Entrevista Marco Antônio Gimenez: “Aprendi a atingir a emoção com mais sabedoria.”

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entrevista
MARCO ANTÔNIO 
GIMENEZ
foto: Daniel Castro

O ator Marco Antônio Gimenez, dentro de mais algumas horas, vai se despedir de um personagem que marcou a sua carreira televisiva, o Nadabe, da superprodução da Record, ‘Os Dez Mandamentos’.

Em entrevista por telefone, o carioca torcedor do Flamengo, conversou com o TV a Bordo sobre cinema, fama, mulheres e, é claro, a trama que foi um fenômeno de audiência na história da televisão brasileira.

TVaBordo – Marco, vou começar perguntando sobre a comédia ‘O Último Virgem’ dos diretores Rilson Baco e Felipe Bretas. O filme já tem data de estreia? E quem é o Deco?
MAG – A previsão de estreia é para o fim do ano. É um lançamento da Downtown Filmes. O Deco, o meu personagem, é o namorado da protagonista, a Júlia, que é interpretada pela Bia Arantes. Tem mais ou menos dois anos que a gente rodou este filme. O Deco é o antagonista da história. Ele atrapalha um pouco o protagonista, o Dudu, que é vivido pelo Guilherme Prates (o último virgem), e que gosta da Júlia. Basicamente é isso.

TVaBordo – Vamos falar das mulheres? Qual é o perfil ideal de uma mulher para você? Como fazer para conquistar o seu coração? 
MAG – Não sei se tem um perfil que eu prefira, mas tem características que eu admiro em uma mulher, e que me chamam atenção, que rola um interesse de conhecer, de perto, de ter alguma coisa; não há uma regra. Mas, gosto de mulheres discretas, belas (com certeza), carinhosas, atenciosas, que não sufoquem, porque cada um tem que ter o seu espaço, seu tempo, e que não tome o meu também. Acho que é isso. Admiração é uma das coisas que mais me atrai. Admirar uma mulher no que ela faz, no ser humano que ela é, me faz se sentir atraído, mas não gosto muito de traçar um perfil de mulher, porque nem todo mundo é parecido. Não existe uma regra exata.

foto: arquivo pessoal

Marco Antônio Gimenez
com a autora Vivian de Oliveira e o ator
Daniel Siwek, na estreia
da nova temporada de
‘Os Dez Mandamentos’

TVaBordo – Você tem perfil nas redes sociais com milhares de seguidores. Como lida com a fama? Você acha que as redes sociais mais ajudam ou atrapalham?
MAG – O Instagram e o Twitter ajudam na maioria das vezes. Não consigo enxergar uma maneira de que elas possam atrapalhar. Se você tiver certeza do que posta, tiver confiança do que posta, coisas que não te prejudique, não há problema. Elas divulgam o seu trabalho; as coisas que você gosta, que você curte, o seu trabalho. Essa divulgação é para os fãs que te seguem, para eles te conhecerem um pouco mais. Em relação à fama, desde pequeno sou acostumado com pais famosos, enfim, pessoas da família ligadas ao meio e sempre lidei com isso de uma maneira bastante tranquila; tão tranquila ao ponto em dizer que não me sinto superior por ser famoso, porque não mudei a minha personalidade, minha maneira de ser, de lidar com as pessoas, qualquer que seja a natureza delas, pelo fato de ter me tornado famoso ou reconhecido. Eu acho que a fama é o reconhecimento de um trabalho. Quando a gente faz um trabalho, seja na televisão, seja uma novela de sucesso, um personagem de sucesso, um filme que faz sucesso; a gente acaba atingindo o Brasil inteiro, e se tornando uma pessoa conhecida e famosa, mas não é por isso que a gente não deve lutar, brigar e não correr atrás! A gente deve sim correr atrás de bons trabalhos e bons bons papéis. Acho que é o sucesso do trabalho que a gente deve primar; o êxito de um grande trabalho.

TVaBordo – Que conselho você daria para aqueles que desejam seguir uma carreira artística?
MAG – Procurar bons profissionais. Eu acho que o Brasil inteiro está cercado deles; óbvio que no eixo Rio-São Paulo a gente encontra em maior quantidade, mas não significa que fora dele não exista. Comece ali na sua cidade, na sua região pra sentir o termômetro das pessoas que estão te ensinando, pra ver se há possibilidade de você seguir nesta carreira, e aí sim, se aprofundar mais. Fazer teatro é muito importante. Fazer os cursos que existem também e, depois, ir para os grandes eixos, onde há maior oportunidade de trabalho.

foto: Instagram

Marco Antônio Gimenez com Talita Younan
nova temporada de ‘Os Dez Mandamentos’,
TV Record/2016.

