Entrevista Paulo Vilela: “A minha fé cresceu um pouco mais. Sinto que comecei a conversar mais com Deus.”

0
entrevista
Paulo Vilela

foto: Bruna Casotti

A nova temporada de Os Dez Mandamentos vai entrar nesta semana em seu trigésimo primeiro capítulo e uma personagem tem chamado atenção do público, Natan, um homem de fé que é interpretado de maneira brilhante por: Paulo Vilela.

O ator e diretor paulistano recebeu, no ano passado, uma moção da Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo seriado da Record, ‘Conselho Tutelar’, que mostrava o intrigado jogo que envolve pais, sociedade e justiça, em que, muitas vezes, a criança vítima de maus tratos é apenas um detalhe.

Por telefone, Paulo Vilela conversou com o TV a Bordo sobre carreira, o arrependimento que mudou a sua vida e, é claro, a trama bíblica Os Dez Mandamentos, conversa que você confere a partir de agora.

TVaBordo: Começa contando sobre a história de que você queria ser médico.
PV –  Eu decidi ser médico quando eu era criança, porque queria cuidar de uma tia – que amava muito, quando ela ficasse velha. Eu tinha muito medo dela morrer quando ficasse velha, imagina!? Mas aí eu fui crescendo e continuei com a vontade de ser médico, mas, na verdade, eu queria ser obstetra. Na realidade, percebi no Colegial, que eu tinha vocação para ser ator, e fui estudar teatro.

TVaBordo: Aproveita que você falou sobre vocação e dá um conselho para quem deseja seguir com a carreira artística.
PV –  Acho que diria para a pessoa pensar bem, porque não é fácil. Quer dizer, ter certeza absoluta que talvez você vai abdicar de algumas coisas, inclusive, se tiver sonhos de ter algo muito bom na vida financeira, pesar bem na balança. Se é a arte, ou é ganhar dinheiro, porque as chances da pessoa ficar rica é pequena, então, tem que ter muito amor. Se a pessoa tiver muito amor pelo teatro, pelo cinema, por toda a dificuldade, vai de cabeça. Se o sonho da pessoa é ganhar dinheiro, é melhor pensar em outras coisas, porque as chances são pequenas. 

TVaBordo: Algum arrependimento, Paulo?
PVMuitos! Se as pessoas parassem para refletir por um segundo, elas se arrependeriam. Arrependeu, tenta fazer diferente da próxima vez. Você tem o livre-arbítrio. Olha que maravilha! Deus dá pra gente o livre-arbítrio, pra gente escolher. A gente tem o direito de escolha. Fez uma escolha errada, e se arrependeu, é só tentar tirar a parte boa. Refletir, pensar com mais afinco, com mais carinho. Eu me arrependo de um milhão de coisas. Aprendi com alguns erros. Eu era uma pessoa até pouco tempo atrás que jogava bituca de cigarro no chão como se fosse normal (infelizmente sou fumante). Eu não pensava que era errado. Hoje eu me arrependo desses anos todos que jogava bituca de cigarro no chão; podia colocar no meu bolso. Olha que egoísmo! Eu preferia sujar a cidade, sujar as outras pessoas, mas a minha casa, o meu bolso, a minha roupa, não. Eu tenho um arrependimento do tamanho do Brasil disso. Quem me fez enxergar foi um amigo, três anos atrás! Eu joguei, e ele falou: ‘você joga bituca no chão?’, aí eu falei: ‘jogo’. Ele falou: ‘nossa, que feio!’ Eu me arrependo profundamente, e não faço mais isso!

foto: reprodução

Paulo Vilela em sequência
do filme ‘Tropa de Elite’

TVaBordo: Muito bacana. Paulo, antes de fazer o seu debut televisivo na novela ‘Beleza Pura’, da Globo, você estreou como o playboy Edu, do blockbuster nacional das telonas ‘Tropa de Elite’. Como foi a repercussão?
PV –  Na realidade, antes do filme chegar aos cinemas, devido à pirataria, as pessoas já me paravam nas ruas, nos aeroportos, e quem vinha falar comigo eram os homens. Com ‘Tropa’ tinha muito disso, sabe? Acho que por ser um filme com uma temática mais masculina. Com a novela, quem vem falar com a gente são os adolescentes e as mulheres.

TVaBordo: ‘Tropa de Elite’ deu mais visibilidade que ‘Beleza Pura’?
PV – Mesmo ‘Tropa’ sendo o que foi, com muita gente tendo acesso ao filme de maneira errada, mesmo assim, a novela da Globo me deu mais visibilidade, porque era exibida de segunda a sábado, no horário das sete. 

foto: divulgação / TV Globo
Paulo Vilela como o Anderson, ao lado
das atrizes Ísis Valverde e
Zezé Polessa na novela
‘Beleza Pura’, TV Globo 2008.


