Mariana Godoy recebe ex-governador Anthony Garotinho

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Mariana Godoy Entrevista ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho
foto Divulgação RedeTV 
A jornalista Mariana Godoy
recebe também o cantor Beto Barbosa
O programa ‘Mariana Godoy Entrevista’ desta sexta-feira (31) recebeu o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho. O político, que foi preso pela Polícia Federal em 16 de novembro de 2016, chegou a ser levado para Bangu, mas pagou fiança de R$ 88.000,00 e teve a prisão anulada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por seis votos a um. Mariana Godoy conversou, também, com o cantor Beto Barbosa.
Comunicador, Garotinho voltou a trabalhar como radialista na Super Rádio Tupi há cerca de duas semanas e falou sobre essa retomada na carreira: “Ainda não tive o primeiro Ibope, mas a resposta do público é muito boa. Eu faço rádio desde os 17 anos”. Foi justamente trabalhando em rádio que o ex-governador do Rio de Janeiro ganhou o apelido de “Garotinho” e ele contou como foi que isso aconteceu ao expor de forma breve o início de sua trajetória.
Sérgio Cabral
Anthony Garotinho falou sobre as denúncias envolvendo Cabral: “A partir de 2007, foi mostrado as relações dele com um grupo que levou o estado do Rio a essa situação nunca vivida. Os inativos do estado ainda não receberam o 13º salário do ano passado”. Ao ser questionado sobre quando o Rio começou a ‘quebrar’, ele enfatizou: “Começou a quebrar quando eles começaram a saquear o estado. Tudo era negócio. Era comissão em propaganda, era comissão em obra, era comissão em serviço, tudo foi montado um esquema superfaturado. Para você ter ideia, na obra do Maracanã, o superfaturamento é calculado em R$ 400 milhões. A obra do metrô da linha quatro, os cariocas estão nos assistindo, é R$ 2,4 bilhões o preço acima”. Garotinho calculou: “Esse grupo liderado pelo Cabral, mas composto por ele, pelo presidente da Assembleia Legislativa, esse grupo tirou em dez anos dos cofres do estado U$ 3 bilhões”.
Garotinho também foi preso e ao ser confrontado com Cabral e Adriana Ancelmo se defendeu: “O meu caso é completamente diferente. A acusação que tem contra mim é que eu dei um cheque-cidadão, que é uma espécie de bolsa-família, para pessoas pobres”. Sobre as acusações de que teria tentado comprar votos, ele garantiu: “A acusação é tão esdrúxula que primeiro eu não era candidato, segundo, o processo eu estou proibido de falar sobre ele. Sou o único caso do país que não posso falar sobre o meu processo. A coisa é tão escabrosa que não posso falar”.
foto: Divulgação +RedeTv! 
 
Anthony Garotinho

 

20 horas preso
Anthony Garotinho ficou 20 horas preso na penitenciária de Bangu e falou sobre a situação: “Eu estava absolutamente tranquilo, porque eu sabia que aquilo tudo era uma cortina de fumaça para esconder algo que não tem nada a ver com isso aqui. Quando terminar tudo e eu puder falar você vai saber quem é que está por trás disso, aliás, talvez eu nem precise falar”. O político disse ter ouvido que Sérgio Cabral delatará muito juízes, membros do Ministério Público e desembargadores. Garotinho citou uma lista de bens supostamente obtidos por Cabral de forma ilegal e questionou se isso seria possível sem quem ninguém do Poder Judiciário ou do Ministério Público soubesse. “Ninguém sabia nada, só eu que sabia? Eu estou denunciando isso desde 2007”, enfatizou.

 

O político falou sobre suas relações com Cabral: “Nunca tivemos a mesma origem. Eu estive com ele, mas a minha origem é do PDT, o Sérgio Cabral sempre foi um liberal”. Garotinho disser ter percebido na montagem da equipe de Cabral que não seria um governo continuidade, que segundo Garotinho, não daria prosseguimento ao crescimento do Rio de Janeiro. O ex-governador do Rio, então, citou algumas de suas realizações, como o cheque-cidadão e os restaurantes populares que, segundo ele, depois foram “copiados” por todo o Brasil. Ele disse que doeu ver os restaurantes populares serem fechados e se envaideceu: “Até aqui em São Paulo eles deram o nome de Bom Prato, copiaram lá do Rio. Todos os governadores copiaram, cada um deu um nome”.

