Entrevista Luis Lobianco: “Saio de casa para gravar como quem vai para uma festa.”

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Luis Lobianco faz CHECK-IN no TV a Bordo

foto Fernando Young

por Warlen Pontes

O ator carioca Luis Lobianco coleciona tipos de uma feliz trajetória de quase 25 anos nos palcos Brasil afora e no canal, ‘Porta dos Fundos’, perto dos 15 milhões de inscritos. Atualmente, divide os entrechos do folhetim das 21h, ‘Segundo Sol’, na pele de Clóvis Falcão (Clovinho), com o espetáculo ‘Buraco da Lacraia Dejavú’ e ‘Gisberta’, um comovente monólogo que conta a dramática história da transexual brasileira, Gisberta Salce Junior, morta em 2006, após ser torturada durante sete dias por 14 menores de idade, na cidade do Porto, em Portugal.

Nesta entrevista exclusiva ao portal TV a Bordo, Lobianco fala sobre a sua estreia na trama de João Emanuel Carneiro, do prazer de contracenar com Arlete Salles e Zé de Abreu e, claro, de “Dejavú” e “Gisberta”, entre outras coisas. 

Senhoras e senhores, LUIS LOBIANCO:

TV a Bordo – Primeira novela, ‘Segundo Sol’, líder de audiência absoluta no horário nobre. Como aconteceu o convite para interpretar o Clovinho?

Luis Lobianco – Partiu do próprio autor João Emanuel Carneiro. Aceitei na hora!

TV a Bordo – Sobre o texto do João Emanuel Carneiro. Você assistiu alguma obra do autor? Qual você mais curtiu?

Luis Lobianco – Assisti ‘Avenida Brasil’, que é a minha preferida. Uma novela que se eternizou no imaginário popular. João tem a genialidade de apresentar personagens que não precisam falar de suas características para o público entender. Eles são absolutamente reais e você sabe como cada um pensa. Também é um artista que confia muito na contribuição do ator e nos dá a liberdade de moldar o seu texto à nossa composição. Improvisos e adaptação das falas (com responsabilidade) são bem-vindos!

TV a Bordo – Sobre o Clovinho, se fôssemos colocar o Lobianco de um lado e o Clovinho do outro, o que veríamos de diferenças e semelhanças?

Luis Lobianco – O Clovinho vive intensamente cada momento: canta, chora, ri e fala o que pensa. Eu sou mais racional e observador. Acho que de semelhanças temos o espírito de artista e a fé inabalável no nosso trabalho.

TV a Bordo – Se você recebesse hoje um novo convite para emendar uma nova novela, aceitaria? 

Luis Lobianco – Se fosse um convite tão especial como o do João, por que não? Eu me sinto muito vivo trabalhando. Saio de casa para gravar como quem vai para uma festa. Tenho muita gratidão e orgulho por ser chamado sempre para produções de muito bom gosto!

TV a Bordo – O que está achando da sua estreia na TV em uma novela? Curtiu o produto?

Luis Lobianco – Estou adorando! Melhor ainda porque a novela é um sucesso! (risos) E o sucesso não é à toa. Começamos a trabalhar juntos em janeiro e o Dennis (Dennis Carvalho – diretor artístico) preza em ter uma equipe harmônica, enfim! Fui bem acolhido, bem recebido. Já fiz muita coisa, teatro, cinema, TV a cabo, mas novela, sinceramente, não. Tinha uma expectativa e, caramba, será que é muito diferente, muito frio? E nada disso. Fui recebido como se estivesse numa trupe de teatro. A gente estuda muito, ensaia, pesquisa muito os sotaques, mergulha fundo nessas Bahias que a gente tá contando. Imaginava que era uma coisa que chegava, gravava… Nós do elenco marcamos para nos encontrar, bater texto… Coisas que o pessoal das novelas antigas fazia. Eu fico muito feliz em trabalhar desse jeito, porque você fica mais seguro para a cena. 

TV a Bordo – Você contracena com dois ícones da dramaturgia nacional: Arlete Salles e José de Abreu. Como foi gravar pela primeira vez com eles? Sentiu insegurança, ficou muito nervoso, pediu selfie? Que sentimento o dominou na hora?

