João Pedro Oliveira “Serginho é um presente da comunidade LGBT, e negra também.”

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João Pedro Oliveira faz CHECK-IN no portal TV a Bordo

foto Edu Rodrigues

por Warlen Pontes

A caminhada artística do João Pedro Oliveira começou há mais ou menos dois anos. Depois de fazer muitos trabalhos como modelo de uma agência, ele foi chamado para participar de um teste e integrar o elenco de ‘Malhação – Vidas Brasileiras’ e, durante um workshop de preparação, o encanto pelo ofício de ator aconteceu. “Foi o suficiente para eu entender que era aquilo que eu queria para minha vida”, revela.

E um novo convite apareceu para novos testes, desta vez em ‘Malhação – Toda Forma de Amar’. De cara, enfrentou um personagem para lá de polêmico, protagonizou o terceiro beijo gay da novela e comemora o sucesso na trama de Emanuel Jacobina. Quer saber mais? 

Com vocês, João Pedro Oliveira:

TVaBordo – A estreia do Serginho superou as suas expectativas?

João Pedro Oliveira – Superou muito. Não esperava que ia ser tão significante, tão grande na minha vida. Tive uma aceitação muito boa e um grande retorno, o que me deixou muito feliz e muito realizado. Já de primeira, senti que ia ser uma coisa muito boa quanto pessoa e, também, como ator. Eu não fazia ideia das coisas que viriam (na estreia), de que fosse ter um retorno tão bom assim. Senti que seria uma coisa que ia me engradecer muito como pessoa, e de fato foi.

TVaBordo – Houve alguma preparação especial para a construção do Serginho? Como foi esse processo de construção?

João Pedro Oliveira – Meu ponto de partida foi conversar com amigos como o Serginho, jovem negro, gay e de periferia, para trocar ideias, para ser, de fato, orgânico e sólido, o que me ajudou muito. Participei do curta-metragem do Yuri Costa chamado EGUM. Ele foi uma das pessoas que me ajudaram bastante na construção e que me fez refletir sobre todas as camadas do personagem. Durante o processo de seleção, participei de workshops, e o Yuri me ajudou também a desenhar um pouco o Serginho… que é um presente da comunidade LGBT, e negra também.

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TVaBordo – Qual foi a sua maior dificuldade para desenvolver o Serginho?

João Pedro OliveiraUma grande dificuldade que eu tive foi enxugar um pouco essa coisa solar através do riso que eu tenho. Eu costumo sorrir pra tudo. Sou muito sorridente, muito solar, muito feliz, e estou o tempo todo com essa energia, e isso, de certa forma, passa um pouco para a minha parte dramatúrgica; Serginho é um cara que, com todas as dificuldades da vida dele, ele ainda é uma pessoa feliz… levei muito essa leveza através do meu sorriso pra ele… e aí eu precisei desconstruir essa leveza através do sorriso, que foi um processo um pouco complexo até eu conseguir, mas, com ajuda da Cris Moura (preparadora de elenco) e, principalmente, da diretora Tila Teixeira, eu consegui pensar muito sobre essa questão e enxugar bastante. Hoje em dia eu tenho um pouco menos dificuldade para fazer isso, mas, racionalizando, eu consigo chegar nesse lugar facilmente de uma seriedade, que não é esvaziada.

TVaBordo – Quais são as diferenças e as semelhanças entre o João Pedro Oliveira e o Serginho?

João Pedro Oliveira – Principal diferença é que o Serginho é muito paciente, e eu não sou muito paciente assim. Ele é um pouco incisivo, e eu sou muito mais racional. As semelhanças são as coisas que ele faz baseadas em amor, pensando nas pessoas. Existem outras, mas quis ressaltar essas porque são mais importantes, mais “gritam” (sic) pra mim.

TVaBordo -Você contracena com alguns veteranos da TV. Diante dessa observação, como funciona a relação com os atores ou atrizes que têm mais experiência? Como é essa “troca de figurinhas”?

João Pedro Oliveira – Ana Miranda (minha avó), Karine Telles e Roberto Bomtempo (meus sogros), eles dão um show em cena! De fato, eu sinto uma coisa muito grande quando estou no set com essas pessoas, porque é uma questão de aprendizado. Eles compartilham muito as coisas que eles aprendem pra gente; dão dicas; estudam sempre com a gente; estão sempre disponíveis e abertos para que a gente passe as cenas… para que a gente realize um bom trabalho com o apoio deles também, e isso faz toda a diferença.

TVaBordo – Utiliza alguma técnica de memorização para decorar o texto?

João Pedro Oliveira – Eu procuro comer bastante brócolis (risos), porque ajuda muito na memória. Tenho facilidade de decorar o texto e a forma mais fácil que eu tenho de chegar nesse lugar de decorar o texto é de entender em que contexto está inserido cada cena… o que está se passando, quais são os sentimentos, o porquê dele estar nesse lugar… eu vou buscando essas informações e vou compondo na minha cabeça a cena… a partir disso fica muito mais fácil de decorar o texto. Essa é uma das técnicas que eu utilizo de forma mais rápida.

