Mariana Godoy recebe Geraldo Alckmin na ‘Série Presidenciáveis’

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Geraldo Alckmin garante: “O PSDB não vai virar oposição.”

Geraldo Alckmin
foto Divulgação RedeTV!

O Mariana Godoy Entrevista desta sexta-feira (1º) recebeu o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), mais um pré-candidato à presidência da República. Nesta entrevista da série que o programa realiza com os presidenciáveis, Alckmin criticou a ‘política do radicalismo e do ódio’, defendeu um regime geral de Previdência Social, afirmou que o Brasil foi dominado pelas corporações, garantiu que o PSDB não se tornará oposição, mesmo que deixe o governo Temer, e disse que se sente mais preparado para assumir a presidência da República e trabalhar pelo país.

Geraldo Alckmin

Uma das características mais marcantes do governador de São Paulo é o temperamento calmo, o jeito pausado de falar, fato que atrai elogios, mas também críticas, que veem nesse jeito uma ‘falta de atitude’. Geraldo Alckmin rebateu essas considerações sobre ele e defendeu sua postura, sobretudo em um momento de polarização e agressividade na política nacional: “Eu acho que essa política do radicalismo, do ódio não leva a nada. O Brasil não precisa de gladiadores, precisa de construtores. O problema é emprego, renda, qualidade de vida. Nós precisamos resolver os problemas, briga política por briga política não tem sentido. Política é arte, ciência, para melhorar a vida da população. O Brasil tem tudo para se recuperar”.

Pré-Sal

O tucano comentou a decisão da Câmara dos Deputados que, no último dia 29 de novembro, aprovou o texto-base da Medida Provisória (MP 795/2017), que concede isenção de tributos às petrolíferas estrangeiras que atuarão no país explorando o pré-sal: “Eu não tenho detalhes, acho até que essa MP não foi totalmente votada, ela começou a votação, mas ainda não terminou. Agora, o que se quer é o quê? O petróleo é uma coisa que vai acabar ao longo do tempo, veja a COP 21 (Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas), então você precisa tirar esse petróleo. O pré-sal está crescendo vertiginosamente, São Paulo vai ser uma Abu Dhabi em pouco tempo, porque a Bacia de Campos é o pós-sal, ele está acabando, está diminuindo, a Bacia de Santos é pré-sal e ele está subindo. A Bacia de Santos vai de Santa Catarina ao Espírito Santo, o grosso é São Paulo e Rio de Janeiro, você precisa ir lá e prospectar e tem que tirar esse petróleo. A Petrobras sempre teve no Repetro (Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de bens destinados à exploração e à produção de petróleo e gás natural) isenção, então isso faz parte dos estudos do Repetro. O que precisa é estimular, também, o chamado RenovaBio (Política Nacional de Biocombustíveis), as energias renováveis, biodiesel, etanol, bioletricidade, as energias chamadas limpas, porque o aquecimento global é um fato hoje, então o Brasil é signatário da COP 21 e nós precisamos promover energia limpa”.

Pancadões

Ao tomar ciência de uma reclamação acerca dos pancadões, que tiram o sono de muitos moradores de São Paulo, o governador defendeu as ações de sua gestão e da Polícia Militar (PM): “Nós regulamentamos a lei, temos agido, já foram mais de 400 pessoas presas ou aprisionadas, estamos agindo e, de outro lado, a juventude precisa ter lazer, então nós lançamos a chamada Balada Campeã, sexta e sábado começa às 10 da noite e vai até 3 da madrugada nas escolas. Eu até acompanhei, a gente pega os bairros mais vulneráveis, que tem mais problema de violência, abre as escolas, faz torneios de futebol de salão, de moças, inclusive de meninas, é uma festa.” Sobre a atuação da PM quando chamada para coibir esses pancadões, Alckmim garantiu: “Não existe no estado de São Paulo um local que a polícia não entra”.

