Gustavo Reiz: “O público pode esperar pelo bom e velho novelão; uma história de amor forte, um casal que se ama e enfrenta todas as dificuldades para realizar seu amor.”

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foto arquivo pessoal / reprodução
apresenta
ENTREVISTA COLETIVA
com
Gustavo Reiz
 
“Só o amor é capaz de 
quebrar todas as correntes.”
Gustavo Reiz
 
“Eu vivo todas as emoções enquanto escrevo uma cena, e quando as escrevo, dou risadas, choro, e também me divirto bastante; e ao rever as cenas no vídeo, as emoções se elevam mais uma vez.”, a partir de amanhã, às 19h30, o autor e escritor, Gustavo Reiz vai reviver todos os sentimentos que escreveu para a nova produção da Record, em parceria com a Casablanca: ‘Escrava Mãe’.
 
O niteroiense Gustavo Reiz participa de uma ‘Entrevista Coletiva’, em que atores, jornalistas e roteiristas fazem perguntas sobre a arte de escrever, o futuro da telenovela brasileira, além, é claro, das expectativas em torno da estreia da sua nova novela, ‘Escrava Mãe’.
 
Senhoras e senhores, Gustavo Reiz.

Adelmo Lessa

roteirista

AL – Você iniciou muito jovem como escritor, segundo li, começou aos 12 anos de idade quando teve seu primeiro texto encenado. Como era o ambiente em sua cara? Era um ambiente de muita leitura? Quais eram os livros que você lia? Conte-nos um pouco desse processo do seu início a arte de escrever aos 12 anos de idade. Já se imaginava que era essa a profissão que queria seguir?
 
GR – Sim, desde sempre. Não tenho dúvidas de que o ambiente cultural na minha casa fez toda diferença. Eu fazia curso de desenho e todo sábado estava no atelier de artes plásticas com meu pai. Minha mãe sempre tocou violão e piano para nós. Minha irmã sempre fez todas as modalidades de dança. Íamos muito ao cinema, teatro, circo. Assinávamos revistas em quadrinhos (‘Turma da Mônica’, ‘Alegria’, etc), e estimularam nossa imaginação. Mais do que o estimulo, o exemplo também fez diferença; meus pais são leitores assíduos. Na escola, cada redação virava uma crônica ou um conto que depois eu desenvolvia um pouco mais. Quando comecei no curso de teatro, queria ser ator, mas comecei a escrever para trabalhar e produzir minhas próprias peças. 
 
 

Adelmo Lessa

roteirista

AL – Falam-se muito em crise nas novelas, e que agora o boom do momento são as séries. Você acha que as novelas estão em crise atualmente? Ou a crise está nos executivos, nos diretores, ou na escolha do elenco? Ou o roteirista é que não está sabendo contar a história? 
 
GR – Acho que o mercado está em modificação, mas as novelas vivem um bom momento. Elas continuam como as principais audiências das emissoras, mesmo das que exibem famosas séries internacionais. E temos no ar novelas contemporâneas adultas, juvenis, de época bíblica, de época colonial, regional, adaptações, infantojuvenis, e por aí vai. Ótimas histórias são contadas diariamente, acho que o público nunca teve tanta opção. E isso é ótimo para todos.
 
foto: Divulgação / Record

Albino Oliveira Grecco

Ator

AOG – Em tempos de ‘politicamente correto’ na TV, como você avalia as telenovelas atualmente?
 
GR – Um desafio ainda maior para quem escreve. Além do volume enorme de trabalho que uma novela representa, o autor é desafiado, cada vez mais, a ser criativo e não se deixar influenciar negativamente (ou até bloquear) por algumas limitações, como horário, preferência do público, costumes regionais, crenças, etc. Acho que o autor deve ter a consciência de sua grande responsabilidade, ter bom senso na abordagem e condução dos seus temas, assim como o público também deve saber reconhecer que tipo de produto ele está assistindo, se é de seu interesse ou não.
 
AOG – A telenovela é um produto descartável?
 
