Formato de ‘Justiça’ é o futuro da dramaturgia?

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foto: GShow

minissérie JUSTIÇA – TV CRÍTICA

Pode imaginar uma cena em que as personagens são – ao mesmo tempo protagonistas e coadjuvantes? Pode imaginar quatro contextos diferentes, mas iguais entre si por estarem juntos e misturados em um mesmo entrecho? Agora, coloque cada vulto dessa história em uma única noite, e faça uma fusão com o mesmo fim: justiça.

A minissérie ‘Justiça’ da Globo é uma trama inédita de sua dramaturgia com o mesmo escopo, apresentada às segundas, terças, quintas e sextas, depois de ‘Velho Chico’, e tem ‘obrigado’ o telespectador a dormir mais tarde para acompanhar os dramas de Vicente (Jesuíta Barbosa), Fátima (Adrina Esteves), Rose (Jéssica Ellen) e Maurício (Cauã Reymond), que cometeram delitos e cumpriram penas por sete anos.

Uma teia de aranha
A cada dia da semana um crime é exibido de forma independente, mas interligado como se fosse uma teia de aranha. No núcleo dos conflitos estão outras figuras que fecham os fios de seda, ora como intérpretes principais, ora como simples assistentes, em outros ângulos, sob outras perspectivas. Elisa (Débora Bloch) é a patroa de Fátima (Adriana Esteves), uma doméstica que tem a sua vida mudada tragicamente por Douglas (Enrique Diaz), o policial intolerante que prende Rose (Jéssica Ellen), sob a égide do tráfico de drogas. Rose namora o traficante Celso (Vladimir Brichta), dono de um quiosque e sócio de Maurício (Cauã Reymond), que trabalha para Euclydes (Luiz Carlos Vasconcellos), sócio de Antenor (Antônio Calloni). o homem que foge sem prestar socorro ao atropelar a esposa de Maurício, Beatriz (Marjorie Estiano), que fica tetraplégica. Euclydes é pai de Vicente que mata a noiva Isabela (Marina Ruy Barbosa), filha de Elisa. 

Com esse emaranhado de linhas, a trama escrita por Manuela Dias com direção artística de José Luiz Villamarim tem recebido elogios de crítica e aprovação do público. A média de audiência gira em torno de 27,6 pontos (nove capítulos), cada ponto equivale a 69,4 mil domicílios na Grande São Paulo, considerada excelente para o horário. Ainda restam 11 capítulos.

A cidade do Recife ambienta temas como preconceito racial, corrupção, drogas, estupro, prostituição, e por aí vai. A fotografia insólita é embalada por uma trilha sonora composta por canções de Chico Buarque, Roberto e Erasmo Carlos, Fagner, Los Hermanos, Milton Nascimento, entre outros. Só por isso, já vale ficar acordado até tarde.

Exercício incomum
A autora Manuela Dias propõe ao telespectador um exercício incomum nas obras da TV aberta: não se deve perder nenhum episódio, senão estará fadado a não entender patavinas do próximo capítulo, diferente da telenovela, em que as tramas são explicadas à exaustão para o telespectador mais incauto. 

A proposta da criadora de ‘Justiça’ tem respaldo do seu maestro, o diretor artístico Villamarim: “A ideia é fazer do formato um atrativo e não uma dificuldade. A cada dia, a cada cena conjunta que une personagem das quatro tramas, o público vai ganhar um presente: uma mesma situação será vista por vários pontos de vista. E a cada repetição de cena, o público vai perceber um detalhe novo”, explica.

E os detalhes são peças fundamentais para a compreensão e a narrativa empregada por Manuela, pois o formato de ‘Justiça’ mostra ao telespectador uma visão de 360º dos fatos, das vitimas e dos algozes. 

A aposta na novidade bem sucedida de ‘Justiça’ deixa uma pergunta no ar: será esse o formato da dramaturgia do futuro? Tudo bem que estamos falando de uma minissérie com seus capítulos todos gravados, sem a preocupação de uma obra aberta, em que o público decide o destino e a trajetória das personagens, contudo é válido ousar e utilizar de tal fórmula no horário de um folhetim tradicional?

por Warlen Pontes

JUSTIÇA
Minissérie em 20 capítulos

De
Manuela Dias

Colaboração
Lucas Paraízo
Mariana Mesquita
Roberto Vitorino

Direção Artística
José Luiz Villamarim

Direção
Isabella Teixeira
Luisa Lima
Walter Carvalho

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