Luis Lobianco – Na primeira vez que gravamos eu estava mais ansioso do que nervoso. Já estávamos juntos há alguns meses trabalhando na preparação de elenco e a admiração só crescia. Esse momento de aula é ótimo pra quebrar o gelo e o excesso de reverência. Arlete é uma das minhas atrizes favoritas. A prova de que uma grande comediante precisa ser, antes de tudo, uma grande atriz do cômico ao trágico. Zé de Abreu é um ator cheio de vitalidade, intenso, num talento que transborda, e aprendo com ele todos os dias a não me importar com críticas maldosas e apontamentos. É sempre emocionante estar em cena com eles, desde a primeira vez. Não gosto muito de pedir selfies, prefiro, que nossos momentos sejam captados de forma mais espontânea. O maior registro desse encontro vai ficar guardado eternamente na nossa memória afetiva.

Lobianco
foto Divulgação Globo / Luis Lobianco em cena com Zé Dirceu, Francisco Cuoco e Arlette Salles

TV a Bordo – Você comentou que sua escolha em seguir e investir na carreira artística contou até com um certo descrédito de sua família e, agora, como a sua família reage a tudo isso, com todo esse sucesso dos seus personagens no teatro, na internet e na televisão aberta?

Luis Lobianco – No país que vivemos é natural que a família se preocupe quando um jovem decide dedicar sua vida à arte. No meu caso não foi um descrédito por moralismos, mas, porque eu era um adolescente de classe média sem garantias de um futuro bem sucedido, escolhendo viver de cultura no país onde ela não é valorizada. Sempre fui respeitado nas minhas orientações em casa e isso faz toda a diferença numa trajetória. Hoje tenho retorno por 24 anos de investimento no teatro e quando estamos juntos em família refletimos com alegria por esse reconhecimento. Com humildade também, porque, ainda tenho muitos planos, e se manter nas artes será um desafio à vida inteira.

TV a Bordo – Olhando para atrás, você se arrepende de ter feito alguma coisa? Faria algo de diferente do que fez até hoje?

Luis Lobianco – Não me arrependo de nada, faria tudo igualzinho! A diferença é que hoje cuido muito mais do meu bem estar. Aprender a equacionar exercícios, alimentação e sono vem com a vida adulta e afetam a qualidade do trabalho.

TV a Bordo – Como está a sua reeducação alimentar, firme e forte? Como funciona esse processo? Você segue alguma linha específica orientada por algum profissional? Do início das gravações até hoje, cumpriu a sua meta? Quantos kilos já perdeu?

Luis Lobianco – Há seis anos incorporei um ritmo de trabalho sobre-humano. Até 2012 eu já trabalhava há 19 anos com teatro e o retorno financeiro e de público não vinham. Quando fui projetado pelo ‘Porta dos Fundos’ recebi chuva de bons convites para o cinema, TV e teatro e, na minha cabeça, tinha que aceitar todos para tirar o atraso! Cheguei a fazer dois filmes e uma série ao mesmo tempo, cinco peças de teatro diferentes na mesma semana, o que significa virar noites e dias trabalhando e não comer direito. Meu corpo sentiu na balança com o desequilíbrio nos horários de comer e da falta de exercícios. Há dois anos tive uma inflamação lombar e foi a hora de repensar esse ritmo. Desde então faço fisioterapia e ginástica funcional regularmente. Além disso, treino levantamento de peso e tenho acompanhamento nutricional. Aproveito que gosto de cozinhar e preparo minhas marmitas super balanceadas para o dia de trabalho. Tive que desacelerar e focar em um trabalho por vez. Essa percepção vem com a experiência. Entendimento de que não dá pra abraçar o mundo com as pernas e que é preciso ter ajuda de profissionais, ninguém faz nada sozinho. O resultado concreto são 25 quilos a menos (e ainda quero perder mais uns 10 quilos pra ficar no meu peso normal de sempre)

TV a Bordo – O que você mais gostar de assistir, televisão, teatro ou cinema? Que personagem você gostaria de interpretar?