TVaBordo – E a emoção na hora de interpretar? O processo da emoção está ligado diretamente ou indiretamente na hora de “decorar” o texto?

João Pedro Oliveira – Ligado diretamente, porque na hora da minha primeira leitura, eu já leio recebendo mesmo essas informações que estão sendo dadas… então, a minha emoção vai vir na hora e tem algumas coisas que são bem pesadas. O meu personagem vive umas coisas que são meio-bizarras, e acabo me envolvendo bastante com ele… porque me coloco muito no lugar dele, então, está muito ligada a emoção com o estudo da cena.

TVaBordo – Se fosse criar uma hashtag para o Serginho…

João Pedro Oliveira – Nossa, difícil! Hummm #reisensato (hehehe) porque a galera do Twitter fala muito sobre isso, fala que ele é o rei da sensatez.

TVaBordo – Como tem sido a repercussão com o Serginho? Tem recebido muitas cantadas?

João Pedro Oliveira – Tenho uma interação muito grande com as minhas redes sociais. Eu costumo responder as pessoas, as pessoas compartilham suas vivências, sobre as coisas que elas passam, que o personagem também retrata, e acho isso muito bacana. Eu recebo cantadas sim, lógico, a gente não tem como fugir do assédio, né? E ainda mais quando a gente está realizando um trabalho que está tendo um bom retorno… mas nada tão gritante que chega a este nível absurdo assim… de fato, eles têm muito respeito comigo, e isso é muito maneiro… muito mais uma relação, tipo assim: “caramba! Nós somos muito amigos!”. E é exatamente nisso que a minha relação com o público LGBT é baseada, com respeito, com amor mesmo de quem está próximo e que tá vivendo e se integrando um ao outro. 

pedro alves
foto divulgação TV Globo / Serginho (João Pedro Oliveira) com Pedro Alves (Guga) casal gay em ‘Malhação Toda Forma de Amar’

TVaBordo – É a terceira vez seguida que a novela exibe um beijo gay, alguns dizem que a Globo quer forçar o público a aceitar o “beijo gay” e afrontar grupos conservadores, outros dizem que é uma maneira de acabar com o preconceito… o que você tem a dizer sobre as duas linhas de pensamento?

João Pedro Oliveira – Não acho que a Globo esteja querendo forçar. Acho que é uma coisa normal. Da mesma forma que outros vários casais héteros na trama rola o beijo, e de uma forma natural, não contestada, acho que o beijo entre dois personagens homossexuais, também deveria rolar, sem ser contestada, porque essas coisas acontecem, porque essas pessoas existem… essa é a minha perspectiva sobre o assunto. Eu acho (com certeza) que é uma maneira de acabar com o preconceito, porque quanto mais a gente fala sobre, a gente consegue trabalhar em perspectivas, sabe? Consegue comunicar, se colocar naquele lugar a partir do que a gente fala, se a gente visibiliza, e não parte para o negacionismo mesmo, a gente não consegue evoluir em determinados assuntos. É uma forma também de debater sobre isso.

TVaBordo – Então, faça um convite para a galera assistir à Malhação Toda Forma de Amar.

João Pedro Oliveira – Se você curte amor, se você gosta de empatia, se você é uma pessoa que procura o bem, que procura a luz, se divertir, se emocionar e estar bem, em questão de entretenimento, eu acho que você deveria assistir à novela, porque ela é bem recheada de todas essas coisas. Uma novela que, em alguns momentos, é uma novela séria que debate coisas muito importantes para o momento que a gente está vivendo e, ao mesmo tempo, também traz uma leveza um tanto quanto interessante para o momento que a gente está vivendo, então, tem esse alívio, tem esse momento de debater, tem toda uma linhagem e cheia de boas nuances. Isso é muito gostoso de viver. Se você curte tudo isso, você vem com a gente para assistir à Malhação Toda Forma de Amar (hehehe).

TVaBordo – Uma frase que norteia a sua vida?

João Pedro Oliveira – “Não tem, pra trás nada, tudo o que ficou tá aqui.” – música do Rubel – ‘Partilhar’; é exatamente isso: não ficou nada para atrás na minha vida, e tudo que ficou já tá aqui, e a partir disso aqui que a gente vai ver, e viver com felicidade, amor e alegria.

João Pedro Augusto de Oliveira nasceu no dia 19 de Junho de 1999, em São Gonçalo – RJ.

João Pedro Oliveira
foto arquivo pessoal

Sobre a foto

Essa aqui é de fato uma foto importantíssima e que me marcou muito. Na foto da esquerda para direita, Vívianne, Vanessa e eu. Essas são minhas irmãs, e elas são a minha força, minha fonte de inspiração, um tanto quanto protetoras e amigas! Esse dia, foi o dia em que Vanessa se formou em Pedagogia na UFRJ. Vanessa é a primeira mulher da minha família a se formar numa faculdade pública. Ela sempre cuidou de Vivianne e eu como seus filhos, e eu sou grato às duas por terem me dado base para estar onde estou, sendo quem eu sou hoje em dia! ❤

Assista ao clipe com a música “Partilhar”:

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