GR – Jamais pensaria desta forma. A telenovela é uma verdadeira reunião de talentos. Equipes de diferentes áreas e setores trabalham por aquele produto, centenas de pessoas se mobilizam para tornar aqueles escritos em realidade, fazer aquelas rubricas se transformarem em ações, as descrições se tornarem cenários, e por aí vai. É a trilha que pontua o que a edição montou, os efeitos que acentuam o que o diretor realizou, as tramas que são elaboradas pelos roteiristas e ganham vida no corpo dos atores, que se apropriam daqueles personagens por meses. É uma dedicação intensa, uma engrenagem bonita. Quando tudo funciona corretamente é como uma bela orquestra. 
 
AOG – Como você imagina o futuro das telenovelas?
 
GR – Mais próximo do passado das telenovelas, com a valorização do melodrama, do humor inteligente, das histórias mais envolventes e não tão clipadas, dos personagens bem elaborados e gêneros mais diversificados. 
 

Antônio Costa

roteirista

AC – Dizem que novela de época não dá audiência e o retorno em termos de faturamento publicitário é pouco. Você concorda com isso?
 
GR – Acho que depende muito, vários fatores influenciam na audiência e, por consequência, no faturamento publicitário. As ações de merchandising ficam realmente muito restritas. Já o interesse do mercado internacional costuma ser bem interessante. Atualmente as tramas de época têm se destacado positivamente, nos dois quesitos mencionados.
 

Giuseppe Oristanio 

ator em

‘Dona Xepa’ e ‘Milagres de Jesus’

GO – Gustavo, eu sei que quando a gente nasceu para exercer determinada atividade, nada representa grande sofrimento, mas a minha curiosidade é grande: que tipo de preparo físico e intelectual é necessário para escrever tanta coisa em tão pouco tempo? Quando um cara escreve uma novela, escreve pelo menos 50 páginas por dia. Inventa dezenas de histórias todo dia… ao final de um processo desses, dá vontade de nem olhar para as teclas e nem digitar mais nada? Ou imediatamente a cabeça já te oferece outras propostas? 
 
GR – Depende muito do processo. Tem novela que realmente consome muito, por uma série de fatores, e o autor termina completamente extasiado. O volume de trabalho é muito grande e você está coberto de razão, o preparo físico é fundamental! Muitos autores fazem uma verdadeira bateria de exames e tratamentos antes de engrenar numa novela, pois serão meses de dedicação integral, não resta tempo para quase nada. O exercício durante a novela também ajuda muito, mas nem sempre dá tempo. Sobre preparo intelectual, acho que o autor tem que ser um verdadeiro acumulador! Tem que ler o máximo de livros que conseguir, assistir muitos filmes, séries, novelas… É essa base que vai fazer a diferença na hora de criar tantas tramas. Eu tenho alguns cadernos de ideias, onde anoto tudo que me vem à cabeça, independente de ter a ver com alguma novela. Como sou um pouco compulsivo por trabalho, costumo terminar uma novela já pensando na próxima.
foto: reprodução
 

Michel Castellar

roteirista

MC – Eu, como roteirista, dou preferência, tanto em escrever, como apreciar obras audiovisuais de época, porque gosto de História. Há uns 10 anos, você adaptou um original mexicano ‘Os Ricos Também Choram’, para a realidade dos anos 1930, com admirável fidelidade, diferente do que vemos hoje, em que a história das novelas ditas de ‘época’, não se preocupam tanto com essa fidelidade ao período retratado. Você fez também outros trabalhos nessa linha, como ‘Sansão e Dalila’ e ‘Milagres de Jesus’. E agora, criou ‘Escrava Mãe’. Como você vê o encanto das pessoas face a uma era em que não viveram? Há cobranças em si mesmo de ser fiel ao tempo em que vai retratar? Ou você prefere dar mais asas à liberdade poética que hoje tomou conta das histórias de época, em que a trilha sonora muitas vezes destoa da atmosfera da trama?
 
