‘O Tempo Não Para’: leia entrevista do autor Mario Teixeira e do diretor Leonardo Nogueira

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Em seus últimos trabalhos, Mario Teixeira assinou a autoria das novelas das onze ‘Liberdade, Liberdade‘ (2016) e das sete ‘I Love Paraisópolis’ (2015), esta ao lado de Alcides Nogueira.

foto Isabella Pinheiro // Mario Teixeira (à esquerda) e Leonardo Nogueira

Em seus últimos trabalhos, Mario Teixeira assinou a autoria das novelas das onze ‘Liberdade, Liberdade‘ (2016) e das sete ‘I Love Paraisópolis’ (2015), esta ao lado de Alcides Nogueira. Foi coatuor das novelas ‘Os Ossos do Barão’ (1996), ‘O Cravo e a Rosa’ (2000) e ‘Ciranda de Pedra’ (2008), além de ter colaborado com Silvio de Abreu em ‘Passione’ (2010). Também foi roteirista de séries infanto-juvenis como ‘Sítio do Pica-pau Amarelo’ (2001-2007) e ‘Castelo Rá Tim Bum’ (1994). Tem uma importante carreira literária que já lhe rendeu os Prêmios Jabuti e Fundação Biblioteca Nacional de 2015 com o romance ‘A Linha Negra’. ‘Salvando a Pele’, ‘Alma de fogo’ e ‘O Golem do Bom Retiro’ são outros livros de destaque em sua carreira. Escreveu também ‘O Anjo de Hamburgo’, produção ainda em desenvolvimento.

A Globo disponibilizou para a imprensa uma entrevista com o autor de ‘O Tempo Não Para’, Mario Teixeira e o seu diretor artístico, Leonardo Nogueira, que você confere a partir de agora:

Entrevista Mario Teixeira

Como você define a novela?

Mario Teixeira – É uma comédia romântica. Conta uma história de amor inusitada entre duas pessoas de séculos diferentes, cheia de reviravoltas e peripécias. Uma delas veio do final do século XIX; e o outro, dos dias atuais. Isso vai causar inúmeras confusões. No fundo eles são muito parecidos, cada um deles em sua época. Marocas era uma inconformista, era a favor da abolição, era republicana. Hoje em dia, Samuca é dono de uma grande empresa que tem preocupação ambiental. Eles sonham em mudar o mundo, cada qual a seu modo. Por isso vão se completar. É uma novela realista e com humor, que se passa na Freguesia do Ó, em São Paulo. É uma crônica de comportamento.  

Como surgiu a ideia de escrever essa história?

Mario Teixeira – Acredito que as referências vão surgindo ao longo da vida. Tem um livro que eu gosto muito chamado “O Dorminhoco”, do H. G. Wells, que depois virou o filme do Woody Allen. Mas eu não pensei necessariamente nesse livro que eu leio desde os 14 anos seguidamente para criar a novela. Está no meu inconsciente e aflorou no momento certo.

Como os “congelados” vão reagir diante da sociedade contemporânea?

Mario Teixeira – A  premissa principal é o deslocamento desses personagens no tempo e a necessidade de eles se adaptarem ao século XXI. Eles vieram de um mundo onde não existia penicilina, por exemplo; onde não existia televisão; onde a fotografia estava no início. Eles vão enfrentar um mundo novo onde tudo é diferente. O principal choque, no entanto, não vai ser o das questões tecnológicas. Eles vão ter que reaprender a sentir como uma pessoa moderna, contemporânea. A questão da ética e o inconformismo dos personagens congelados em relação às injustiças de hoje em dia terão destaque na novela. Eles vão se surpreender bastante com as novas estruturas sociais e a liberdade que, aos poucos, estamos alcançando para cada um ser quem é em pleno século XXI. Mas eles vão aprender a lidar com isso. Damásia, Cesária, Cairu, Menelau e Cecilio vão perceber que são livres e descobrir seus novos lugares. As crianças Nico e Kiki vão para a escola, apesar da resistência inicial de Dom Sabino, já que, embora houvesse exceções, era improvável que meninas de sua classe social fossem para o colégio em 1886. As que estudavam geralmente tinham preceptoras. Marocas vai querer trabalhar e tirar sustento para ajudar a família. Ou seja, eles também vão descobrir pontos positivos dos dias atuais e se adequar a essa realidade.

O século XIX fica apenas no primeiro capítulo, mas os personagens carregam essa época no comportamento, no visual e na forma de se expressar, com um vocabulário de época. Fale um pouco sobre isso?

Mario Teixeira – Sim, boa parte do vocabulário dos “congelados” é de época e eles têm uma gramática que é muito particular. A fala deles é anacrônica, mas está sempre inserida numa situação que é compreensível. Ao mesmo tempo em que eles abraçam as comodidades do progresso, eles conservam valores que são muito sólidos e que vão acabar contaminando outros personagens também, que vão querer ser melhores perto deles. Tudo isso feito com humor. Gosto muito de comédia e acho que rir é a solução para muita coisa.