Previdência Social

Neste sábado (2), Geraldo Alckmin se encontrará com o presidente Michel Temer para a entrega de moradias do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ no interior de São Paulo. Alckmin garantiu que discussões como o desembarque do PSDB do Governo Federal e o apoio à Reforma da Previdência não serão tratadas no encontro: “Nós amanhã vamos a Limeira e Americana entregar quase 2000 apartamentos nas duas cidades, uma parceria Governo Federal, ‘Minha Casa, Minha Vida’, e Casa Paulista.” Ele prosseguiu: “Nós não vamos conversar sobre política. Eu não sou presidente do partido, a convenção vai ser no dia 9 de dezembro, não posso antecipar, assumir antes da hora, então é 9 de dezembro a convenção que, aí sim, se for eleito presidente do partido falarei por ele, mas quero dar a minha opinião pessoal, eu sempre defendi um regime geral de Previdência Social. Não tem sentido você ter um regime de Previdência para quem é funcionário público e outro regime de Previdência para quem é funcionário da indústria, da agricultura, dos serviços, do comércio, nós sempre defendemos um regime geral de Previdência”.  Questionado se, caso eleito, faria uma reforma previdenciária igualando Judiciário, Ministério Público, Polícias e várias outras categorias, o político observou: “Eu conheço um pouco legislação previdenciária, porque fui deputado federal e fui da Comissão de Seguridade Social e Família na Câmara, então estudei vários modelos. Sempre defendi um regime geral de Previdência Social. A Reforma da Previdência tem que ter dois objetivos: primeiro objetivo, justiça, porque você tem uma coisa extremamente diferente para aquele trabalhador da iniciativa privada e do setor público. (…) A outra é coibir o déficit, porque o Brasil vai quebrar”. Alckmin respondeu se, assumindo a presidência do PSDB, cobrará que os representantes da legenda na Câmara votem de acordo com uma linha ou se liberará para que cada um vote de acordo com suas convicções: “Esse é um tema que nenhum partido vai ter unanimidade”.

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ICMS

Diante da alíquota de ICMS que incide sobre o medicamento genérico, Alckmin foi questionado por Sidney Oliveira se pretende baixar esse percentual: “ICMS do remédio era 18%, isso historicamente. O ano passado eu reduzi todos os genéricos para 12. Era 18, São Paulo é um dos poucos estados do Brasil em que é 12. Então, reduzi todo o genérico de 18 para 12 e aqueles remédios mais importantes nós reduzimos para sete.” Alckmin fez uma ressalva importante: “As pessoas tem direito ao remédio, remédio não é para comprar, remédio faz parte do SUS”.

Reforma da Previdência

Voltando a falar sobre a Reforma da Previdência, Geraldo Alckmin disse não ver com bons olhos que fique para depois das eleições de 2018: “É urgente, então eu acho que ele [governo] deve fazer tudo o que puder para votar agora, o ano que vem é muito mais difícil.” O governador de São Paulo defendeu que um presidente, quando eleito, deve votar tudo no primeiro ano de mandato: “No primeiro ano tem que votar tudo, todas as reformas estruturantes que o Brasil precisa; Reforma Política, não é possível continuar com 35 partidos, você não tem 35 ideologias. Reforma Tributária, não podemos continuar com esse modelo tributário que é uma loucura. Reforma Previdenciária, se passar agora ótimo, mas são reformas estruturantes, o país precisa para crescer, é uma agenda de competitividade”.

Sobre a Reforma da Previdência, Geraldo Alckmin foi direto: “Eu faria já, aliás, eu acho que o governo errou no ‘timing’, porque o ano passado, quando eles votaram a PEC do Teto, deveriam ter feito, na minha opinião, duas reformas, a política, que é a mãe de todas as reformas, nós temos um sistema político falido, totalmente falido, e se você não corrigir isso você vai ter problemas no futuro.” O governador de São Paulo defendeu a criação de uma cláusula de barreira, a adoção do voto distrital ou distrital misto e criticou: “Hoje é o corporativismo ao extremo. O Brasil foi dominado pelas corporações no setor público e no setor privado também.” Ele fez questão de dizer que aceitou ser presidente do PSDB para que o partido seja um instrumento de mudança: “O Brasil precisa de mudanças profundas para retomar uma agenda de crescimento, de emprego, de competitividade, de modernização”.

