Wagner. “Acho que cheguei longe, já estava pensando realmente em chegar à final.”

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O Wagner, um jogador observador

o Wagner
foto reprodução

Gleigner está vivo e, para o Wagner, o relacionamento com Gleici tem tudo para continuar fora da casa “sem câmeras, sem microfone. Quero encontrar com a família dela nos próximos dias para conversarmos”, contou o artista plástico. O namoro foi acontecendo de forma natural e a estudante de psicologia foi, desde o início, seu principal apoio. “Gleici foi a minha fortaleza. Eu sempre pedia para ela ficar perto de mim, porque a presença dela me fazia bem. Tive bastante tato para não atropelar as coisas e não meter os pés pelas mãos, para ninguém sair magoado”, disse.

Para o Wagner, a forma intensa como tudo aconteceu no jogo foi um dos fatos mais marcantes. Observador, ele define os 71 dias na casa como um período de descoberta. “De mim mesmo e de ver até que ponto o ser humano pode chegar para tentar conquistar seus objetivos”. Ele diz que, ao disputar a permanência no reality com a família Lima, já acreditava em sua saída. “Talvez com algum outro participante ou em um paredão triplo eu pudesse ficar, mas com a família era bem provável que eu saísse”, avaliou o participante, que foi o décimo eliminado do ‘BBB 18’ nesta terça-feira, dia 3, com 59,50% dos votos.

Entrevista com o Wagner, o décimo eliminado do BBB 18

O que representou para você esse período no BBB?

O Wagner – Foi um período de descoberta de mim mesmo e de ver até que ponto o ser humano pode chegar para tentar conquistar seus objetivos. Eu tentei me manter no meu eixo e estar, na maior parte do tempo, no controle da situação, mas eu falhei nessa missão. Me perdi em alguns momentos, me excedi nas palavras, em outros, houve falta delas. Mas nada que me desabone como homem e pai.

Você já consegue enxergar o motivo que te fez sair do jogo?

Wagner – Eu saí do jogo por ter ido a um Paredão difícil contra fortes candidatos.

Você já esperava?

Wagner – Esperava estar no Paredão, mas não contra a família.

Se fosse um outro cenário, você acha que teria mais chance de permanecer no jogo?

Wagner – Acho que sim. Principalmente com base nas poucas informações que tive até agora, acho que continuaria, sim.

Você se arrepende de não ter votado no Viegas e mudado a formação do Paredão?

Wagner – Não me arrependo, mantive a minha palavra. Eu esperava que um dos votos que foi para a família tivesse ido para ele, o que acabou não acontecendo.

Qual era o seu objetivo lá dentro?

Wagner – Eu sempre fui muito competitivo e entrei no BBB para jogar e chegar o mais longe possível. E acho que cheguei longe, já estava pensando realmente em chegar à final.

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E qual era a estratégia para chegar lá?

Wagner – Estar ausente dos paredões, fugir deles como o diabo foge da cruz. E foi isso mesmo, uma semana de cada vez.

Com quem você mais se identificou lá dentro?

Wagner – Já no primeiro dia eu colei na Gleici. Me chamou muita atenção ela ser do Acre, ser uma menina de periferia. Ela tem os traços muito convidativos para eu me aproximar dela. E também do Viegas, que canta reggae, também é da periferia, tem um visual que está próximo do meu cotidiano. Me aproximei dele também já de cara. Diria que Viegas e Gleici foram as primeiras sintonias perceptíveis ao olhar.

E a amizade com a Gleici acabou se tornando um relacionamento lá dentro…

Wagner – Sim, ela foi a minha fortaleza. Nos dois primeiros dias eu tive um conflito interno mesmo, até chorei, e fiquei muito agradecido por ela estar lá, por ter uma pessoa como ela na casa. A partir daí, o carinho e a proximidade foram aumentando muito, eu sempre pedia para ela ficar perto de mim, porque a presença dela me fazia bem. Essa amizade passou a ser um carinho muito grande e depois tive bastante tato para não atropelar as coisas. Por isso acho que as pessoas julgam, dizendo que demorou demais para o relacionamento acontecer, mas era mais um lance de sentir mesmo, de não meter os pés pelas mãos para ninguém sair magoado.

E você acha que os dois estavam nesse mesmo clima de deixar tudo rolar com calma?

Wagner – Nós dois somos bem serenos e a gente não queria se expor muito. A gente sabe que as pessoas têm uma tendência a julgar. Tentamos manter o foco no aqui fora, de que aqui tudo vai acontecer lindamente. Tem tempo para tudo, sabe?

Ao mesmo tempo, a amizade com o Viegas, que também começou lá no início, se rompeu…

Wagner – Eu fiquei muito enfurecido com a nossa saída prematura da prova do líder e com a maneira como aconteceu, por uma imprudência. Eu não consegui controlar a minha ira. Fiquei muito chateado, magoado, irado mesmo. Me senti mal. Talvez o meu erro tenha sido depositar todas as minhas fichas naquela prova. Eu estava ali cego em querer ganhar e a gente perdeu. E o ser humano não lida muito bem com a derrota. Mas foi uma reação potencializada por eu estar lá dentro, também por quem ter ganhado ter sido a Jéssica. Mas, depois que a Gleici voltou, eu consegui voltar para o meu eixo, reconheci meu erro, pedi perdão para ele com a mesma intensidade com que fui rude. Dei o Anjo para ele, o levei para conhecer minha família no prêmio do Anjo. Saí disso com a cabeça erguida e a alma lavada.

