Felipe de Carolis, Rodrigo Pandolfo, Marco Antonio Pâmio, Karen Coelho & Isaac Bernat estreiam espetáculo CÉUS

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Céus
foto Divulgação

Céus é dirigido por Aderbal Freire-Filho e idealizado por Felipe de Carolis, inaugurando o novo horário das sextas no Teatro Vivo (20h).

Texto de Wajdi Mouawad, autor do fenômeno Incêndios questiona o poder da arte diante do horror

A estreia de Céus marca o segundo encontro do diretor Aderbal Freire-Filho e do ator e produtor Felipe de Carolis com o teatro de Wajdi Mouawad. O primeiro encontro foi em Incêndios, a peça fenômeno com o maior número de prêmios da história do teatro Brasileiro – foram mais de vinte prêmios, e mais de 50 indicações só entre RJ e SP -, que rodou o país por três anos com absoluto êxito de público e crítica. E foi ainda durante os ensaios de Incêndios que Felipe decidiu que montaria Céus. “Houve um episódio específico que foi decisivo para eu bater o martelo e comprar os direitos da peça: estávamos ensaiando dentro do teatro Poeira, em 2013, quando o país ia às ruas para as manifestações que ficaram famosas pelo nome ‘não é por vinte centavos’. No intervalo do ensaio, vimos uma manchete que informava sobre a ameaça da intervenção militar naquelas manifestações. Nos olhos dos meus colegas de elenco eu vi o semblante de tristeza, dor e medo, uma mistura de indignação e angústia. Eu tive uma vontade enorme de ir para a rua, mas naturalmente não poderia abandonar o ensaio. Eu olhei pro Aderbal e disse “esta situação me lembra muito Céus, a última peça da tetralogia”.

No dia da estreia de Incêndios fui no ouvido do Aderbal e falei pra ele ‘Céus é nossa!’”, conta ele. E acrescenta: “Infelizmente o terrorismo cresce assustadoramente e a peça se torna mais e mais atual. Mas é muito importante prestar atenção neste autor fabuloso, na maneira como ele apresenta o tema principal da peça, expondo feridas como a descriminação religiosa, o preconceito com a possível inteligência jovem, a sensibilidade do homem moderno e a força da cultura nas gerações futuras”.

Então, ator e diretor se reuniram novamente para explorar a dramaturgia do autor que é um dos mais destacados nomes da cena contemporânea internacional. O espetáculo Céus estreou com grande sucesso em 2016 no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro e é ainda inédita no resto do país.

O Espetáculo

Isolados em uma espécie de bunker, as personagens precisam desvendar um iminente atentado terrorista. Especialistas no assunto, eles também são confrontados com o misterioso desaparecimento de um membro da equipe. Atravessado por temas de extrema atualidade, o texto de Mouawad caminha para uma profunda discussão sobre o Terror e o mundo contemporâneo.

A questão atual do terrorismo não é mais vista como um conflito entre Oriente e Ocidente. Na verdade, a peça caminha para uma discussão mais profunda, que vai muito além das divisões territoriais, muito além de questões religiosas”, analisa Aderbal, que aponta as muitas diferenças entre Céus (2009) e Incêndios (2003), que fazem parte de uma mesma tetralogia denominada ‘Sangue das Promessas’.

Céus

Para o diretor, Céus traz uma discussão sobre as revoltas e a insatisfação da juventude em um mundo que a castigou sempre. Após receberem uma civilização construída por interesses que não são seus, a juventude ainda vê guerras – motivadas por estes interesses – os destruírem, tanto no exército que os recruta como, indiretamente, nas rupturas de gerações. “É uma peça nova, no sentido de ter uma dramaturgia contemporânea, aberta, que dialoga com a poética ilimitada da cena. Estamos diante de um texto que reconhece o poder da cena ilimitada”,reflete Aderbal.

Além do conteúdo, as duas peças apresentam diferenças acentuadas também na forma. Enquanto Incêndios trazia a saga de uma personagem marcada por trágicos acontecimentos ao longo de décadas, Céus concentra a sua ação em um curto espaço de tempo e em um espaço definido.

Célula Francófona

Mouawad batiza o local em que as personagens se encontram de ‘célula francófona’, não especificando exatamente um país. Os espectadores apenas sabem que eles estão presos e que só poderão sair após finalizar a missão de desvendar o suposto atentado. É nesta tensão em que os conflitos individuais são apresentados e que a construção de todo o enigma da trama é desvendado.

Com a palavra, o diretor

“Talvez fique mais evidente uma dramaturgia nova quando ela explora as possibilidades infinitas do palco ao ousar na quebra de limites entre tempo e espaço, o que não acontece em Céus. As mudanças de tempo e espaço aqui são relativamente pequenas. Mas o teatro novo, a poética da cena ilimitada, o palco da imaginação não existe apenas por essas razões mais evidentes: ele está no modo de construir os personagens, de apresentar a trama, de desenvolver a narrativa, de combinar os diferentes recursos dramáticos e construir, enfim, uma nova póetica”, resume Aderbal.

Malu Valle: “Voltar a dizer um texto do Alcides, sem dúvida, tem um gosto especial.”

