Série Novelistas: o autor de TIETA, SENHORA DO DESTINO e IMPÉRIO

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foto: reprodução

O décimo capítulo da Série Novelistas é com o autor Aguinaldo Silva.

Todo o conteúdo publicado nesta série é uma reprodução autorizada pelo autor, o roteirista Michel Luiz Castellar.

Jornalista, estreou na TV em 1979, escrevendo episódios da série PLANTÃO DE POLÍCIA, e inaugurou o formato minissérie na TV brasileira, em 1982, com LAMPIÃO e MARIA BONITA, que escreveu com Doc Comparato, e que obteve um grande sucesso de público e crítica, tal como uma outra minissérie sua, BANDIDOS DA FALANGE, cujo roteiro figura entre os melhores do mundo.

Aguinaldo também atua na Literatura, e atuou como roteirista e/ou argumentista de vários filmes, como o CANGACEIRO TRAPALHÃO, O TRAPALHÃO NA ARCA DE NOÉ e SUPERCRÔ.

Sua primeira novela foi PARTIDO ALTO, escrita com a novelista Gloria Perez, fazendo em seguida, ROQUE SANTEIRO, cuja sinopse foi escrita por Dias Gomes em 1975, e proibida de ir ao ar pela Censura Federal, já com alguns capítulos gravados. Aguinaldo desenvolveu a novela, que até hoje é a maior audiência da televisão. Ele escreveria outra novela, que também figura entre as cinco maiores audiências das telenovelas: TIETA, baseada na obra de Jorge Amado. As outras três novelas campeãs de IBOPE foram O SALVADOR DA PÁTRIA (Lauro César Muniz); RENASCER (Benedito Ruy Barbosa) e RAINHA DA SUCATA (Sílvio de Abreu).

Aguinaldo sempre escreveu novelas das oito (ou nove), mas foi supervisor de várias novelas das sete, como MEU BEM QUERER e TEMPOS MODERNOS, e foi coautor de um grande sucesso dos anos 1980: VALE TUDO, que escreveu com o Gilberto Braga e Leonor Básseres, e também foi supervisor de uma novela portuguesa que ganhou o Emmy Internacional: LAÇOS DE SANGUE, de Pedro Lopes.

Excelente adaptador, sempre acrescentou preciosidades nas obras que adaptou para a TV, sem perder a essência do texto, como RIACHO DOCE, de José Lins do Rêgo, FERA FERIDA, um compilado das melhores obras de Lima Barreto, e de Jorge Amado, fez, além de TIETA, a minissérie TENDA DOS MILAGRES e a novela PORTO DOS MILAGRES, baseada em ‘Mar Morto’ e ‘A Descoberta da América Pelos Turcos’, que seria, aliás, minissérie.

Usou títulos provisórios em vários novelas, como PEDRA SOBRE PEDRA (seria RESPLENDOR), FERA FERIDA (Nova Califórnia), SUAVE VENENO (Suave Curare), FINA ESTAMPA (Marido de Aluguel) e IMPÉRIO (Falso Brilhante).

É um dos poucos novelistas que se preocupam com o futuro da telenovela, dando oportunidades para se encontrar novos novelistas, por meio de concursos e cursos na área.

foto: reprodução

OPINIÃO
Para mim, seus melhores trabalhos foram TIETA, um dos raros casos em que uma adaptação televisiva chega a superar a literária, e uma das novelas que soube prender a atenção do público sem possuir ‘barrigas’. FERA FERIDA, outra adaptação, que me emocionou porque antes dela, havia lido algumas obras de Lima Barreto, um autor meio esquecido quando se cita a Literatura Brasileira, e Aguinaldo soube muito bem transferir a aura de suas histórias através de seus personagens; e SENHORA DO DESTINO, em que houve um casamento perfeito entre texto, direção e atuação, de forma que todos os personagens ganharam a simpatia do público, mesmo àqueles tidos como secundários, como, por exemplo, o personagem feito com grande brilhantismo, pelo ator Flávio Migliaccio. A novela também apresentou uma protagonista e uma antagonista, com forte personalidade, vividas com igual brilhantismo por Suzana Vieira e Renata Sorrah. Outro roteiro de Aguinaldo, infelizmente pouco lembrado, foi o de CINZA NO ASFALTO, o segundo episódio da série A JUSTICEIRA, que ele criou com Daniel Filho, Doc Comparato e Antônio Calmon. 

Paulista de São Vicente, Michel Luiz Castellar 
é roteirista com 50 obras registradas

Leia o 9º capítulo


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