 

Política brasileira
Sobre o momento atual da política brasileira ele criticou: “O Brasil hoje está vivendo um momento muito triste”. Garotinho prosseguiu: “É muito triste ver uma empresa como a Petrobras quebrada como está. O Brasil gastar 50% do que arrecada para pagar juros a bancos e não tem dinheiro para a saúde, as pessoas morrendo nos hospitais”.

 

Ao ser confrontado com uma informação de Mauro Tagliaferri, sobre os recorrentes casos de denúncias de corrupção que pesam sobre os governadores do Rio de Janeiro desde a redemocratização do país, Garotinho observou: “O Brizola foi o que mais teve problema com a Justiça, teve até uma intervenção militar. Ter problemas com a Justiça todos os homens públicos têm”. Ele, então, citou seu caso específico para falar que nem toda acusação é sobre corrupção: “Não estou sendo acusado de roubar”.

 

“A causa principal da falência do Rio de Janeiro hoje é que houve um governo que se instalou sem projeto, apenas para saquear o estado. É corrupção em todos os setores do estado. não há um setor da administração Sergio Cabral que não esteja permeado em lama”, acusou o ex-governador.

 

Garotinho discordou de um twitteiro, que afirmou que o governo do Rio começou a afundar com a securitização dos royalties do petróleo, supostamente ocorrida durante seu governo: “Pelo contrário, foi no meu governo que criei um fundo de previdência com títulos lastreados em royalties do petróleo, que garantia o pagamento de aposentados e pensionistas até o ano de 2029, aí o que aconteceu, o Sérgio Cabral começou a pegar aqueles títulos futuros e vender a valor presente, com um deságio que às vezes chegava a 70%, aí quebrou o estado”.
As críticas de Garotinho ao pagamento de juros de dívidas pelo governo motivou a pergunta de um internauta, que questionou se ele propunha um calote nestes casos, mas o político refutou tal hipótese: “Não, é alongar o perfil da dívida e diminuir os juros”.

 

Dossiê
Anthony Garotinho negou a uma internauta que tenha se reunido com o ex-chefe de polícia de seu governo Álvaro Lins para encomendar um dossiê que comprometeria delegados, juízes, desembargadores e promotores: “Eu não estou proibido de me reunir com Álvaro Lins”. Ele foi além: “Ele não fez nenhum dossiê, não existe isso”. Garotinho explicou: “Eu tenho um dossiê, que não é dossiê. Eu acho muito feio fazer dossiê, eu fiz uma notícia-crime, eu protocolei no Ministério Público Federal, é público e por causa dessa denúncia quanta coisa está acontecendo”.

 

Ao ser questionado se Adriana Ancelmo, Eduardo Cunha e Sérgio Cabral terão dinheiro para gastar quando saírem da cadeia, Garotinho disse não ter condições de responder: “Depende de como a Justiça agir”. Ele alertou: “Voltou só uma parte do dinheiro”.
Governo Michel Temer
Anthony Garotinho foi direto ao avaliar o governo do presidente Michel Temer: “Um desastre. Eu pergunto, se o Temer fosse candidato a presidente da República e dissesse ‘meus amigos, minhas amigas, eu quero seu voto para botar você 49 anos contribuindo para a Previdência e só depois de 49 anos pagando a Previdência e 65 anos você vai se aposentar’. Ele iria ter votos? Ou então, se ele dissesse ‘olha, eu vou instituir o salário hora no Brasil, não vai ter mais salário mínimo, você vai ganhar por hora e ganhando por hora eu vou mudar a Legislação, vai prevalecer o negociado sobre o legislado, não vai valer mais a Lei, acaba a CLT, então não vai ter 13º, não vai ter Fundo de Garantia’ ele iria ter voto? Você não acha que uma mudança tão profunda assim deveria ser feita por alguém legitimado pelo povo?”
Lula
Garotinho criticou o ex-presidente Lula: “Eu tinha muita esperança quando Lula veio e o que que ele fez, ele instituiu a bolsa-família para o pobre, mas não acabou com a bolsa-banqueiro, esse juro vergonhoso que é pago. Isso não tem cabimento. Isso vai levar o Brasil ao fundo do poço, à miséria”.
Chapa Dilma-Temer
Mauro Tagliaferri afirmou que Garotinho teria dito ao presidente Temer, antes do impeachment, a seguinte frase: “Primeiro vai cair a Dilma, depois vai cair o Eduardo Cunha e depois vai cair o senhor”. O ex governador do Rio de Janeiro confirmou, mas fez uma ressalva: “Eu diria a você o seguinte, se fosse tudo certinho ele ia cair. O que eu acho que vai acontecer, a crise está tão dramática no Brasil que o voto do relator vai ser para cassar [a chapa Dilma-Temer]. O ministro Herman Benjamin vai pedir a cassação da chapa, mas o que eu ouvi dizer é que vai haver um pedido de vista e que esse pedido de vista vai até o fim do governo”.
João Doria e Jair Bolsonaro
Para o ex-governador do Rio de Janeiro falta ao Brasil um “projeto de nação”. “Nós, enquanto povo, sabemos onde nós queremos chegar?” Ele ainda analisou nomes que despontam para as eleições de 2018, como João Doria e Jair Bolsonaro. Ao falar do último, Garotinho lembrou dos anos terríveis que vitimaram muitos brasileiros na Ditadura Militar.
Para encerrar sua participação no programa, o ex-governador disse que a crise do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro deve chegar ao Judiciário: “Não tem como não chegar. É impossível não chegar. Como isso tudo aconteceu? Será que só eu que estava vendo? Eu e uma meia dúzia de pessoas? Ninguém estava vendo? Vamos fazer aqui uma mea-culpa, de todo mundo. A mídia do Rio também não viu nada”.
 
