer arte onde o mundo só enxerga produto?



foto: reprodução

Cartaz do espetáculo
PASSIONAL, escrito
por Rafael Sardão em parceria
com Renato Livera, Alexandre Mota e
Danielle Reule.

TVaBordo – Você está em cartaz com o espetáculo ‘PASSIONAL’, que é uma parceria sua com o ator Renato Livera (Simut), Alexandre Mota e Danielle Reulle. Do que se trata PASSIONAL? 

Rafael Sardão – O espetáculo se passa dentro de um bar decadente, no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro. Nele é acompanhado o desenrolar de um triângulo amoroso, formado por uma cantora, uma garçonete e um escritor. A vida dos três se entrelaça e mescla ficção com realidade, tornando um jogo perigoso e potencialmente fatal. Os estragos a que uma paixão podem levar um ser humano e as marcas duradouras que (a paixão) deixa nas almas dos apaixonados. Uma paixão louca, descontrolada, frenética, que impede a visão, mesmo aos que mantêm os olhos abertos, que leva uma pessoa a cometer os maiores desatinos, por desejar, intensamente, alguém ou algo que não lhe é possível alcançar ou não lhe está reservado. A paixão também pode ser utilizada, principalmente, no contexto de romance ou de desejo sexual, em geral, implicando uma emoção mais profunda ou mais abrangente com relação a alguém ou algo que se deseja ardentemente. No elenco estão Anna Sant’ana, Karen Mota e Bruno Quaresma. O espetáculo está em cartaz até o dia 31 de julho no Teatro I do SESC Tijuca.

foto: Elder Gattely

Em cena, Anna Sant’ana, Bruno Quaresma
e Karen Mota

A bilheteria funciona de terça a sexta-feira, das 7h às 20h. E as sessões são de sexta a domingo, às 20h. Os ingressos custam R$ 20,00 e PASSIONAL tem a duração de 70 min. Classificação etária: 14 anos. Mais informações pelo telefone: (021) 3238-2139.
TVaBordo – Você participou de duas oficinas de atores, uma na Globo e a outra na Record. Qual foi a contribuição dessas oficinas na sua formação como ator?
Rafael Sardão – As oficinas foram essenciais para mim na adaptação à linguagem televisiva. Minha carreira no teatro já estava bem desenvolvida, mas a minha experiência em TV ainda era bem pequena e, essas oficinas, me ensinaram a transpor a minha experiência teatral para a televisão. São linguagens bem diferentes e o exercício disso durante alguns meses de forma intensiva me fez ter um pouco mais de domínio da linguagem. Isso me ajudou muito quando comecei a trabalhar na TV Record.



TVaBordo – Qual é o melhor e qual é o pior de se estar em evidência na televisão? Você acha que a fama ajuda ou atrapalha?

Rafael Sardão – Eu ainda não consegui enxergar lados ruins. A questão da fama ou do reconhecimento ainda é algo bem tranquilo na minha vida e, até gostoso de vivenciar. Amo muito o meu trabalho. Ser ator é algo que eu não poderia viver sem. Eu sou ator e amador; ator que ama estar em cena. Então isso é o meu foco. A minha atenção está sempre voltada pra isso. Fama atrapalha quando é uma fama ruim, mas se ela for boa e estiver de acordo com seus interesses profissionais, ela é ótima!



foto: arquivo pessoal



TVaBordo – Você tem perfil no Facebook, Twitter, Instagram… Como lida com as redes sociais? Elas ajudam ou atrapalham?

Rafael Sardão – Uso pouco essas ferramentas de mídias sociais. Tenho, nessa novela (Os Dez Mandamentos), percebido a força que pode ser mobilizada por meio das mídias e tenho olhado com mais carinho e atenção. Mas ainda é algo novo pra mim, nesse sentido profissional. Uso as redes sociais durante trabalhos, na troca de referências e em grupos de discussão sobre determinados assuntos. Não faço muito no sentido de promover meu trabalho ou divulgá-lo, sobretudo no teatro, onde sempre há uma necessidade maior de divulgação dos absolvidos no projeto, dada a falta de grana que sempre reina nas produções teatrais. 


TVaBordo – Qual é o conselho que você daria para aqueles que desejam seguir carreira artística?