Desde o início você demonstrou não sentir muita simpatia por algumas pessoas também. Por quê?

Wagner – Fiz uma leitura da Jéssica com base em alguns comportamentos dela que mantenho. Acho que ela foi para o jogo disposta a tudo e que se escora em quem oferece para ela segurança e apoio. Com o Kaysar, o lance é que eu acho que não dá para ser alegre o tempo inteiro, fazer piada de tudo. Bater panela, arrotar… não consigo achar graça ou conviver com isso em paz. Me tirava muito do eixo e, no momento que ele viu isso, acho que não fez questão nenhuma de manter uma civilidade para amenizar o meu incômodo.

Você tentava manter uma postura mais calma, falando baixo, não se exaltando. Mas nesta última semana você explodiu. O que aconteceu?

Wagner – Acabou a paciência. O humor do Kaysar é muito caricato e ele faz questão que isso seja notado pelas pessoas.

O que fez você querer entrar no BBB?

Wagner – A experiência, o convívio intenso, essa lupa em cima das pessoas e desse comportamento à flor da pele. Gosto muito de experiências com pessoas e extremos, e o BBB é isso.

Você parece um cara mais recluso. Essa exposição tem a ver com a sua personalidade?

Wagner – Essa é uma das coisas que eu ainda estou tentando entender. Foi uma mudança brutal para mim. Saí de um cotidiano de extrema solidão e silêncio e fui para uma casa com 20 pessoas, uma querendo aparecer mais que a outra, algumas demasiadamente barulhentas. Mas eu pensei: “vamos lá”, e fui até onde deu.

Com esse perfil, você conseguia encontrar um lugar que te desse mais paz, mais conforto?

Wagner – Nos primeiros dias esse lugar foi a porta da academia. Eu gostava muito também, nos dias de Paredão, de sentar numa pedra na porta do quarto do líder. Mas algumas pessoas não entendiam muito que quando eu estava lá era porque eu precisava ter o meu momento. Quando eu queria voltar a algum lugar de paz eu também subia no barco e fingia que estava remando, que é algo que me leva a um lugar bom.

Durante as festas você conseguia se soltar mais?

Wagner – Nas primeiras eu fiquei mais olhando de fora. Depois entrei no ritmo e acabei me divertindo muito. Me entreguei a esses dias que eram mais amenos, quando todos falavam menos de jogo e priorizavam a diversão. Abracei as festas e já estava até dançando funk.

E as provas, te motivavam?

Wagner – Eu sou apaixonado pelo desafio. Uma das coisas que eu queria ter feito e não consegui foi vencer uma das provas de resistência. Queria muito mesmo. Mas eu fui muito bem nas provas da comida e do anjo. Ganhei duas e fui para o final em outra. Podia estar valendo um palito de fósforo usado, mas a competição me motivava demais, me dava muito prazer.

Se você tivesse a oportunidade de voltar ao jogo, faria alguma coisa diferente?

Wagner – Eu iria me expor mais desde o início.

Mas isso não vai contra a sua personalidade?

O Wagner – Vai, mas o BBB é um jogo de exposição. Às vezes as meias palavras deixam o subjetivo no ar. E entendi que é melhor falar tudo inteiro, às claras e até repeti-las, para deixar tudo bem lúcido e para que as pessoas percebam quem é você e o que você está fazendo, não deixar que interpretem algo que você deixou no ar. No início do jogo, eu fui taxado de calculista porque era mais introspectivo, reservado, mais observador. Mas isso é da minha natureza.

O que foi mais marcante para você lá dentro?

O Wagner – A intensidade do jogo, que chega a ser violenta. É muito intenso tudo o que a gente sente lá. O confinamento é algo a ser estudado realmente. A gente vê que o ser humano pode ser um animal cruel. Vou levar comigo também a lembrança da estrutura da casa, que é demais, sem comentários. E, claro, ter encontrado a Gleici, que foi meu refúgio e fortaleza. Ela é uma pessoa que eu quero levar para toda a vida, com quem eu posso contar.

Você consegue, em tão pouco tempo fora da casa, avaliar como foi a sua participação?

O Wagner – Não neguei a minha intuição em nenhum momento. Andei devagar às vezes, mas isso é da minha natureza e eu jamais negaria isso. Tenho filhos, família e uma vida aqui fora, e não poderia, de maneira alguma, acelerar as coisas, os processos para fazer um tipo. Fui verdadeiro e autêntico.

Seus planos agora, quais são?

O Wagner – Quero trabalhar bastante, ter um tempo mais introspectivo, voltar um tempo para a montanha, fazer uma viagem de canoa. Quero ter um período com a natureza, fazer viagens para a mata e dispersar um pouco dessa energia das pessoas. E depois, trabalhar muito, pintar muito, construir algumas instalações. Como artista, preciso de um tempo para alinhar algumas coisas. Tenho certeza que o Big Brother vai ter uma repercussão bem grande no meu trabalho, no sentido de mudar a estética.

E a sua torcida, fica com quem?

O Wagner – Com a Gleici, total. Vou acompanhar, pedir apoio. Não vejo a hora disso tudo acabar para conversarmos sem microfone, sem câmera.

Você acha que tem chance de seguir com o namoro?

Super! Quero falar com a família dela logo nesses próximos dias.

O ‘BBB18′ tem direção-geral de Rodrigo Dourado e apresentação de Tiago Leifert. O programa vai ao ar às segundas, terças, quintas, sextas e sábados logo após ‘O Outro Lado do Paraíso’, às quartas depois do futebol e aos domingos, após o Fantástico’.  

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