Malu Valle: “Voltar a dizer um texto do Alcides, sem dúvida, tem um gosto especial.”

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Check-In com Malu Valle

Malu Valle
foto arquivo pessoal

Uma carreira marcada por belas personagens, mulheres frágeis, fortes, engraçadas, de fé. Assim Malu Valle comemora quase três décadas de uma trajetória bem sucedida no teatro, no cinema e na TV.

Hoje, celebra o sucesso mais uma vez na reapresentação de ‘Senhora do Destino’, no papel da Shirley e, em breve, estará nas telonas de todo o Brasil em ‘Avental Rosa’, longa do diretor Jayme Monjardim.

A gaúcha de Porto Alegre conversou com o portal TV a Bordo sobre as figuras vividas nos palcos brasileiros, nos entrechos da sétima arte e, é claro, sobre voltar a encenar um texto escrito por Alcides Nogueira, autor da trama das seis da Globo, ‘Tempo de Amar’.

Senhoras e senhoras, Malu Valle. 

Rodrigo Ferraz: O seriado “Valentins” (série brasileira produzida pela Zola Filmes em coprodução com canal por assinatura Gloob) é um sucesso! Como é fazer parte de um projeto produzido especialmente para a criançada? E como é a abordagem deles?
 
Malu Valle: É uma alegria fazer um trabalho para as crianças com tanta qualidade como é o “Valentins”. É a maior alegria ainda quando a personagem é escrita para nós. A Claudia Abreu escreveu a dona Márcia para mim! As crianças estão encantadas e os adultos também. E sabemos que o canal também está muito feliz com o desempenho do programa. E aguardem a segunda temporada! Na minha opinião é melhor ainda do que a primeira.
Entrevista Malu Valle
Malu Valle é Claudia no seriado ‘Valentins’

Rodrigo Ferraz: Mais uma vez “Senhora do Destino” é reprisada, e, de novo, bombando em audiência! Dá para dizer que a Shirley foi um dos seus momentos mais marcantes na TV? 

Malu Valle: “Senhora do Destino” marcava pico de 63 pontos no Ibope. Nosso núcleo chegava antes do horário marcado pela produção para estudarmos as cenas antes dos ensaios e gravações, de tanto que amávamos fazer a novela. A Shirley era a amiga da Nazaré, e eu e a Renata Sorrah somos muito amigas, o que dava um sabor especial ao trabalho. Creio que a Shirley tenha sido meu personagem de maior repercussão.

Rodrigo Ferraz: Percebo que você tem uma relação afetiva e profissional bastante intensa com o Paulo Gustavo, conte para nós alguns momentos marcantes da relação de vocês?

Malu Valle: Minha primeira direção profissional aconteceu por uma grande insistência do Paulo Gustavo, depois que ele me viu em “Nada de Pânico”, em 2003. Ele estava na CAL (Casa de Artes de Laranjeiras) e queria que eu conhecesse um colega que escrevia textos, um desses textos eles queriam encenar, era o Fabio Porchat. Fizemos o espetáculo “Infraturas”, em 2005. E a partir daí nasceu uma grande amizade entre nós.

Malu Valle
Malu Valle com o humorista Paulo Gustavo

Rodrigo Ferraz: Vamos falar de Alcides Nogueira. Um dos seus trabalhos mais marcantes foi a peça “Ventania”, de Alcides Nogueira, e agora você volta a encenar um texto dele em “Tempo de Amar”. Dá um gostinho especial?

Malu Valle: Voltar a dizer um texto do Alcides, sem dúvida, tem um gosto especial. “Ventania” está entre os dois espetáculos que mais amei fazer na minha carreira!

Rodrigo Ferraz: Poxa que legal! Então, nos conte quais são esses dois espetáculos favoritos?

Malu Valle: Eu diria que sou uma atriz de sorte porque meu primeiro diretor já foi o mestre Amir Haddad, que ganhou o prêmio Shell de direção com a nossa montagem de formatura da CAL (Casa de Artes de Laranjeiras): “Se correr o Bicho pega, se ficar o bicho come”, texto do Vianinha. Ainda fazendo esse espetáculo, o Aderbal (Freire Filho) me convida para participar do seu primeiro romance-em-cena: “A Mulher Carioca aos 22 anos”, processo de ensaios que durou um ano e meio antes de estrear, e que considero uma pós- graduação. O espetáculo tinha quase cinco horas de duração, divididos em quatro atos. Era dificílimo de fazer, exigia uma vida praticamente exclusiva em função do espetáculo. Tudo era feito por nós, luz, contrarregragem, a música… e não tínhamos sequer uma camareira. Me definiu muito como atriz. A outra peça que amo você já citou: “Ventania”, encontro com Tide (Alcides Nogueira), com Gabriel (Vilela, diretor do espetáculo) e exigia uma grande exposição, era um realismo fantástico deslumbrante, cenas de sexo, contatos muito íntimos com os colegas, uma poesia cênica encantadora. Diria que “A Mulher Carioca” era mais apolínea e “Ventania” mais dionisíaca. São as minhas peças mais marcantes, e veja que destaco as dentro de um currículo do qual me orgulho muito!

foto reprodução

Rodrigo Ferraz: Voltando a falar do Alcides Nogueira e de “Tempo de Amar”, o que podemos esperar da Irmã Margarida?

