Takes com Alexandre Avancini: “Libertar o povo da escravidão, talvez seja uma motivação mais fácil, agora, motivar este povo para grandes batalhas, é uma motivação, talvez, muito mais difícil.”

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foto: Miguel Ãngelo

Desde que estreou na Record, em 2005. Alexandre Avancini, mais conhecido como Avec, coleciona sucessos na emissora paulista. De lá para cá, as produções com a sua assinatura têm marcado os índices de audiência da teledramaturgia nacional com obras de tirar o fôlego e de arrebentar em lágrimas os corações mais impassíveis.

Nesta entrevista exclusiva ao jornalista Warlen Pontes, Avec estava no meio das gravações da queda das Muralhas de Jericó, um dos eventos mais importantes da conquista de Canaã, a sua nova empreitada que estreou esta semana, ‘A Terra Prometida’: “Estou no meio da gravação, em cima de um câmera carga, com mais de 50 cavalos e 300 atores. Uma loucura!”, disse Avec pedindo para que as perguntas fossem feitas, sem problemas. E elas foram feitas: “Sou quase testemunhar auricular da queda das Muralhas de Jericó!” E ele observou: “Quase, não! Literalmente!”.

Venha conferir, em três Takes, essa conversa sobre direção, a relação com o pai – o saudoso Walter Avancini – os bastidores de ‘Os Dez Mandamentos’, ainda, os depoimentos especiais de Daniel Figueiredo, Marcílio Moraes, Tiago Santiago, Vivian de Oliveira e, muito mais, a partir de agora.

Senhoras e senhores, Alexandre Avancini:


TVaBordo – Você é filho do saudoso diretor Walter Avancini, que foi um dos mestres da televisão brasileira. Voltando ao passado, o que você mais guarda de lições e conselhos do seu pai? 
Avec – A gente falava muito sobre o ator, da importância do ator, da importância da personagem, da importância da interpretação, que pra mim está em primeiro lugar – acima de tudo – se você não tem o ator vestindo o personagem, você não tem cena. Não adianta você ter um equipamento e um cenário de um milhão de dólares, se você não tem o ator em cena. A gente conversava muito sobre o ator passar o máximo de verdade possível, por isso que, desde 2012, eu adotei para o meu elenco uma série de coaches, para ajudar na preparação. 

TVaBordo – Desde pequeno sempre soube que iria seguir com a mesma carreira do seu pai? Em algum momento você pendeu a trilhar por um outro caminho profissional? 
Avec – Na verdade. Avec interrompe a entrevista: “Está indo pra onde senhora? Vai começar aí. Daí para atrás! Ih, o cavalo caiu gente! Deitou, ficou com preguiça, cara. Que louco! Deitou no meio do set! É uma loucura! Fala Zu. Estão gritando e as muralhas começaram a ruir! 
Warlen Pontes: “Sou quase testemunha auricular da queda das Muralhas de Jericó?!”
Avec: “Quase, não! Literalmente! No meio do deserto aqui” Avec retoma a entrevista.
Eu sempre fui muito apaixonado por cinema. O meu primeiro contato com o cinema foi – literalmente – numa tela. Meu pai pegava os filmes emprestados na TV Tupi (antigamente quando você passava os filmes na televisão, você projetava em 16mm), como a gente faz com os amigos em DVD. Ele pegava essa máquina de 16mm e projetava os filmes na parede lá de casa para os amigos. Como eu era criança (tinha uns seis anos de idade) ficava escondidinho atrás de uma poltrona. Depois de muito tempo eu descobri que ele sabia que eu ficava ali escondido. Na minha época não existia Faculdade de Cinema; uma loucura, né?
Avec interrompe mais uma vez: “Só um segundinho… dá pra gravar? (após alguns áudios incompreensíveis) então vou dá almoço (ele grita) almoço! Oi, pronto, agora a gente pode falar”.
Me formei em jornalismo, mas sempre querendo fazer cinema. Felizmente, tinham outras matérias na Faculdade de Jornalismo que abordavam cinema. Uma forma de eu poder estudar cinema na faculdade.

foto: reprodução

O saudoso diretor
Walter Avancini
TVaBordo – Você já trabalhou como diretor com o Walter? 
Avec – Não, como assistente de direção em alguns projetos. Fiz um filme com ele, um longa chamado ‘Boca de Ouro’ (1990), a refilmagem de um clássico de Nelson Rodrigues; e fiz um outro projeto na Globo chamado: ‘A Garota da Capa’ (1988).

