Teatro do Sesc Tijuca recebe espetáculo Crave

0

Crave estreia dia 8 de fevereiro e vai até o dia 24 de fevereiro, sempre às 20h

Crave
foto Fernanda Portella

Em ” Crave ” há uma mistura de conteúdo emocional extremo e inovação. A estrutura da peça permite a coexistência de variadas camadas de significado; o narrativo, o inconsciente, o emocional e o arquetípico; tornando-a rica principalmente pela sua potência cênica. 

Conceitos da dramaturgia

Nesta peça, vista como a mais madura e completa, Sarah Kane consegue renovar os conceitos de dramaturgia, desafiando e conduzindo o elenco aos limites do processo criativo. De um lado, seriedade e sofisticação são propostos pela forma, do outro, o conteúdo enigmaticamente jocoso e vivo é propulsionado por essa forma. Inicialmente a linguagem fragmentada convida os espectadores a jogarem também e, junto aos atores, irem à busca de uma lógica entre pensamentos que não parecem ter sido previamente filtrados. Em suas jornadas independentes e interdependentes, essas lógicas se desvelam e começam a virar movimento; influenciam umas as outras, se permeiam, caminham paralelamente e estão em constante mutação.

Cesar Augusto – diretor

Encenar um texto de Sarah Kane é sempre um desafio, e eu adoro desafios. ” CRAVE ” ou “ÂNSIA” é uma peça que mexe com as bases da dramaturgia, acolhe personagens que nem personagens são, são vozes, são reflexos, são espelhos de uma sociedade. Neste ponto, contemporânea, no caso de Sarah Kane na virada do século XXI. Sarah Kane é um prolongamento da dramaturgia Beckettiana ou de Harold Pinter e nisso o teatro agradece, os atores absorvem, a plateia se indaga e o teatro se faz da melhor forma possível, através da perplexidade, da inconstância e da imprevisibilidade. O teatro inteligente de Sarah Kane é sempre um desafio para quem quer estar presente na sociedade contemporânea. 

Paradoxo

Assim como em Beckett e Pinter, que inspiraram ” Crave “, o corte realizado com o drama tradicional reflete os anseios contemporâneos. A brutalidade que podemos enxergar ao nos depararmos com a vida, é contrastada com o amor e o humano; e o crescente autoconhecimento proporciona o encontro com a beleza mesmo nas situações mais cruéis. Neste sentido a forma dramatúrgica escolhida não é só forma estética, mas uma necessidade para que se exponha de forma precisa esse paradoxo.

LEIA TAMBÉM

Mariana Santos estreia ‘Só de Amor…’ no Teatro Porto Seguro

Crave

A visão do mundo apresentada em ” Crave ” se torna ainda mais transparente ao considerarmos o que Sarah propõe como base; os atores são portadores de texto, não personagens. O fluxo de informações não obedece às regras do cotidiano, o que permite que a peça mergulhe no que é aleatório, desconhecido, e como tal impossível de ser justificado racionalmente.

Caos e organização

Os idealizadores se depararam com uma exímia liberdade da autora, conferida por sua vez aos atores, e é a partir dessa liberdade que se desdobram destinos, histórias, escolhas, curvas, bloqueios, desbloqueios, encontros, voltas para si e voltas para o outro. Diante da violência do mundo buscam-se soluções. O texto amplia a visão sobre a vida e as suas dinâmicas, ampliando também o caos e a organização que surgem nesses caminhos, à medida que se procuram novas ferramentas para traçar passos dentro de um imenso labirinto.

SINOPSE

Em um universo de vozes, quatro personagens  expressam forte intimidade. Escrito por Sarah Kane, dramaturga referencia do teatro britânico do final do século XX, o espetáculo, envolto em poesia, amor e ódio, cria conexões,  numa trama cruel e abusiva, onde sujeito, tempo e espaço se apresentam indefinidos e refletem anseios contemporâneos.

SERVIÇO

Teatro I SESC Tijuca – Rua R. Barão de Mesquita, 539 – Tijuca – RJ

Telefone da Bilheteria: (21) 4020-2101 – funcionamento ter. a sex., 7h às 21h | Sab., dom. e fer., 9h às 18h.

Temporada de 08/02 a 24/02/2019

Horários: De sexta a domingo, às 20h

Duração: 70 minutos

Classificação: 16 anos

Gênero: Pós-dramático

Lotação: 228 lugares

Observações: Vendas na bilheteria do Teatro

Preço dos ingressos: 30,00 inteira / 15,00 meia / 7,50 (associado Sesc)

Sobre Sarah Kane

Sarah Kane, dramaturga inglesa considerada uma das grandes responsáveis pelo impacto do movimento In-Yer-FaceTheatre (na sua cara). Suas peças “Blasted” (1993), “O Amor de Fedra” (1996), “Purificados” (1998), “Crave” (1998) e “4:48 Psychosis” (1998), apresentam situações austeras e extremas, o que é muitas vezes atribuído à sua sensibilidade clássica, fazendo-a transcender o movimento teatral de sua época. Sua forte influência sobre o teatro foi muitas vezes erroneamente eclipsada por sua história de vida marcada pela depressão, mas sua capacidade de subverter a estrutura dramatúrgica acabou consagrando-a como escritora de talento único e visionário. Com cada nova peça ela mostrava resultados surpreendentes de sua investigação e exploração da forma teatral.

“Criar beleza a partir do desespero, ou do sentimento de desolação, é para mim a coisa mais esperançosa e afirmadora da vida que alguém pode fazer” – Sarah Kane.

FICHA TÉCNICA

“CRAVE ou ÂNSIA” de Sarah Kane

IDEALIZAÇÃO: Alexandre Galindo e Elisa Barbato

TEXTO: Sarah Kane

TRADUÇÃO: Laerte Mello

DIREÇÃO: Cesar  Augusto

ELENCO: Alexandre Galindo, Elisa Barbato, Maria Adélia e Rogério Freitas

CENÁRIO: Cesar Augusto

ILUMINAÇÃO: Bernardo Lorga

TRILHA SONORA: André Poyart

FIGURINOS: Tiago Cardozo

ASSISTENTE DE DIREÇÃO: João Bernardo Caldeira

PREPARAÇÃO CORPORAL: Toni Rodrigues

PROGRAMAÇÃO VISUAL: Thiago Ristow

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Alexandre Galindo

PRODUCÃO EXECUTIVA: Elisa Barbato

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Duetto Comunicação

REALIZAÇÃO: Alexandre Galindo e Elisa Barbato

Comentários do Facebook

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.