Raphael Montagner: “A arte é como o carinho, o amor, se não for compartilhada, perde a força e o sentido.”

0
entrevista
Raphael Montagner

foto: Edu Moraes

A novela ‘Escrava Mãe’ estreou reunindo um time de atores e atrizes consagrados com os talentos da nova geração. E nesse encontro, destaca-se um ator que tem chamado atenção pelo carisma e competência em seus papéis, Raphael Montagner, o intérprete do Tomás Quintiliano, um jovem abolicionista e conquistador nato que balançará o coração de muitas mulheres na Vila de São Sebastião.

Nesta entrevista ao TVaBordo, Montagner conversou sobre infância, fama, carreira e reservou um capítulo especial para falar da nova produção da Record em coprodução com a Casablanca, ‘Escrava Mãe’.

Com vocês, Raphael Montagner:

TVaBordo – Você comentou que a arte escolhe o ator, e não o ator que escolhe a arte. De que maneira a arte o escolheu? Conta como tudo começou.
RMA arte começou a impulsionar a minha imaginação e a acelerar o meu coração, quando fui sem pretensão nenhuma fazer um curso amador, a ‘oficina dos menestréis’ no Teatro Dias Gomes. Ao final da oficina, montaríamos a ‘Dança dos Signos’, há mais ou menos 13, 14 anos. Ali foi o começo de uma descoberta linda e mágica: tornar-me um contador de histórias.

TVaBordo – Vou pegar a sua deixa e perguntar: que conselhos você daria para aqueles que desejam seguir carreira artística?
RM Como disse Fernanda Montenegro em uma de suas entrevistas, e levo muito comigo: “Desista! Abandone isso!”, mas se ficar sem sono, em tal desassossego a ponto de faltar o ar, de sentir falta da madeira do palco, desta esquizofrênica profissão de loucos e poucos… aí volte e entregue-se à velha cartilha de estudos e procure cultura. Sabe o porquê de concordar e repetir mais ou menos as palavras dela e que faço minhas também? Porque muita gente confunde com libertinagem, zoeira e etc. Mas ela é linda e retrata o pensamento de que: ‘representa o que somos e o que vivemos’. Bom, acredito muito nisso.

TVaBordo – Vamos falar de fama. Qual é a sua relação com ela? Você acha que a fama ajuda ou atrapalha?
RMNão sou muito ligado a isso, porém não posso dizer que não tenho a vaidade (se não estaria na profissão errada); prefiro colocar assim: pretendo me tornar importante no que faço, não famoso. A fama passa. Hoje tem e amanhã não tem, mas quando você se tornar importante, indispensável, realmente especial no que faz (porque eu faço e escuto sempre a voz do coração), aí a reciprocidade do público é muito mais calorosa e verdadeira, não rasa e passageira. Ela atrapalha a partir do momento que você se sente agredido por aquilo que fez ou representou em suas atitudes e condutas, dentro e fora da vida pública. No meu caso, bem consciente e transparente e, tudo no controle (kkkk).

foto: arquivo pessoal

Raphael Montagner e as tatuagens
do neonazista Enzo em 
‘Vitória’, TV Record 2014/2015.

TVaBordo – Raphael, você interpretou o Enzo, um neonazista na novela de Cristiane Fridman, ‘Vitória’ da Record. Como foi a repercussão desse personagem? Sofreu algum inconveniente com o Enzo? Alguma história desagradável para contar?
RMNa grande maioria não tive problemas, somente comentários do tipo: ‘como você é ruim na novela! Tenho raiva das coisas que faz!’, e eu rebatia na hora com muito humor sempre: ‘Eu não, o Enzo!’, mas eu gostava, afinal, a ideia era essa, fazer esse ‘câncer’ de conceitos e condutas desviadas, e só poderia dar nisso. A interpretação estava visceral e verdadeira – tanto que causa isso – ou seja, cumpri com o meu papel.