GR – O mérito desta adaptação tão bonita de ‘Os Ricos Também Choram’ é do autor Marcus Lazarini, com quem tive o prazer de colaborar, ao lado do Aimar Labaki e da Conchi. E também fiquei muito encantado, pois sempre gostei de histórias de época. A fidelidade ao tempo retratado varia muito, depende de inúmeros fatores. O documentário tem o compromisso de ser fiel à realidade. A ficção tem o privilégio de se servir de elementos da época para contar uma boa história. Claro que procuro me basear nas pesquisas para não criar nenhum ruído na comunicação com o público, algo que poderia ficar muito anacrônico ou que causasse alguma dúvida que poderia tirar o foco da história. Mas temos que nos dar esta liberdade ou nos tornarmos reféns das pesquisas. O mesmo se aplica sobre trilha sonora; há uma série de fatores – artísticos, burocráticos e comerciais – que determinam as escolhas. O ideal é que esses fatores se conciliem e que a música contribua para contar aquela história.  
 

Adelmo Lessa

roteirista

AL – Falando em adaptação, seus textos estão presentes na literatura, como esse sucesso das novelas direcionadas ao público juvenil, você já pensou em adaptar um de seus livros para telenovela?
 
GR – Sim. Acho que esse é o meu projeto mais antigo, adaptar meus livros para TV ou cinema.  
 
“O documentário tem o compromisso 
de ser fiel à realidade. 
A ficção tem o privilégio de 
se servir de elementos 
da época para contar uma boa história.”
 
foto: Facebook Gustavo Reiz
 
Capas de alguns livros 
de Gustavo Reiz
 

Adelmo Lessa

roteirista

AL – Você foi convidado pelo diretor David Grimberg para fazer parte do workshop do Doc Comparato, que além de excelente roteirista, é um mestre no ensino do roteiro. Antes de ser convidado, você já tinha esse pensamento em trabalhar com roteiros de TV? E como é o ambiente de aprendizado com o Doc Comparato?
 
GR – Comecei a me interessar por TV pelo convívio que passei a ter no teatro (em grupos como ‘O Tablado’, por exemplo) com pessoas que também trabalhavam na televisão. Quando surgiu essa oportunidade do workshop, eu estava em cartaz com uma peça de minha autoria (“Confidências e confusões masculinas”) e, durante a turnê, eu estudava justamente o livro do Doc (“Da Criação ao Roteiro”) para aprender sobre essa linguagem. Ao final do workshop, fui um dos três roteiristas escolhidos pelo Doc para trabalhar em sua equipe, onde depois me tornei coordenador de texto e seu braço direito. Foi uma grande escola e o Doc é realmente um mestre, sempre muito generoso e autêntico. Ele não hesitava em riscar folhas inteiras quando algo não estava correto, indicava caminhos surpreendentes, conseguia trabalhar com tv ligada, telefone tocando, secretária falando, telefonemas frequentes do exterior… E, de repente, em meio ao turbilhão de informações, surgiam reviravoltas de trama e ideias geniais. Foi um período muito especial e importante para mim. 
 

Warlen Pontes

jornalista

WP – Se fosse escolher uma cena de suas novelas, qual seriam as preferidas?
 
GR – A revelação de que Dalila havia traído Sansão, diante do príncipe Inárus. Em ‘Escrava Mãe’ também há uma lista grande de cenas que me emocionaram bastante.
 
foto: Warlen Pontes
 
Regina Duarte em exposição pelos 
seus 50 anos de carreira
 
WP – Para que ator ou atriz, escreveria uma personagem?
 
GR – Para todo ator que se dedica para contar uma boa história! Se pudesse escolher entre tanta gente que admiro, escolheria a Regina Duarte, que faz parte da história da nossa teledramaturgia.
 
WP – O que é necessário para ser um bom roteirista?
 
GR – Além de todo conhecimento do meio, da teoria, de uma boa base literária, etc, disciplina é fundamental.
 
“Se pudesse escolher entre tanta 
gente que admiro, 
escolheria a Regina Duarte, 
que faz parte da história 
da nossa teledramaturgia.”
 
 

#EscravaMãe

 
TVaBordo – As chamadas de ‘Escrava Mãe’ são de arrepiar e carregadas de muita emoção. O que podemos esperar do seu folhetim? Quais personagens você acha que vão conquistar o público?
 