TVaBordo – Vamos falar do Nadabe em ‘Os Dez Mandamentos’. Como se preparou para viver uma personagem de época? O que é mais difícil, viver uma personagem milenar ou contemporânea?
MAG – Acho que o personagem milenar é mais difícil. O contemporâneo está mais próximo da gente. Quando a gente faz um personagem de novela de época, a gente tem que tentar um monte de coisas, tentar suavizar e amenizar o máximo possível, para as pessoas não olharem e dizer: este ator é carioca, este ator é paulista, é baiano; a gente tem que tentar ser bastante neutro, por isso que eu acho que é mais difícil uma personagem milenar ao contemporâneo.

TVaBordo – Quais as diferenças e as semelhanças entre o Nadabe e o Marco Antônio?
MAG – Inúmeras! Nadabe é um revoltado. Ele tem uma certa urgência, tem uns rompantes! E o Marco Antônio é um cara mais precavido, mais comedido. Penso bastante antes de tomar uma decisão, essas são as principais diferenças. A maior semelhança é a ironia. Acho legal e interessante de se falar.

TVaBordo – Quais foram as cenas mais difíceis até aqui? As que exigiram mais de você?
MAG – As cenas de emoção. A cena do enforcamento do irmão, na primeira temporada. A da avó (Joquebede – Denise Del Vecchio); da morte da mãe (Eliseba – Gabriela Durlo); a do término com a Damarina (Talita Younan). As cenas de emoção são as mais difíceis porque exigem maior concentração, dedicação e atenção.

foto: Instagram

Marco Antônio Gimenez em momento
bastidores com os atores Henrique Gottardo,
Bernardo Velasco e Daniel Siwek.
(da esquerda para a direita)

TVaBordo – A Record começa a transformar novelas baseadas na Bíblia em sucesso de público, com o anúncio de mais três produções. Qual é a contribuição dessas histórias para a teledramaturgia nacional?
MAG – Como qualquer outra produção nacional. Se for bem feita, realizada e produzida, a gente vai lembrar por muitos anos. Acho que a contribuição é que a gente tem pelo menos, duas emissoras de televisão fazendo novela e exportando para muitos países. Acho que esse tipo de contribuição, mostrar os atores, mostrar como a gente faz sucesso para, lá na frente, a gente se lembrar e rever.

TVaBordo – O que você mais aprendeu participando de ‘Os Dez Mandamentos’? 
MAG – O Nadabe vai ter um fim trágico, que a gente já sabia desde a sinopse. Tanto eu quanto o menino que faz o meu irmão, o Abiú (Daniel Siwek); nós dois já sabíamos que os personagens iriam morrer. É um acontecimento, um marco que está na Bíblia. Então, não é uma coisa que a gente foi pego desprevenido. A gente já sabia disso, só não sabia quando isso ia acontecer. 
Aprendi muitas coisas com essa novela. Já fazia muito tempo que eu não fazia televisão e, com ela, aprendi a atingir a emoção com mais sabedoria. Hoje em dia, eu consigo me emocionar e acho que consigo emocionar quem tá assistindo com maior facilidade, porque não basta só eu me emocionar e não conseguir emocionar a quem está me vendo também.

TVaBordo – E do que você mais vai sentir saudade?
MAG – Vou sentir saudade do convívio dessa família que a gente construiu com ‘Os Dez Mandamentos’. Desse cotidiano de gravar, decorar texto, sabe? A gente fica muito próximo, apegado às pessoas, porque a gente fica meses trabalhando juntos, durante vários dias da semana, durante várias horas. A gente vai ficando apegado a todos, não só ao elenco, mas toda a equipe que se envolve, da produção, da parte técnica até a caracterização. Então, quando a gente tem essa separação, a gente sente falta, mas isso acontece em todas as novelas (quando se tem esse elo), mas a gente vai lembrar com carinho e boas lembranças.

TVaBordo – Marco, convida a galera para assistir à novela ‘Os Dez Mandamentos’.
MAG – Galera, fiquem ligados na segunda ou na terça-feira, principalmente na segunda-feira, quando vai ao ar a morte de Nadabe e Abiú. Portanto, ‘Os Dez Mandamentos’, às oito e meia da noite!

A seguir, Jogo Rápido com Marco Antônio Gimenez

foto: Daniel Castro
JOGO RÁPIDO

Apelido de infância
Coconho, porque era Marco Antônio e eu 
não conseguia falar Marco Antônio 
pequenininho e dizia: Coconho (risos).

Ator
Petrônio Gontijo que faz o meu pai,
o Arão, ele é maravilhoso!

Atriz
Denise Del Vecchio que faz a minha avó,
Joquebede, maravilhosa!

Cantor
Mick Jagger (risos)


Cantora 
Amy Winehouse

Filme que mais assistiu
Eu não tenho muito disso de ficar 
repetindo filme não, eu devo ter assistido,
no máximo, umas duas vezes na minha vida e, por acaso, eu não lembro qual, talvez o ‘Titanic’.

