Entrevista Ricardo Mantoanelli: “Adaptar para os dias atuais não significa apenas introduzir celulares e outros gadgets. Significa também resgatar valores familiares, brincadeiras do tempo da vovó e uma boa dose de magia.”

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foto: Lourival Ribeiro

O diretor Ricardo Mantoanelli começou a carreira no canal de Sílvio Santos na produção da ‘Casa dos Artistas’ e, desde então, não parou mais. Foi diretor do ‘Ídolos’, ‘Qual é o Seu Talento?’, ‘Astros’, entre outros. A sua estreia na dramaturgia da emissora aconteceu em ‘Patrulha Salvadora’, spin-off de ‘Carrossel’.

De lá para cá, dirigiu ‘Chiquititas’ e, agora, assume a direção geral de ‘Carinha de Anjo’, a nova aposta do SBT para o seu horário de novelas no lugar de ‘Cúmplices de um Resgate’. A partir de agora, acompanhe a entrevista que Ricardo concedeu ao SBT, e que foi cedida ao TV a Bordo:
SBT: Qual é a sua expectativa para a estreia de Carinha de Anjo? 

Ricardo: A Melhor possível. É um trabalho feito com muita
vontade e amor por uma equipe dedicada. Esperamos manter o
padrão de audiência, credibilidade e retorno comercial obtidos pelas
novelas antecessoras. 

SBT: Essa é sua primeira telenovela como diretor-geral na carreira.
Qual olhar você quer imprimir nesta obra? 

Ricardo: Não sou mais ou menos importante que qualquer um da equipe por
conta do título “diretor-geral”. Somos todos engrenagens dessa
fábrica de sonhos que é a teledramaturgia. Recebi essa missão da
direção do SBT e espero honra-la com muita dedicação e capricho. O olhar que busco imprimir
em Carinha de Anjo é o mais puro: O olhar da criança. Acompanhar a trama com os olhos e
sentimentos da Dulce Maria vai ser uma viagem em busca de valores que a sociedade atual tem
deixado de lado. Esse personagem quer aproveitar a vida com alegria e desfrutar do presente que
é ter quem a gente ama ao nosso lado. Tudo com muita simplicidade. 

foto: Lourival Ribeiro

(em sentido horário) Maisa Alves, Leonor Corrêa,
Ricardo Mantoanelli, Iris Abravanel,
Lucero e Carlo Porto
SBT: Como dizem, a simplicidade
é o auge da sofisticação.
Como foi a preparação do elenco para dar vida aos núcleos da novela? 

Ricardo: Fizemos algumas leituras por núcleos, depois já com figurinos e por último nos cenários para que
os personagens se apropriassem dos seus ambientes. O tom e o ritmo fomos acertando no dia a
dia de gravação. É um elenco inteligente. As crianças fizeram uma longa preparação com Marcia
Ítalo e Ariel Moshe sempre com acompanhamento da Rosa Nacarato, nossa psicóloga. 

SBT: Você se inspira no modelo de direção da versão mexicana ou realiza uma proposta inédita? 

Ricardo: Tenho muito respeito pelo trabalho realizado pelo Nicandro Diaz, diretor da versão mexicana.
Estivemos juntos algumas vezes e trocamos ideias e referências. A proposta da adaptação é mais
ampla. Iris e Leonor incluíram outros núcleos de personagens e tramas paralelas. Cada núcleo
tem uma cadencia e linguagem específica. É sutil, mas o olhar da direção ajuda a contar mais
sobre cada personagem e as diferenças entre eles.
A pequena Lorena Queiroz possui apenas 5 anos e está protagonizando sua primeira
novela. 

foto: Lourival Ribeiro

As freiras e as noviças
de ‘Carinha de Anjo’
SBT: Qual é o desfio de conduzir os trabalhos com uma atriz tão jovem? 

Ricardo: Esse é o maior desafio dessa novela. Precisamos respeitar seus limites e ao mesmo explorar o
que ela tem de melhor: a espontaneidade. Agora que a Lorena está super adaptada, se revelou
uma atriz criativa e que tem sempre uma frase ou ação para agregar nas cenas. Isso é mágico e
contagiante. Quando um “caco” ou uma reação espontânea dela se encaixa na sequência, olho
pra equipe no set e estão todos paralisados com sorriso no rosto. E ela faz isso de forma
orgânica, pois se relaciona muito bem com todos e com o próprio personagem. Só cabe a direção
estimular e lapidar esse talento. 

SBT: Carinha de Anjo será uma novela musical como suas antecessoras? Haverá videoclipes? 

Ricardo: Sem dúvida. Os videoclipes estão no DNA das nossas novelas e as crianças de todas as idades
se habituaram a eles. Aliás, uma das formas de contar a história de “Carinha” é com os ouvidos.
Há cinco núcleos musicais e todos terão videoclipes: Zeca e seu sertanejo de raiz, Juju e seu pop
adolescente, as freiras e seu coral no melhor estilo “Mudança de Hábito”, o coral das crianças
com clássicos infantis e os temas lúdicos de Teresa, interpretados pela Lucero.
A estrela internacional Lucero faz parte de Carinha de Anjo. 

SBT: Como está sendo dirigir a atriz
mexicana? Existe diferença entre dirigir uma atriz mexicana e uma brasileira? Como a
novela resolveu a questão do idioma? 

