Tereza “Dez anos de terapia não fazem o que dois meses dentro da casa me fez.”

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A força e o autoconhecimento de Tereza

Tereza
foto João Miguel Júnior

Arretada. Foi assim que Tereza sempre se definiu. Nos 57 dias que passou na casa do ‘BBB 19’, a pernambucana misturou momentos de muita alegria e espontaneidade com outros de carência e solidão. Jogar, para ela, também não foi tarefa fácil. “Depois de assistir a 18 edições do programa eu achei que ia saber exatamente o que fazer. Mas a realidade quando se está lá dentro é bem diferente: não acertei uma jogada! Apesar de me sentir de lado nos grupos que se formaram, me diverti muito. Dancei, brinquei, dei meu máximo nas provas, com toda a garra”, conta.

Paredão quádruplo

Em um paredão quádruplo, inédito na história do ‘BBB’, ela disputava a permanência no reality com Alan, Carolina e Hariany. Os dois primeiros foram salvos da berlinda pelo público e a casa teve que definir entre Tereza ou Hari para continuar no game. Com cinco votos – de Paula, Gabriela, Rízia, Carolina e Alan – a psicanalista saiu do ‘BBB 19’ nesta terça, dia 12. “Saio do BBB muito mais paciente, tolerante e olhando muito mais para mim. Há muito tempo eu não parava para me ver em frente ao espelho ou me maquiava com tranquilidade, por exemplo. No corre-corre aqui de fora, a vida passa e a gente nem vê. O ‘BBB’ foi, para mim, uma viagem interior, de autorreflexão e de total experiência de vida. Dez anos de terapia não fazem o que dois meses dentro da casa me fez”, analisa. Na manhã desta quarta-feira, dia 13, apenas algumas horas após deixar o jogo e sem conseguir dormir, ela falou sobre a experiência de viver o reality, suas jogadas, afinidades, lealdade e solidão.

Entrevista com Tereza – a sétima eliminada do BBB19

Estar no BBB foi como você imaginava?

Tereza – Não! Eu pensei que era fácil (risos). Depois de assistir a 18 BBB’s eu imaginei que ia saber exatamente o que fazer. Mas a realidade é bem diferente: foi difícil jogar, eu não soube. Não acertei uma jogada! Apesar de me sentir de lado nos grupos, me diverti muito. Dancei, brinquei, dei meu máximo nas provas, com toda a garra. Fui para jogar e tentei, mas não consegui. Agora, o que dependia do meu esforço físico e da minha batalha, eu fiz.

Por que você diz que acha que não conseguia jogar?

Tereza – Não conseguia enxergar bem o jogo. Como eu rompi com um grupo logo no início do jogo, porque não queria jogar da mesma forma que eles, fui acusada de traíra, já que, segundo eles, fui beneficiada com a proteção e, em seguida, rompi com o grupo. Mas não rompi com o grupo afetivamente. Fui fiel, nunca votei em nenhum deles. Eu só não queira participar daquela estratégias de jogo. E aí eu saí de um grupo que combinou voto e o outro grupo, que não combinou, não me aceitou. Fiquei só. Por mais que eu tentasse me aproximar, não acontecia.

Como você descreve o período em que esteve no BBB?

Tereza – Foi um período de total experiência de vida. Dez anos de terapia não fazem o que dois meses dentro da casa fazem. Estou saindo do BBB muito mais paciente, tolerante e olhando para mim muito mais. Há muito tempo eu não parava para me ver em frente ao espelho ou me maquiava com tranquilidade. No corre-corre aqui de fora, a vida passa e a gente nem vê. O BBB me fez olhar muito mais para mim, foi uma viagem interior, de autorreflexão.

Por que você acha que foi eliminada?

Tereza – Talvez, por ter me sentido acuada, eu não consegui ser a Tereza que sou aqui fora. Pela minha carência afetiva, eu acabei não batendo de frente com pessoas que mereciam. Bellinha, por exemplo, me expôs na situação do ronco de Rodrigo. Comprei uma briga por ela e aí ela foi dormir em outro quarto. Naquele momento, eu até consegui falar. Quando rompi com o grupo, consegui também. E foi a partir daí que comecei a ver as coisas que eu achava que estavam erradas e acabei ficando muito só.

Você disse que não soube enxergar o jogo. Mas seu objetivo era ser uma jogadora dentro do BBB? E qual era a sua estratégia para este jogo?

Tereza – Observar o jogo e ir me livrando dos paredões. Mas foi tudo ao contrário, não consegui fazer nada disso (risos). Por mais que eu imaginasse os votos, minha opção era sempre não saber quem votava em quem. Eu não conseguia ter a sutileza de observar o jogo e acertar. Até quando eu queria acertar eu errava, como nesta última semana, quando votei no Alan. Eu achava que ele não teria nenhum voto e ele acabou indo ao paredão comigo.

Muitas vezes você se queixou sobre se sentir só dentro da casa. Você acha que essa escolha de não fazer parte de um grupo pode ter te prejudicado e ter te afastado dos outros participantes?

