Carlos Lombardi: “Tentei, não consegui. Sou prolixo demais para resumi-las a uma palavra.”

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entrevista especial

CARLOS LOMBARDI


foto: Ana Branco

Quem não se lembra de Babalu e Raí em QUATRO POR QUATRO? Da Carlota Joaquina de Bourbon em O QUINTO DOS INFERNOS? Baldochi e Van Damme em UGA UGA? Da Dona Lola saindo escondida para cantar na rádio em KUBANACAN? E do parto da Ana em BEBÊ A BORDO? O criador de personagens e sequências inesquecíveis da nossa telinha está de volta. Paulista e corinthiano, CARLOS LOMBARDI estreia na próxima quarta, dia 25, na Record, depois de 30 anos de Globo, a superprodução: PECADO MORTAL.

Em entrevista inédita, o dramaturgo conversou com o blog e relembrou cenas da infância: “Uma das grandes brincadeiras de criança era me agarrar com os amigos na grade da ponte da rua João Teodoro, quando o Rio Tamanduateí transbordava. A gente desafiava a correnteza. Talvez os momentos mais radicais da minha infância. O resto do tempo eu era muito bobão, sempre tive medo de altura”. Além de histórias como essa, TV a BORDO revela a intimidade de um dos mais bem sucedidos novelistas da TV brasileira. 

Senhoras e senhores, CARLOS LOMBARDI. 
TVaBordo – Por que escolheu ser novelista?
CL – Não sei se escolhi. Entrei para a Escola de Comunicações e Artes da USP para fazer jornalismo, mas acabei mudando pra Rádio e TV. Pensava num trabalho atrás das câmeras, mas no estúdio, talvez direção. Mas gostava de escrever; minhas redações eram bem recebidas na escola tanto pelos professores como pelos colegas. Apareceu uma chance de ser roteirista no Telecurso Segundo Grau e aí a coisa seguiu quase sozinha, quando vi, estava virando novelista.

TVaBordo – E se não fosse novelista, o que gostaria de ser?
CL – Psicólogo, talvez. Cozinheiro, agora é chef, muito mais chique. GO do Clube Med. Minha imaginação é grande.

TVaBordo – Renato e Ricardo, seus filhos, pretendem seguir carreira artística?
CL – Eles ainda estão na adolescência. Ainda estão escolhendo o que vão fazer. Pelo jeito, nenhum deles pretende seguir carreira artística. Devem ter achado o trabalho muito sofrido vendo o pai ralar.

TVaBordo – Como surgiu o convite para escrever a sua primeira novela?
CL – A Tupi (TV Tupi) precisava inventar gente porque aquele péssimo hábito de atrasarem o trabalho estava afastando sua maior autora, Ivany Ribeiro. Antônio Abujamra, meu chefe na Fundação Padre Anchieta, onde eu escrevia os programas do Telecurso Segundo Grau, resolveu me apresentar pro Avancini (Walter Avancini, pai do Alexandre, grande diretor). Avancini montou uma equipe comigo, Ney Marcondes (meu colega de faculdade) e Edy Lima (jornalista, autora de teatro e da série de livros da Vaca Voadora) e propôs um título: COMO SALVAR MEU CASAMENTO. A gente fez.

 “Devem ter achado o trabalho 
muito sofrido vendo o pai ralar”

TVaBordo – Qual foi o seu trabalho mais prazeroso?
CL – Meu trabalho mais prazeroso foi a minissérie O QUINTO DOS INFERNOS. Teve 50 capítulos Um tamanho em que o peso da extensão de uma novela, o trabalho físico que ela acaba sendo, não atrapalhou. Era também um trabalho muito baseado em pesquisa histórica, pesquisa essa, que levei muito a sério, o que nem sempre acreditam porque a “mini” era uma comédia dramática. Muita gente acha que onde há humor, existe falta de informação ou de seriedade, o que não é verdade. É meu trabalho favorito, com certeza.

TVaBordo – Se fosse escolher uma cena de uma de suas novelas, qual seria a cena preferida ou as cenas preferidas?
CL – Ih, difícil. São mais de trinta anos. Seria capaz de ficar aqui horas lembrando de cenas específicas: Baldochi mostra pro irmão Van Damme que está vivo em UGA UGA; Babalu rompe com Raí em QUATRO POR QUATRO ou uma grande briga de Bibi com seu marido na mesma novela. O primeiro encontro entre Cidinha e Leda em PERIGOSAS PERUAS. A apresentação do índio loiro Uga Uga pra sociedade carioca depois de resgatado da mata. As cenas que se passavam na isolada aldeia dos índios. O primeiro reencontro dos cinco irmãos de infância já adultos em PÉ NA JACA. A sequência em que Arthur Fortuna descobre que está falido. O primeiro reencontro de Maria e Lance, na mesma novela. A estreia de Luca no Corinthians em VEREDA TROPICAL. O parto de Ana no meio da rua em BEBÊ A BORDO. A saída de Fidel do presídio de VIRA-LATA. Dona Lola saindo escondida para cantar na rádio em KUBANACAN. Enrico descobrindo que sua cunhada Rubi é apaixonada por ele também em KUBANACAN. Ih, ficaria aqui horas. 