TVaBordo – Como ele lhe tratava no set, como filho, ou como um profissional comum?
Avec – Eu tenho uma história muito engraçada, quando rodava o longa ‘Boca de Ouro’. Eu chegava no set e falava: ‘Avancini, tá tudo pronto pra gravar’. Ele respondia: “tá bom, tá bom” Aí, um dia, eu cheguei: ‘Avancini’, ele falou: “Não me chama mais de Avancini! Me chama de pai!” (risos) ‘Tá bom, tá bom. Pai, está tudo pronto!’
TVaBordo – Muito boa essa história!
Avec – Teve um outro momento no filme que eu cheguei e perguntei: ‘Você quer que eu marque a figuração enquanto você ensaia os atores? Eu vou precisar de tempo’, ele respondeu: “Não, pode marcar depois”, e ele gritou: “Filmando!”, Então, falei: ‘Mas não vai dar tempo para marcar as minhas figurações!’ A gente bateu boca. Nós discutimos sério no set. Veio o almoço e ele falou todo feliz: “Nossa primeira discussão. Nossa primeira briga no set” (risos).

TVaBordo – Muito bom!
Avec – Foi muito bom ter trabalhado com ele. Infelizmente foram as nossas únicas experiências. Enquanto diretor não consegui trabalhar com ele. Eu estava envolvido em outros projetos e ele ficou 10 anos em Portugal. Quando ele retornou ao Brasil, eu já estava envolvido com outros projetos dentro da Globo, então, não nos encontramos mais. Mas a gente sempre conversava; ele me ligava…

TVaBordo – O que é mais difícil dirigir: um ator com o ego inflado, ou um estreante de pouco talento?
Avec – Depende. Acho que, às vezes, o ator está naquele momento com o ego inflado, aí você conversa com ele e ele entende tudo, e acaba o problema. E o ator estreante com menos talento, ele sendo uma pessoa inteligente, rapidamente dá a volta por cima. A gente se depara com as duas situações no dia a dia, mas graças a Deus, consegui resolver da melhor maneira possível, com diálogo, com conversa. Nunca tive problemas. Nunca tive do ator falar: eu não faço!

TVaBordo – Você se considera um diretor de atores? Como faz para tirar o melhor de um ator?
Avec – Como eu te falei, para mim o ator é fundamental. Na TV, o processo é muito industrial, por isso me cerco de coaches, antes e durante o trabalho. A gente tá gravando aqui, simultaneamente, ‘A Terra Prometida’ e o final de ‘Os Dez Mandamentos’. São mais de 300 atores. Na verdade, o trabalho de ator com o diretor você tem que desenvolver um processo de confiança com o ator. É muito difícil chegar para um ator que você nunca viu na vida e conseguir tirar o máximo dele, então, muitas vezes, eu marco reuniões com os atores que eu não tenho mais intimidade, e converso com eles. Eu faço um processo de conhecimento até pessoal do ator. Eu trabalho muito com a memória emotiva para eu ter algum conhecimento emocional com o ator. Faço um trabalho de aproximação com o ator e a gente fica horas conversando. Quando você chama uma pessoa para conversar sobre a vida pessoal dela, você acaba falando da sua também, não tem jeito. Isso gera um laço de confiança entre o diretor e o ator, e realmente eu preciso conhecer a pessoa que estou trabalhando. Hoje, trabalho com vários atores há 10, 15, 20 anos! Vou fazer 30 anos de carreira! O pessoal da ‘velha guarda’ me conheceu quando eu era bebê, por isso que a gente tem um vínculo emocional.

