Matheus Fagundes: “Eu não sou do ator que fala, odiei. Eu assisto, e tenho a consciência de que todas as cenas que fiz sempre têm alguma coisa que eu possa melhorar.”

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entrevista
Matheus Fagundes
foto: Laércio Luz

por Warlen Pontes
warlenpontes@hotmail.com

Antes de começar a fazer as perguntas para o Matheus Fagundes, nosso entrevistado de hoje, fiz uma observação que foi uma grata surpresa para ele: Matheus celebra a data do seu aniversário de nascimento, no mesmo dia que a saudosa Dercy Gonçalves: “Nossa! Que coincidência! Não sabia! Espero que a minha estrela brilhe tanto quanto ou mais que a dela! Que esta data (que já é especial) traga muitas coisas boas! Legal, muito obrigado pela informação!”.

Após essa feliz notícia, o ator paulistano Matheus Fagundes conversou – por telefone – sobre a ‘carreira’ meteórica no futebol, o prêmio conquistado pelo longa ‘Ausência’, de Chico Teixeira e, é claro, sobre o Edu, personagem que dá vida em ‘A Lei do Amor’, novela de Maria Adelaide Amaral e Vicente Villari, às 21h, na Globo.

Com vocês, Matheus Fagundes.

TVaBordo – Antes de se tornar ator, você jogou futebol. Como foi a sua trajetória nos campos de futebol, e em que posição jogava?
Matheus – Desde pequeno eu tive um sonho (esse sonho já passou), mas todo menino tem o sonho de ser jogador de futebol (pelo menos a maioria). É uma coisa até cultural; e comigo não foi diferente, eu também tive esse sonho. Meu pai sempre me influenciou, sempre me levou a fazer testes. Não cheguei a jogar em nenhum clube de fato, mas joguei em centros de treinamentos. Em 2012, fui para a Itália jogar bola com um grupo de amigos. Passei 15 dias. Eu jogava de lateral esquerdo, como eu sou canhoto, jogava como meia-esquerdo.

TVaBordo – O seu time ganhou?
Matheus – Não! Foi um campeonato com 32 times e nós ficamos em 16º; tá bom, ? Mas eram times muito profissionais. Nós estávamos jogando com times como o Nápoli, o Atalanta… para um grupo que treinava no Brasil, e foi disposto a ver o que era, tá bom! Dentro das circunstâncias, e das condições, tá ótimo!

TVaBordo – E por que você acha que não deu certo no futebol?
Matheus –  Eu não vejo assim, que não deu certo. Eu acabei optando pela carreira de
ator, então, em um determinado momento, eu acabei largando o futebol. De 14 para 15 anos, eu decidi que eu não ia mais jogar bola. 
Pode ser que, se eu tivesse
continuado, talvez eu já estaria em algum clube, não sei também. Não que não
deu certo, eu não dei uma sequência. Agora, na carreira de ator, eu
 investi, fiz
cursos, etc. O futebol não acabou rolando e passou
 a ser um hobby, não um sonho,
uma profissão.
TVaBordo – Em uma entrevista, você
comentou que existem mais oportunidades no meio artístico do que no futebol; você acha que no futebol, o talento não está acima de tudo? Ou é preciso ter um
pouco de sorte também para realizar o sonho de ser um grande jogador?
Matheus – Eu acho que sorte a gente precisa pra
tudo na vida. Tanto na carreira de ator, quanto no futebol. Mas eu acho – para ser bem sincero – no futebol tem uma máfia. Existem grandes talentos espalhados pelo
Brasil. Meninos que talvez fossem trabalhados – virassem jogadores brilhantes
pela Europa, mas faltam melhores oportunidades. A concorrência é muito grande,
então, não tem como ver todos os que jogam bola no Brasil. Não acho que ser
jogador de futebol, não é mais difícil do que ser ator, e vice versa, eu acho
que futebol é um meio mais fechado. Tem que ter sorte, tem que ter alguém pra
te ajudar.