Rafael Sardão – Vou repetir o que disse a nossa maior diva, Fernanda Montenegro: “DESISTAM!”. Mas se não conseguir desistir, persista muito! Porque é uma carreira muito difícil. Mas algo importante também tem a se dizer: ser ator demanda de um estudo infinito. Você precisa olhar pra sociologia, psicologia, história etc. Fora isso, é preciso ter consciência corporal diferenciada dos seres ‘normais’. É bom que se tenha consciência de dança e canto. É preciso ser um observador do ser humano e da sociedade. O teatro é o espelho da sociedade e, nós atores, temos que ser o reflexo. Para sermos reflexo, temos que poder apagar a nossa própria autoimagem e, para isso, o ator tem quer ser generoso e corajoso. Enfim, pensem bem se é isso que querem e, se for, se joguem de cabeça no exercício de ser ator.  




TVaBordo – A sua primeira novela na Record, a versão brasileira de REBELDE é até hoje, um sucesso nas redes sociais e também no NETFLIX. Em entrevistas, você comentou que considerava o professor Celso como um ‘vilãozinho’. O que mais e o que menos o agradou em interpretá-lo? Faria alguma coisa diferente? 

Rafael Sardão – Eu tenho um enorme carinho pelo Celso. Começar fazendo um cara dúbio, meio vilão, meio simpático, foi um ótimo exercício. E a resposta do público de REBELDES sempre foi muito intensa e positiva. Na época fiquei triste da personagem sair. Achava que ainda tinha muito caldo a dar. Mas a participação que seria de 20 capítulos, já estava em 50 capítulos. E precisava acabar. Até hoje, tenho alguns fãs que me acompanham desde REBELDES em todos os trabalhos que participei. Sou muito grato a eles pelo carinho e pela companhia que me fazem comentando o trabalho e elogiando o que gostam. Peguei muitas informações deles é inclui nas personagens ao ver que dava uma leitura interessante. 



foto: reprodução

Rafael Sardão como o professor Celso, 
novela REBELDES,
 TV Record 2011



TVaBordo – Que mensagem você deixaria aos fãs da novela?

Rafael Sardão – Queridos ‘rebeldianos’, vocês são o público mais gostoso que tenho. Sempre que quiserem, continuem acompanhando, comentando e conversando comigo. Obrigado pelo carinho de sempre! Amo vocês!


TVaBordo – Depois de REBELDES veio PECADO MORTAL, estreia do Carlos Lombardi na Record. Você deu vida ao Baldochi, uma personagem paradoxal, que abria mão de conceitos de legalidade e honestidade para atender sua necessidade de cometer pequenos crimes para manter-se vivo. Você acredita que os fins justificam os meios? Qual foi o maior desafio vivido com o Baldochi?

Rafael Sardão – Os fins justificam os meios? Nem sempre, depende dos meios. Existe limite para tudo. O Baldochi foi muito instigante e talvez o maior exercício que me deram até hoje, em termos de complexidade. A personagem tornou-se um pouco coringa da novela. Ele estava em vários núcleos e assumia uma postura diferente em cada situação. Isso me instigou muito. Pude fazer cenas de todos os tipos, lutas, comédias, romances, cenas agressivas. Foi uma aula de televisão pra mim. Tive grandes desafios durante esse trabalho e fiquei muito feliz de trabalhar nesse projeto. Sempre gostei muito da escrita do Lombardi, e estar dentro de uma novela dele, foi desafiador e delicioso, como eu imaginava que seria.  



foto: reprodução



Rafael Sardão como Baldochi, 
novela PECADO MORTAL, 
TV Record 2013/2014


#OSDEZMANDAMENTOS



TVaBordo – Vamos falar de OS DEZ MANDAMENTOS. Este já é o seu terceiro personagem bíblico. Como se prepara para viver uma personagem com mais de três mil anos de existência? O que é mais difícil, viver uma personagem milenar ou um contemporâneo? Ou não existe nenhuma dificuldade. 

Rafael Sardão – O Uri está incluído numa trama familiar de amor e de diferenças ideológicas muito potentes e que se estende por toda a história recente da nossa humanidade. Mesmo passando-se há milênios, podemos experimentar situações e sentimentos muito humanos. Nesse sentido, a temporalidade não tem influência. Mas existe um cuidado com sotaques regionais. Eu sou carioca e não posso deixar vazar o meu sotaque tão carregado de forma que distancie o público do tempo histórico da narrativa. Isso sim é uma dificuldade nesse trabalho.


TVaBordo – E quem é URI?

