‘Exclusivo’: Mariana Godoy conversa com Deltan Dallagnol, procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato

0

foto: Divulgação +RedeTv! 

Entrevista foi gravada em Curitiba
e exibida nesta sexta (6/5)

Há poucas horas, os jornalistas Mariana Godoy e Mauro Tagliaferri conversaram com o procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Dalton Dallagnol. A conversa foi exibida no programa ‘Mariana Godoy Entrevista’ e, a seguir, você confere, na íntegra, as principais declarações:

Sensação de que a Lava Jato está sob ataque:

“A Lava Jato parece, de fato, está sob ataque. Está acontecendo no Brasil o que aconteceu na Itália. Lá existe uma grande investigação chamada ‘Mãos Limpas’, que identificou a corrupção vinculada a pessoas poderosas, especialmente a diversos legisladores.”

Muitos dos investigados têm a lei nas mãos:

“É curioso que muitos dos investigados têm as leis nas mãos ou possuem grande influência sob o conteúdo da mesma. Vale lembrar que estamos falando sobre determinados parlamentares e líderes partidários. Chegamos a prender o ex-presidente da própria Câmara dos Deputados e isso gera uma tensão porque é natural a reação de autoproteção, é do instinto humano e as pessoas que possuem as leis em suas mãos acabam esvaziando a punição.”

José Dirceu:

“É provável que dentro de alguns meses o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que fica em Porto Alegre (RS), analise as sentenças que condenaram José Dirceu e confirmando essas sentenças, a tendência é que ele volte a ser recolhido para a prisão.”

Culpar o Supremo Tribunal Federal pela morosidade na resolução dos casos:

“Hoje temos uma democracia consolidada. No caso do Luiz Estevão, por exemplo, apenas quatro réus ofereceram mais de 80 recursos num caso. Um caso com mais de 80 recursos, isso sem contar o habeas corpus, não é julgável em qualquer lugar do mundo. É uma justiça feita para não funcionar. Por isso não dá para culpar o STF que julga quase 100 mil casos por ano e é por isso, também, que 97% dos casos de corrupção comprovada no Brasil acabam em impunidade.”

Fim do foro privilegiado:

“Nossa torcida é para que o que foro acabe por duas razões. Ele foi criado originalmente para preservar as funções públicas às quais dependem a estabilidade econômica e política do país. E de quantas funções públicas depende a estabilidade econômica do Brasil? Hoje, o foro [privilegiado] está estendido a mais de 140 mil pessoas. Eu tenho foro privilegiado e não deveria ter. Isso é violar a igualdade, um princípio básico republicano.”

As 10 medidas contra corrupção:

“Seria ingênuo acreditar que uma estrutura montada para gerar impunidade, para proteger pessoas poderosas, seria alterada para se tornar eficiente e punir os grandes responsáveis e os poderosos de uma hora para outra, sem muita perseverança e insistência da sociedade. Nós trabalhamos com as leis e elas geram impunidade. Não tem como o Congresso Nacional ou o legislador conhecer nosso processo diário para saber onde estão as falhas que geram essa impunidade. É natural numa democracia que a sociedade e diferentes órgãos públicos busquem contribuir com o Congresso e o aperfeiçoamento das leis.”

Corrupção política:

“Nosso sistema político hoje incentiva e gera crimes. O político sai da mesma sociedade de onde saem jornalistas e procuradores, por exemplo. Eles não vêm de Marte. Só que quando entram lá existe um sistema que é muito pernicioso. As campanhas eleitorais são caríssimas e o universo de candidatos é muito grande. Apenas nas ultimas eleições houve mais de 500 mil candidatos e eles concorrem dentro de um distrito que é o próprio estado. Quando você tem um número muito grande de pessoas competindo dentro de um mesmo local, para que a pessoa possa despontar nessa multidão, ela precisa gastar muito dinheiro. O presidente não governa sozinho, por exemplo. Ele precisa formar uma coalizão de políticos que apoiem ele e que passe no Congresso Nacional os projetos que ele encaminha. Já é dificil formar esta coalizão e se torna mais difícil ainda quando você tem 35 partidos políticos. Somos o país com maior índice de partidos políticos efetivos no mundo e isso gera um desgaste enorme no presidente, incentiva o troca-troca e, por vezes, a adoção de práticas ilícitas para formar a coalizão.”

Improbabilidade de políticos serem presos:

“O próprio José Dirceu praticou crimes durante todo o julgamento do Mensalão, segundo acusações e condenações feitas. Ele já está condenado a mais de 30 anos de prisão. E por que ele continuou? Porque ele não acreditou que um raio cairia duas vezes no mesmo lugar. Alguém que é condenado e vai para cadeia é considerado o azarado da rodada. Isso é muito improvável hoje.”

Partidarismo da Lava Jato:

“Desde 2004, 2005 dizemos que corrupção não é problema de partido A ou B. Desde então a gente se manifesta e afirma que mudança de governo não é meio caminho andado contra a corrupção. Essa crítica de que haja um suposto partidarismo da Lava Jato começou lá atrás, quando estávamos investigando a Petrobrás ainda. (…) Não é a Lava Jato que vai transformar o Brasil, é a sociedade.”
A investigação já alcançou denúncias criminais, e até mesmo prisões, em relação a pessoas do PMDB também. Por vezes há distorção devido a falta de conhecimento da realidade porque no STF, por exemplo, o partido mais acusado não é o Partido dos Trabalhadores (PT) e sim o Partido Progressista (PP). O PT aparece em segundo lugar, praticamente empatado com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em relação ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e os partidos que estavam na oposição, as acusações chegaram mais recentemente, especialmente com a colaboração da Odebrecht que foi feita por nós e justamente porque nós não escolhemos quem vamos investigar.”

Futuro da Lava Jato:

“Nós temos hoje um momento muito propício a transformação porque em pesquisas feitas recentemente, a população está apontando a corrupção como o principal problema do país e, em minha perspectiva, o povo está certo. Esse é o momento de mudar, ou muda agora ou não muda mais. Depois que passa o escândalo você perde a energia para promover as reformas e as coisas continuam iguais. A sociedade está se engajando. Além das manifestações de rua, vemos muita gente engajada nas redes sociais, organizações também e em 2018 o eleitor vai poder, por meio do voto, mostrar que ele se preocupa com a corrupção. O fim da lava jato é imprevisivel, a não ser que coloquem um fim nela.”
Assista na íntegra
O ‘Mariana Godoy Entrevista’ é exibido toda sexta, às 22h45, na RedeTV!

Curta


Siga



Comentários do Facebook

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here