Para o espetáculo, o diretor recrutou parceiros de longa data para a ficha técnica, como o cenógrafo Fernando Mello da Costa e o iluminador Maneco Quinderé. Os figurinos são assinados por Antonio Medeiros e a trilha sonora é de Tato Taborda. Desta vez, ele faz uso de projeções impactantes (Estúdio Radiográfico) em cena. O espetáculo tem coprodução da Tema Eventos.

Com a palavra, Felipe de Carolis

Responsável pela obra do Wajdi no Brasil, Felipe de Carolis conta que “chegar até a agência detentora dos direitos do Wajdi foi um processo árduo. Todo dinheiro do meu trabalho ia para pagar os direitos de Incêndios. Era o risco da minha vida. O valor foi altíssimo. Wajdi é o jovem autor mais premiado no mundo. Hoje, recebe homenagens como ator, diretor, dramaturgo e autor em todos os continentes, mas o Brasil ainda não o conhecia. Eu sempre quis fazer tragédia. A linguagem épica, a interpretação que o trágico pede é de uma carpintaria da dor inatingível. Eu sempre quis passar por aí, investigar este lugar, beber nesta fonte. A possibilidade de trazer para o público brasileiro um grande autor trágico contemporâneo tão imbricado às suas raízes, e ao mesmo tempo tão universal, me fez querer colocar ele em cena. Aprender com Aderbal e Marieta, e todos os atores que convidei a dedo para as duas peças, com certeza, são fatores definitivos nesta história”, completa.

CÉUS

Teatro VIVO (274 lugares)

Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 (antigo 860) – Morumbi Informações: 3279.1520 e 97420.1520

Bilheteria: de terça a domingo, a partir das 14h. Aceita todos os cartões de crédito e débito. Acessibilidade: 6 lugares para cadeirantes, 2 lugares para mobilidade restrita e 2 cadeiras para obesos. Vallet: R$ 25. Facebook: facebook.com/vivoencena – Instagram: @vivoencena Vendas: http://www.ingressorapido.com.br e 4003.1212

Sexta às 20h | Sábado às 21h | Domingo às 18h

Ingressos:

Sexta R$ 50 | Sábado e Domingo R$ 60

Duração: 110 minutos

Recomendação: 14 anos

Apresentação para convidados: dia 27, segunda, às 21h

Estreia dia 27 de Outubro de 2017

Temporada: até 10 de Dezembro

Link para fotos: http://midia.morenteforte.com:555/sharing/gYHDDiOZF

Ficha Técnica:

De Wajdi Mouawad Direção Aderbal Freire-Filho

Com Felipe de Carolis, Rodrigo Pandolfo, Marco Antônio Pâmio,

Karen Coelho & Isaac Bernat

Diretor assistente Fernando Philbert Cenografia Fernando Mello da Costa Iluminação Maneco Quinderé Figurinos Antonio Medeiros Direção Musical Tato Taborda Vídeos e projeto gráfico Radiográfico Visagismo Erica Monteiro

Assessoria de imprensa: Morente Forte

Direção de produção Amanda Menezes Produção executiva Juliana Cabral Coordenação geral Maria Angela Menezes Produção Tema Eventos Culturais e E-MERGE

Sobre WAJDI MOUAWAD

Wajdi Mouawad nasceu no Líbano em 1968. Aos 10 anos, deixou seu país natal devastado pela guerra e partiu para Paris com a família. Em 1983, se mudou para o Canadá (Montreal). Em 1991, logo depois de se formar na Escola de Teatro Nacional, embarcou em uma carreira polivalente como ator, escritor, diretor e produtor. Em 1998, sua criação ‘Protágoras trancada no banheiro’ é votada como a melhor produção de Montreal pela Associação de Críticos de Teatro Quebec.

De 1990 a 1999, co-dirige a Companhia de Teatro Ô Speaker. Ao mesmo tempo, escreve ‘Litoral’, anterior a ‘Incêndios’, que unidas a outras duas peças formará a tetralogia denominada por ele como ‘Sangue das promessas’. O espetáculo ‘Litoral’ rendeu-lhe reconhecimento e dois importantes prêmios: Prêmio Literário Governor General’s Literary Award de melhor texto teatral em 2000 e o Chevalier de l’Ordre National des Arts et dês Lettres, na França, em 2002. ‘Céus’ (2009) é o último texto do projeto.

Nos últimos 15 anos, Wajdi Mouawad se estabeleceu como um original e singular encenador do teatro contemporâneo, aclamado por suas narrativas diretas e firmes, em encenações de estética precisa e potente. Em todos os seus trabalhos, peças de sua autoria (‘Tideline’, ‘Scorched’, ‘Forêts’, dentre outras) e adaptações (‘Viagem ao fim da noite’, de Céline; ‘D. Quixote’, de Cervantes), produções que dirigiu (‘Macbeth’, ‘As troianas’ e ‘As três irmãs’), dois romances (‘Visage retrouvé’ e ‘Anima’), Wajdi Mouawad expressa a convicção que a ‘arte se porta como testemunha da existência humana através do prisma da beleza’.

Suas peças foram traduzidas em mais de quinze idiomas e apresentadas em vários países, incluindo a Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Espanha, Japão, México, Austrália e Estados Unidos. ‘Incêndios’ foi adaptado para o cinema e dirigido pelo canadense Denis Villeneuve, tendo sido indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

 

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