A Xepa da Record

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novela DONA XEPA – TV CRÍTICA

Mais uma novela estreou na Record: Dona Xepa. O clássico de Pedro Bloch adaptado por Gustavo Reiz, entrou na grade de programação da emissora, mas até agora não marcou dois dígitos. A novela tem média de 6 pontos (*), muito abaixo da meta.

A história
DONA XEPA é uma readaptação da clássica história de uma mãe pobre, sem cultura e que dá o melhor para oferecer uma educação digna aos seus filhos. Por outro lado, os filhos têm vergonha da mãe, uma feirante barraqueira.
No papéis principais estão Ângela Leal, o ex-rebelde Arthur Aguiar (Édison) e Thaís Fersoza (Rosália). Além de outras histórias paralelas ambientadas em São Paulo. 

Terceiro remake
É a terceira vez que a história é adaptada. A primeira foi em 1977 com a saudosa Yara Cortes no papel principal. Em 1990 sob o tema Lua Cheia de Amor e a estrela Marília Pêra encabeçando o elenco, as frutas, legumes e verduras de Pedro Bloch deram vida ao folhetim.

O nome de Ângela Leal como a feirante batalhadora, honesta e dedicada aos filhos caiu como uma luva. Ângela, que esteve presente na primeira versão, fica bem à vontade com o papel, parece que foi escrito para ela.

Apesar do acerto no papel, existe um erro estratégico da Record no horário de exibição. Já é a terceira produção seguida que a emissora não consegue embalar dois dígitos na audiência. MÁSCARAS de Lauro César Muniz e BALACOBACO de Giselle Joras, ficaram abaixo dos 10 pontos.

Produções e estilos diferentes
A Record quando da contratação do autor Thiago Santiago lá pelos idos de 2004, criou seu núcleo de novelas e trilhou um caminho de sucesso. ESCRAVA ISAURA inaugurou uma nova era na TV dos bispos.

Havia um estilo em suas obras. Os últimos produtos da casa consolidaram uma linha dramatúrgica desde CIDADÃO BRASILEIRO, passando por CAMINHOS DO CORAÇÃO e VIDAS EM JOGO.

Será a faixa das 22h30 a mais adequada para engatar dois folhetins coloridos, jovens e carregados no humor? BALACOBACO veio com essa proposta e não emplacou. DONA XEPA segue o mesmo caminho.

Sabor de comida requentada
A produção de DONA XEPA está mais para comida requentada. Uma história antiga que não desperta tanto interesse nos dias de hoje. É uma pena. A torcida é sempre para que a emissora continue investindo em dramaturgia e gere empregos para artistas e profissionais da área.

Gustavo Reiz propôs algumas ideias atuais para o remake ambientado nos anos 1970. A repercussão do vídeo da Xepa aprontando na feira, uma clara referência ao YouTube, foi a proposta, mas não surgiu o efeito esperado.

Há um núcleo rico na novela para dar o contraponto com a pobreza de Xepa, mas, às vezes, soa inverossímil e constrangedor. Até mesmo a relação mãe ignorante/filhos cultos, é ingênua e não convence. É explícita a imaturidade do autor.

PECADO MORTAL, a próxima atração, será escrita por um ex-global, Carlos Lombardi. A direção caberá ao fera Alexandre Avancini. O autor faz bom uso das redes sociais para começar a envolver o público com uma história em três fases e está dando certo. É comum as pessoas se manifestarem em favor do dramaturgo, uma verdadeira torcida para a volta do criador de grandes novelas de sucesso como Bebê a Bordo, Quatro por Quatro e Kubanacan, entre outras. 

DONA XEPA
De segunda a sexta, às 22h30.
(*) Cada ponto equivale a 65 mil domicílios na cidade de São Paulo.

Leia entrevista da atriz Bia Montez
a Matilda de DONA XEPA.

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