Música ou trilha sonora da sua vida?
A trilha sonora do filme ‘Ghost’, pode ser? 
Tantas vezes que passou na ‘Sessão da Tarde’ (risos)



No meu aniversário eu quero ganhar
Quero ganhar um novo trabalho, um personagem diferente e, ao mesmo tempo, instigante.

Não tenho habilidade para
Tocar violão, que eu adoraria ter, mas
que eu um dia ainda vou aprender a tocar.

Se pudesse voltar ao tempo…
Engraçado, mas eu tenho bastante curiosidade pela década de 1960; pelos filmes, como eles mostram; uma época bem rica, bem interessante.

Personagem que gostaria de interpretar…
Algum super herói (risos)
Tipo um Batman (hehehe)
Um Super Man (muitos risos)

Parte do corpo que mais e que
menos gosta
Eu gosto do meu corpo inteiro, mas não tem
uma parte que eu goste mais ou goste
menos; talvez os meus braços, os meus
membros inferiores, superiores; as minhas
pernas têm um destaque maior.
Talvez a mão, gostaria que ela fosse um
pouco maior (hehehe). 
Acho a minha mão 
um pouco pequena.

Arrependimento
Talvez, de não ter procurado essa carreira antes, de não ter investido nessa carreira há
mais tempo.

Qualidade
Sou um cara bem sensível, não trato
as pessoas diferentes, trato todo
mundo bem igual, sabe?

Defeito
Um pouco moroso, um pouco lento.
As pessoas têm um ritmo diferente
do meu. Acho que isso pode ser um defeito.

Me tira do sério
Rispidez, grosseira e
falta de educação.

Me deixa feliz
Fazer uma boa cena. Sair de cena
e perceber e sentir que você fez
uma boa cena. Isso me dá
um prazer muito especial.

Palavra feia
Angu (risos)

Palavra bonita
Maravilhosa (muitos risos)

Prato que lhe dar
água na boca
Uma bela carne, destas bem generosas
estilo OUTBACK. Talvez um risoto
com um peixinho.

Sobremesa deliciosa
Não sou muito apegado à doce. 
Como pouco doce, mas, talvez
um  ‘petit gateau’ com sorvete de creme
ou um pudim de leite.

Hobby
Ir à praia e correr na orla.

Só ou acompanhado?
Acompanhado sempre é
melhor do que só.

Beijo na boca ou no cangote?
Com certeza, beijo na boca (hehehe)
Beijo na boca é muito melhor!

Time do coração
Flamengo, até na Malhação era
o Urubu (hehehe)

MAG com o sobrinho Lucas Jagger
foto: reprodução/Facebook

Autógrafo ou selfie?
Selfie. Acho mais fácil porque o 
autógrafo a pessoa pode perder,
o selfie também, mas, acho que dá
menos trabalho, não precisa de caneta,
de papel, basta apenas um celular e,
hoje em dia, todo mundo tem um celular, né? Acho que a imagem recorda mais
do que uma assinatura.

Adiantado, atrasado ou pontual?
Infelizmente, um pouco atrasado. Eu sou
muito perfeccionista e acabo me atrasando
porque fico pensando em 500 coisas
que eu tenho que fazer.

Pela manhã, mal humor ou bom humor?
Acho que neutro. Acordo de uma maneira
bem neutra em relação ao humor,
dependendo do que acontece logo após
de ter acordado, vai ser determinante
pelo meu humor, pela parte da manhã,
entende? Se acontecem alguns problemas,
alguma aporrinhação eu fico mal humorado, mas, caso contrário, não.
Quando vem boas notícias, eu fico
super relax, mas vou ficando mais bem
humorado do meio para o final do dia.
Ainda não acordo com muita energia não,
vou acordando aos pouquinhos.

Tenho saudades de
Das pessoas que já se foram (risos),
De um tempo que não volta mais, e acho que só, já é bastante, né?

Religião
Católica

Ditado, frase ou verso
“Tudo vale a pena quando a alma
não é pequena.” – Fernando Pessoa

Marco é um cara…
Muito tranquilo, família, muito amigo dos amigos, das pessoas que o cercam.Tento transformar todo o meu universo ao redor numa grande família, que todos se sintam amados, queridos e, assim, bem cuidados, bem quistos. Isto até porque eu também gosto de ser cuidado, bem quisto e bem amado. Sou um cara que gosto de estar sempre reunido com os amigos, sempre estar trocando, conhecendo e aprendendo coisas novas também, e feliz no que faz; realizado, encontrado, sabido de que é isso que eu quero continuar fazendo para o resto da minha vida.

Mensagem aos fãs
Continuem acompanhando ‘Os Dez Mandamentos’, a novela. Fiquem de olho, porque logo, logo estarei de volta às telinhas. Agradeço o carinho de todos vocês!

#MarcoAntonioGimenezNoTVaBordo

Entrevista em parceria com
a assessora 

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