Luis Lobianco – Eu faço teatro há 24 anos e por isso é onde me sinto em casa. Um dos meus programas preferidos é reunir os amigos em casa pra assistir séries e filmes. Adoraria interpretar Mozart em “Amadeus” ou na infância o Pedrinho do “Sítio do Pica-pau Amarelo”.

Lobianco
foto reprodução / Luis Lobianco e a trupe do espetáculo “Dejavú”

Buraco da Lacraia

TV a Bordo – Sobre o espetáculo ‘Buraco da Lacraia Dejavú”?

Luis Lobianco – Somos uma companhia de teatro sediada na Lapa (Rio de Janeiro) há seis anos. Lá criamos alguns espetáculos com a linguagem do cabaré: música, humor muito crítico e política. Estamos sobretudo falando de diversidade com essa ocupação. Virou um marco na cultura carioca e fomos vistos por milhares ilustres desconhecidos e classe artística formadora de opinião. É um espaço muito democrático e de experiência plena da liberdade. Nos apresentamos uma vez por mês. Nosso perfil no insta com datas e programação é o @buracodalacraia

Luis Lobianco
foto Divulgação

GISBERTA

TV a Bordo – Sobre o espetáculo “Gisberta”.

Luis Lobianco – No espetáculo solo “Gisberta” eu conto a história real da artista brasileira que foi assassinada em Portugal por crime de transfobia. São personagens reais e fictícios, música, poesia e minhas histórias pessoais, com participação do público pra gente conhecer essa mulher corajosa, que se tornou um ícone na luta pelo respeito à diversidade. A peça foi vista por milhares de pessoas, porque, mesmo com um fim tão trágico Gisberta era muito solar e divertida. Acaba sendo uma peça com muito humor e extremamente popular, características que sempre trago pros meus trabalhos. Faço agora três únicas apresentações na Cidade das Artes, Rio de Janeiro: dias 12, 13 e 14 de outubro. No fim de novembro embarco para Portugal para uma temporada pelo país.

foto Divulgação Globo

LUIS LOBIANCO, Rio de Janeiro, 13 de janeiro de 1982.

A seguir, um bate-bola, Jogo Rápido com Luis Lobianco

Melhor fazer: Porta dos Fundos ou Novela? 

Nesse instante novela, porque é onde escolhi estar e deu muito certo. O sucesso desse momento tem muito a ver com o Porta dos Fundos.

Um ator inspirador:

Wagner Moura

Uma atriz inspiradora:

Andrea Beltrão

Um filme para assistir muitas vezes:

‘Central do Brasil’

Uma música para se ouvir a toda hora:

Chopin, Satie e Caetano.

Uma piada sem graça:

A preconceituosa.

A melhor sobremesa do mundo:

Torta de limão.

Um prato que eu comeria 100 vezes:

Macarrão caseiro da minha avó Izabela.

Um prato que não comeria de jeito nenhum, nem por um milhão de reais!:

Tenho pavor de chuchu.

Me tira do sério…

Gente que fura fila e exige honestidade dos governantes. Gente que explora a fé das pessoas para enriquecer.

Me deixa feliz:

Cultura e esporte transformando a vida de pessoas.

Tenho saudades de:

Festas da minha família de quando eu era criança.

Uma frase que norteia a sua vida:

#EleNão

Lobianco é um cara:

De ação! Literalmente.

Mensagem aos fãs:

Obrigado pelo amor com os meus personagens e as lindas mensagens no Instagram. Não trabalho para agradar aos críticos, faço de tudo pra me comunicar diretamente com vocês através dos meus papéis. Um sorriso, lágrima, abraço ou aplausos são meus maiores prêmios nessa jornada. Obrigado!

agradecimento especial Marcela – da Primeiro Plano

Episódio “Candidato”, Porta dos Fundos, com Luis Lobianco:

‘Segundo Sol’ é escrita por João Emanuel Carneiro, com colaboração de Márcia Prates, Fábio Mendes, Lílian Garcia e Eliane Garcia, tem direção de Cristiano Marques, Noa Bressane, Marcelo Zambelli e Ricardo Spencer, com direção geral de Maria de Médicis e direção artística de Dennis Carvalho.

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