Gustavo Reiz – ‘Escrava Mãe’ é, realmente, uma novela muito emocionante. Abordamos temas muito importantes, como o preconceito, a intolerância, a construção de pensamentos que estão tão arraigados na nossa cultura, por mais ultrapassados que sejam. Mergulhar numa história tão conhecida, com personagens simbólicos como Isaura e Leôncio, também é motivo de grande emoção. O público pode esperar pelo bom e velho novelão; uma história de amor forte, um casal que se ama e enfrenta todas as dificuldades para realizar seu amor, vilões ardilosos, muita reviravoltas na trama. Como procuro sempre fazer, todos os personagens têm seus conflitos e tramas.
 
TVaBordo – Quantos capítulos serão exibidos? Você gostou da escolha do horário de exibição, ou você colocaria em outra faixa?
 
Gustavo Reiz – Estão previstos de 130 a 150 capítulos. ‘Escrava Mãe’ é uma grande e emocionante história de amor. Valorizamos o conflito, o aprofundamento dos temas, a abordagem não é sensacionalista. A intenção não é chocar o público com cenas de torturas, por exemplo. Sabemos que elas aconteceram, mas explorar o sentimento dos escravos, o modo como aquelas pessoas se sentiam diante de tamanha brutalidade, seus medos, seus anseios, suas histórias, me parece um caminho mais atraente para a história que queremos contar. Também temos tramas crônicas, aventuras amorosas, histórias de superação e esperança. Temos os elementos para agradar bastante o público do horário escolhido. Torço para que acompanhem nossa história, pois não vão se arrepender!
TVaBordo – A novela é considerada uma obra aberta, em que o público costuma ‘mudar’ o destino de suas personagens de acordo com o carisma do seu intérprete ou a sua identificação com algum tipo, e ‘Escrava Mãe’ vai entrar totalmente gravada. Você acha que isso pode atrapalhar na trajetória da obra? Que cuidados foram tomados para que isso não aconteça?
 
Gustavo Reiz – É completamente diferente, sem dúvida. Acompanhei mais de perto as gravações, assisti bastante material enquanto escrevia, tendo o feedback da direção e da equipe. Procurei apostar em muitas tramas e pontuar os capítulos com muitos ganchos e reviravoltas, para manter o interesse do público. Temos poucos personagens e nossa narrativa é ágil, há tempo para muita história!
 
foto: Antônio Chahestian
Da esquerda para a direita:
O diretor Ivan Zettel com Fernando Pavão,
Gabriela Moreyra, Pedro Carvalho,
Thais Fersoza, o autor Gustavo Reiz,
Milena Toscano e Nayara Justino.
TVaBordo – Gustavo, a Record é um canal comandado por bispos de uma denominação evangélica e, em sua história, há um ‘combate’ às religiões afrodescendentes; ‘Escrava Mãe’ vai retratar a luta dos escravos pela liberdade e a fé dos escravos está ligada ao candomblé. O folhetim ‘Escrava Mãe’ vai mostrar cultos candomblecistas ou houve por parte da emissora algo tipo de proibição?
 
Gustavo Reiz – Em sua história, a emissora tem em ‘Escrava Isaura’ um dos seus maiores sucessos da teledramaturgia. Não escreveria ‘Escrava Mãe’ de forma diferente se ela fosse veiculada por qualquer outra emissora; todos os temas foram abordados de maneira sensível, respeitosa, com pesquisas históricas, de modo que contribuíssem da melhor forma para a história que queremos contar. Estamos muito orgulhosos com o resultado do trabalho e tenho certeza que o público também se surpreenderá positivamente.
 
TVaBordo – Gustavo, qual é a palavra para definir ‘Escrava Mãe’?
 
Gustavo Reiz – Uma palavra que me vem à cabeça quando penso neste trabalho: ORGULHO. A novela está belíssima.
 

#GustavoReizNoTVaBordo

 
Gustavo Reiz com o jornalista
Warlen Pontes
 
 
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