TVaBordo – ‘Escrava Mãe’ já e a sua quinta novela e a terceira na Record. Se fosse destacar alguma personagem, qual você destacaria?
RM Olha, cada criação, cada personagem que desenvolvo é único, e sabe qual é o maior desafio? Não é somente ver eles (os personagens) nascerem, mas sim, desconstruir o anterior; no mínimo, vivemos com ele diariamente durante um ano, entre estudos e gravações; para achar outro, dentro e fora de nós atores, é muito doido, como disse, esquizofrênico e, por mais que seja, essencialmente um trabalho em conjunto, a criação, o ato de transformação é solitário e muito particular para cada ator. Aí eu acredito que reside o grande desafio mestre.

TVaBordo – Antes de passarmos a falar exclusivamente do Tomás, fiquei sabendo de uma história que aconteceu durante a sua infância, precisamente no seu aniversário de 11 anos de idade…
RMComo descobriu isso? (kkkk) Ai, ai, ai! Peraí, deixa eu pensar! (kkkkk). Olha, sempre fui muito sapeca. Matei um sapo e coloquei no pão pra minha avó (Dona Flor)

TVaBordo – Por quê? Você não gostava da sua avó?
RMNão! Pelo contrário, coisa de criança arteira. Como eu sabia que ela tinha pavor a sapo, coloquei dentro do pão e servi pra ela (kkkk). Depois, coloquei girino no suco de laranja da festa, pois lá no clube – em São Bernardo do Campo…

TVaBordo – Você nasceu em São Bernardo do Campo…
RMSou batateiro (kkk).

TVaBordo – Sério?
RMQuem nasce no ABC é chamado de batateiro (kkk). Lá no clube tinha um laguinho, e aí peguei um copinho cheio (kkk).

TVaBordo – Depois de ouvir a história de uma criança tão fofa e amável com a avó e com os convidados no dia do seu aniversário, é melhor falarmos do Tomás (risos). Como surgiu o convite para viver o jovem abolicionista e mulherengo?
RMSurgiu o convite já nos términos de ‘Vitória’. Aí, o bicho pegou! (kkk). Comecei um processo de desconstrução física, afinal, filho de Senhor do Engenho em 1800 não tinha aquele corpo ‘marombado’. Foram estudos diversos com livros, por exemplo, ‘Casa-Grande & Senzala’ (Gilberto Freyre), ‘1803’; filmes de época: ‘Razão e Sensibilidade’ (Direção: Ang Lee), ‘O Libertino’ (Direção: Laurence Danmore), e documentários sobre homens abolicionistas e ‘Casanova’ (as duas características principais do Tomás). Lógico, que é muito mais trabalhoso compor um personagem desta época por trejeitos e pela embocadura das falas rebuscadas, mas nem tanto, devido à liberdade poética da dramaturgia.

foto: Edu Moraes
TVaBordo – Bacana. Quais são as diferenças e as semelhanças entre o Tomás e o Raphael?
RM Bom, inúmeras, entre semelhanças e diferenças. Mas, no geral, este aspecto leve e  jovial de encarar a vida e as suas adversidades com um tom sempre despreocupado, meio que se iguala comigo, sem contar que, uma bela conquista sempre é bem-vinda pelo desafio e a aventura que me espera (bem sagitariano, aliás, o Tomás também o é! Kkkkk).

TVaBordo – Sem provocar Spoiler. Se fosse escolher entre algumas cenas de ‘Escrava Mãe’ para eleger como a melhor, qual você elegeria? Quais foram aquelas que mais exigiram de você?
RMDifícil essa, mas vamos lá. Tem uma fase de transformação do Tomás (sentimentalmente falando), que ele entra em conflito com as suas próprias leis de nunca se apaixonar, de nunca se deixar ser vencido por ‘essa prisão que é o amor’. Diríamos que o feitiço – em um ponto da novela – vai virar contra o feiticeiro! Kkkkk.

foto: Edu Moraes

Raphael Montagner em cena com
Pedro Carvalho na novela
‘Escrava Mãe’, TV Record/2016.
TVaBordo – Boa, a arte imitando a vida. Raphael, alguma história engraçada de bastidores que você gostaria de compartilhar com o público?
RMOlha, o meu núcleo em particular, a Família Amaral (Luís Guilherme (Cel. Quintiliano), Milena Toscano (Filipa), Roger Gobeth (Guilherme) e Elina de Souza (Bá Teixeira). Nos divertíamos muito e fomos muito cúmplices fora e dentro do jogo cênico, criando um clima e uma interação única entre nós. Éramos realmente uma família.

