Carolina Kotscho e Maurício Farias falam sobre a série HEBE

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Carolina Kotscho e Maurício Farias – autora e diretor contam sobre a trajetória de uma das maiores apresentadoras da televisão, HEBE, que estreia dia 30 de julho

Carolina Kotscho e Maurício Farias
Maurício Farias e Carolina Kotscho / foto Fábio Rocha

Em ‘Hebe’, série que estreia no próximo dia 30 de julho na TV Globo, quem recebe a missão de contar a história da artista ao público é ela mesma, assim como fez em vida. Mas isso não acontece de maneira linear. Através das memórias da própria protagonista, o roteiro é delicadamente bordado por um livre vai e vem no tempo, que contempla situações vividas pela personagem desde a sua adolescência, antes do despertar artístico.

Desta forma, situações vividas em períodos completamente diferentes se unem por um sentimento comum – ou mesmo antagônico. Nesta medida, é possível que desdobramentos do casamento de Hebe e Lélio, na década de 1980, dividam o mesmo episódio que o primeiro contato de Hebe e Décio, na década de 1960.

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Já no quesito realização, o diretor artístico Maurício Frias procurou, para além de mostrar a vida de Hebe, lançar mão de ângulos incomuns, se comparados à forma como o público sempre assistiu à apresentadora, levando o expectador para trás das câmeras.
 
Outro conceito que guia toda a concepção artística de ‘Hebe’ é a fuga de uma reprodução literal das histórias, das aparências das pessoas e dos acontecimentos. Por se tratar de uma releitura da trajetória de Hebe Camargo, os personagens são apresentados com todas as suas nuances e os detalhes que marcam suas personalidades. 

Na entrevista a seguir, Carolina Kotscho e Maurício Farias falam sobre esse trabalho.

ENTREVISTA COM A AUTORA CAROLINA KOTSCHO   

Qual foi a maior dificuldade em resumir uma carreira e uma vida tão movimentada em dez episódios?
Era um material tão rico, tão denso, que o que eu fiz foi um mergulho muito solto e profundo. Eram mais mais de 3 mil recortes de jornais e revistas, que uma fã guardou, desde que a Hebe estreou no rádio até o final da vida dela. Então, eu tinha a Hebe na primeira pessoa com todas as contradições e todas as exposições dela. Eu fiquei muito emocionada com o resultado porque tudo era um risco enorme. Era um risco você ter um Roberto Carlos que não é ele. Uma Hebe que não é ela. Quando a gente conta a nossa história, a gente não conta ela cronologicamente. Um assunto puxa o outro, como a morte da Carmem Miranda, que faz a Hebe se lembrar de uma música que ela cantava. Eu tinha indicado no roteiro esses gatilhos das transições, mas o que Maurício e Maria Clara fizeram foi muito além do que eu tinha imaginado. Deu tudo muito certo!

Como surgiram os nomes de Andrea Beltrão e Maurício Farias para a realização do projeto?
Eu pensei na Andrea Beltrão porque me encantei quando eu assisti a um filme do Eduardo Coutinho chamado ‘Jogo de Cena’, e tive certeza de que ela poderia fazer a Hebe como eu imaginava. Acho brilhante o que ela faz nesse filme: a Andrea tem a energia explosiva da Hebe, mas nesses filme chega também em um lugar íntimo do drama, e é muito difícil encontrar as duas coisas em uma atriz. Então eu não tive dúvidas de que a Andrea daria conta do recado. Ela não se parece fisicamente com a Hebe, mas ela ocupou esse lugar muito bem. O trabalho do ator depende de dar conta da intensidade de um personagem e eu vi na Andrea essa pessoa.   

Em relação ao Maurício, além de todo o sucesso que faz na TV e com o humor, ele também tem um trabalho autoral. Sob esse aspecto, o filme mais autoral dele é o ‘Verônica’, que é um drama muito denso. Então, de alguma maneira, tanto Andrea quanto Maurício trazem o que o projeto ‘Hebe’ precisava. Eles fazem sucesso, têm o brilho e a experiência da TV, mas procuram, em seus projetos autorais, o drama. E é esse encontro que a história da Hebe pedia.

Quais momentos que ficaram de fora da série e que se você pudesse você incluiria ?
Nossa, tanta coisa! É muito difícil. Se você pegar o Roda Viva com a Hebe, cada palavra dela fazia sentido com muita força e verdade. Toda a parte dela mais jovem é um universo muito interessante. A história do país passava por aquele palco, e cada historia de amor dela dava uma história inteira. Acho que a essência está lá, o desafio era esse escolher os momentos que melhor a representavam. Tudo que está ali na série, a Hebe fala em algum momento da vida.

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Porque escolher mostrar a vida da Hebe de um ângulo diferente ao que público se acostumou a vê-la?
A televisão e os programas de auditório têm certa formalidade, então procuramos contar a história como se o público estivesse vendo os programas sendo feitos e não mostrando os programas como eles eram. Procuramos incorporar à linguagem da série a sensação de que aquilo tudo estava acontecendo bem naquele momento. Na série, o público está atrás das câmeras

O quanto uma história como a de Hebe Camargo dialoga com o cenário atual?
A sociedade vive um momento particular. As pessoas têm dificuldade de se entender, de debater, de escutar, e isso tudo a Hebe fazia muito bem. Ela era uma pessoa da fala e do diálogo. A imagem dela foi sendo transformada ao longo do tempo: de “rainha da gafe”, como já foi chamada, à maior comunicadora do Brasil tem uma distância enorme. E ela construiu essa mudança de opinião das pessoas através do diálogo. Lutou durante toda a vida profissional para manter os programas ao vivo e ter um controle sobre o que estava sendo dito. A opinião dela a levou em lugares de muito confronto. Hebe foi processada, censurada. Ela é uma figura que representa uma pessoa que, a todo tempo, procurou ter diálogo com quem quer que fosse.

O que o público pode esperar da série ‘Hebe’?
Um reencontro com essa comunicadora e essa mulher incrível que era a Hebe Camargo, completamente à frente de seu tempo, e que já nos anos 40 tinha uma postura muito diferente das mulheres da época e muito mais parecida com a postura das mulheres de hoje. Alguém que teve muita resistência durante todos os anos de vida, não só profissionalmente como também em sua vida particular. E que vivia, de certa forma, uma contradição, porque era uma mulher tão à frente de seu tempo e, no entanto, também sonhou em ser e representou uma mulher do seu próprio tempo – a dona de casa, a rainha do lar, essa “madrinha do Brasil” que ela foi se tornando. Não é à toa que os programas da Hebe tinham um sofá no cenário, lembrando uma sala, uma casa. Acho que isso representa a Hebe em toda a sua complexidade e em toda a sua grandeza, com todas as suas fragilidades.

Hebe

‘Hebe’ estreia na TV Globo no dia 30 de julho e vai ao ar às quintas-feiras, após ‘Fina Estampa’. Original Globoplay, desenvolvida pelos Estúdios Globo, a série é criada e escrita por Carolina Kotscho, tem direção artística de Maurício Farias e direção de Maria Clara Abreu.

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