terça-feira, 7 de julho de 2015

Cyria Coentro: "Amo transgredir as regras, mas não costumo me arrepender do que faço."

entrevista
CYRIA COENTRO
foto: arquivo pessoal

A sua estreia na televisão aconteceu em 1993, na novela RENASCER. Em 2001, foi a vez do cinema com o longa 3 HISTÓRIAS DA BAHIA, sem contarmos a longa estrada percorrida nos teatros baianos. Em quase 30 anos de carreira, Cyria Coentro comemora o sucesso de Marlene, personagem da novela SETE VIDAS, que entra em sua reta final, e certamente, deixará saudades. 

Cyria coleciona ótimos trabalhos na TV, no cinema e no teatro. Recentemente, recebeu o prêmio de melhor atriz da Bahia pelo monólogo, LOVE, que volta em cartaz, no Dulcina, do Rio de Janeiro, em novembro.

A seguir, conheça um pouco mais de Cyria Coentro na entrevista para o blog TV a BORDO.

TVaBordo - Do teatro à TV. Como foi a sua trajetória?
CC - Minha carreira iniciou-se em 1988 no momento em que ingressei na universidade para cursar Interpretação Teatral. Paulo Dourado, diretor da faculdade, me convidou para fazer parte de uma intervenção artística em um dia de greve da Universidade. Nascia, nesse momento, o influente e popular grupo de teatro: Los Catedrásticos, do qual, faço parte até hoje. Foi em um dos espetáculos desse grupo, que o Luiz Fernando Carvalho (diretor), me assistiu e me convidou para fazer a novela RENASCER, em 1993. Foi a primeira novela que fiz na TV Globo.

TVaBordo - Qual foi o maior desafio que enfrentou ao chegar à TV?
CC - Fazer TV. Eu não sabia nada. Não conhecia ninguém. Tudo me assustava e me desconcentrava. Quando eu ouvia a palavra gravando, eu piscava o olho e ouvia corta. Eu fazia a cena sem nenhuma consciência. Era só nervosismo. Com o tempo eu fui aprendendo a me acalmar e começar a interpretar.






fotos: arquivo pessoal

Cyria Coentro em seu 
monólogo LOVE

O premiado espetáculo LOVE 
tem direção de Jackson Costa,
roteiro de Cyria Coentro e
Elisa Lucinda

foto: arquivo pessoal

Prêmio de Melhor Atriz da Bahia, 
em 2014, pelo monólogo LOVE

TVaBordo - E a estreia no cinema? Como chegou à telona?
CC - Meu primeiro filme foi uma produção baiana. Ao contrário da primeira experiência na TV, que eu não conhecia ninguém, na estreia do cinema, eu estava em casa. Conhecia todo mundo e já tinha um pouquinho de experiência com a câmera. Apaixonei-me pelo cinema!

TVaBordo - E qual foi a maior dificuldade encontrada para estrear no cinema?
CC - Contar uma história com a sequência das cenas alteradas. Grava-se uma cena do meio do roteiro, depois uma do final, depois volta-se para o início. Às vezes, você grava o depois da briga, antes de gravar a briga, por exemplo. É bem minuciosa a construção do comportamento e estado da personagem em cada cena.


fotos: arquivo pessoal

Cyria Coentro em dois momentos 
do filme O TEMPO E O VENTO.
Direção Jayme Monjardim

TVaBordo - Você faz cinema, teatro e TV. Qual é o veículo mais prazeroso?
CC - Pra mim, não existe isso. Eu amo ser atriz. Por outro lado, nada se compara à adrenalina e ao prazer em virtude da presença da plateia, ao vivo.

TVaBordo - Você é baiana de nascença. Como fez para perder o sotaque?
CC - Sou soteropolitana. Há alguns anos vivo na ponte aérea Rio - Salvador. Nunca perdi o sotaque. Eu neutralizo quando interpreto, mas, na vida real, basta abrir a boca que todo mundo sabe que sou baiana.

TVaBordo - Se fosse voltar atrás, o que faria de diferente?
CC - Acho que faria tudo diferente, não porque não gostei do que fiz, mas pelo prazer de fazer diferente.

TVaBordo - Existe um ditado que diz: "Aprenda todas as regras e transgrida algumas.", já transgrediu alguma regra e essa transgressão ocasionou em algo mais sério que tenha se arrependido?
CC - Sou ariana. Amo transgredir as regras. Sou disciplinada, obediente, estudiosa, mas, transgressora por natureza. Não costumo me arrepender do que faço.

TVaBordo - Qual é o conselho que daria para aqueles que desejam seguir carreira artística?
CC - Seja verdadeiro na sua interpretação.

#SeteVidas

TVaBordo - Como surgiu o convite para fazer a Marlene de SETE VIDAS?
CC - Partiu do Jayme Monjardim (diretor de SETE VIDAS), que me apresentou à Lícia Manzo, que não conhecia.