TVaBordo: Como chegou ao seriado ‘Conselho Tutelar’?
PV – Eu estava em Gramado rodando um curta metragem chamado ‘Amor Proibido’, e um dos produtores de ‘Conselho’ me falou sobre o projeto dizendo que ninguém tinha feito nada parecido na TV. Passou um ano, e ele já com o projeto pronto me convidou e eu aceitei. Depois ele apresentou o meu nome à Record, e a emissora aceitou.

TVaBordo: De ‘Conselho Tutelar’ para ‘Os Dez Mandamentos’. Como se preparou para viver o Natan?
PV – Nunca imaginei que fosse fazer esta novela. Foi super rápido! Fiz pesquisa sobre a época. Na Record, teve uma palestra explicando sobre a região. Conversei muito com o nosso preparador de elenco, com a nossa autora, com os nossos diretores. Usei muito da minha intuição também. O próprio texto que a gente recebe para estudar, para decorar com antecedência, a gente vai conhecendo um pouco mais. É um estudo diário. Ontem, por exemplo, já recebi o capítulo 40. (entrevista realizada no dia 30 de abril).

Alguns fãs da novela querem saber o porquê do Natan ser manco. Fizemos essa pergunta à Vivian de Oliveira, autora de Os Dez Mandamentos, abre aspas: Oi, Warlen! Na verdade, Natan é manco para mostrar que mesmo com essa limitação física ele não se deixa intimidar. É um homem de fé, otimista e supera qualquer dificuldade para tentar salvar as crianças e a si mesmo. Beijos.”

TVaBordo: Quais são as semelhanças e as diferenças entre o Paulo e o Natan?
PV – O Natan é um homem muito bom, de coração bom mesmo, fiel, leal, sabe? Ele é tipo um herói, sabe? Ninguém chega aos pés de Natan. Eu não chego aos pés de Natan. Você não chega aos pés de Natan. Ele é um ser único. Talvez na vida real não exista ou existam pouquíssimos Natans. Claro, todo mundo tem um lado ruim e um lado bom dentro de si. A gente tá falando de uma novela que tem essa coisa do lado bom e o lado ruim, em que o bom funciona muito bem. Mas, eu não tenho a ousadia de me comparar ao Natan. Ele é tudo de bom! Ele é perfeito. Não consigo ser 1% do que ele é. Claro, a gente tá falando de uma ficção, de uma fábula. Lá na frente ele vai ficar aborrecido, porque a pessoa boa também fica aborrecida; fica triste. Mas o Natan não fica com ódio mortal.

TVaBordo: Ele não vai querer matar o Corá…
PV – Ele sempre fala assim: ‘Moisés fará a vingança.’ Moisés é maravilhoso também, mas Moisés segue ordens de Deus; Natan segue ordens do coração. Moisés é um guerreiro. Deus protege o Natan, mas não conversa como conversa com Moisés.

foto: reprodução

Paulo Vilela como César, ao lado
do ator Roberto Bomtempo na
série ‘Conselho Tutelar’ da Record.

TVaBordo: Se tivesse que fazer outra personagem, você faria o Moisés?
PV – Não, eu faria o Natan. Eu só faria o Natan.

TVaBordo: Fora o Natan, se não tivesse o Natan, qual personagem você gostaria de ter feito? Você assistiu a primeira temporada?
PV – Não! Assisti ao filme. Nossa! Não sei, só o Natan mesmo. Criei um amor pela personagem que não me imagino fazendo outro,

TVaBordo: Para de puxar ‘sardinha’ para o seu personagem… (risos)
PV – Estou sendo sincero, porque cada ator ali já tem a sua história. Eu não consigo me imaginar fazendo outro personagem.

TVaBordo: Você não está sendo politicamente correto, não, né?
PV – Posso estar sendo (muitos risos).

TVaBordo: Alguma cena muito difícil até agora?
PV – Deixa eu pensar… o meu primeiro dia foi difícil. Independente da cena que eu fiz. Estava seis anos sem fazer novela, né? Há cinco anos fazendo teatro, ou filme, ou série, então voltar até me readaptar…

TVaBordo: Deu um friozinho na barriga?
PV – Deu sim. Eu já comecei gravando 15 cenas.

TVaBordo: Caramba!
PV – De um personagem que eu não entendia direito. Eu vou entendendo com o tempo como funciona o personagem, a direção. Um texto formal, porque a gente tem que obedecer, diferente da coisa contemporânea.

foto: reprodução

Paulo Vilela e Vitor Hugo em cena
da nova temporada de
‘Os Dez Mandamentos’, TV Record, 2016.