TVaBordo – A ligação cai, mas logo em seguida retorno.
Avec – Eu lembro que quando gravei a primeira vez com a Regina Duarte (a Regina Duarte foi madrinha de casamento do meu pai), ia lá em casa, etc. Eu estava muito nervoso pra gravar com ela, mas me controlei. Ela fazia a Helena de ‘Por Amor’, do Maneco (Manoel Carlos). E a Regina muito fofa, como sempre. Mais à frente, por acaso, eu estava gravando com a Regina a mesma novela. Meu pai apareceu e começou a conversar com ela, e ela comentou: “Um dia fui gravar com o seu filho e fiquei muito nervosa”. Entende a relação? A gente se conhece desde criança, então, estar no meio foi uma coisa que facilitou o meu caminho, porque eu via os atores comentando no set: Quem é este menino? É o filho do Avancini. Ahn?! (surpresos) Porque todos me conheciam desde criança, então, já criaram um vínculo com o elenco e com a própria equipe também, que trabalhou muitos anos com o meu pai. Cresci com os filhos deles, e depois nos encontramos como diretor e ator. O Tarcisinho (filho do Tarcísio Meira e da Glória Menezes) conheço desde criança. O nosso meio é meio circense. As pessoas ficam nele.
foto: Cedoc TV Globo
TVaBordo – Em algum momento já perdeu a paciência com um ator ou uma atriz? O que houve para chegar ao ponto de perdê-la?
Avec – Que eu me lembre, não! Tem uma coisa engraçada. Um dia precisava gravar uma cena externa dentro de um carro capotado em ‘Por Amor’, do Maneco (Manoel Carlos). A cena da capotagem do início da novela fui eu que dirigi. Era com o Fábio Assunção e a Viviane Pasmanter. O carro estava destruído e eu tinha que colocar o elenco dentro do carro de cabeça para baixo. O carro foi todo preparado, sem perigo algum. Os atores comentaram: “Mas tá seguro mesmo?”, Eu falei: ‘tá bom, gente’. Entrei no carro, coloquei o cinto, fiquei de cabeça para baixo, e perguntei: ‘tá bom, gente?’ Os atores de novo: “Ah, a água tá muito alta para a gente entrar”, fui lá de novo, mergulhei, ‘oh, gente, tá boa, tudo bem? Vamos gravar?’ Esse tipo de coisa acontece, faz parte do processo. A gente leva com bom humor e, eles também.

TVaBordo – Você já comentou em entrevistas anteriores que a cena da abertura do Mar Vermelho foi a sua cena mais difícil e trabalhosa de dirigir. Se fosse refilmá-la hoje, mudaria alguma coisa? Tem algo na cena que faria de novo?
Avec – Acho que não, porque a cena foi feita com um objetivo. A cena, na verdade, tem uma descrição épica. Eu também aproveitei para tentar encaminhar a cena com uma conexão emocional com o público, porque sem close, ela não funciona, fica só na pirotecnia. Fiquei muito feliz de trabalhar com a Stargate. Aprendi muito com eles. Eles têm uma técnica no quesito efeitos especiais realmente impressionante. Hoje, a gente não tem a Stargate, mas tem a Casablanca, que em termos de captação e gravação é ótima. Aprendi muito com a Stargate, e continuo usando o que aprendi no meu dia a dia de trabalho. 

Saiba como foi escrita a cena da 
abertura do Mar Vermelho

TVaBordo – Avec, são mais de 30 anos de carreira. Se fosse destacar, dos vários projetos que dirigiu, qual você destacaria?
Avec – ‘Presença de Anita’ do Maneco (Manoel Carlos). ‘Uga Uga’, minha primeira direção geral na Globo. Um trabalho muito bacana e uma grande parceria com o Lombardi. Tive muitos projetos com o Carlos Lombardi. Foi um grande parceiro durante muitos anos. ‘Prova de Amor’, um grande sucesso. Bom acertar logo na primeira novela. ‘Vidas Opostas’, uma proposta muito diferente do Marcílio Moraes. A gente gravava na comunidade todo o dia. A gente saía de Vargem Grande e ia até o Centro do Rio de Janeiro. 


