João Emanuel Carneiro “A intenção é mostrar uma Bahia moderna, contemporânea, empreendedora e mais realista.”

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Entrevista com o autor João Emanuel Carneiro

Emanuel
foto Raphael Dias

Segundo Sol’ é a quarta novela do carioca João Emanuel Carneiro no horário das nove, com estreia marcada para o dia 14 de maio. A primeira foi ‘A Favorita’ (2008), que antecedeu o fenômeno ‘Avenida Brasil’ (2012), vendida para mais de 130 países e vencedora de diversos prêmios, como os de televisão dos veículos Extra, Quem e Contigo!, além do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).  

Suas primeiras novelas como autor principal foram ‘Da Cor do Pecado’ (2004) e ‘Cobras e Lagartos’ (2006). João também escreveu a série ‘A Cura’ (2010) e supervisionou outras obras de dramaturgia. O trabalho na televisão começou em 2000, como colaborador da memorável minissérie ‘A Muralha’ e, posteriormente, de outro trabalho marcante, ‘Os Maias’ (2001). Colaborou na novela ‘Desejos de Mulher’ (2002) e, no ano seguinte, escreveu o episódio especial ‘O Crime Perfeito’, de ‘Brava Gente’.

João Emanuel também trilhou uma carreira de sucesso no cinema, como roteirista de obras autorais ou adaptações. ‘Central do Brasil’ (1998), ‘Orfeu’ (1999), ‘A Partilha’ (2001), ‘Deus é Brasileiro’ (2003), ‘Cristina quer Casar’ (2003), ‘A Dona da História’ (2004) e ‘Redentor’ (2004) são alguns dos filmes em que João Emanuel dividiu autoria com outros colegas. Começou a escrever seu primeiro romance, mas confessa que ainda não conseguiu engrenar. “Faço uma página por dia, de vez em quando. Uma hora sai”, diverte-se.

Qual história ‘Segundo Sol’ vai contar?

João Emanuel Carneiro – A trama é calcada nas relações pessoais e familiares, no valor da família. Eu acredito muito em histórias de família para escrever novela. A trama vai contar a saga de Luzia, uma mãe buscando se reaproximar dos filhos, que precisou abandonar por diversas circunstâncias. O segundo sol significa a nova chance que ela vai ter para recompor sua vida. Todos nós podemos ter a oportunidade de um novo começo e somos os protagonistas dessa mudança. A novela vai mostrar isso por meio da trajetória da Luzia e de outros personagens, como o Beto Falcão e o Roberval, cujas famílias também são muito importantes na trama.

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A família Falcão aceita viver uma farsa por muitos anos. A novela também pretende fazer uma reflexão sobre ética?

João Emanuel Carneiro – Essa questão da ética é forte em todos os meus trabalhos. No filme ‘Central do Brasil’, a protagonista escrevia cartas para analfabetos e não postava, tinha essa dubiedade. Em ‘Cobras e Lagartos’, o Foguinho se fazia passar pelo dono da loja em que trabalhava. Tenho vários outros exemplos. Nessa novela, a mentira da família Falcão é uma falha de caráter, mas vivida dentro de uma situação extrema. Beto vai o tempo todo se chocar internamente com a situação de precisar se esconder. Isso é um problema e um dilema ético fortíssimo na vida dele. Acho que a ambivalência é uma característica da complexidade do ser humano.

Conte um pouco sobre as vilãs Karola e Laureta, que também são bastante dúbias.

João Emanuel Carneiro – Elas são amorais, mas bem-humoradas, até um pouco palhaças. As duas se dividem nas maldades, mas a Laureta está sempre à frente, é a mentora dos planos. Karola e Laureta mantêm uma relação de dependência, um pouco simbiótica, se complementam.

Como é a sua relação com a Bahia e por que decidiu ambientar a novela em Salvador?

João Emanuel Carneiro – Salvador é uma cidade que sempre adorei, que me inspira. Minha mãe foi presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e eu ia muito para lá com ela. Me lembro de ler ‘Capitães da Areia’, do Jorge Amado, no hotel em que estava hospedado aos 14 anos. Foi uma imersão na cultura baiana. Quando comecei a pensar no personagem Beto Falcão, me lembrei dos anos 1990, da Axé Music, e me veio a ideia de ambientar essa história na Bahia. Além disso, Salvador é uma cidade muito importante do Brasil. Nosso país tem poucas cidades com uma identidade visual tão forte como Salvador.

O que traz essa Bahia que você está escrevendo?

João Emanuel Carneiro – É uma novela que se passa na Bahia, mas que não tem ambições históricas ou documentais. Quero que haja vitalidade, alegria, cor e luz na nossa história. A intenção é mostrar uma Bahia moderna, contemporânea, empreendedora e mais realista.