Ricardo: Um privilégio. Lucero é uma pessoa iluminada. De cara virou uma espécie da madrinha do elenco
e equipe. É doce, ativa, atenta a direção e tem energia de criança. Por isso foi imediata a química
entre ela e Lorena. Na novela sua personagem Teresa nasceu no México mas veio ainda menina
para o Brasil com os pais trabalhar na lavoura. Isso justifica o sotaque, mas de tão aplicada já
está dando aula de português!
A novela lançou nas redes sociais, antes mesmo de estrear na TV, o Vlog da Juju (da
personagem de Maisa Silva), que já possui mais de um milhão de visualizações (somente
no Youtube). 

SBT: Como essa novidade impacta na novela? Como essa relação de
multiplataforma envolvendo um personagem influencia na direção? 

Ricardo: Encarei esse personagem da Juju como uma oportunidade assim que recebi o primeiro capítulo.
Me perguntava: por que a novela não pode continuar em outras plataformas depois de sair do ar? 
A Maisa é um fenômeno na internet e tínhamos que aproveitar mais esse talento dela. O resultado
tem sido fantástico. Nos números de views, na permanência (fidelidade) e na entrega da própria
Maisa em cena. 

SBT: Após o trabalho do SBT com tantas crianças, como em Carrossel, Chiquititas e Cúmplices
de Um Resgate, o que se pode esperar da turminha de Carinha de Anjo? 

Ricardo: Uma vontade de ser criança pra sempre, redescobrir valores, estar perto das nossas famílias e de
quem amamos. Carinha tem crianças de uma faixa etária inferior a carrossel, mas isso não torna
a trama mais infantil. É uma história clássica de um pai aprendendo a educar uma filha após um
longo período de ausência. 

foto: Lourival Ribeiro

Maisa Silva como a Juju no 
cenário de ‘Carinha de Anjo’
SBT: Essa novela possui mais cenas externas do que as demais? É um desafio dirigir essas
cenas? 

Ricardo: As externas são sempre mais complexas por conta dos deslocamentos, logística, condições
meteorológicas e até da posição do sol. Tivemos a sorte de encontrar a locação ideal para o
coração da trama em Itatiba (interior de São Paulo), que fica próxima ao SBT. É uma fazenda
linda que nos recebeu muito bem e trouxe brilho e beleza para “Carinha de Anjo”. 

SBT: Você traz algum elemento novo, como tecnologia 4K ou alguma outra ferramenta que valha
a pena destacar no release? 

Ricardo: Usamos algumas imagens de drone com captação 4K para localizar a cidade de Doce Horizonte,
inspirada em um município de 500 mil habitantes do interior paulista. As cenas dos sonhos de
Dulce Maria e sua mãe Teresa também mereceram um tratamento especial na luz, cenografia e
pós produção com efeitos especiais. 

SBT: Como funciona a rotina de gravação do novo elenco? 

Ricardo: Todos recebem com antecedência de uma semana o roteiro de gravação com horários, esquema
de transporte, quantidade, resumo e ordem das cenas que serão gravadas em estúdio ou externa.
Assim conseguem se planejar e administrar seu tempo livre. 

SBT: Qual a mensagem que Carinha de Anjo pretende passar ao público? 

Ricardo: Se pudesse resumir em uma só palavra diria: Ternura. Trata-se de um triângulo amoroso que tem
como centro uma menina de 5 anos que está descobrindo o que é o amor de um pai. Uma novela
bem equilibrada no melodrama, humor e ação. Para assistir em família e se divertir sem passar
por qualquer constrangimento. 

SBT: Quais foram os recursos utilizados para adaptar a novela para os dias atuais? Serão
presentes os recursos tecnológicos? Se sim, quais? 

Ricardo: Adaptar para os dias atuais não significa apenas introduzir celulares e outros gadgets. Significa
também resgatar valores familiares, brincadeiras do tempo da vovó e uma boa dose de magia.
Para a sequência dos sonhos utilizamos recursos de computação gráfica para torná-los ainda
mais lúdicos, mas de uma maneira geral a história deve prevalecer sobre a forma. O núcleo da
Juju é chamado “família conectada” e aí sim veremos um desfile de câmeras, celulares e um
pouco mais de ousadia na linguagem em função da narrativa. 

SBT: A novela Carinha de Anjo terá ainda mais cenas externas? Por qual motivo foi escolhido
locações ao invés de construir uma cidade cenográfica? 

Ricardo: Como a cidade cenográfica estava servindo “Cúmplices de Um Resgate” optamos por iniciar as
externas por locações. Agora a cidade está passando por uma reforma para se transformar na
fictícia Doce Horizonte.
A cidade cenográfica está sendo construída. Ela entra em qual contexto na novela? Qual o
núcleo que usará ela?
A cidade cenográfica será um bairro da Doce Horizonte. Lá encontraremos a praça, a delegacia e
o comércio. Na praça ficará o food truck do Vitor, um chef amigo de Gustavo que muda-se para a
cidade de Doce Horizonte, onde se apaixona pela Tia Perucas. Diversão, fofoca, emoção,
conflitos e comida boa não vão faltar nesse novo ponto de encontro da cidade.



Maisa convida para
assistir ‘Carinha de Anjo’





Leia as Entrevistas
do TVaBordo


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