TVaBordo: Não tem ‘caco’, né?
PV – Não pode ter ‘caco’, tem que falar tudo certinho. Até hoje eu sempre tive liberdade de fazer pequenas modificações. Talvez uma palavra que não funciona, aí você coloca um sinônimo ali, porque fica melhor no falar. Sempre tem uma liberdade. Aqui em ‘Os Dez Mandamentos’ a gente tem que segurar mais, para que nada remeta aos anos 2016, sabe? Para ficar mais fiel do que a autora imaginou o que foi naquela época.

TVaBordo: E o que você tem aprendido com esta novela?
PV – Respeitar mais o texto. Hoje em dia, gravando ‘Os Dez Mandamentos’, às vezes, eu assisto acompanhando com o meu texto para ver se está igualzinho… super igual! Não só eu. Eu fico vendo os outros personagens. Acho que todo mundo fazendo esses personagens, aprendeu a respeitar; não que respeitasse. Sempre houve liberdade para fazer pequenas modificações, sabe? Aqui eu aprendi que não precisa; se você estudar melhor, o linguajar, etc, tudo fica natural, sabe? Eu tenho assistido o elenco e tenho visto a naturalidade, mesmo num texto mais informal, sem gírias, sem abreviar preposições. Está sendo um aprendizado bem interessante para mim. Eu acho que também a minha fé cresceu um pouco mais. Minha fé – não que eu não tivesse fé – mas eu sinto que comecei a conversar mais com Deus, com mais frequência do que eu fazia antes, sabe?

TVaBordo: Legal isso, muito interessante.
PV – E agora vão ao ar umas sequências que eu falo muito sobre Deus, e eu estou achando tudo isso muito interessante. Tô gostando bastante dessa parte.

TVaBordo: Convide a galera para assistir aos ‘Dez Mandamentos’.
PV – Continuem assistindo! Dá uma chance pra gente! Liguem oito e meia da noite. Todo mundo tá se empenhando muito porque a novela é feita para agradar a todos; para você se divertir, se emocionar! Então, continuem com a gente! Espero que gostem! Tô recebendo realmente mensagens da galera! Todo mundo gostando bastante, e estou muito contente por isso! E vamos que vamos!

A seguir, Jogo Rápido com Paulo Viela.
foto: Facebook 

Jogo Rápido

Apelido de infância
Nene

Ator
Roberto Bomtempo

Atriz
Fernanda Montenegro

Cantor
Eu gosto muito do Renato Russo

Cantora
Ana Carolina

Novela
‘Que Rei Sou Eu?’

Filme que mais assistiu
‘A Cura’

Música da minha vida
‘Eduardo e Mônica’, Renato Russo

No meu aniversário quero ganhar
Uma lambida da minha cachorra Maica 

Não tenho habilidade para fazer
Decorar bolos (confeitar)

Se fosse voltar ao tempo…
voltaria para que época?
1.200 antes de Cristo

Personagem que gostaria de fazer
Uma travesti

Se não fosse ator, o que seria?
Presidente de uma multinacional.

Cinema, teatro ou TV?
Não sou capaz de escolher isso.

Dublado ou legendado?
Dublado

Maica, a dona do coração de Paulo

Fantasia ou realidade?
Realidade

Autógrafo ou selfie?
Selfie

Adiantado, atrasado ou pontual?
Adiantado

De manhã, bom humor ou mau humor?
Depende

Parte do corpo que mais gosta?
Nariz

Parte do corpo que menos gosta?
Minha barba.

Defeito
Sou um pouco antissocial.

Qualidade
Generoso

Me tira do sério
Falta de respeito.

Me faz feliz
Comida.

Uma palavra feia
A palavra preconceito não
é feia, mas o sentimento em volta
da palavra é feio. 

Uma palavra bonita
Mãe

Prato que lhe dar água na boca
Lasanha

Sobremesa mais gostosa
Pavê

Hobby
Cozinhar

Só ou acompanhado?

Tá namorando?
Não, e nem quero!

Beijo na boca ou no cangote?
Beijo na boca.

Amor ou paixão?
Paixão

Sol ou lua?
Lua

Campo, cidade ou praia?
Cidade

Religião
Deus

Tenho saudade do 
‘Xou da Xuxa’


São Paulo ou Rio de Janeiro?
Rio de Janeiro porque eu trabalho aqui.

Ditado, frase ou verso
“Nem todos que tentaram conseguiram,
mas todos que conseguiram tentaram.”
Clodovil

Passado
Muita brincadeira.

Presente
Muito trabalho.

Futuro
Muito descanso.

Paulo é um cara
Não sou capaz de me definir.

Mensagem aos fãs
“Vocês são meu crush!”

#PauloVilelaNoTVaBordo

Entrevista em parceria
com a Assessora


Leia as Entrevistas
do TV a Bordo
Curta

Siga
Comentários do Facebook

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here