Entrevista com o diretor artístico e geral Dennis Carvalho

e com a diretora-geral Maria de Médicis

Emanuel
foto Raphael Dias

Dennis Carvalho iniciou a carreira como ator na década de 1960. Começou a trabalhar na Globo em 1975 e, depois de encarnar alguns personagens, como Nélio Porto Rico na primeira versão de ‘Pecado Capital (1975), estreou na direção em 1977, na novela ‘Sem Lenço, Sem Documento’. A partir daí, seguiu fazendo participações esporádicas como ator e já dirigiu mais de 30 programas, como o seriado ‘Malu Mulher’ (1979), a minissérie ‘Anos Rebeldes’ (1992) e o humorístico ‘Sai de Baixo’ (1996). Entre as principais novelas, estão ‘Dancin’ Days’ (1979), ‘Vale Tudo’ (1988), ‘O Dono do Mundo’ (1991), ‘Pátria Minha’ (1994), ‘Celebridade’ (2003) e ‘Lado a Lado’ (2012), entre outras.

A parceria com Maria de Médicis começou há mais de uma década. Juntos, já dirigiram as novelas ‘Como uma Onda’ (2004), ‘Paraíso Tropical’ (2007), ‘Insensato Coração’ (2011), ‘Sangue Bom’ (2013), ‘Babilônia’ (2015) e ‘Rock Story’ (2016). Desde que se tornou diretora em 2001, Maria já fez 15 novelas e as minisséries ‘JK’ (2006) e ‘Queridos Amigos’ (2008). ‘Segundo Sol’ é sua quinta novela como diretora-geral.

Essa é a sétima parceria de vocês. Como é esse processo de trabalho que dá tão certo?

Dennis Carvalho – Dividimos o trabalho com um equilíbrio muito legal. Maria faz parte de minha equipe de diretores há muitos anos e já nos entendemos pelo olhar.

Maria – Somos muito parecidos na forma de pensar artisticamente. Estamos muito animados com essa novela porque é nossa primeira parceria com o João Emanuel Carneiro, que escreve muito bem sobre relações humanas. O Dennis sempre foi reconhecido como um excelente diretor de atores, e isso dialoga com a proposta do texto do João.

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Como foi o trabalho de escalação do elenco? Quais as principais novidades e apostas?

Dennis Carvalho – A escalação é um processo que me interessa muito porque amo dirigir atores. Para essa novela, há gente de diversos cantos do país, com destaque para os baianos. Fizemos uma longa pesquisa na Bahia. Além dos talentos já conhecidos do grande público, como Fabrício Boliveira e Vladimir Brichta, trouxemos – só para citar um nome, há outros – uma grande dama do teatro baiano, a Claudia Di Moura, no papel da Zefa, bem importante na história. Também conto com uma turma com que já trabalhei outras vezes e outros que estão estreando comigo.

Maria, você esteve à frente de quase todo o trabalho na Bahia. Quais foram os maiores desafios de gravar por mais de um mês em solo baiano?

Maria de Médicis – É sempre um desafio gravar fora dos Estúdios Globo, ainda mais por tanto tempo. Na etapa de gravações no sul da Bahia, saíamos para gravar muito cedo, às três, quatro horas da manhã, para termos a luz perfeita, o sol nascendo. Foi cansativo, mas valeu muito a pena, as imagens estão lindas. Em Salvador, também tivemos gravações externas bastante trabalhosas. Mas era mais do que essencial termos todo esse tempo gravando na Bahia, já que a história é ambientada lá.

Como foi a preparação com o elenco para ambientar a novela na Bahia?

Dennis Carvalho – Fizemos workshops com todo o elenco. Além das aulas com o preparador de atores Eduardo Milewickz, tivemos dança afro com o consagrado coreógrafo baiano Zebrinha, e aulas de capoeira para alguns atores. Também houve aulas de prosódia e conseguimos chegar a um sotaque leve, com melodia, mas sem ser carregado.

O que vocês podem adiantar sobre a trilha sonora, que promete ser um grande diferencial na novela?

Dennis Carvalho – Queríamos trazer os grandes clássicos da Axé Music dos anos 1990, mas com algum diferencial. Então, reunimos canções lindas e contagiantes, que fazem parte da memória afetiva de quem viveu aquela época, regravadas por outros cantores, com arranjos novos. Conseguimos um resultado incrível! Entre os exemplos ‘O Mais Belo dos Belos’, com Alcione, ‘Baianidade Nagô’, com Maria Gadu, ‘Beleza Rara’, na voz de Thiaguinho, ‘Mal Acostumada’, gravada por Simone e Simaria, ‘Vem meu Amor’, com Wesley Safadão, e ‘Beija-Flor’, com Johnny Hooker, e outras. Temos até uma versão em inglês de ‘Swing da Cor’, que encomendamos para Ikoko, uma dupla de DJs que está fazendo o maior sucesso lá fora. A música se chama ‘Swing all The Colors” e ficou demais. Outra música que foi encomendada especialmente para a novela é ‘Axé Pelô’, o grande hit do Beto Falcão. Emilio Dantas gravou a música, composta por Marquinhos Osósio e Rô Case, e simplesmente arrasou. Além dessas regravações, há a trilha internacional e outros grandes clássicos da música popular brasileira. Acho que conseguimos construir uma bela trilha!

Material distribuído pela Assessoria de Comunicação da Globo

Texto Mariana Meireles

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