Cine Holliúdy: Carri Costa, Haroldo Guimarães e Solange Teixeira comentam volta da série

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Quinto episódio da série vai ao ar hoje, terça-feira, dia 04. Carri Costa, Haroldo Guimarães e Solange Teixeira comentam também sobre a importância da representatividade no audiovisual brasileiro

Carri Costa, Haroldo Guimarães e Solange Teixeira
foto Marcus Rocha

Assalto ao banco de Pitombas coloca Francis na mira da polícia

Greve geral em Pitombas? Os gastos obscuros do prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele) com uso de verba pública chamam a atenção do líder da oposição, Seu Lindoso, interpretado pelo ator cearense Carri Costa. “‘Cine Holliúdy chega num momento muito interessante para a família brasileira. Nos dá uma sensação de brasilidade, de pertencimento. Eu acho que é uma série que marcou e que vai continuar marcando”, comenta. Assim como Carri, Haroldo Guimarães, que interpreta o Munízio, e Solange Teixeira, que dá vida à Dona Belinha, somam décadas de carreira no humor do Ceará. Agora, comemoram a reexibição de ‘Cine Holliúdy’ na TV e recordam com carinho da fase de gravações. Confira a entrevista com os atores abaixo:
 
O que vocês acharam do retorno da série à TV?  
Carri Costa – Fiquei muito surpreso e feliz também. Agora é um tempo em que as pessoas estão muito em casa, estão procurando conteúdo e formas de entretenimento.  ‘Cine Holliúdy’ chega num momento muito interessante para a família brasileira. Nos dá uma sensação de brasilidade, de pertencimento. Eu acho que é uma série que marcou e que vai continuar marcando.
 
Haroldo Guimarães – Achei que foi um presente paro brasileiro. Porque é engraçado, muito engraçado, e traz situações tão atuais que até parece que foram adivinhadas pelos redatores.
 
Solange Teixeira – Ficamos bem felizes com o retorno da série. Foi um alento poder ver novamente ‘Cine Holliúdy’. 
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Falem um pouco sobre o personagem de vocês, por favor. 

Carri Costa – Seu Lindoso é maravilhoso! Ele é um presente! Por mais de 30 anos de carreira, chega nas minhas mãos a ideia de um personagem no qual eu posso trabalhar uma ancestralidade, uma cearensidade que é uma coisa que está ligada ao meu trabalho quanto ator e comediante aqui no estado do Ceará. Ele permeia o meu passado indiscutivelmente cearense. Eu frequentei bodegas comprando coisas, vendo aquele universo do proprietário, daquele administrador, daquele que consegue administrar não só as relações financeiras, mas as relações humanas daquela localidade abraçando, acolhendo, divergindo de todos os personagens e frequentadores. E tem uma pureza, uma diversidade, uma pluralidade de relacionamentos. Muito bacana, eu amo muito esse personagem. 
 
Haroldo Guimarães – Munízio é o faz tudo no ‘Cine Holliúdy’ e braço direito do Francis (Edmilson Filho). Da projeção à bilheteria, da elétrica à limpeza, Munízio tem o domínio daquele espaço. É o representante da maior parte do povo brasileiro: trabalha muito, exerce uma profissão informal, tem muito talento no improviso – e, porque não dizer, na gambiarra – e está sempre pronto para desafios que desconhece. Munízio é grande, desajeitado e sensível, e se notabiliza pela fidelidade ao Francis.
 
Solange Teixeira – Belinha é uma mulher arretada! É uma mulher que está sempre atenta a tudo que acontece na cidade. Ela também gosta de ajudar o marido nas empreitadas dele do governo, mas sempre de uma maneira bem crítica, porque a Belinha é uma pessoa correta da maneira dela. Ela é forte, gosta de expressar bem o que acha das coisas. Ela deixa tudo na ponta da língua, não engole nada, nenhum desaforo. 
 
Que lembranças vocês guardam da fase de gravações? Alguma cena em destaque? 
Carri Costa – Se eu tivesse que escolher uma palavra que represente os momentos de gravação seria generosidade. Por mais que a gente tenha experiência em audiovisual, por mais que a gente tenha feito filme, programa de televisão, tenha uma relação interessante com a câmera, ali é um exercício novo para mim, e todos, de uma maneira bem coesa, nos deixaram muito a vontade. Foi uma troca bem teatral, porque a artesanalidade do teatro proporciona isso. Todo o trabalho me deixou muito feliz e ver o resultado dele é uma coisa esplendorosa. Deu saudade agora.
 