TVaBordo – Depois da comunidade de ‘Vidas Opostas’, a Globo só fazia novelas ambientadas (em sua maioria) em comunidades…
Avec – Mas nunca na locação, ficava só na cidade cenográfica. A gente foi todos os dias. Passava o dia inteiro na comunidade. ‘A Lei e o Crime’, meu primeiro seriado na Record, e que ficou em primeiro lugar várias vezes…

TVaBordo – Foi ‘A Lei e o Crime’ que tinha uma câmera de um milhão de dólares?
Avec – Esse mesmo. Teve uma, mas depois compraram outra, que era a viper. Hoje ela custa no sistema digital, 20, 30 mil dólares. É uma loucura como a tecnologia fica mais barata. ‘José do Egito’, meu primeiro trabalho bíblico, detalhe: eu pedi para fazer, porque sempre me interessou. Na Globo, eu tinha tentado emplacar um projeto sobre Jesus Cristo e não consegui. Tinha vontade de fazer a biografia de Jesus. Cheguei a apresentar ao Departamento Artístico à época, mas eles não se interessaram muito. Eu gosto muito de épico. Fico muito à vontade fazendo. ‘José do Egito’ foi uma parceria com a Vivian de Oliveira e, agora, ‘Os Dez Mandamentos’, um marco. 

TVaBordo – Vou pegar o gancho das muitas parcerias. Posso dizer que o Lombardi é o seu autor preferido?
Avec – Eu tenho vários autores preferidos. O Lombardi é um deles. Mas a gente vai mudando. Com o Maneco (Manoel Carlos) fiz três novelas e uma minissérie, uma parceria muito feliz. Admiro o texto dele. O Lombardi, autor de comédia, naquele estilo, só tem ele, muito talentoso. O Tiago Santiago, grande parceiro! Marcílio Moraes. Vivian de Oliveira é a autora que melhor escreve melodrama no Brasil. Ninguém escreve com tanta qualidade como a Vivian de Oliveira. É uma área muito arriscada. A Vivian consegue escrever de uma forma muito bacana. A gente se emociona e acredita nela. 

“Na Globo, eu tinha tentado emplacar 
um projeto sobre Jesus Cristo e não consegui. 
Tinha vontade de fazer a biografia de Jesus. 
Cheguei a apresentar ao
 Departamento Artístico 
à época, mas eles não se interessaram muito”

TVaBordo – Algum arrependimento nestes 30 anos de carreira?
Avec – Acho que não. Eu sou uma pessoa que corro muito atrás do que eu quero. Saí da Globo por uma questão artística, de espaço artístico. Eu me encontrei plenamente na Record. A nomenclatura de diretor geral na Globo é diferente na Record. Como diretor geral na Record, eu sou um diretor de núcleo. Na Globo, como diretor geral, sempre tinha um diretor acima de mim. Eu queria mais espaço criativo. Trabalhei muito com o Ricardo Waddington, um grande parceiro, foi a pessoa que eu mais trabalhei na Globo. Como diretor geral subordinado a outros diretores de núcleo, a interferência artística sempre foi muito grande, mas nunca tive problemas com isso. Mas eu queria ter 100% do artístico, da minha visão. Isso foi o que me motivou a vir para a Record. No princípio, fiz uma novela um pouco mais careta: ‘Prova de Amor’. Depois veio uma novela ousada: ‘Vidas Opostas’. Inovamos de novo: ‘Os Mutantes’, a crítica, de certa forma, menosprezava uma novela que era um grande sucesso de  público, porque era uma novela infanto-juvenil. No mundo todo você tem projetos infanto-juvenis que fazem muito dinheiro e fazem muito sucesso. Isso no Brasil é um pouco pejorativo, infelizmente, mas eu acho que a gente tem que amadurecer. Qualquer público é público. O mercado americano é muito fragmentado. Você tem ficção científica, terror, infanto-juvenil drama, infanto-juvenil ficção científica, e a gente não tem nada disso no Brasil, que ainda está preso num formato, infelizmente, não se abre esse leque todo. Um modelo que a TV Tupi criou e que a Globo ditou durante muitos anos. As pessoas estão cansadas, por isso, que a Record aposta e se dá bem. ‘Vidas Opostas’, ‘Os Mutantes’, novelas bíblicas. Quem levou à Record a proposta de se criar uma novela bíblica fui eu. Vi que tinha espaço para melodrama de qualidade. Entreguei para a Record um projeto que foi ‘Os Dez Mandamentos’, e o Marcelo Silva (superintendente artístico) teve a ideia genial de uma minissérie, que estava praticamente toda escrita de transformar em novela. Esse approach dele fez toda a diferença, e deu no que deu. A gente criou um novo filão. Aí vejo a crítica novamente falando que as pessoas não aguentam mais novela bíblica. Se você parar um pouquinho para estudar, todas as emissoras americanas se envolveram, cada uma com o seu nicho. ABC – comédia. NBC – drama, e ninguém fala, cansei de drama, cansei de comédia. Tem muita história boa na Bíblia para se contar. Existe um certo preconceito. Uma certa guerra política. Ficam bombardeando. Ontem, ‘Os Dez Mandamentos’ fez 18 pontos (entrevista gravada no dia 27 de junho), a gente incomoda sim, a gente faz barulho sim, mas o público gosta e os números estão aí para provar, e não tem o que refutar. Vamos fazer bíblicas, medievais. Adoraria fazer ficção científica, terror e outros tipos de drama. Vamos abrir o leque e vamos sair desta mesmice. 

