Leia entrevista com Luiz Henrique Rios, Rosane Svartman e Paulo Halm

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Luiz Henrique Rios, Rosane Svartman e Paulo Halm, diretor artístico e autores de ‘Bom Sucesso’, respectivamente, contam o que esperar da próxima novela

Da esquerda para a direita: Luiz Henrique Rios (diretor artístico), Rosane Svartman e Paulo Halm (autores de ‘Bom Sucesso’)

Rosane Svartman

Rosane Svartman é cineasta, roteirista, diretora e doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Na Globo, dirigiu ‘Casseta e Planeta’ e ‘Garotas do Programa’, além de atuar como roteirista em séries como ‘Guerra e Paz’ e ‘Na Moral’. Assinou a redação final de ‘Dicas de um Sedutor’ e ‘Malhação: Intensa como a Vida’.

Paulo Halm

Paulo Halm é roteirista e diretor. No cinema, dirigiu o filme ‘Histórias de amor duram apenas 90 minutos’, o documentário ‘Hijab – Mulheres de véu’, entre outros. Como roteirista escreveu longas como ‘Pequeno dicionário amoroso I e II’, ‘Cazuza – O Tempo não Para’, ‘Casa da mãe Joana 1 e 2’, ‘Dois perdidos numa noite suja’, com o qual ganhou prêmio da Academia Brasileira de Letras, entre outros. Na Globo, foi roteirista de séries como ‘Amazônia’, ‘Guerra de Canudos’ e ‘Dicas de um Sedutor’.

Indicações de Svartman e Paulo

Juntos, Rosane e Paulo assinaram a novela ‘Totalmente Demais’, indicada ao Emmy Internacional de Melhor Novela (2017), e ‘Malhação Sonhos’, que concorreu ao Emmy Kids nas categorias Digital (2016) e Melhor Série (2015).

Rosane Svartman e Paulo Halm

Qual a principal premissa da novela?

Rosane – Queremos falar sobre quão preciosa e única é a vida. A morte é a única certeza que a gente tem, e não precisa ser um tabu falar disso, especialmente porque, com a consciência de que nossos dias são finitos, podemos valorizar mais cada momento.

Paulo – Desejamos trazer a concepção de que a gente deve viver intensamente até o último minuto. Falamos sobre a descoberta de potenciais e sobre a redescoberta de pequenos prazeres. Acho que saber viver é o grande desafio do ser humano.

Como surgiu a inspiração para contar essa história?

Rosane – A primeira inspiração veio de um estudo do IBGE que mostra que aumentou o número de mulheres que são chefes de família. Começamos a pensar em quem são essas mulheres, se elas têm tempo para pensar em si próprias, como deve ser o dia a dia delas, e daí veio a ideia de trazer essa personagem feminina, a Paloma. Outra inspiração veio há dois anos quando trabalhei como curadora da Bienal e fiquei muito entusiasmada com aquele ambiente, unindo milhares de pessoas em torno do universo dos livros. Achamos que trazer o mundo da literatura era uma inspiração e uma homenagem ao que a gente faz, que é contar histórias.

Paulo – Nós somos leitores vorazes e gostamos de dialogar com várias narrativas dentro do audiovisual. Em ‘Malhação Sonhos’ trouxemos o teatro e a música. Em ‘Totalmente Demais’, o cinema e a poesia. Agora, é a vez da literatura. Esse universo é muito rico e tem tudo a ver com a história de Paloma, uma mulher sonhadora e que tem a fantasia de viver suas próprias histórias. Além disso, quando começamos a escrever, encontramos o livro “A morte é um dia que vale a pena viver”, da Doutora Ana Claudia Quintana Arantes. Temos um diálogo contínuo com a obra, que fala da mesma coisa que levantamos na novela: aproveitar ao máximo a vida. Aparentemente, é uma temática densa, mas trazemos uma abordagem leve e alto astral.

Como surgiu a ideia de retratar o universo de Bonsucesso?

Rosane – Visitando a região da Leopoldina, achamos que era o lugar ideal para a nossa protagonista, pois Bonsucesso é um bairro que tem semelhanças com muitos outros pelo país. É de origem operária, possui muitos imigrantes, tem uma história grande. Além disso, a gente adora a poesia deste nome.

Paulo – A gente entende como sendo um bairro do Rio, mas que poderia estar em qualquer lugar do Brasil. O título da novela é um trocadilho, porque estamos falando do bairro e, ao mesmo tempo, fazendo um desejo de boa sorte. É um brinde à vida que a novela propõe.

Podem falar sobre como será a relação entre Paloma (Grazi Massafera) e Alberto (Antonio Fagundes) e como esse encontro conduz a novela?