TVaBordo – Mas na televisão também…
Matheus –  Ter alguém pra te ajudar? (Sim) Não acho
isso. Eu não tive ninguém. Eu estudei, me aprimorei. Fui fazendo meus
trabalhos. Graças a Deus fiz bons trabalhos. As pessoas foram conhecendo o meu trabalho. Surgiu uma oportunidade e, graças a Deus, deu certo. 
Claro, tive sorte também,
competência. Mas não tem uma coisa só que define, são vários fatores. É um
conjunto de várias coisas, entende?

foto: reprodução

Matheus Fagundes como o Serginho
 em sequência de ‘Ausência’
com Irandhir Santos
TVaBordo – A sua estreia no cinema foi
no longa ‘Ausência’…
Matheus – Eu já tinha feito umas participações em três curtas-metragens, mas o ‘Ausência’ foi um divisor de águas na minha carreira. Eu sou muito grato ao Chico Teixeira (diretor) por este personagem, por este filme. Foi um projeto maravilhoso, o qual eu tive o privilégio de ser o protagonista. A partir de ‘Ausência’ as pessoas ficaram conhecendo o meu trabalho como ator. 

Assista trailer
de AUSÊNCIA
TVaBordo – E qual foi o maior desafio em ‘Ausência’? 
Matheus – O maior desafio foi ser o protagonista. Me senti muito privilegiado.

TVaBordo – Teve medo de, em algum momento, não corresponder? 
Matheus – Não. Não tive medo, pelo contrário, eu fiquei feliz pela oportunidade. É desafiador você protagonizar um filme, porque, de todas as diárias, no set de gravação, eu só não estive em uma. Eu estou no filme do começo ao fim. O que faz um filme ficar bom ou ruim, não é uma cena ou outra, é a obra inteira. Todas as cenas. Então, você precisa estar bem em todas as cenas. Isso é muito desafiador. Sempre exige muita entrega, muita vontade, muita dedicação, muito querer, e eu estava disposto. Eu tinha muita coisa para dar em ‘Ausência’. Eu estava com muito tesão para fazer, muita entrega, muito apaixonado.

TVaBordo – E cinema é isso, você não grava na sequência, você grava uma cena do fim, outra do início, tem que estar 100% e pronto sempre…
Matheus – É. Você tem que estar 100% pronto o tempo inteiro. E, graças a Deus, deu tudo certo. E fiquei muito feliz com o resultado. 

“Eu acho que sorte a gente 
precisa pra tudo na vida.
 Tanto na carreira de ator, 
quanto no futebol. Mas eu 
acho – para ser bem sincero – no 
futebol tem uma máfia.”
TVaBordo – E você ainda conquistou o prêmio ‘Redentor 2014’ de Melhor Ator no Festival do Rio. Você acha que um prêmio – logo no início de carreira – estimula ou o coloca em uma situação de conforto em relação a novas personagens?
Matheus – Não me coloca em uma situação de
conforto, me estimula. Um prêmio é muito bom! Ter o seu trabalho reconhecido. Você ser premiado pelo seu trabalho é um sonho incrível! Eu tive o privilégio
de ter essa sensação aos 17 anos de idade. Para mim é uma novidade, e fiquei
muito feliz, lógico, estimula e mostra que você está no caminho certo. Um
prêmio não é garantia de nada, é o reconhecimento de um trabalho. É furada quem
acha que ganhou o prêmio e vai estar num lugar confortável. Pelo contrário,
você ganhou um prêmio, e a partir desse prêmio, sigamos. O prêmio foi por
aquele trabalho. Qual é o próximo
trabalho? Vamos de novo. Sei lá, ser reconhecido de novo? Ou não? Não posso deixar de agradecer ao Chico Teixeira (diretor), ao Irandhir e a toda equipe de ‘Ausência’.