Malu Valle: Que gostem do meu trabalho, porque da irmã Margarida creio que ninguém irá gostar. O papel dela na trama não é dos mais nobres.

Warlen Pontes: O que mais a instiga na irmã Margarida?

Malu Valle: Fazer uma personagem tão seca de afeto. Ter uma “frieza em paz”, como nos foi orientado pelo Jayme Monjardim, o diretor artístico.

Warlen Pontes: Alguma identificação com a Margarida, semelhanças, diferenças…?

Malu Valle: Nenhuma identificação.

Rodrigo Ferraz: Como foi a preparação de vocês dentro do universo tão particular que é um convento, ainda mais se tratando dos anos 1920?
 
Malu Valle: Tivemos a preparação vocal com a Leila Mendes e a corporal com a Ana Kfouri, acompanhados pela orientação do Jayme Monjardim. Estudamos o português da época sem, no entanto, ter a preocupação de fazer sotaque. Quanto aos anos 1920, fomos a história, em Portugal era proibida a existência de conventos, eles eram clandestinos, disfarçados de associações religiosas; o hábito era usado só dentro do convento, pra sair da rua as freiras usavam roupas comuns. Isso foi nos dando o tom de mistério que eu acho importante para o nosso trabalho. Para mim, especialmente o universo do convento já era bem conhecido devido a preparação e filmagem do longa “Irmã Dulce”, do Vicente Amorim.
Malu Valle
Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) e Shirley (Malu Valle) em cena de ‘Senhora do Destino’, TV Globo, 2004/2005
Rodrigo Ferraz: Vamos para um jogo rápido? Vou citar o nome de alguns trabalhos seus e gostaria que você comentasse um pouco de cada um: 
 
– “Amazônia, de Galvez a Chico Mendes” (minissérie):
Meu reencontro com Gloria Perez, um orgulho ajudar a contar uma parte importante da história do Brasil.
– “Sete Pecados” (novela):
Meu reencontro com Walcyr Carrasco e Flavio Migliaccio.
Um elenco delicioso.
– “Três Irmãs” (novela):
Feliz por ter sido convidada pelo Dennis Carvalho, também um reencontro
depois de “Anos Rebeldes”.
– “Mente Mentira” (peça):
Meu primeiro trabalho com Paulo de Moraes, primeira produção do meu amigo Malvino Salvador de quem fiz a mãe: Loraine, uma personagem incrível de Sam Shepard.
– “Uma Lição longe demais (peça)”:
O primeiro filme de Silvio Guindane eu também fiz: “Como nascem os anjos”, em 1995. Em 2012 reencontrar o Silvio nesse lindo e importante texto, foi uma emoção e uma diversão. Silvio me chama de dinda e eu tenho muito orgulho disso!
– “O teatro é uma mulher (peça)”:
Foi uma experiência interessante começar a ensaiar uma peça que estava sendo
escrita para mim. Foi um exercício de entrega muito grande.
– “Irmã Dulce” (filme):
Me sinto ligada para sempre à Irmã Dulce depois das filmagens do longa.
Fazer cinema tem sido cada vez mais um prazer para mim!
Malu Valle
Em sentido horário: Malu em ‘Amazônia’, ‘Três Irmãs’,’ Mente Mentira’ e ‘Uma Lição Longe demais’.

Warlen Pontes: Falando em cinema, você comentou na coletiva de imprensa sobre o novo filme do Jayme Monjardim. Fala dessa produção para a gente, por favor. Qual é o roteiro, a história, onde foi gravado, a sua personagem, como se preparou, enfim, conte-me tudo e não me escondas nada (risos)…

Malu Valle: É o longa “Avental Rosa”A protagonista é a Cyria Coentro e no elenco tem também o César Troncoso, com quem amei contracenar em “O Vendedor de Sonhos”.
Minha personagem é uma mulher de posses casada com o personagem do Zé Adão Barbosa e mãe do personagem do Bruno CabrerizoFilmamos em Porto Alegre, minha cidade natal amada! Estar em Porto Alegre sempre me emociona e estar lá gravando em lugares da minha infância, e ainda contracenando com incríveis atores conterrâneos foi muito, muito bom! Uma equipe com aquele sotaque gaúcho adorável, competente e afetuosa. Quanto a “contar tudo, não esconder nada”, só mesmo nas telas quando o filme entrar em cartaz!
Warlen Pontes: Por fim, se fosse definir a sua carreira num frase, qual seria?
Malu Valle: Tenho orgulho da minha carreira!
Warlen Pontes: Uma mensagem a todos os seus fãs:
Malu Valle: Obrigada por todo o carinho!
Warlen Pontes: Um convite para assistir ‘Tempo de Amar’:
Malu Valle: Assistam ‘Tempo de Amar’! A novela está linda, a história é emocionante e instigante!
Malu Valle
Malu Valle com o jornalista Warlen Pontes na coletiva de imprensa de ‘Tempo de Amar’
 #MaluValleNoTVaBordo
por Rodrigo Ferraz
e Warlen Pontes
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