Rosane – Paloma sente que viveu mais intensamente no período que achava que tinha seis meses de vida do que nos últimos anos. É assim que ela para e reflete sobre os rumos que os dias dela estão tomando. Ela vai atrás da pessoa que está com a doença terminal, o Alberto, e ele fica perplexo com tamanha explosão de vida dela. Alberto pede que ela o ensine a viver e um aprende muito com o outro. O encontro desses dois mundos diferentes inicia a história e a partir disso surgem os ingredientes do melodrama, como o triângulo entre Ramon, Paloma e Marcos.

Paulo – O encontro deles é a semente da novela. Quando Paloma descobre que vai morrer, ela se dá conta de que sua vida até então era muito limitada e que pode viver muito além disso. Ela vai ter muitas experiências que talvez não tivesse oportunidade, e Alberto vai aprender a valorizar os pequenos prazeres da vida. A partir disso, vêm todos os encontros e desencontros da história.

O que o público pode esperar da novela?

Rosane – Adoramos misturar cenas de forte emoção com cenas leves, porque a vida não é todo dia um drama e também não é todo dia tão leve e fácil. Essa mistura é o ingrediente característico do nosso texto.

Paulo – É uma novela leve, com humor e reflexão. É uma temática universal, e optamos por uma linguagem contemporânea e divertida.

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Formado em Sociologia, Luiz Henrique Rios é diretor na Globo desde os anos 1990, quando dirigiu ‘Quatro por Quatro’. Esteve à frente ainda de produções de destaque como ‘Corpo Dourado’, ‘Belíssima’, ‘Da Cor do Pecado’, ‘Passione’, ‘Totalmente Demais’, ‘Pega Pega’ e, mais recentemente, ‘Pais de Primeira’.

Fale um pouco sobre a linguagem escolhida para essa novela e como o humor está presente.

Temos buscado um lugar de simplicidade para construir a história. O objetivo é que o público se identifique e tenha uma sensação de pertencimento. A gente está construindo uma imagem que traz liberdade e fluidez com muita cor e densidade nos cenários e nos detalhes, mas sempre com os personagens em um lugar de destaque. A comédia tem várias texturas e nós estamos fazendo uma comédia dramática, em que o público ri no melodrama. A comédia se constrói na quebra da expectativa do público, então tem muitas situações inusitadas que começam com uma determinada intenção e acabam tendo um desfecho completamente diferente, trazendo a  graça.

Como é falar de vida a partir da morte?

Nós colocamos essa ideia da morte como um despertar para a vida. Se você tem pouco tempo de vida, o que você vai fazer para ela ser boa? O lugar da morte como fim e negação é uma questão cultural e não existencial. Essa é a conversa que nós propomos fazer. Paloma (Grazi Massafera) e Alberto (Antonio Fagundes) descobrem, juntos, que a vida não tem tempo. Ela tem intensidade, vontade e substância. Eles vão viver muitas descobertas juntos e, ao mesmo tempo, ela vai transformando a vida dele e vice-versa, o que gera consequências para todas as pessoas em volta.

Como foi feita a escalação do elenco?

Esse é sempre um desafio. Além de buscar a melhor adequação para cada personagem, tínhamos também um desejo de descobrir novos talentos e trazer para a TV rostos de atores que não são tão conhecidos do público. Temos um núcleo jovem grande nessa novela. Estou feliz com o resultado. O mundo é feito de gente maravilhosa e estou cercado de pessoas muito incríveis.

Pode falar sobre a trilha sonora?

Estamos falando muito do subúrbio do Rio de Janeiro, dos livros e do basquete. Construímos uma trilha sonora bastante eclética e popular para dialogar com esses múltiplos universos da novela. Nossa personagem principal, a Paloma, vem do samba e teremos forte presença desse gênero. Por exemplo, a música de abertura é “O Sol Nascerá”, de Cartola, cantada por Zeca Pagodinho e Teresa Cristina.

O que o público pode esperar dessa novela?

Queremos que a pessoas se inspirem a viver melhor. É uma história totalmente universal. Só temos uma certeza na vida, que é a morte. Como seres humanos, temos tido muita dificuldade em conversar com essa “grande conselheira”. Fazer uma comédia a partir disso é muito especial. O público ainda pode esperar muito carinho, emoção e uma dose grande de amor e leveza.

‘Bom Sucesso’ de Svartman e Paulo Halm

‘Bom Sucesso’ é escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm, e tem direção artística de Luiz Henrique Rios e direção geral de Marcus Figueiredo. A novela estreia no dia 29 de julho, às 19h30.

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