Haroldo Guimarães – Eu lembro que os atores do Nordeste ajudavam os do Sul a dominar os trejeitos próprios do Ceará. Como viajamos juntos e ficamos isolados no interior de São Paulo (na cidade de Areias, onde foi feita a maior parte das gravações), por todo o tempo da gravação, alimentamos um sentimento de trupe, com atores sendo verdadeiros amigos. As gravações foram na lógica de cinema, com muito esmero técnico e ensaio. Usamos e abusamos de um balé interpretativo em cena, que é uma exclusividade brasileira, e nasceu na Globo, no antigo núcleo Guel Arraes, sendo o maior exemplo o ‘Auto da Compadecida’. Era muito grande o cuidado da direção em garantir essa dança, fluidez e ritmo no texto e nas tomadas.
 
Solange Teixeira – Guardo memórias muito boas das gravações. Ficamos muito próximos uns dos outros. Tivemos muita sorte com esse elenco, cada pessoa é mais legal do que a outra e foi muito bom ter essa convivência. Uma das cenas que me marcou na série foi no quarto episódio, quando a Dona Belinha vai presa. Foi muito engraçado. 
 
A série homenageia os gêneros do cinema. Mais do que nunca, as famílias estão vendo muitos filmes, séries e programas de entretenimento. Como vocês avaliam a importância da arte nesta fase de quarentena? 
Carri Costa – Quando a série foi lançada, no ano passado, muitas pessoas com as quais eu conversava me falavam de resgates. Primeiro de um resgate de uma comicidade que há muito tempo não se via no audiovisual. Esse resgate de comicidade com uma dinâmica diferenciada, com uma respeitabilidade, com um conteúdo pensado e construído para casa, para um entretenimento, e que passasse alguma ideia, um pensamento, um valor além da emoção provocada do riso. E eu acho que esse é o momento para rever isso, esses valores. Reconhecemos muito o Ceará como um celeiro de bom humor, de molecagem, que é, mais do que nunca, uma representatividade do que o universo cómico é mesmo. O riso simplório, a singeleza. Uma coisa universal! E ele está muito impregnado no Nordeste do país, no Ceará. Nada melhor do que esse momento em que as pessoas estão reclusas em casa e podem compartilhar com os seus pares aquela emoção que estão prestigiando e vivenciando com a reexibição de ‘Cine Holliúdy’. 
 
Haroldo Guimarães – A arte, além de nos diferenciar de todos os outros habitantes da natureza, é o que faz a vida valer a pena. Sem arte, a vida parece muito mais uma corrida até a morte. Com a arte, o homem parece ter o controle do tempo e da emoção, que são coisas que geralmente não estão sob seu domínio. Dando a possibilidade de respirar, de rir e de chorar suavemente, a série é uma forma linda de conectar as famílias com a felicidade. 
 
Solange Teixeira – A arte tem sido primordial neste momento de pandemia. Crucial, eu diria. O que seria de nós sem a arte neste momento? As pessoas em casa casa, sem poder sair… Filmes, séries, muita música, livros que a gente nunca tinha tempo de ler e estamos colocando tudo em dia. 

Quinto episódio de Cine Holliúdy 

A crise chega a Pitombas e o povo está sem salário. Com a liderança de Seu Lindoso (Carri Costa), que acusa o prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele) de gastos irregulares com verba pública, os pitombenses ameaçam fazer uma greve geral se a prefeitura não pagar os atrasados. Para tentar resolver a situação, o político divide com seu fiel assessor, Seu Jujuba (Gustavo Falcão), o que considera um plano perfeito: armar um assalto no banco da cidade, pagar o que deve à capital e, assim, conseguir mais recursos para liberar o salário de todos.
 
João Netto
Seu Jujuba trata de contratar um especialista para pôr em prática o plano do prefeito. Tarde da noite, a dupla marca um encontro com um meliante (João Netto, em participação especial), que confirma o roubo para o dia seguinte.
 
Greve
Como a greve parou a cidade de Pitombas, o povo está com tempo de sobra para encher o ‘Cine Holliúdy’, mas sem dinheiro para pagar pelo ingresso. Com dificuldades para acertar as contas da sala de cinema, Francisgleydisson (Edmilson Filho) tenta conseguir um empréstimo no banco da cidade e coloca o ‘Cine Holliúdy’ como garantia. Na agência, todos se surpreendem quando o bandido anuncia o assalto. Além de perder o dinheiro, a situação do cinemista se complica ainda mais quando ele passa a ser o principal suspeito pelo crime.
 
Cine Holliúdy
As sequências fazem parte do quinto episódio de ‘Cine Holliúdy’, que vai ao ar na próxima terça-feira, dia 04 de agosto, após ‘Fina Estampa’. A série de Marcio Wilson e Claudio Paiva é inspirada no longa-metragem homônimo escrito e dirigido por Halder Gomes. A direção artística é de Patricia Pedrosa e a direção de Halder Gomes e Renata Porto D’Ave.
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