quinta-feira, 30 de abril de 2015

Renato Livera: "Acredite nos sonhos! Eles se materializam pela vontade e pelo esforço em alcançá-los."

entrevista
 RENATO LIVERA
foto: arquivo pessoal

por Warlen Pontes
warlenpontes@hotmail.com

O nosso entrevistado de hoje é o talentoso, bem-humorado e sortudo, Renato Livera. Ator, diretor e escritor, nasceu em Goiânia, mas mora no Rio de Janeiro com a coragem e o esforço de quem sonha alto. O intérprete do atrapalhado aprendiz de sacerdote, Simut, da novela Os Dez Mandamentos, conversou com o TV a BORDO sobre a Cia. de Teatro Físico e os seus projetos, além das suas atuações no Teatro e na TV.

Com vocês, Renato Livera.

TVaBordo - Renato, você desenvolve várias funções no teatro como ator, diretor e escritor. O que é mais prazeroso, atuar, escrever ou dirigir?
Renato - Não consigo responder o que me dá mais prazer, porque cada processo estimula em mim uma nova experiência, adrenalina, um prazer, uma 'dor'. Se posso colocar em ordem de experiência, aí sim, destaco a atuação, depois direção e em seguida a escrita, que tenho menos experiência. Mas sempre me surpreendo com o que aprendo a cada jornada. Atuar exige de  mim muito material vivido. A direção necessita da minha observação da vida e a escrita minha dedicação e paciência de descrever aquilo que sinto do que vivo e observo, mas ao mesmo tempo, preciso de tudo isso pra provocar uma vontade de realizar uma ideia, que no fim é o que importa. 

TVaBordo - Dos espetáculos de teatro que fez, qual foi a personagem mais importante, a mais difícil de compor, mais prazerosa...
Renato - Eu tive o prazer de fazer uma tragédia de Nelson Rodrigues SENHORA DOS AFOGADOS, com direção da Ana Kfouri. Foi um trabalho bem difícil, não quero dizer que foi ruim, muito pelo contrário, foi um prazer enfrentar a dificuldade de um texto tão rico e com uma complexidade tão grande nas personagens. Com certeza foi um grande desafio que jamais esquecerei, porque o texto tinha que ser exatamente igual ao original, com uma fala rebuscada e literária. Isso desafia muito o ator porque ele precisa entender o que o autor quer com aquilo e não só a vaidade do ator de criar aquele 'seu' jeito para compor a personagem. O mais importante das personagens que fiz e, também, um dos mais prazerosos foi o Michel, de SAVANA GLACIAL, escrito pelo premiado, talentoso e amigo dramaturgo, Jô Bilac. Trata-se de uma personagem muito misteriosa, que revela aos poucos suas facetas, mostrando uma simpatia e um suspense frequente na encenação. SAVANA GLACIAL foi premiada com o Shell de Melhor Texto e ainda considerada uma das melhores peças de 2010 e 2011, pelo jornal O GLOBO no Rio de Janeiro e pelo jornal A FOLHA DE SÃO PAULO.


foto: reprodução

Renato Livera no espetáculo teatral 
SAVANA GLACIAL

TVaBordo - Você é fundador da Cia. Físico de Teatro. O que mais o motivou a fundar a Cia.?
Renato - Foi justamente SAVANA GLACIAL que me motivou a dar continuidade a Cia. Física de Teatro. Com esse trabalho, que era a minha segunda idealização no Teatro aqui do Rio, viajamos por várias cidades importantes do país durante quase cinco anos. Trata-se de uma dramaturgia autoral, com ideias trocadas entre diferentes profissionais do teatro que não necessariamente só trabalham entre si. Todos somam seus esforços na criação do espetáculo e isso eu considero uma Cia. Não temos atores fixos, mas buscamos sempre parceiros interessados em criação de linguagem, não uma linguagem específica que perdura no tempo e se enrijece, mas que se comunica naquele momento, mesmo que transitório; por isso, o nome Físico de Teatro, porque sofre transformações, é físico.  

TVaBordo - E Quantos projetos a Cia. de Teatro Físico já produziu?
Renato - Pela Cia. foram quatro espetáculos: FELIZES PARA SEMPRE (Mário Bartolotto), SAVANA GLACIAL (Jô Bilac), FÃ-CLUBE (Kely Freitas) e TEMPORADA DE VERÃO (Sandro Pamponet).

TVaBordo - E O que vem por aí?
Renato - Reestreio o espetáculo PARA OS QUE ESTÃO EM CASA em junho no Teatro Sérgio Porto, Rio de Janeiro. É um projeto que fui convidado como ator e tem direção de Leonardo Netto. No segundo semestre estará em cartaz, em São Paulo, o quarto trabalho da minha Cia., o espetáculo TEMPORADA DE VERÃO, que assino a direção. Em outubro, estarei nos palcos de Recife com a peça SAVANA GLACIAL. Até o fim do ano, estarei na novela OS DEZ MANDAMENTOS e, em paralelo, estou me preparando para estrear um novo espetáculo em 2016, além de um projeto independente de audiovisual para internet que estou coordenando. 