foto: Divulgação +RedeTv! 
 
Cantor Beto Barbosa
no ‘Mariana Godoy Entrevista’
 
Beto Barbosa também foi entrevistado por Mariana Godoy, que contou ter dançado lambada com o cantor no final da década de 1980. O artista divertiu-se ao relembra este fato: “Chegou no palco do Beto Barbosa tem que dançar”.

 

Beto Barbosa falou sobre o auge da lambada e sobre seu declínio, mas apontou uma transformação no ritmo: “Na verdade ela foi mudando de nome, veio o zouk, veio esse forró estilizado”. O cantor falou da massificação do estilo quase 30 anos atrás e relembrou o escândalo que causou na sociedade pelo jeito provocante e sensual de se dançar: “Inclusive a Igreja Católica protestou falando que era a dança do demônio, a dança proibida, porque era muito forte e você vê que naquele tempo era uma coisa pura, inocente”.
Ao comparar a lambada com ritmos atuais, Beto Barbosa observou: “Hoje a lambada é santa, perto do que está acontecendo hoje, é uma religião. O pessoal hoje sente saudade da lambada em termos de inocência”.

 

Preta
O cantor relembrou um de seus maiores sucessos, Preta. “É uma música que acompanhou o tempo, porque é uma letra ainda atual, é uma letra de carinho”, comentou antes de cantar “Acelera”. Depois de se apresentar acompanhado de um violonista, ele observou: “Eu fiz essa música em 2011, 2010 e agora que estou trabalhando com ela para cá, para o sul”.

 

Beto Barbosa falou sobre a infância em Belém e sobre o “pique” que apresenta aos 62 anos. Para ele, os hábitos paraenses podem ter ajudado: “Pela região que eu nasci, eu tomava muito açaí puro, muitas comidas do Pará, muita castanha.” Ele também apontou a cultura indígena como possível responsável por essa vitalidade.

 

Saudades da mãe e da filha
O artista também falou sobre saudade: “Para ser sincero, esses últimos dias eu estou sentindo muita falta da minha mãe, que não tenho mais, da minha filha. Você começa a chegar a uma certa idade e começa a buscar o seu mundo lá atrás, você lutou tanto para chegar onde eu cheguei, para estar no sucesso, então eu sinto muita falta delas”. O cantor falou sobre a morte da filha e explicou como ela acabou morrendo em decorrência de uma infecção.
Ao falar sobre como lida com essas perdas, ele observou: “Foram dois lances bem fortes na minha vida”. Ele prosseguiu: “O que fica na cabeça da gente? Que a gente não é nada, realmente, e que devia ter aproveitado mais a minha mãe, ficado mais tempo lá”Depois da tristeza, o cantor encerra o programa com o sucesso “Adocica”.
 
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