foto: reprodução

TVaBordo – Parabéns por pensar assim. Vamos falar de ‘A Lei do Amor’? Como surgiu o Edu na sua vida?
Matheus – Fiz um teste em São Paulo com a
produtora de elenco, e depois do teste eu mandei o link de ‘Ausência’, do ‘Felizes Para Sempre?’, minissérie do Fernando Meirelles e, graças a
Deus, as coisas acabaram acontecendo.
TVaBordo – Se a gente colocar
o Edu e o Matheus, um ao lado do outro, quais são as diferenças e as
semelhanças entre os dois?
MatheusA maturidade é uma das semelhanças. É difícil falar isso, mas eu me acho uma pessoa madura. As pessoas que me
conhecem falam, nossa você tem 19 anos e tem uma cabeça tão boa! A outra é a
presença. O Edu é muito presente, muito atento, é um menino simples, eu também sou uma
pessoa simples. Diferenças? Eu sinceramente não consigo ver diferenças,
porque o Edu sou eu, e eu sou o Edu.
TVaBordo – Este é o
seu segundo trabalho na TV, o primeiro foi na minissérie ‘Felizes para Sempre?’…
MatheusNa TV aberta, mas, antes, eu fiz uma série para HBO chamada ‘O Homem da Sua Vida’. São 13 episódios, e estou em cinco. É uma participação. Eu faço o melhor amigo do filho do protagonista. A série vai ao ar no ano que vem.

foto: GShow

Matheus Fagundes em cena
de ‘A Lei do Amor’ com
Reynaldo Gianecchini, Vera Holtz
e José Mayer
TVaBordo – E agora em ‘A Lei do Amor’ você está no principal horário de novelas da Globo, trabalhando ao lado de nomes consagrados como Vera Holtz, José Mayer, Reynaldo Gianecchini. Como tem encarado o desafio e, em algum momento, deu aquele ‘friozinho’ na barriga de estar ao lado desses atores, ou já se acostumou?
Matheus – Eu não tenho esse frio na barriga de
contracenar com essas pessoas; eu me sinto muito privilegiado de estar ali.
Trabalhando com pessoas que eu admiro, que vi na televisão, desde que eu nasci. Eu
sou muito feliz por isso. O frio na barriga eu tive antes da novela entrar no
ar. Eu fiquei ansioso, até com receio. Queria ver o trabalho, até pra ter uma noção, mas
depois que foi pro ar, não tive mais frio na barriga. Existe a ansiedade e a
expectativa de sempre querer ver a cena que você faz, agora, ter essa
pressão de estar ao lado deles, não, isso é super normal. Não me acostumei, mas
eu acho legal. Acho que para mim é uma experiência muito boa de estar ali com
eles.

TVaBordo – Você assiste ‘A Lei do Amor’ todos os dias?
Matheus – Sempre que posso, assisto, mas as minhas cenas, assisto a todas.

TVaBordo – Mas você arquiva em algum lugar, em alguma pasta do computador?
Matheus – Não, isso eu não faço, eu tenho até que fazer, mas não faço. Eu só assisto à novela, e depois revejo no Globo Play as minhas cenas.

foto: GShow

Matheus Fagundes (Edu) com
Isabella Santoni (Letícia) 
em ‘A Lei do Amor’,
TV Globo, 2016/2017.
TVaBordo – E você é muito crítico com você mesmo? Você é daqueles atores que assistem às suas cenas e diz: “poxa, eu poderia ter feito melhor!”, eu converso com alguns atores, e eles se cobram muito. A cena ficou maravilhosa, mas nunca ficam satisfeitos, por exemplo, dizem que uma palavra não ficou legal, o tom de voz naquela frase não ficou legal…
Matheus – Eu não sou do ator que fala, odiei.
Eu assisto, e tenho a consciência de que todas as cenas que fiz sempre têm
alguma coisa que eu possa melhorar. Nunca eu vi uma cena e falei: ‘Nossa, essa
cena tá perfeita, não vou mexer em nada!’ Sempre acho que tem onde melhorar. Mas
não sofro para ver a novela. Como é uma obra aberta, posso melhorar no dia
seguinte. Eu vi, não gostei disso, e no dia seguinte, vou trabalhar para
melhorar aquilo que eu não gostei. Eu assisto analisando, para ver o que eu
posso melhorar. Entende?