O que o público pode esperar da história?

Mario Teixeira – É uma história divertida e inusitada, cheia de reviravoltas que tem tudo a ver com os dias atuais. Parte de uma premissa fantástica, que é o congelamento de pessoas por mais de 100 anos, mas é uma trama realista, que vai contar o dia a dia dessas pessoas na cidade grande. A visão dos nossos “congelados” é muitas vezes o que as pessoas pensam hoje em dia. Esse olhar vai lançar luz sobre uma série de coisas, inclusive sobre o óbvio, as coisas que, por conta da correria dos nossos dias, passam despercebidas e que são tão importantes. 

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Entrevista com o diretor artístico Leonardo Nogueira

Leonardo Nogueira começou a carreira em 1998, fazendo publicidade. Na Globo, sua estreia se deu por meio de uma oficina de direção, e ele já compôs a equipe de direção de diversas novelas e minisséries, como “Casos e Acasos”, “Viver a Vida”, “A Vida da Gente”, “Salve Jorge”, entre outras. Integrou a equipe de direção da novela “Caminho das Índias”, que conquistou o Prêmio Emmy Internacional de melhor telenovela, e de “Em Família”. Foi o responsável pela direção geral da temporada de 2010 de ‘Malhação’, e de “Flor do Caribe”, em 2013. Já assinando como diretor artístico, seus últimos trabalhos foram “Sol Nascente” e “Malhação: Pro Dia Nascer Feliz”.

 Fale um pouco sobre a linguagem e a estética escolhida para essa novela.

Leonardo Nogueira – Queremos trazer frescor e muito ritmo na imagem porque é uma novela com uma movimentação muito grande. Estamos trazendo uma São Paulo bem moderna para ajudar a mostrar os choques aos olhos dos “congelados”. Como a novela só tem um capítulo no século XIX e depois vem para os dias atuais, a gente quis fazer uma época com uma paleta com cor mais vibrante e viva para ilustrar esse capítulo de época. Trabalhamos com isso na fotografia, arte, figurino, arte e cenografia. Além disso, um elemento que permeia toda a história é a descoberta. Tudo é uma novidade e uma experiência para os “congelados”: tomar um banho, pegar um elevador, andar na rua, sacar dinheiro. A ideia é levar o público a enxergar pelos olhos desses personagens. Destacar qual é a sensação de estar num prédio de 10 andares, como é possível apertar um botão e sair café ou usar um telefone, que, na época, era uma raridade.

Haverá vários momentos em que os “congelados” se surpreenderão com o século XXI. Como isso se dará?

Leonardo Nogueira – Os “congelados” vieram do século XIX, de uma fazenda onde levavam uma vida pacata, direto para o turbilhão dos dias atuais. A tecnologia traz muitas possibilidades e facilidades e eles vão achar isso ótimo. Uma parte muito interessante é o descongelamento dos personagens e isso vai alimentar a novela inteira porque eles vão acordando aos poucos e cada um tem um ponto de vista diferente em relação à nossa atualidade. Então vamos mostrar 2018 sob diferentes ângulos. Como são personagens com características bem diferentes, são várias formas interessantes e únicas de enxergar como é a vida hoje em dia, tão normal para gente. São vivências, impactos e experiências diferentes.

Como foi o processo de preparação do elenco?

Leonardo Nogueira – Tivemos a ideia de não cruzar o elenco “congelado” com o contemporâneo nesse processo para só ter o encontro entre esses núcleos durante a gravação. Assim conseguimos ter o ineditismo do estranhamento entre eles. Isso faz parte do humor que queremos trazer, pois é curioso uma pessoa chegar com roupas antigas aqui, de repente, por exemplo. A gente queria preservar esse primeiro olhar e levar para a hora do set. Além disso, tivemos todo o cuidado para que os “congelados” não andassem, se relacionassem, vissem um prédio ou pegassem num copo de vidro como as pessoas dos dias atuais. Para isso, esses atores tiveram aulas de comportamento, linguajar e etiqueta do século XIX e aula de preparação corporal.  

A SamVita é um ponto de encontro de muitos personagens e traz uma proposta inovadora nas relações de trabalho. Como será essa empresa?

Leonardo Nogueira – Ela tem um perfil jovem e inovador. Hoje em dia há grandes empresas que incentivam um dia a dia mais descontraído. Os funcionários trabalham de bermuda, levam seus filhos, usam bicicleta no ambiente de trabalho. É uma empresa que fala de sustentabilidade e traz isso como filosofia.

Quais são os maiores desafios na realização da novela e o que o público pode esperar?

Leonardo Nogueira – É mostrar que a nossa história é extremamente realista. Não é farsesca. Existe uma gama de possibilidades de realizar isso e queremos fazer chegar ao público da maneira mais encantadora e factível possível. Apesar da premissa improvável, eu sempre brinco que algum dia vai chegar um iceberg aqui, pode ser daqui a 10 milhões de anos ou pode ser ano que vem.  

por Aline dos Santos Ferreira

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