Tereza – Sim. Quando optei por jogar só, eu não disse que queria ficar sozinha na casa. Não disse que não queria companhia ou fazer as coisas junto. Eu disse apenas que não queria saber em quem as pessoas votariam. Mas levaram isso para o outro lado, porque se sentiam ofendidos, já que achavam que estavam me protegendo, e me colocaram para escanteio. E o outro grupo não me aceitou. Eu não fiz a opção de estar lá sozinha. Sou muito gente, muito povão, gosto da galera, de estar agitando. E muitas vezes eu me recolhia porque estava num grupo de pessoas onde todos queriam que eu saísse da casa. Por mais que eu tentasse me aproximar, eu sentia a rejeição. Por que ficar tentando? Então eu me afastava, ia para o meu balanço. Nossa, como eu usei aquele balanço…

E aqui fora, como será? O que aconteceu lá dentro, fica no BBB? Você pretende continuar tendo contato com os outros Brothers?

Com todos eles. O que acontece no Big Brother fica no Big Brother. Não vou trazer nenhuma mágoa para fora. Acho que tudo faz parte do jogo e agora eu só quero muito amor e muita sintonia.

Tem alguém em especial que você queira reencontrar?

Quero muito ver o Gustavo. Não sei se no decorrer do jogo a gente se daria tão bem quanto se deu na primeira semana, mas é uma pessoa por quem tenho muito carinho. Vini também. Me encantei por ele.

Ir para o Paredão algumas semanas seguidas te fortaleceu no jogo?

Não. Me deixava muito frágil. Deixava ainda mais clara a minha rejeição dentro da casa.

Mas você voltava. E aí, o que você sentia?

Aí eu achava que estava voltando porque não estava indo com pessoas que estavam sendo queridas aqui fora. Para mim foi uma surpresa ontem Carol ter se fortalecido tanto. Quando eu rompi com o grupo que combinava voto e vi que eles estavam saindo um a um, achei que tinha dado o tiro certo. Fui com Maycon, com Bellinha e todos saíram. Quando disputei com Carol ontem, achei também que ela poderia ir embora, já que ela também fazia parte daquele grupo. Ver que ela foi a mais aceita pelo público me fez ter certeza de que era a hora de eu sair mesmo.

Por que você quis entrar no BBB?

Era um sonho do meu filho David. Em 2016 fiz a inscrição dele e acabei fazendo para mim também. Fiz novamente em 2017 e em 2018. Na minha cabeça, eu só ia parar no dia que entrasse. E eu consegui. Todo ser humano gosta de aparecer, não tem um que não goste. Sempre fui muito espontânea e, de fato, sempre gostei de aparecer (risos). Meu objetivo principal em entrar no BBB era poder ajudar meus filhos, modificar um pouco a vida deles, e também colocar meu projeto social em evidência.

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Dentro da casa, o que mais te surpreendeu?

Fiquei encantada com aquela casa de rico! (risos) A estrutura da casa é fantástica, tudo lindo demais, muito mármore, muito dourado. E ter aquele balanço era o meu refúgio, o lugar que me fazia lembrar do meu sítio.

Quais eram os momentos mais aguardados por você?

A prova do líder, com certeza. E eu não ganhei nenhuma. Queria muito ter conseguido uma liderança.

Já dá para fazer um balanço de como foi a sua participação? Você sai diferente de como entrou? O que mudou?

Foi um período importante para eu me tornar ainda mais tolerante com o próximo. Foi tempo de reflexão, de me fazer desacelerar e conseguir olhar ainda mais o outro. Sei que sai uma nova Tereza do BBB, bem mais paciente.

No seu jogo, tem alguma coisa que você faria de diferente?

Se eu pudesse me lembrar de tudo o que aprendi nas minhas análises e em todos os cursos que fiz, eu teria colocado isso mais em prática lá dentro. Mas não deu… Não consegui utilizar as ferramentas que eu tinha para amenizar os momentos em que me sentia mais tristinha. Se eu pudesse, teria segurado mais a minha onda.

E agora, quais são os seus planos?

Quero que essa evidência traga alguns frutos para meus filhos. Me sinto uma mulher muito rica, me sinto realizada. Hoje, meu desejo é mudar a vida deles. E gostaria muito também de fazer meu doutorado na Argentina. Eu passei, mas não tive grana para cursar.

Quem você considera o jogador mais forte?

Acho a Rízia muito forte.

Vai torcer para alguém lá dentro?

Torço por Elana. E para Dan. Apesar deles não me protegerem, torço para que cheguem à final.

BBB19

O ‘BBB19’ tem direção-geral de Rodrigo Dourado e apresentação de Tiago Leifert. O programa vai ao ar de segunda a sábado logo após ‘O Sétimo Guardião’, exceto às quartas, quando passa depois do Futebol. Aos domingos, o programa é exibido após o ‘Fantástico’. 

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