Ao falar sobre como modernizaria o país, Geraldo Alckmin criticou: “O nosso tempo é o tempo da mudança e da velocidade da mudança, o governo está no século passado, o país precisa ser modernizado e o Brasil precisa ter uma inserção internacional.” Ele enfatizou: “Você tem que saber jogar o jogo do século XXI, inserção internacional”.

Investimentos

Um dos pontos sensíveis do governo de São Paulo é o atraso nas obras do metrô, que foi cobrado de forma veemente por um telespectador, que acusou o governador de não ter eficiência em relação a esse meio de transporte e à limpeza dos rios. Alckmin se justificou: “Primeiro o Metrô. O Brasil inteiro não investe, aliás não tem dinheiro nem para pagar salário, a gente vê os atrasos. Em São Paulo, nós estamos investindo sozinhos, o povo de São Paulo, o governo do Estado de São Paulo.” O tucano listou as obras que devem ficar prontas até o final de 2018 nas linhas de metrô, de trem e de monotrilho. Ele ainda disse que nas grandes capitais do mundo o metrô tem sido responsabilidade dos governos federais, diferentemente de São Paulo, que arca com praticamente 100% dos custos das obras desse tipo de transporte.

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O governador de São Paulo falou, também, sobre os grandes atrasos nas obras públicas e sobre o estouro constante de orçamento: “Qual é o problema do Brasil? É falta de dinheiro, é isso.” Alckmin culpou, também, a grande recessão enfrentada pelo país para a diminuição na velocidade das obras e a escolha de prioridades na administração estadual. Ao falar sobre o momento ruim da atividade econômica, ele sinalizou para uma política de privatizações, caso seja eleito: “O Brasil tem um problema, o estado brasileiro não cabe dentro do PIB. Nós vamos ter que privatizar, diminuir o tamanho do estado, tirar esse estado pesado das costas dos trabalhadores e dos empreendedores, precisa ter uma reforma do estado brasileiro, por isso que o Brasil cresce menos que os outros”.

O tucano deu sua visão para a fraca atividade econômica do país: “O Brasil ficou caro e perdeu competitividade. Este é um fato. Um país caro você compete menos e você tem dificuldade. Nós temos 150 empresas estatais, tem que reduzir isso, eu vou privatizar, eu vou diminuir o tamanho do estado. A outra é fazer concessão e PPP. O que gera emprego? Infraestrutura e logística geram emprego, estradas, metrô, trem, portos, aeroportos.”

Empréstimo de R$ 2,5 bilhões

Geraldo Alckmin explicou como será usado um empréstimo de R$ 2,5 bilhões que o estado de São Paulo acaba de contrair: “Grande parte disso é metrô, porque metrô não é obra barata, são obras caras, então nós estamos fazendo financiamento, nós temos capacidade de endividamento, reduzimos o endividamento do estado, abriu uma possibilidade de novos empréstimos e estamos duplicando a Tamoios, para quê? Para chegar ao Porto de São Sebastião. Porto hoje é a maior ferramenta de comércio exterior. Então, ao Porto de Santos, o rodoanel vai melhorar o acesso, vamos melhorar o acesso lá da Anchieta. O de São Sebastião não tem ferrovia, infelizmente, então nós estamos duplicando a rodovia até dentro do Porto lá em São Sebastião, esses financiamentos são para isso. Eu sou uma fanático por infraestrutura, por quê? É emprego, é muito emprego”. O pré-candidato do PSDB à presidência da República defendeu o investimento em ferrovias por todo o país.

Poluição

O governador de São Paulo, ainda em resposta a um telespectador, falou sobre a dificuldade em limpar os rios do estado e defendeu as ações feitas por sua gestão: “As pessoas olham o Tietê e pensam ‘puxa, mas não estão fazendo nada’. Não, nós estamos tratando esgoto. A mancha de poluição que estava lá em Barra Bonita, lá longe, hoje está em Salto, ela retrocedeu 150 quilômetros.” Alckmin prosseguiu: “Imagine que tivesse 100% de esgoto tratado. Imagine que não tem uma casa em que o esgoto sanitário não vá para a estação de tratamento. O rio estaria poluído do mesmo jeito. Você vai dizer ‘mas como’? Poluição difusa, pneu, sofá, bicicleta, plástico, garrafa pet, lata, vai tudo para dentro do rio. Então, nós precisamos, de outro lado, as prefeituras limparem as cidades e educação ambiental, não jogar nada no chão.” O tucano comentou, também, a situação do Rio Pinheiros, que tem características muito distintas do Tietê.

