Gustavo Fernandéz “É uma novela romântica e com muita ação dentro da trama.”

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Entrevista com o diretor artístico Gustavo Fernández

Entrevista com o diretor artístico Gustavo Fernández
foto Divulgação TV Globo / Gustavo Fernández dirige Renato Góes e Bruno Cabrerizzo

‘Órfãos da Terra’ marca a primeira direção artística do gaúcho Gustavo Fernández na TV Globo. Ele estreou na emissora, em 1999, na minissérie ‘Os Maias’, como assistente de direção. Em 2004, na mesma função integra a equipe da novela ‘Um só Coração’. No mesmo ano, passou a integrar o time de diretores de ‘Começar de Novo’. Em seguida, dirigiu ‘Belíssima’ (2005), ‘Pé na Jaca’ (2006), ‘Duas Caras’ (2007), ‘A Favorita’ (2008), ‘Cama de Gato’ (2009), ‘A Cura’ (2010), ‘Cordel Encantado’ (2011), ‘Avenida Brasil’ (2012) e ‘Velho Chico’ (2016). Como diretor-geral, assinou a minissérie ‘O Brado Retumbante’ (2012), as novelas ‘Além do Horizonte’ (2013) e ‘Boogie Oogie’ (2014) e a série ‘Os Dias Eram Assim’ (2017).

Entrevista com Gustavo Fernandéz

Do ponto de vista da direção, como você define ‘Órfãos da Terra’? 

Fernández – É uma novela romântica e com muita ação dentro da trama. As histórias acontecem muito rápido, com ganchos e viradas o tempo todo. As tramas parecem que se resolvem, mas tomam outro caminho. E acredito que é aí que o público vai se surpreender com a novela.  

Que estética conceitua ‘Órfãos da Terra?

Fernández – No que diz respeito à imagem que vai para a tela, pude contar com a parceria do Alexandre Fructuoso, diretor de fotografia. Nós definimos uma linguagem muito própria para os primeiros momentos marcantes da trama. No campo de refugiados, optamos por uma imagem mais sépia e dramática. Já no núcleo de Aziz, o tom predominante é o branco e verde oliva, deixando o ar mais sóbrio, com muita influência mediterrânea. Já quando o núcleo protagonista desembarca no Brasil, a novela ganha mais cor com uma paleta plural e diversificada, retratando esse país que acolhe as diferentes culturas.

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Como é dirigir uma novela com tantas culturas diferentes? 

Fernández – É um desafio em vários aspectos. O principal é dar credibilidade a esses núcleos, que precisam realmente representar cada uma das culturas. A gente “fez” a Síria, o Líbano, a Grécia e Londres… tudo no Brasil. Eu gosto de pensar nisso. É estimulante. O fato de a gente não ter viajado para esses países, de não ter ido para esses lugares, talvez tenha tornado a novela ainda mais realista. Se a gente tivesse viajado, talvez optaríamos por lugares turísticos, lugares mais facilmente identificáveis. Aqui, a gente pode se concentrar na essência e procuramos locações que traduzissem essa essência. Era o maior desafio. E o que me deixou mais feliz foi a reação do Kaysar Dadour, ex-participante do ‘BBB 18’ e refugiado sírio, no campo de refugiados cenográfico e em várias locações. Ele chegava e dizia “caramba, mas está muito igual”. Teve uma vez em que estávamos fazendo uma cena dele fumando narguilé com os amigos. Ao ver um figurante caracterizado de árabe, ele já chegou falando com ele em árabe. O maior desafio virou a coisa que mais está nos dando prazer e nos emocionando. 

Como contar uma história de amor, tendo como pano de fundo a questão do refúgio? 

Fernández – Uma das coisas que eu mais acho bacana na novela é a forma como ela é escrita. Ela é um folhetim clássico, com todos os recursos que conhecemos, mas acho que tem uma releitura adaptada para a cultura desses personagens. Os gatilhos que detonam um folhetim aqui são detonados em função desses personagens. Além do fato deste amor acontecer num campo de refugiados, um lugar improvável. Mas quando pesquisamos, descobrimos muitos casos de pessoas que se encontram, se casam e se relacionam em situações similares às de Laila (Julia Dalavia) e Jamil (Renato Góes). Também temos a preocupação de não reforçar estereótipos. A maneira como o tema vem sendo tratado é muito consistente. Para nos aproximarmos dessa realidade, teremos, por exemplo, refugiados reais em cena, tanto na figuração quanto no elenco, como é o caso de Kaysar Dadour e também o Blaise Musipère, ator congolês que faz um haitiano. 

O que mais atraiu você nesse projeto? 

Fernández – É muito bom fazer um projeto que é dramaturgicamente consistente, e ainda se propõe a levar uma mensagem para as pessoas de compreensão, de fraternidade, de respeito ao que nos é diferente, que nos é desconhecido. É um tema muito contemporâneo, não só no Brasil, mas no mundo.  

Como o humor está presente nessa novela? 

Fernández – O humor está presente na novela como um todo. Há alguns núcleos onde isso será mais marcado como, por exemplo, o núcleo da Vila Mariana, onde as famílias de judeus e palestinos são vizinhas, e a relação entre eles vai ser apresentada com um misto de animosidade e leveza. Mas, em algum momento, eles vão se aproximar, para dar essa ideia de fraternidade e transmitir uma das mensagens centrais da novela, de que todos somos filhos da terra e temos uma só ancestralidade. 

Como está sendo a parceria com as autoras Thelma Guedes e Duca Rachid?

Fernández – Nossa relação tem sido de muito trabalho, mas muito prazerosa artisticamente. Thelma e Duca são autoras muito sensíveis e interessantes. Desde o início conversamos muito sobre tudo o que diz respeito ao produto e isso gerou uma relação de muita confiança, bem bonita. Acredito muito no que estamos realizando como uma equipe.

Órfãos da Terra

Com estreia prevista para 2 de abril, ‘Órfãos da Terra’de Duca Rachid e Thelma Gurdes, que escreve com Dora Castellar, Aimar Labaki e Carolina Ziskind e com a colaboração de Cristina Biscaia. A novela tem direção geral de André Câmara e direção de Pedro Peregrino, Alexandre Macedo e Lúcio Tavares.

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