“Muita gente acha que onde há humor, 
existe falta de informação ou de seriedade, 
o que não é verdade”

TVaBordo – Que novela reescreveria?
CLCOMO SALVAR MEU CASAMENTO. Era muito novo quando fiz. Hoje, com vinte e tantos anos de casado, sinto-me muito mais preparado pra tratar do assunto e retratar personagens que já têm filhos grandes. Usaria as mesmas personagens, mas com certeza teria um ponto de vista muito mais abrangente e maduro.

TVaBordo – E se fosse convidado para fazer uma continuação de uma novela, qual seria?
CL – Acho que nenhuma. Veja bem, quando você termina uma novela que te fez feliz é muito difícil se despedir das personagens, mas depois que o tempo passa e você começa a desenvolver outras personagens, vem a sabedoria de deixar o passado pra atrás e se focar no futuro. 

TVaBordo – Para qual ator ou atriz, que ainda não trabalhou, gostaria de escrever uma personagem?
CL – Tentei muito trabalhar com o (Antônio) Fagundes, mas não deu. O general de KUBANACAN, a princípio, seria dele, mas aí ele tinha que fazer outra novela, dancei.

TVaBordo – Algum arrependimento?
CL – No varejo, vários, ou seja, de detalhes, de pequenas coisas. A idade traz mais compreensão e mais capacidade de não levar a sério pequenos problemas. No atacado, não.

TVaBordo – Algum fato muito engraçado que gostaria de contar sobre os bastidores de novela?
CL – Não. Minha memória é mais sentimental que humorística.

“Tentei muito trabalhar com o Fagundes, 
mas não deu. 
O general de KUBANACAN,
a princípio, seria dele, 
mas aí ele tinha que fazer 
outra novela, dancei”
TVaBordo – Você usa alguma fórmula ou metodologia para criar uma novela?
CL – Não. Uso uma rotina. Nem a busco, mas sei que minha cabeça se acostumou a funcionar de um jeito. Uma novela nasce aos pedaços, você pensa numa personagem, aí você pensa num conflito, o que traz outras personagens. Ao mesmo tempo, você pensa num tema. Aos poucos, essas histórias diferentes e espalhadas vão sendo trabalhadas, aí entra a técnica de ir juntando tudo numa história só.

TVaBordo – O que é necessário para ser um bom roteirista?
CL – Ter capricho, não aceitar a primeira ideia só porque ela veio. Sempre dá pra procurar mais, contar melhor.

TVaBordo – O que achou da versão de GUERRA DOS SEXOS de 2013?
CL – Assisti pouco. Minha experiência sendo colaborador do Sílvio (Sílvio de Abreu) na primeira GUERRA foi tão boa que não consegui me envolver emocionalmente na segunda versão. Ficava lembrando do primeiro elenco, etc. Não que fosse melhor ou pior. Simplesmente, foi um trabalho do qual participei com gosto, do qual ficaram ótimas lembranças. Preferi deixá-las assim.

foto: divulgação

TVaBordo – O que esperar de PECADO MORTAL?
CL – Uma novela agitada, mais dramática que o habitual das minhas, mas muita coisa do que marcou o que falam que é meu estilo.

TVaBordo: Defina em uma palavra algumas de suas obras:
CL: Tentei, não consegui. Sou prolixo demais para resumi-las a uma palavra.”

VEREDA TROPICAL
Meu amor pelo futebol

BEBÊ A BORDO
A minha cara aos 30 anos

PERIGOSAS PERUAS
Uma novela para a minha mulher

QUATRO POR QUATRO
Minha homenagem a Cassiano

UGA UGA
Minha novela mais romântica

O QUINTO DOS INFERNOS
Uma delícia

KUBANACAN
O país que eu inventei

PÉ NA JACA
Maturidade

GUERRA E PAZ
Outra delícia

foto: Edu Moraes

CARLOS LOMBARDI
São Paulo, 27 de agosto de 1958



Jogo Rápido




Ator
Sean Connery

Atriz
Helen Mirren

Cantor
Ney Matogrosso

Cantora
Sade

Filme brasileiro
Um trem para as estrelas

Filme estrangeiro
Tantos…

Música da sua vida
The look of Love (Burt Bacarah), The Colour of Love (Sade)

Livro de cabeceira
Qualquer romance histórico de Gore Vidal e qualquer policial de Rex Stout – Don Casmurro.

Ditado, verso ou frase
Não é meu forte

Poeta
Ferreira Goulart

Escritores
Gore Vidal, John Updike, Machado de Assis, Dostoievisky e Agatha Christie

Comida preferida
Pizza

Sobremesa
Sorvete de chocolate amargo

Sonho
Continuar escrevendo, mas menos horas por dia.

Qualidade
Franqueza

Defeito
Franqueza

Sonho de consumo
Voltar a Veneza

Humor ou drama?
Ambos

Paixão
Televisão

Amor
Cris e os meninos

Família
A minha

Brasil
Menor que seu potencial

Carlos Lombardi é um cara
Honesto

Mensagem aos fãs
Assistam PECADO MORTAL!
Obrigado pela chance de falar tanto! Abraços.

De segunda a sexta, às 21h15.

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7 COMENTÁRIOS

  1. Warlen Pontes, PARABÉNS por mais uma entrevista competente e rica de conteúdo. Bem interessantes suas perguntas e as respostas do Carlos Lombardi. E parabéns pela iniciativa de criar este Blog! Abs,
    Deo Garcez.

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