TVaBordo - Como se preparou para interpretar a Marlene?
CC - Minha preparação dura o tempo de vida da personagem. É diária e subjetiva. O cenário, o figurino, o texto e o contexto são os elementos concretos que me auxiliam nessa construção.

foto: arquivo pessoal

Cyria Coentro e o ator Guilherme Lobo,
o seu filho Bernardo, em SETE VIDAS,
TV Globo/2015

TVaBordo - SETE VIDAS está sendo muito elogiada pelo texto intimista e por apresentar personagens que parecem existir de verdade. Existe alguma dificuldade em representar um texto assim ou é muito mais fácil?
CC - As personagens da Lícia não são monocórdicas e exatamente por isso, muito humanas. Se por um lado, o texto se torna fácil de ser dito, por ter uma construção absolutamente orgânica, o que faz dizer as palavras sem esforço, por outro lado, há de se construir  uma personagem com várias camadas, com sentimentos por vezes contraditórios, como é natural em todo o ser humano. Mas é um texto muito bem escrito, que aos meus olhos, torna-se fácil de ser dito.

TVaBordo - Qual foi a melhor cena da Marlene na novela?
CC - Eu adoro as cenas dela com o filho Bernardo (Guilherme Lobo). Mas teve uma cena com a Lígia (Débora Bloch), onde ela fala da gravidez do Bernardo, que as pessoas comentaram muito comigo.

TVaBordo - Alguma história engraçada de bastidores?
CC - Quando a cena é muito dramática, quando tem muita choradeira, e quando para de gravar, eu sempre acho a situação engraçada.

TVaBordo - Um convite para assistir SETE VIDAS?
CC - É um trabalho que está sendo feito com tanto amor, prazer e dedicação por parte de toda a equipe. É tanta harmonia nos bastidores. A história é linda e tão bem contada, com atores interpretando tão bem os seus papéis que essa novela é mesmo imperdível!

Cyria Coentro destacou três personagens que interpretou 
na TV e as definiu com uma frase:

foto: arquivo pessoal

Cyria Coentro e o ator
Luiz Carlos Vasconcelos na
novela FLOR DO CARIBE,
TV Globo/2013

Bibiana
FLOR DO CARIBE
Pela parceria enriquecedora com o ator Luiz Carlos Vasconcelos, 
que interpretou o Donato, marido da Bibiana.

Maria
EM FAMÍLIA
Pela força e contundência que imprimou na trama,
mesmo participando apenas da 
primeira fase da novela.

Marlene
SETE VIDAS
Por ser representativa de um grande número de mulheres,
que aos 40/50 anos tem dificuldade
de acreditar no seu poder de sedução.

foto: reprodução

CYRIA COENTRO
Salvador, BA
14 de abril de 1966


JOGO RÁPIDO

Apelido

Sukita, como meu pai me chama

Ator

Gerard Depardieu e Mateus Solano

Atriz

Juliette Binoche e Bette Coelho

Novela

Sete Vidas

Filmes

Cria Cuervos - direção: Carlos Saura
A Lista de Schindler - direção: Steven Spielberg
Run - direção: Akira Kurosawa

Livro de cabeceira

Cem Anos de Solidão - Gabriel Garcia Marquez

Ditado, frase ou verso

"De toda a minha literatura, você ainda é a minha melhor página."
Martha Medeiros

A música da minha vida é

A do momento

No meu aniversário quero ganhar

Mais um ano de vida

Personagem que gostaria de viver

Sem dúvida, uma vilã, péssima!

Se pudesse viajar no tempo...

Não ia querer andar, nem pra frente, nem pra trás.
Adoro viver o momento presente, sem demagogia.

Um sonho de consumo
Uma casa dos sonhos

Me tira do sério

Ai, um monte de coisa! Sou muito impaciente. Só por alto: teimosia, incompetência, falta de educação e 'barberagem' no trânsito. Acho que esses são os piores.

Me deixa feliz
Muitas coisas também. Sou uma pessoa simples, no sentido de descomplicada. Fico feliz com pouco. O sorriso das minhas filhas; um bom personagem para interpretar e um lugar amplo e confortável para morar, estão no topo.

Defeito
Egoísmo

Qualidade 
Sinceridade

Religião
A minha própria, que tem um pouco de cada.

Morte
Como diz um amigo meu, sou contra. 
Brincadeiras à parte, tenho a impressão de que aceito.

Amor

Simplesmente, tudo na minha vida.

Família

A melhor consequência do amor.

Sonho

Viver da minha arte.

Se não fosse atriz, seria?

Teria uma empresa de formação de prestadores de serviço.

Cyria é uma mulher

Independente. Prática. Romântica. Sincera e vaidosa.

Mensagem aos fãs

Agradeço muito o carinho. A preservação dessa admiração 
é o que dá sentindo à minha arte.


#TVaBordo #SeteVidas 
#CyriaCoentro



Leia crítica sobre 
a novela SETE VIDAS





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