Na Globo participou das novelas:
PARAÍSO, TEMPOS MODERNOS e ARAGUAIA

Na Record esteve nas novelas:
MÁSCARAS e PECADO MORTAL
TVaBordo - Quando foi a sua estreia na TV?
Renato - Considero a minha estreia em TV na novela TEMPOS MODERNOS, onde vivi o personagem de Antônio Fagundes novo. Considerei essa a minha primeira experiência de fato dentro de um personagem com nome e sobrenome. Depois fiz duas participações pequenas em duas novelas da Globo e, enfim, peguei uma personagem na novela MÁSCARAS, do Lauro Cézar Muniz, na Record.

TVaBordo - Em algum momento desistiu da carreira?
Renato - Nunca desisti da carreira, muito pelo contrário, ela está cada vez mais madura em mim e, consequentemente, me fazendo um ator cada vez mais preparado. Costumamos dizer que depois de dez anos de carreira, é que nos consideramos 'jovens'.

TVaBordo - Por que escolheu o sobrenome Livera?
Renato - Eu comecei muito cedo em Goiânia. Aos 17 anos de idade, atuei na Cia. Martim Cererê do diretor Marcos Fayad. Lá, escolhi vários nomes, pois achava que devia ter um nome diferente. Eu achava que era uma regra ter um nome diferente. Depois vi que não. Ao mesmo tempo, acho que é interessante ter uma marca e, como não somos aquilo que somos na vida pessoal, é bom ter um 'nome de guerra' (risos).

TVaBordo - Que conselho você daria para aqueles que desejam seguir carreira artística?
Renato - Coragem e persistência. Acho que são duas palavras chaves para você sobreviver um longo tempo nessa profissão. A vocação é muito importante e o talento é um recheio válido, mas o que te faz durar e suportar as dificuldades é o amor por aquilo que faz e a resistência, porque o tempo todo estamos em teste, estudando possibilidades e enfrentando dificuldades. Somos muitas vezes valorizados e admirados, mas no dia a dia a realidade é outra. Poucos sabem o que acontece por trás das câmeras e nos bastidores do teatro. 


foto: reprodução

Renato Livera como Monet da novela 
PECADO MORTAL,
TV Record 2012/2013

#PECADOMORTAL

TVaBordo - Vamos falar de PECADO MORTAL. Como foi escolhido para viver o Monet?
Renato - Na verdade não fui escolhido de cara. Foi uma sorte que tive, dessas que o ator precisa ter (risos). Eu ia fazer só a primeira fase da novela, que se resumia a um capítulo. Eu tinha contrato de três anos com a Record, mas tinha feito apenas uma novela. Quando me chamaram pra fazer o primeiro capítulo de PECADO fiquei feliz, mas ao mesmo tempo com aquele gostinho de quero mais. Por sorte, o Rodrigo Faro não pôde fazer o Monet, que seria ele, então, acharam melhor me colocar no lugar. Eu achei ótimo, afinal, nem parecer com o Mário Gomes novo eu parecia, que era a ideia no início (risos). A personagem morreria no capítulo 30, mas foi até o final.

TVaBordo - Sorte mesmo. Qual foi o pior e o melhor do Monet?
Renato - O pior foi ter que encarar as humilhações que ele sofria, pois o tempo todo Monet era esculachado por Picasso (Vitor Hugo), seu superior. O Lombardi (autor) trabalha com os defeitos das personagens baseados em coisas que ele observa do ator, e isso, renderam alguns apelidos (risos); mas tudo num humor delicioso, afinal, é sempre bom trabalharmos com os nossos defeitos, assim fazem os palhaços para conseguirem os risos honestos do público. O melhor foi fazer as cenas de ação. Quando criança sonhamos com os heróis, tiros, guerras com bonecos e etc. Em PECADO MORTAL brinquei muito de dar tiro, andar de moto e pular com carros em movimento. Essas coisas que jamais farei na vida dita real.

TVaBordo - Destacaria alguma cena em especial?
Renato - A cena em que eu levo um tiro do Picasso foi bem dura. A princípio, seria a cena da morte de Monet, mas ele não morre e fica hospitalizado por um tempo. Eu tinha que matar o Van Gogh (Heitor Martinez) com um tiro na cabeça. Era uma cena de covardia e crueldade. Tudo isso exige uma certa imaginação e verdade, pois não dou tiro por aí e muito menos em companheiro de trabalho. Foi intenso viver aquele momento. Acho que já estou ficando bom nisso, pois em MÁSCARAS, eu morri de maneira muito cruel (risos).


foto: Miguel Ângelo

Renato Livera em cena de OS DEZ MANDAMENTOS, 
TV Record 2015
#OSDEZMANDAMENTOS

TVaBordo - Agora vamos falar de OS DEZ MANDAMENTOS. Como foi escolhido para viver o Simut?
Renato - Fui escolhido por meio de teste. Eu sempre coloquei um pouco de humor em minhas personagens. Consigo extrair algo que possa dar um frescor, mesmo em momentos sérios, talvez, por isso, tenham me escolhido para o papel. E quando fiz, acho que foi amor à primeira vista, porque gostei muito da personagem. Sempre pedia aos produtores de elenco que queria fazer uma personagem do bem, já que eu só tinha feito vilões. 