Antes de partirmos para o segundo take, 
um bate-bola, Jogo Rápido
com o Avec.

JOGO RÁPIDO

Sonho em trabalhar com o ator e a atriz…
Eu tenho um baú cheio de atores que eu gostaria de trabalhar, 
tanto brasileiros, quanto estrangeiros.

TVaBordo
Mas, não quer citar nenhum, né?
Deixa pra lá!

Avec
É, deixa pra lá! (risos)
O diretor que me inspirou na carreira foi…
Tive inspiração dentro de casa, claro. 
Meu pai sempre foi uma grande inspiração e uma enorme inspiração a nível pessoal.
Quando comecei a tomar conhecimento tem: Kurosawa, Stanley Kubrick, Bergman, Eisenstien. Dos diretores atuais tem o David Lynch, que pra mim é um mestre, conduz a câmera com o elenco… ele é sensacional!
Meus filmes favoritos são…
Eu tinha 11 anos de idade quando estava passando um filme longe de onde morávamos. Aí meu pai falou: “quero que você veja um filme”. A gente tava sem carro e tinha que ir de ônibus, era: ‘2001 – Uma Odisseia No Espaço’. Além de marcar, eu curto muito porque é ficção científica mais conceitual. Um filme de um estilo que eu gosto no cinema. Estilo visual. Ele não tem 3h de filme com 20min de diálogo; não estou dizendo que não gosto de diálogo. Diálogo bem escrito é fundamental. 
Foi o filme que me levou a 
ser diretor de cinema.

Os seriados que assisto são…
‘Game Of Thrones’, ‘Mr. Robot’, ‘Galáctica’, porque gosto muito de ficção científica. Drama: ‘The honourable Woman’, que é o trabalho de uma atriz maravilhosa, Maggie Gyllenhaal, e que tem a ver com esta coisa do Oriente Médio.
No set não pode…
Falar enquanto a gente está ensaiando, porque tira toda a concentração da equipe. Tem que ser um momento de muito respeito com as pessoas envolvidas. O que dita o humor do set, normalmente, é o humor do diretor. Eu fiz uma experiência. Dei uma chamada de atenção num assistente de direção, que imediatamente, chamou atenção de mais 10 e aí, virou um caos. Eu quero educar a reação das pessoas. É um efeito dominó. Então, na maneira do possível, prefiro me manter muito calmo. O humor do elenco também influencia muito. Converso muito com o ator (gente, o humor de vocês irradia muito). Quando eu sinto que um ator chega irritado com um problema pessoal de casa, puxo para conversar. Eu trabalho muito o psicológico também.