TVaBordo – Muito bacana. E agora, Fagundes, faça um convite para a galera assistir à novela ‘A Lei do Amor’:
Matheus – E aí, galera, tudo bem? Espero que
vocês estejam assistindo ‘A LEI DO AMOR’. E se não estiverem acompanhando a
novela, espero que comecem a acompanhar o mais rápido possível. muito legal,
tem histórias muito interessantes. Eu amando fazer parte deste elenco,
contando essa história pra vocês! O Edu está passando por um momento meio
difícil. Essas próximas semanas serão bem complicadas
pra ele! O que eu posso adiantar é que ele vai ser feliz ao lado de uma menina. Ele vai começar a descobrir um pouco mais a vida e a desfrutar de outros
prazeres… começar a transitar em outros núcleos na novela. Não perca os
próximos capítulos. É isso aí. Um beijo.

A seguir, vamos conhecer um pouco mais do Matheus Fagundes no bate-bola, Jogo Rápido:


foto: Laércio Luz

Jogo Rápido
Estado civil
Solteiro


Apelido de infância
Astronauta.


(risos) Por quê?
Porque eu tinha os cabelos
muito grandes, e a minha mãe
apelidou assim. Eu era muito
‘bulinado’. O bullying vinha da família


TVaBordo
Acho que o pior bullying é o da família.


Matheus
É, mas tudo bem. Eu superei.

Um ator que lhe
inspira
Rodrigo Santoro. Eu gosto muito da 
carreira dele.

Uma atriz que lhe
inspira
Fernanda Montenegro.

Um cantor que gosta
de ouvir
Raul Seixas.

Na TV assisto
‘A Lei do Amor’, só tenho tempo 
para assistir a novela.

E o que não assiste
na TV de 

jeito nenhum
Programa sem conteúdo.

Filme que mais
assistiu
‘A Teoria de Tudo’, direção James Marsh.

Uma canção marcante
Minha mãe fez uma retrospectiva 
quando eu era criança, 
e colocou aquela música:

‘você é assim,
um sonho pra mim, e quando…”, 
e todas
as vezes 
que eu via
a retrospectiva no DVD, 
chorava por causa da música.



Um livro marcante
‘A Construção da Personagem’,
de Constantin Stanislavski.

Personagem do cinema
que

gostaria de interpretar
Dr. Hannibal Lecter de
 ‘O Silêncio
dos Inocentes’

Pesado, hein?
Toparia fazer?
Fácil.

Cinema, teatro ou
TV, por quê?
Cinema, porque foi onde eu comecei e
eu sou apaixonado pela sétima arte.

Qualidade
Uma pessoa de muita fé.

Defeito
Impaciente.

Time do coração
Santos! Seremos campeões!
Pode anotar aí, Matheus Fagundes
bate o martelo e diz que o Santos
Futebol Clube será campeão!

Ídolos do futebol
Cristiano Ronaldo.
É um cara que eu sou doido
pra conhecer. Admiro muito 
pela
determinação, p
ela vontade 

de ser o melhor sempre.
Admiro também muito o
seu profissionalismo.

Mulher ideal
Eu não tenho um perfil, mas 
eu gosto de morena, mas uma
coisa que a mulher tem 
que ter é humildade e simpatia.

Religião
Cristão evangélico, 
mas não sou
radical, 

sou super aberto.

Um ditado, uma frase
ou

 um verso que marcou
 a sua adolescência
‘O céu é o limite’.

Tenho saudades do
Meu pai.

Matheus é um cara
De muita fé.

Mensagem aos fãs
Quero agradecer a todas 
as pessoas
que acompanham
a minha carreira.
Quero agradecer o carinho 
de todo
mundo.
Um beijo enorme para
todos vocês.

Obrigado pelo carinho, 
pelo
reconhecimento e pela força!



#MatheusFagundesNoTVaBordo



Entrevista em parceria
com a Assessora

Leia as Entrevistas
do TV a Bordo
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