TVaBordo - Como foi a preparação para o Simut?
Renato - Acho que já vinha me preparando pra ele a vida inteira. Posso fazer muita coisa que sempre trabalho nos palcos, etc. Isso foi o que fiz para encarar a personagem, buscar nas minhas experiências de circo e teatro. Tivemos uns encontros também lá na Record pra falar sobre as personagens e trocar alguns olhares entre o elenco. 


foto: arquivo pessoal

TVaBordo - E o que podemos esperar mais do SIMUT?
Renato - Com certeza muita atrapalhada, mas também muito amor, muita sinceridade de suas ações, muito respeito pelo mestre e uma virada surpreendente na terceira fase da novela.

TVaBordo - Virada surpreendente? Vem cena boa por aí. E por falar em cena, qual foi a mais difícil até agora?
Renato - Uma cena enorme onde tenho que conversar com os deuses para conseguir o amor de uma mulher. Isso sempre exige muito de mim, pois gosto de fazer sem cortes. Se não dá certo, sinto-me fracassado, porque gosto de fazer a cena completa, sem parar no meio e continuar dali. Eu consegui! E foi a mesma cena do teste.

foto: arquivo pessoal

Momento relax com o elenco de 
OS DEZ MANDAMENTOS, TV Record, 2015
Juliana Didone, Rafael Sardão, 
Renato Livera e Giuseppe Oristânio

TVaBordo - Alguma história engraçada de bastidores?
Renato - Nossos bastidores são sempre engraçados. A equipe geral é muito unida. Ficamos o tempo todo fazendo versões das cenas, criando músicas que têm a ver com a novela, vídeos engraçados, enfim, enquanto esperamos temos que fazer alguma coisa (risos).

TVaBordo - Das personagens que viveu até agora na TV, qual você destacaria?
Renato - Sempre nos destaca aquele personagem que estamos fazendo no presente, porque é o que exige mais de você sobre o que você está pensando ou vivendo, por isso, destaco o Simut que interpreto na novela da Record, OS DEZ MANDAMENTOS. Ele também é uma personagem muito especial porque é uma comédia dentro de uma temática bíblica, e isso é um desafio. Preciso ter verdade nele porque é ingênuo, romântico, do bem e, acima de tudo, engraçado. Isso exige mais do ator, são mais camadas para buscar, sem cair no ridículo ou pastelão. Estou me esforçando bastante.


TVaBordo - Então convide a galera para assistir aos DEZ MANDAMENTOS.
Renato - Os Dez Mandamentos não é uma novela bíblica. É mais uma novela cheia de pecados, amores, sonhos e fé. Uma novela que fala da vida e da busca eterna por uma sociedade mais justa. Tudo isso vem acompanhado de um profundo cuidado técnico e uma equipe de primeira, e o telespectador merece! A prova disso, são os resultados da excelente audiência pelo país. A Record está de parabéns! Confiram.

foto: Sérgio Baia

Renato de Oliveira Borges
Nascido em Goiânia,
 no dia 16 de Outubro de 1980
JOGO RÁPIDO

Ator
Wagner Moura e Javier Bardem

Atriz
Andreia Beltrão e Meryll Streep

Filme
Relatos Selvagens

Novela
Os Dez Mandamentos

Livro de cabeceira
Memórias. Sonhos. Reflexões de
Carl Gustav Jung

No meu aniversário quero ganhar
Amor dos amigos

A música da minha vida é
Bicho de sete cabeças, entre muitas outras.

Personagem que gostaria de fazer
Qualquer um do Game Of Thrones

Se não fosse ator o que seria?
Seria músico. Sempre sonhei em tocar
num show para milhares de pessoas.
Me considero um músico frustrado.
Tudo que faço como ator,
utilizo a música, o ritmo, como base.

Defeito
Faço muita coisa ao mesmo tempo

Qualidade
Consigo fazer muita coisa
ao mesmo tempo

Sonho de consumo
Um sítio próximo ao Rio de Janeiro

Religião
A vida

Se pudesse viajar no tempo...
Evitaria para não ficar mais confuso

Amor
Minha família, meus bichos,
amigos e namorada.

Família
Tudo

Me tira do sério
Abuso de poder

Me deixa feliz
Honestidade

Ditado, frase ou verso
"Você é aquilo que você
pensa que é"

Renato Livera é
Um cara simples

Mensagem aos fãs
Acredite nos sonhos.
Eles se materializam pela vontade
e pelo esforço em alcançá-los.


Confira Matéria Especial
Sobre o personagem Simut
por Renato Livera

Leia as Entrevistas
do blog  

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