Fez Psicologia além de Jornalismo, 
ou você lê muito sobre Psicologia?
Eu li muito na faculdade. A PUC (Pontifícia Universidade Católica) era uma faculdade muito boa de muita psicologia. Várias matérias de psicologia. O ser humano é muito previsível. Previsibilidade. Tudo o que a gente faz, tem um tempo psicanalítico. Todas as nossas ações. É impressionante! Se ele fizer assim, vai acontecer assado, e assim por diante.
Os Dez Mandamentos ou
Terra Prometida?
O telespectador está mudando. Converso muito com os produtores nos EUA. Quando eu falo para eles que uma novela dura 150, 170 capítulos, eles não acreditam, porque uma novela deles dura 20 anos. Se você está com um produto de qualidade, pode ficar 20 anos no ar. Uma iniciativa inteligente foi ter bolado ‘A Terra Prometida’ como uma continuação, de certa forma, de ‘Os Dez Mandamentos’. É claro que tem uma série de novidades, de personagens; tem cenários novos, novos atores, mas eu fico com as duas, 
porque uma complementa a outra. 
Não tenho paciência com…
Mentira e preguiça. O nosso trabalho do dia a dia é um trabalho muito confiante. Minha equipe da Record, que trabalha há 10, 11 anos comigo… A pessoa me ganha quando diz: ‘errei’, porque errar é humano. 
Todo mundo erra, eu erro. 
Quando a pessoa mente, eu perco a confiança.
O que mais me deixa feliz é…
É chegar em casa e ficar 
com a minha família.
Passado:
Uma excelente aula de perspectiva 
muito comum na nossa vida. 
A gente perde a perspectiva, 
tanto para frente, quanto para atrás.
Presente:
É o momento importante, 
que é uma soma do passado. 
É sempre, na verdade, 
o momento mais importante, 
que a gente vai colocar de uma 
forma diferente do futuro.
Futuro:
Eu sou virginiano. Eu penso muito, elaboro muito. Muito o que eu conquistei na minha trajetória de carreira foi em cima disso, de elaboração. Eu vim de uma empresa muito forte, que estava em crescimento. Fiz uma aposta muito consciente visando crescer dentro da empresa. Fiquei muito feliz com este crescimento. É a soma de passado e presente.
Ditado, frase ou verso:
Tudo aquilo que não nos destrói, 
nos deixa mais fortes.
Alexandre Avancini é um cara…
Virginiano. Acho que o virginiano me define muito. Eu sou muito cuidadoso 
com o que faço, muito detalhista. Sou workholic, determinado. 
Acho importante manter boas relações no ambiente de trabalho.

TVaBordo – Que conselhos você daria para aqueles que gostariam de seguir com a carreira de diretor?
Avec – Estudem! Seja apaixonado pelo que você faz! Esteja disposto a trabalhar 15, 18h por dia. Cinema também é assim. Diretores americanos também fazem isso. É uma carreira que se você não for apaixonado pelo que faz, não aguenta. É uma carga pesada de trabalho físico. Estou agora no meio do sol quente, gravando o dia inteiro. Levo três horas para chegar até à Casablanca, fazer a edição e fico até à meia-noite. Hoje levantei às 4h da manhã.

TVaBordo – Você se considera um diretor centralizador?
Avec – Sim. Eu delego até um certo ponto. Eu tenho uma equipe ótima de diretores, mas na questão de conceito tem dois pontos: o conceito ele tem que ser supervisionado. No início, você conceitua, e, no final, você tem que cuidar para que o conceito seja respeitado. Gravação, edição, você muda muito, sonorização, na cor, na computação gráfica; tudo isso são processos muito mutantes para você poder finalizar o seu conceito. A gente faz um monte de reunião, e se você não cuidar do final da ponta, você se perde, literalmente. Mesmo que você grave exatamente como você quis. Tem vezes que você leva 100h para editar uma cena. Por exemplo, a cena do Mar Vermelho: foram 100h de edição. Se você errar na música, não tem cena. É muito trabalho de acompanhamento, mesmo cercado de grandes talentos. Eu tenho uma equipe muito talentosa: de edição, de pós-produção, mas você quer, como idealizador, que no final tenha a sua visão do processo criativo, e se eu não cuidar até o final, não rola.

TVaBordo – Qual é o melhor e o pior da profissão?
Avec – Pior? Deixa eu pensar aqui…

TVaBordo – Como demorou uns 10s, perguntei: Quer falar do melhor primeiro?
Avec – O melhor é porque você está fazendo o que você ama. Amo o que eu faço. Como eu falei, a gente trabalha muito. Gravei no meio do deserto de Israel, do Egito com temperatura alta, gravando com uma escolta armada, porque o Egito estava no meio de uma revolução. Para mim, isso é muito apaixonante. Contato direto com as culturas, com gente… como eu gosto muto de ator, gosto muito da interpretação, o contato com gente, pra mim, é muito importante. O pior não tem pra mim, talvez, a gente tá gravando naquela ‘roubada’, e aí não dá certo.