Oposição ao Governo Temer

Sobre o ‘desembarque’ do PSDB do governo Temer, Alckmin observou: “Eu não vou desembarcar porque eu nunca embarquei. Dia 9 o partido vai ter sua convenção nacional em Brasília. Aí, depois, se nós formos eleitos, se essa for a decisão da maioria do diretório e nós assumirmos, nós vamos avaliar, mas o que interessa para a população? O PSDB não vai virar oposição, de jeito nenhum, nós temos responsabilidade. E para votar medidas que nós entendemos que é de interesse do povo brasileiro, que vai ajudar o Brasil a sair da crise, nós não precisamos ter ministério para isso, nós vamos apoiar da mesma forma.” Alckmin ainda comentou a possível saída de ministros do PSDB do governo: “Se os ministros deixarem não tem nenhum problema. O presidente não vai deixar de ter o apoio do partido, dos deputados porque um ou dois ministros saíram do governo, nenhum problema”.

Geraldo Alckmin afirmou que os eleitores votam em pessoas e não em legendas: “Os partidos estão totalmente fragilizados, estão desacreditados com essa proliferação de partidos, então é óbvio que vai prevalecer muito mais o candidato e, no presidencialismo, é o embate de personalidades, essa é uma característica do presidencialismo”.

Eleições

Questionado se precisará ser mais enfático, mais duro na campanha política, Geraldo Alckmin voltou a defender seu perfil mais conciliador: “Precisa ter coragem para não ser radical, é fácil sair falando mal dos outros, xingando os outros, isso é fácil. É disso que o Brasil precisa? Nós precisamos, à profundidade, discutir questões, resolver os problemas. Eu aprendi na minha vida. Eu não sou resultado nem de dinastia politica, nenhuma, ninguém da minha família, e nem de riqueza pessoal. Eu sou fruto do povo, eu nasci do povo, da confiança do povo, desde a minha juventude como prefeito da minha cidade natal, trabalhando na periferia resolvendo o problema do povo”.

Normalmente bem avaliado em São Paulo, Geraldo Alckmin foi questionado sobre como deseja mostrar ao Brasil o seu trabalho: “Para isso tem campanha eleitoral, no momento certo. Eu já fui candidato, conheço o Brasil, aliás eu me sinto hoje mais preparado, eu estou mais maduro. Quando eu era estudante eu fui a Goiás fazer Projeto Rondon e fui visitar a Cora Coralina, poetisa, em Goiás Velho. Na hora de ir embora, nós éramos estudantes, e ela falou ‘olha, guardem o seguinte, todos nós estamos matriculados na escola da vida, onde o professor é o tempo’. A experiência nos faz melhor, você amadurece, você erra menos, você decide melhor, você não tem medo de tomar decisão. A experiência é importante, então, é isso que eu acredito”.

Geraldo Alckmin respondeu a pergunta que será feita a todos os pré-candidatos à presidência da República: por que deseja ser presidente do Brasil? Ele afirmou: “Para trabalhar pelo país. Claro que todos nós podemos ajudar as pessoas, ajudar o país como cidadão. Agora, claro, se você é presidente da República você vai ter os instrumentos para fazer muito mais. Então, eu acho que me preparei, fui copiloto de um bom comandante, que foi o Mário Covas, tinha aquela objetividade do engenheiro politécnico e uma enorme sensibilidade social. Tive oportunidade de ser governador várias vezes, fui parlamentar, acho que o Brasil tem tudo para se recuperar, mas nós não vamos chegar à terra prometida com voluntarismo, nós vamos chegar com trabalho, sacrifício, perseverança, é nisso que eu acredito.” Por fim, ele deu uma pista sobre seu vice: “Não pode ser de São Paulo”.

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