Rafael Sardão – Uri é um trabalhador de alto escalão, um nobre que tem origens hebreias. É casado com uma hebreia bastante radical em suas convicções religiosas e tem um filho com ela. Eles se amam, mas não se entendem, sobretudo nas questões religiosas. Uri é convertido aos deuses egípcios e o conflito vem todo daí. Essa estrutura de relações são bem atuais. A questão da intolerância religiosa é algo muito atual e é cada vez mais importante de se falar; em um mundo que se mostra muito agressivo e intolerante, nesse aspecto.
foto: reprodução



Rafael Sardão como URI, 
novela OS DEZ MANDAMENTOS, 
TV Record 2015



TVaBordo – Qual foi a cena mais difícil, complicada, demorada até agora em OS DEZ MANDAMENTOS? 

Rafael Sardão – Eu tenho ótimas cenas pra se fazer. A dificuldade sempre existe, porque eu me cobro e quero que esteja sempre tudo perfeito. A reconciliação de Uri e Leila (Juliana Didone) foi uma cena que me deixou muito feliz, porque apesar da dificuldade de ainda estar começando um trabalho sem saber muito por onde caminhar, tivemos uma interação muito boa e conseguimos nos superar em cena e tomá-la pra nós. Foi difícil, mas muito prazeroso.

TVaBordo – Alguma história engraçada de bastidores?

Rafael Sardão – As cenas das festas no palácio são sempre muito demoradas e complexas. Muito elenco, muita equipe e muitos figurantes. Teve uma cena dessas que o ação foi dado, a cena começou a acontecer e quando alguém percebeu, tinha um figurante que fazia o escriba do rei dormindo (risos). Foi bem engraçado. Só a direção que não gostou muito de ter que regravar o que já tinha sido feito, porque o escriba estava dormindo em cena. Sorte que a equipe viu a tempo, poderia ter passado batido, dentro de tanta gente que estava ali. Mas a equipe estava atenta e foi engraçado quando a direção gritou no talkback: ‘o escriba tá dormindo!’.



TVaBordo – Um convite para assistir aos DEZ MANDAMENTOS.

Rafael Sardão – Gente, OS DEZ MANDAMENTOS é, sem dúvida, uma novela épica. É a confirmação de um projeto audacioso, corajoso e muito ambicioso de se contar uma das histórias mais lindas da humanidade. Existe de tudo: amor, dor, lutas, comédias, intrigas. Tudo feito com muita competência e amor para ser o grande marco da nossa teledramaturgia atual. Acompanhem! Vocês não vão se arrepender! Um beijo grande no coração e fiquem conosco!



foto: arquivo pessoal


Formado em Educação Física pela UERJ – 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
e, em Artes Dramáticas, pela 
Universidade da Cidade do Rio de Janeiro


JOGO RÁPIDO



Apelido
Nunca tive apelido.
Meu sobrenome sempre fez
esse papel. Sempre fui Sardão.

Ator
Muitos: Robert Downey Jr., Al Pacino,
Michael Fassbender, Peter Dinklage
e, o maior de todos, Charles Chaplin.

Atriz
Andrea Beltrão, Carolina Virguez
(grande atriz colombiana de teatro
com quem tive orgulho de trabalhar).

Novela
Os Dez Mandamentos

Filmes
‘Apocalipse Now’,
‘Tempos Modernos’ e ’12 Anos de Escravidão’.

Livro de cabeceira
Agora estou lendo Como Parar de Atuar,
de Harold Guskin.

Ditado, frase ou verso:
‘A única coisa que não muda é a mudança’
Gilberto Gil

A música da minha vida é
Uma marcante que eu poderia citar é ‘dia branco’.
Foi com ela que pedi minha noiva em
casamento.

No meu aniversário quero ganhar
A presença dos meus amigos e familiares
na minha casa para um grande churrasco.

Que personagem gostaria de viver
Stanley Kowalsky, de ‘Um Bonde Chamado Desejo’,
de Tennesse Wilians, feito pelo Marlon Brando.

Um sonho de consumo
Minha casa.

Defeito
Insegurança.

Me tira do sério
Corrupção.

Me deixa feliz
Um bom filme.

Amomr
Minha noiva Karen Mota.

Família
Tudo que eu tenho de fato.

Time do coração
Vascão da Gama.

Sonho
Construir minha família
vivendo do meu trabalho.

Se não fosse ator, seria…
Se eu não fosse ator…
seria depressivo.

Rafael é um cara
Tranquilo, calmo.

Mensagem aos fãs
Obrigado pelo carinho que sempre
me ofereceram. Continuem 
acompanhando a novela
‘Os Dez Mandamentos’, e para quem
está no Rio de Janeiro,
venha assistir PASSIONAL.
Beijosssss.

#RafaelSardãoNoTVaBordo


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