TVaBordo – Tipo na comunidade, houve alguma ‘roubada’?
Avec – Você leva a sua câmera para a última lage e a câmera pifa. Lá em cima tá 50 graus de calor e você fica esperando três horas pra chegar a reposição do equipamento. Essas são as ‘roubadas’ que acontecem. Paciência. Acho que existe a cena difícil, que envolve muito trabalho, como foi a do Mar Vermelho, porque envolvia 400 figurantes, sete, oito bigas com 30, 40 cavalos. Agora, com ‘A Terra Prometida’, a gente tá gravando com quase 50 cavalos. Tem dublês, ator com cavalos, figuração, é um processo muito trabalhoso. Então, quando se dá o ok para o primeiro take, o segundo tem que estar montado, não é, ok, e começa de novo. Você tem que ter paciência, tem que compensar quando não se tem paciência. A luz fechou, aí eu espero, espero, espero num processo que eu fiz que ia ficar muito bonito. O take foi feito no final para acabar tudo. ‘Gente, vamos gravar! Vai todo mundo lá pra frente da câmera…’ A paciência sempre compensa. 

TVaBordo – Com o corre e corre das gravações, dá tempo de curtir alguma coisa, ou a vida de diretor é uma loucura, e que não se aproveita nada?
Avec – Dá tempo de curtir sim, você tem que se esforçar. A gente tem um período de implantação que é sempre mais complexo. Estes produtos bíblicos tornam o processo de uma novela mais complexo. No meio fica mais tranquilo. Cenas bíblicas são recheadas de eventos, então, a gente descansa, chega em casa, quer ficar com a família. A família toda curte seriado americano, a esposa curte, a filha curte. O cinema é um programa de lei, na verdade, eu descanso aprendendo mais. 

Confira o último take sobre ‘A Terra Prometida’:

TVaBordo – Avancini, quando começou a ser produzida ‘A Terra Prometida’? A novela vai estrear com quantos capítulos prontos e escritos?
Avec – A gente começou a pré-produzir ‘A Terra Prometida’ em agosto do ano passado e a produzir de verdade em novembro; aí surgiu a segunda temporada de ‘Os Dez Mandamentos’. Depois a gente começou a pré-produzir a 2ª temporada de ‘Os Dez Mandamentos’, e deu uma segurada em ‘A Terra Prometida’… Vamos estrear com 85 capítulos escritos e 10 capítulos prontos, fechados. A gente tá contando uma história com certo tipo de audiência que é conservadora (um público conservador). O que acontece muitas vezes, muitos autores, não a Record, que acham que o público brasileiro aceita seriado americano, mas seriado americano é muito compartimentado, é para um público específico. A telenovela é um leque muito grande, com drama, comédia, ação. Quando você estreita muito, perde audiência. A dona de casa não gosta de violência exagerada, não gosta de certas temáticas de uma forma gratuita, então, o nosso público é conservador. 
TVaBordo – Você falou que a dona de casa não gosta de violência, mas Josué é um guerreiro, com certeza, derramou muito sangue. Você vai seguir a linha de ‘Rei Davi’, ou você vai fazer algo mais leve?
Avec – Não, mais leve. Sangue é um exemplo muito bom. Eu posso fazer o cara tomando uma espada com o sangue jorrando na lente, mas eu posso ter bem menos (só com as expressões do ator), ou mostrar de uma forma que não fique tão agressivo. Vamos dá uma economizada em sangue. Pensar que a gente tem uma legião de espectadores. Minha mãe assiste a novelas bíblicas, minha filha adora novelas bíblicas, e adora ‘The Walking Dead’ – minha mãe não gosta ‘The Walking Dead’ – cortam cabeças, é uma loucura! A gente tem esse cuidado. Se a gente está em outro horário, que é uma outra faixa de público, a gente tem que fazer diferente (é óbvio). Não quero ficar, de certa forma, agredindo meu telespectador. Não quero causar uma polêmica. Eu quero o meu telespectador ao meu lado assistindo a minha história.