TVaBordo – Antes de passarmos para o bate bola, o que você mais aprendeu com a novela ‘Escrava Mãe’?
RMOlha, entre momentos inenarráveis de aprendizado e troca cênica, e como todo grande projeto e suas dificuldades, uma frase resume bem quando se entra de cabeça em uma obra que consome você 24h, e por quase um ano: ‘O impossível é só questão de opinião’ (Charlie Brown Jr.).

A seguir, Jogo Rápido com o ator Raphael Montagner:

foto: Marco Antônio Ferraz

Jogo Rápido

Apelido de infância
PH, porque me chamo
Raphael com PH,
vê se pode (kkkk)

Estado civil
Noivo

Formação
Educação Física e Artes Cênicas

Ator
Clint Eastwood
Denzel Washington

Atriz
Nicole Kidman
Fernanda Montenegro

Filme que mais assistiu
‘Constantine’, ‘Predador’ e
‘Diário de Um Vampiro’.

Música
Olha música é de momento e sou
o cara mais eclético do mundo do jazz,
blues, rock (internacional e nacional),
enfim, depende de onde e 
com quem estou (kkkk).
Trilha sonora da sua vida
Tenho várias para cada momento.
No meu aniversário
eu quero ganhar
Mais um ano de vida.

Não tenho habilidade para
Teclar no meu IPad ou Iphone
(o corretor automático me odeia
de propósito, kkkk).

Se pudesse voltar ao tempo…
Voltaria, sem dúvida nenhuma, para
as décadas de 1950 e 1960.

Personagem que gostaria
de interpretar
Algum clássico shakesperiano.

Parte do corpo que mais
gosta
Quando faço dieta restrita,
curto ele todo, quando relaxo,
só por Deus na causa (kkkk).

Parte do corpo que
menos gosta
Nenhuma.

Arrependimento
Nenhum. Faria tudo
exatamente igual.

Qualidade
Prefiro que me falem.

Defeito
Positivismo demais! O negativo
também faz parte da vida,
mas tenho dificuldades
com perdas.

Me tira do sério
Falta de educação.

Me deixa feliz
O amor da minha família e
dos meus bichos.

Palavras feias
Conta negativa.

Palavra bonita
Contratação.

Prato que lhe dar
água na boca
Massas no geral.

Sobremesa deliciosa
Ambrosias.

Hobby
Ler e esportes.

Só ou acompanhado?
Acompanhado sempre.

Beijo na boca ou
no cangote?
Amigo, um belo de um beijo
molhado, isso sim! Agora, onde?
Onde ela pedir! (kkkk).

Time do coração
Fiel. É tudo nosso.

Autógrafo ou selfie?
O que rolar na hora.

Adiantado, atrasado ou pontual?
Pontualíssimo sem desculpas

Pela manhã, mau humor
ou bom humor?
Olha, tô acordando né? Kkkk.
Vamos devagar nas emoções.

Tenho saudades de
Às vezes, da ingenuidade e a
paz da minha infância.

Religião
Fui criado na igreja evangélica.

Raphael é um cara
Comum, com grandes sonhos que 
me movem e moldam minhas escolhas
e quem eu sou; se tenho certeza de
algo nessa loucura que é viver, sou
um ator, e me alimento disso.

Mensagem aos fãs
Para vocês e sempre por vocês!
Afinal, a arte é como o carinho, o amor,
se não for compartilhada, perde a força
e o sentido.

#RaphaelMontagnerNoTVaBordo

Leia as Entrevistas
do TVaBordo
Curta

Siga
Comentários do Facebook

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here