TVaBordo – Você, lógico, é fã de ‘Os Dez Mandamentos’ e de ‘A Terra Prometida’. Quando vai sentar para assistir, não como diretor, mas como espectador. Existe algum personagem que é o preferido do Avancini? Você consegue fazer essa separação de diretor para espectador?
Avec – Eu torcia pro Moisés, pelo Arão, pela Joquebede, que são personagens muitos fortes! Josué é um personagem que recebe uma missão – no começo ele não se sente preparado, porque teve o apoio de Moisés (o cara falava com Deus diretamente), é um dos únicos personagens na Bíblia que falam diretamente com Deus, que tem essa conexão direta com Deus, assim como Josué. Então, ele sente uma insegurança… isso é um marco muito bacana do personagem, um personagem muito rico. Ao mesmo tempo, ele tem que vencer essa insegurança, conduzir este povo todo para esse momento. Talvez, libertar o povo da escravidão, seja uma motivação mais fácil, agora, motivar este povo para grandes batalhas, é uma motivação, talvez, muito mais difícil.

TVaBordo – A trilha sonora instrumental foi um dos diferenciais em ‘Os Dez Mandamentos’, e deu muito certo. Acho até que o nome do Daniel Figueiredo deveria figurar nos créditos iniciais na abertura da novela (Avec – é verdade. Merecia, merecia). A parceria com o Daniel continua em ‘A Terra Prometida’? Vai haver alguma canção hebraica ou tema de amor como aconteceu com Moisés e Zípora?
Avec – Vai continuar com o Daniel Figueiredo. Deve ter algumas inserções com vocais. A gente vai manter o mesmo estilo. A diferença é na pegada, uma pegada mais militar, mais de conquista. Pode haver um tema de amor.
TVaBordo – Gostaria que você convidasse a galera para assistir ‘A Terra Prometida’ não como diretor, porque você vai dizer que é maravilhoso (que a gente já sabe que é), mas como telespectador.
Avec – Obrigado. Não percam ‘A Terra Prometida’. Uma história inesquecível, bonita, emocionante, com belas paisagens. Uma história que vai lhe prender na frente da sua televisão. Josué com um novo rumo para o seu povo, com novos conflitos ao povo hebreu, com tramas internas. O triângulo amoroso está muito bacana: Josué, Aruna e Samara. O núcleo da Samara com a Beth (Léia) e o Ray (Quemuel) tem um segredo. A novela tem um núcleo de crianças tipo ‘Oliver Twist’. Um dos personagens quer ser um guerreiro, Otniel (Leonardo Miggiorin) e não consegue porque é meio sem jeito, e quem vai ensiná-lo a ser um guerreiro é um gigante de 4m de altura. E tudo tá na Bíblia. A novela tem muitos elementos lúdicos que eu acho que vai prender o público.
A seguir, confira depoimentos especiais a Alexandre Avanci:

O diretor Alexandre Avancini com o
jornalista Warlen Pontes na 
Coletiva de Imprensa
de ‘A Terra Prometida’

Depoimentos especiais a
Alexandre Avancini:

“Avec é genial! Simples assim”
Daniel Figueiredo,
produtor musical de
‘Os Dez Mandamentos’ e
‘A Terra Prometida’, entre outras.

“Avancini é um extraordinário diretor,
especialmente de obras épicas.
Percebi esta característica 
no primeiro trabalho
que fizemos juntos: ‘Vidas Opostas’. 
As cenas de multidão
e de batalha são inigualáveis”
Marcílio Moraes,
autor de ‘Vidas Opostas’,
‘A Lei e o Crime’.

“Fora de série, extraordinário, 
inteligência raríssima, 
artista fenomenal, gênio. 
Alexandre tem meu afeto incondicional,
minha admiração intensa e o 
desejo sempre de novas parcerias”
Tiago Santiago,
autor de ‘Prova de Amor’,
e a trilogia ‘Caminhos do Coração’.
“Avec é um excelente parceiro profissional. 
Artista sensível, inquieto, 
dono de um talento admirável.
Sempre cuida pessoalmente de todos os 
detalhes da obra e é um 
grande entusiasta das boas ideias. 
Tem sido um prazer enorme 
trabalhar com o Avec, 
que acabou se tornando um bom amigo”.
Vivian de Oliveira,
autora de ‘José do Egito’
e ‘Os Dez Mandamentos’.

#AlexandreAvanciniNoTVaBordo

Entrevista em parceria
com a Assessora

Leia as Entrevistas
do TVaBordo

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